BÖLÜM 2: SELÇUK BARAN’IN HĐKÂYELERĐNDE YER ALAN
2.5. Psikolojik Durumlarına Göre Kadınlar
caracterizar-se as categorias de análise, que se estabeleça um consenso sobre o que se irá entender por argumento. Considerando a acepção jurídica, argumento constitui-se no raciocínio que conduz à indução ou dedução de algo ou ainda recurso usado para convencer alguém a alterar sua opinião ou comportamento, sendo interessante observar que a ciência jurídica desenvolve uma extensa categorização dos argumentos segundo sua intenção, como por exemplo, o ab absurdo, argumento no qual é admitida a idéia contrária a que se defende para chegar a uma conclusão favorável; o contrario sensu, onde se apresenta como argumento contrário à posição contida em um texto ou o ad hominem, argumento que apela para os sentimentos e não para a razão e os conhecimentos do juiz ou do adversário ou argumento com o qual se procura confundir o adversário, opondo-lhe suas próprias ações ou palavras (Houaiss, 2004). Por outro lado, do ponto de vista da lingüistica seria uma proposição a respeito do qual é feita uma predicação (Houaiss, 2004). Entretanto, para tentar entender a descontinuidade no argumento presente no discurso das vítimas da enchente representada em dois planos em paralelo, o racional e o razoável, busca-se referência no conceito de negatividade compreendido como o “repúdio por projeção de uma idéia que acaba de ocorrer” (Freud, 1925). Através deste processo psicológico, o racional toma conhecimento de uma
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Argumento não segue a definição rigorosa conforme a ciência Lógica e será tratado na linguagem natural
idéia inconsciente carregada de afetividade, sem porém ter que aceitá-la, isto é, incluí-la no processo de compreensão da experiência. Observa-se que o processo intelectual racional permanece separado do processo afetivo onde as idéias estão carregadas de emoções. A aceitação do conteúdo de um pensamento integra a construção do argumento e a negação de uma idéia existente na construção de um argumento é reprimí-la, ou seja, impedir por um processo psicológico que ela produza seus efeitos na compreensão do presente e na construção do futuro. Portanto, na avaliação de uma situação, a negação de algumas qualidades ou características da situação pode ser considerada como a expressão de uma processo psicológico onde o indivíduo que nega expressa sua preferência de que aquela qualidade não estivesse presente. Freud, ao tratar deste processo psicológico da negativa (Freud, 1925, p.297), desenvolve uma série de proposições com grandes implicações sobre a compreensão do processo de tomada de decisão pelo, indivíduo, passando pela avaliação da situação, afirmando ou “desafirmando” que uma idéia tenha existência na realidade. Qual poderia ser a razão para este procedimento? Inicialmente, no processo de construção da identidade o indivíduo tende a introjetar aquilo que considera bom como algo seu e aquilo que é considerado ruim é projetado na realidade externa ao eu. Neste sentido, a negação de uma idéia como que “extrai” a mesma da identidade do sujeito. É ele mas também não é. Para a teoria psicanalítica, este processo intrapsíquico é fundamental na estruturação da identidade e ainda determina para o indivíduo a diferenciação entre o mundo subjetivo interno, o eu e o mundo objetivo externo ao eu, a realidade. Para a construção da relação entre o indivíduo com o mundo externo, torna-se necessário um outro processo que se estruture sobre este primário anteriormente descrito, onde o indivíduo busca ordenar as percepções que estão integradas ao eu e que serão redescobertas no mundo real. Esta distinção externo x interno pode também estabelecer a diferença entre o subjetivo e o objetivo, entre a fantasia e a realidade. A sobrevivência do indivíduo, não apenas do ponto de vista físico mas também psicossocial, implica que um atributo bom possa estar dentro do sujeito e possa também ser reconhecido na realidade onde o sujeito pode apossar-se dele. Este processo do pensar, secundário ao primeiro, é fundamental na avaliação que o indivíduo faz sobre a
realidade caracterizada como o lugar de reencontro dos objetos primários bons e estabelece um sistema de avaliação entre realidade e fantasia, entre objetivo e subjetivo onde o pensar possibilita o recordar de experiências percebidas anteriormente, possibilitando que esta seja reproduzida no presente, mais ou menos fielmente, como representação simbólica do real. Neste sentido, avaliar o risco para a sobrevivência do eu, em uma determinada situação, é uma ação intelectual que decide a qualidade da ação motora que elimina o intervalo entre o pensar e o agir. Entretanto, esta ação intelectual, racional, é impulsionada pelas forças inconscientes e ao voltar-se para o mundo externo pode tanto confirmar o reconhecimento das representações internas no mundo externo e vincular-se a ele como pode, na negativa do reconhecimento, cortar o vínculo com o mundo externo. Este processo psicológico, denominado por Freud de negativa, impede o contato com o eu e inibe a atribuição de sentido à função senso percepção, por estar entre a repressão e a avaliação. Portanto, o exercício de avaliar só é possível após a criação do símbolo da negativa, que dota o pensar de uma liberdade para refletir sobre o reprimido, sobre o que é percebido como mau e, neste caso, ameaçador para o eu. Neste sentido, optou- se por apresentar os argumentos dos entrevistados com relação a dois grandes grupos de idéias, conforme a seguir.
i) A escolha do local de moradia antes do desastre: quais as idéias, de ordem psíquica, social, econômica, afetiva, fantasiosas ou não que sustentaram a decisão de ir morar naquele lugar específico, considerando-se que uma decisão desta monta com implicações em todos os aspectos da vida de um indivíduo passa por um processo de elaboração complexo, embora nem sempre consciente.
ii) A decisão de voltar para morar no mesmo lugar depois do desastre: quais as idéias, de ordem psíquica, social, econômica, afetiva, fantasiosas ou não, que sustentaram a decisão de voltar e reconstruir sua vida no mesmo local em que foi destruída. Em alguns casos, percebe-se neste argumento um esboço de avaliação crítica sobre o papel do sujeito em toda esta história em que o indivíduo se coloca como protagonista, seja na decisão de escolha do local, seja no agir transformador da realidade, de forma a prevenir a repetição deste desastre.