O turismo é uma atividade econômica que transforma os espaços em mercadoria causando impactos negativos no ambiente. Como analisado, a elaboração um planejamento estratégico de turismo que contemple a educação ambiental formal e não formal, bem como a maior participação da comunidade local pode ser um importante instrumento para a mitigação dos problemas ambientais gerados pelo turismo, podendo vir, inclusive, a colaborar com a melhoria da qualidade de vida da população receptora.
O objetivo desse trabalho é sugerir algumas diretrizes para a elaboração de um plano estratégico de turismo participativo para os municípios de Presidente Epitácio e Rosana visto que cada vez mais, está se vendo a necessidade de se realizar planejamentos turísticos que incentivam a maior participação da comunidade. O planejamento participativo considera que a população local é um importante instrumento para a conservação/preservação do ambiente, sendo a maior interessada pela diminuição dos impactos negativos e maximização dos impactos positivos gerados pelo turismo. Mas, para que isso ocorra é necessário que se planeje de maneira organizada e criteriosa.
Há de se considerar que quando se promove um planejamento com a participação da comunidade local, vários obstáculos podem surgir entre eles: a temporal, pois necessita de tempo e energia porque a elaboração não é imediata, tampouco os resultados; a falta de habilidade organizacional, necessitando da ajuda de profissionais da área de turismo, educação e administração para a elaboração do planejamento; resistência da população, que pode enxergar essa atitude como uma
grande perda de tempo e também a dificuldade de continuidade, pois como o representante do poder executivo tem um tempo determinado, o plano pode ser abandonado no meio de processo.
Todos esses obstáculos servem, na verdade de motivação à implantação desse projeto nos municípios com atrativos turísticos, pois são os desafios que trazem a vontade de alcançar as metas e os objetivos almejados.
As sugestões apresentadas neste trabalho podem ajudar os administradores a elaborar um plano de turismo voltado à sustentabilidade ambiental e social de Presidente Epitácio e Rosana, podendo mitigar os impactos negativos da atividade e proporcionar melhor qualidade de vida à população local. Um bom gerenciamento do turismo pode implicar na promoção da atividade turística gerando satisfação dos vários agentes do turismo: população receptora, turistas, empreendedores e poder público.
Em primeiro lugar o poder público, por meio da secretaria de turismo ou outro órgão competente, deve avaliar a situação do turismo no município. Fazer um diagnóstico do perfil dos turistas, das infraestruturas básicas (saneamento básico e hospitais), dos atrativos turísticos, do estado de conservação/preservação dos recursos naturais, das condições de tráfego das vias de acesso, dos meios de hospedagens, dos restaurantes, lanchonetes e bares entre outros equipamentos e serviços essenciais à satisfação do turista. As informações necessárias podem ser obtidas por meio de pesquisas, entrevistas e coleta de dados de diversas fontes. Para tal, deve-se formar uma equipe composta por um grupo heterogêneo, tendo pessoas representantes de diversos setores da sociedade: do poder público, das associações de bairro, dos profissionais autônomos, dos comerciantes, dos hoteleiros e demais agentes turísticos, representantes de Organizações Não Governamentais (ONGs) e do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR).
A segunda fase constitui-se da realização de um workshop, tendo como principais objetivos: reunir representantes de vários setores da sociedade, criar um elo entre os grupos, formar uma comissão, analisar o diagnóstico e a real condição da atividade turística nos municípios, palestrar sobre os fundamentos do turismo, conceito, objetivos e princípios de turismo responsável/sustentável e de educação ambiental formal e informal, identificar o melhor programa para o desenvolvimento do turismo nos municípios e determinar estratégias para se viabilizar a implantação de um plano estratégico participativo.
Com base nessa discussão, o grupo deverá chegar a um consenso sobre que atitudes implantar nos municípios a fim de que seja realizada a sensibilização/conscientização da população local, dos empreendedores e dos turistas. Deve existir um equilíbrio entre os interesses diversos, tais como a conservação/preservação dos pontos turísticos, a promoção do desenvolvimento sustentável e a melhoria de renda e dos padrões econômicos da comunidade local.
Uma vez que o grupo determinou a estratégia para a elaboração do plano participativo, é preciso que seja realizado um registro, um documento que deverá ser publicado a fim de informar toda a comunidade receptora sobre a existência do plano e das ações que compõem esse.
Dada a importância desse documento, deve ser redigido com rigor profissional, sendo aconselhável a contratação de um consultor para essa fase. É necessário então, que se contrate alguém que assuma a coordenação dessa terceira fase (um consultor) que deverá ter participado de todas as fases anteriores, ou seja, ter assistido e colaborado na organização do diagnóstico e do workshop, para que assim possa registrar todos os resultados que serão apresentados a todos os munícipes.
Tal relatório passará pela avaliação de vários representantes da comunidade, podendo ser feito por audiência pública, que deverá realizar comentários, críticas e sugestões a fim de que se façam as últimas alterações e adequações. Em seguida o documento deve ser publicado e divulgado.
É importante ressaltar que esse processo descrito neste trabalho deve servir apenas como fonte de referência para os municípios de Presidente Epitácio e Rosana. Deve ser o ponto de partida, pois, na verdade, o plano estratégico participativo para o turismo deve ser individualizado, tendo em vista as especificidades de cada município. Não é uma receita, mas uma sugestão. O ingrediente principal é o envolvimento, a vontade, a criatividade de todos os agentes envolvidos no processo. E mais, é a credibilidade de que, assim agindo, a atividade turística no sudoeste paulista poderá trazer benefícios ao ambiente e a população local.