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BÖLÜM 2: YALAN TUTUMUNA GENEL BAKIŞ

2.5. Psiko-Sosyal Açıdan Yalan

Modelos econométricos são utilizados na presente análise para prover informações sobre a relação entre os fluxos de comércio e as medidas técnicas. Os modelos gravitacionais têm sido os mais empregados para essa finalidade. Wilson e Otsuki (2004b) ressaltam que esses podem ser usados para testar hipóteses ou para estimar elasticidades dos fluxos de comércio com respeito às normas e regulamentos técnicos.

O modelo gravitacional assume que o volume de comércio entre dois países depende da renda desses países, da distância geográfica e de outros fatores como cultura, idioma (FRAHAN; VANCAUTEREN, 2006). Para avaliar o impacto de exigências ou restrições de natureza técnica sobre o fluxo bilateral de comércio entre países, tem-se considerado, comumente, o número de normas e regulamentos impostos em um setor ou produto obtidos em base de dados como UNCTAD-TRAINS, PERINORM, Foreingn Agricultural Service – FAS.

Algumas críticas ao uso de simples contagem das normas e regulamentos têm sido levantadas com base na observação de que esses podem variar em termos de restritividade, especificações, e conseqüentemente, em termos de seus impactos para o comércio. Um setor pode

ter um grande número de normas e regulamentos aplicados, mas esses têm um efeito limitado no comércio. Por outro lado, a adequação a uma única regulamentação pode representar aumentos de custos significativos para os exportadores (BEGHIN; BUREAU, 2001).

Para incorporar a severidade das normas e regulamentos nos modelos, os trabalhos utilizam tanto uma variável direta como, por exemplo, um valor especificando um Limite Máximo de Resíduo imposto sobre algum produto (WILSON; OTSUKI, 2004b; OTSUKI; WILSON; SEWADEH, 2001; IACOVONE, 2005), ou utilizam a proporção das exportações cobertas por um determinado regulamento.

Swann, Temple e Shurmer (1996) ajustaram três regressões, onde as variáveis dependentes para cada modelo são: a taxa de comércio (exportação/importação), as exportações e as importações respectivamente. Empregaram variáveis independentes como preços e volumes, o estoque de normas nacionais do Reino Unido e Alemanha e os estoques de normas internacionais dos países. O trabalho identifica que o número de normas nacionais do Reino Unido tem relação positiva como os fluxos de comércio, aumentando tanto a sua importação quanto a exportação, porém o efeito na exportação é mais forte. Um segundo resultado interessante é que as normas nacionais do Reino Unido parecem ter efeito mais forte nas importações e exportações que as normas internacionais equivalentes. Moenius (1999) também fez uso do estoque de normas e regulamentos para estimar o efeito daqueles específicos de um país e aqueles compartilhados entre países. Os resultados encontrados mostraram que as normas e regulamentos compartilhados têm efeito positivo no volume de comércio.

Os modelos gravitacionais também são utilizados para avaliar o impacto da harmonização de medidas técnicas nos fluxos de comércio. Frahan e Vancauteren (2006), para medir o impacto da harmonização de regulamentos técnicos sobre alimentos no comércio entre os países da União Européia, empregaram como variável independente a proporção das exportações que estão de acordo com os regulamentos harmonizadas do Bloco. A idéia é que o país importador comprará mais de outro país pertencente ao bloco econômico, quanto mais harmonizado o país exportador estiver com os regulamentos europeus. Os autores constataram que a harmonização tem impacto positivo no comércio intra-bloco. Moenius (2006) também avaliou o impacto da harmonização no comércio agrícola de 15 países e encontrou uma relação negativa entre harmonização e fluxo de comércio. Para ele, o efeito negativo da redução da variedade de produtos supera o efeito positivo da eliminação dos custos de adaptação.

Na literatura brasileira, não foram encontrados trabalhos que utilizam os modelos gravitacionais para quantificar impactos de exigências técnicas. No entanto, outros tipos de modelagem econométrica têm sido empregados com freqüência como, por exemplo, modelos de séries temporais.

Um método econométrico utilizado em dois trabalhos brasileiros para quantificar os efeitos das barreiras técnicas no comércio é o modelo de intervenção. Miranda (2001) foi pioneira na utilização desse modelo para quantificar o impacto de barreiras técnicas e sanitárias no volume e preços das vendas externas de carne bovina brasileira. A autora construiu um modelo de vendas externas de carne bovina, a partir do qual se identificou, nos resíduos das equações estimadas, a indicação de períodos em que as variáveis propostas não puderam explicar as variações nos preços e quantidades. Ou seja, verificou-se a existência de outliers que pudessem ser explicados por eventos de natureza técnica. Os resultados apontaram para um efeito de redução no preço de exportação de 0,06% devido a um embargo europeu às exportações de carne de São Paulo e Minas Gerais em março de 1995.

Faria (2004) também fez uso dos modelos de intervenção para quantificar o efeito de barreiras técnicas impostas às exportações brasileiras de mamão pelos Estados Unidos e União Européia. Porém, diferentemente de Miranda (2001), nesse caso não foi estruturado um modelo de vendas externas, mas sim um modelo ARIMA para as exportações brasileiras de mamão

papaya e a introdução direta das intervenções, que seriam medidas técnicas e fitossanitárias, na

série. Os resultados mostraram que a liberação da importação da variedade Golden pelos Estados Unidos, ou seja, a retirada de uma barreira fitossanitária, teve impacto positivo significativo (significância de 5%) nas exportações.

Souza e Burnquist (2007) empregaram a metodologia de Auto-Regressão Vetorial para simular os possíveis impactos que o não atendimento às exigências técnicas tem sobre os preços domésticos de melão. Os resultados encontrados mostraram que o não cumprimento de uma exigência técnica da União Européia, que implicasse em um banimento das exportações de melão para este bloco, causaria redução de 2,2% no preço doméstico.