3. PROTEZ DİŞ TEMİZLEYİCİLERi
3.2. Protez Kullanımında Dikkat Edilecek Noktalar
Todo o ser em sã consciência vê a felicidade como uma forma de salvação dos problemas cotidianos. A busca por dinheiro, reconhecimento e amor são alguns exemplos de que o remédio para preenchimento desse vazio pode se chamar felicidade.
Em A arte da vida, Bauman faz uma pergunta desconcertante na introdução: o que há de errado com a felicidade? Se felicidade seria ausência de erro, por que fazer uma pergunta desse tipo? O autor explica:
“sociedades como a nossa, movidas por milhões de homens e mulheres em busca da felicidade, estão se tornando mais ricas, mas não está claro se estão se tornando mais felizes. Parece que a busca dos seres humanos pela felicidade pode muito bem se mostrar responsável pelo seu próprio fracasso.”83
Esse fracasso é explícito no mundo das conquistas. As gerações ascendentes se cansam com mais intensidade e rapidez dos relacionamentos amorosos. As novidades e os ganhos trazem um prazer cada vez menor e efêmero. “Qualquer que seja a sua condição em matéria de dinheiro e crédito, você não vai encontrar num
shopping o amor e a amizade, [...] a satisfação que vem de cuidar dos entes queridos
ou de ajudar um vizinho em dificuldade”.84 A díade que gera tensão na frase anterior
vem da relação shopping x amor. Não seria o amor em Cristo e todos os outros sites e aplicativos uma espécie de mercado do amor? Com vitrines, filtros e liberdade para
83 Bauman, A arte da vida, p. 7-8. 84 Bauman, A arte da vida, p.12.
entrar e escolher ou até mesmo devolver caso se arrependa da escolha? No aspecto da felicidade e da escolha, os seculares e os religiosos estão no mesmo barco. Diversos depoimentos do amor em Cristo mostram que o par só foi encontrado após várias conversas e saídas. Isso não quer dizer que tanto em locais físicos (off-line) e lugares virtuais (on-line), a interação não possa gerar amor de verdade ou amizade ou família. O que Bauman afirma em 2008, ano no qual já há muitos sites de relacionamento no mercado, é que você não vai encontrar amor nesses lugares, a não ser que você retire deles a imagem de um shopping center, o que parece ser difícil ao navegar por 40 segundos e observar tudo o que acontece nesses ambientes.
Antes de prosseguir com o sociólogo, uma referência recente pode ser importante para a compreensão da relação entre dinheiro e felicidade. O colunista da Folha de São Paulo, Hélio Schwartsman, escreveu em abril deste ano (2015) um texto85 mostrando que diante de diversas pesquisas realizadas nos EUA, dinheiro
compra sim felicidade, mas só até ganhos de US$ 75 mil anuais; mais do que isso os eixos x e y do gráfico estagnam e geram o que conhecemos como tédio. Hélio conta que os especialistas na relação tratada no texto recomendam que o dinheiro gera uma felicidade mais duradoura quando gasto com experiências e não produtos. Um exemplo dado é escalar o Everest, que traz mais elementos autobiográficos ao indivíduo, logo ele pode falar mais dele em jantares e reuniões.
Robert Kennedy declarou em um discurso, semanas antes de ser assassinado e no auge de sua campanha presidencial, que “o produto nacional bruto (PNB) mede tudo, menos o que faz a vida valer a pena”.86 Bauman concorda com a expressão,
apesar de dizer que nenhum governante, nos mais de 40 anos passados da declaração, se mostrou preocupado com coisas que fazem a vida valer a pena.
Nelson Rodrigues afirmou pelo pseudônimo Myrna que não se pode amar e ser feliz ao mesmo tempo. Essa relação entre amor e angústia é antiga, e se formos para etimologia grega da palavra amor (pathos), encontraremos algo como patologia, doença e loucura, nunca felicidade. A tradução para o latim segue a mesma estrutura: afeto (affectus), ou seja, aquilo que te afeta, te adoece. A ideia de que precisamos ser felizes no amor é uma ideia nova no curso da história. O especialista no assunto Pascal Bruckner afirma que o “dever da felicidade” é próprio da segunda metade do século XX, “que obriga a que tudo seja avaliado pelo ângulo do prazer e da
85 Cf. http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/215337-dinheiro-compra-felicidade.shtml 86 Kennedy. In: Bauman, A arte da vida, p.11.
contrariedade, intimação à euforia que expõe à vergonha e ao mal-estar os que não aderirem a ela.”87 Assim como o narcisista do Lasch, o “feliz” do Bruckner é um
indivíduo banal, que enxerga a infelicidade fora de sua lei.
Em outro livro, Bruckner afirma que “assim como nossos antepassados, não encontramos a solução para os sofrimentos do amor”88. Diante disso, só há dois
caminhos. O primeiro é cair no don juanismo,89 e viver na tentativa da euforia perpétua
e o segundo é tentar manter o amor sólido com uma força psicológica além do comum ou com uma cartilha religiosa ajudando na segurança da perenidade do relacionamento, nunca da felicidade. Como afirma o filósofo Pondé, pessoas felizes o tempo todo, são pessoas que tem um conhecimento raso do funcionamento do mundo, ou seja, conhecer minimamente o mundo inevitavelmente trará uma dose de melancolia.
Para Bauman, a busca da felicidade nunca chegará ao fim, pois seu fim equivale à felicidade como tal. Não existe linha de chegada, a única esperança é se manter no curso e nunca abandonar a corrida. O mercado que vende produtos ou serviços entendeu muito bem que o que está por trás da comunicação da marca, é a entrega de felicidade aos clientes.
O próprio blog do amor em Cristo, conhecido como “devocionais”, escreve textos sobre o tema tentando gerar esse bem estar em seus clientes e atrair cada vez mais e mais usuários para se relacionar não só com um par, mas com a marca. Um dos textos se chama Não busque a felicidade, seja feliz!90 e descreve e usa a ideia de
felicidade constada em Filipenses 4.6, onde diz que a felicidade é estar contente em qualquer situação, e que o segredo é descobrir-se nesse estado perante a presença de Deus. No início do escrito há uma crítica à felicidade unicamente relacionada ao consumo e descreve a sensação como aquilo que somos e não como aquilo que temos. Nada mais justo para uma empresa que vende o amor por uma ferramenta on-
line e não um iphone recém-lançado.
A felicidade odeia qualquer tipo de tensão, e se “o amor teme a razão e a razão teme o amor”91, fica difícil relacionar o amor ao repouso da felicidade. Bauman diz que
amor e razão nunca conversam, sempre gritam um com o outro e no final do duelo o
87 Bruckner, A euforia perpétua, p. 16.
88 Bruckner, Fracassou o casamento por amor?, p.39. 89 Ele é detalhado na parte 2.3.
90 Cf. http://devocionais.amoremcristo.com/artigo/1868/n%C3%A3o-busque-a-felicidade,-seja-feliz!/ 91 Bauman, A sociedade individualizada, p. 205.
amor sempre acaba ferido e a razão triunfante. A fórmula para a felicidade no amor é utópica, pois um mar sem ondas retira a ideia de amor.
Assim como na Constituição norte-americana, todos têm o direito de buscar a felicidade, encontrar é uma outra questão. O estado oposto à felicidade para os contemporâneos seria o tédio, sentimento este difícil de fugir em um mundo onde apesar das múltiplas possibilidades, todas as experiências acabam rapidamente e a cada esquina há um “tédio” à sua espera.
Um grande problema que é tema dos indivíduos das novas gerações é a ideia que cada um pode ser artista de seu próprio eu. Bauman crê que a vida é de fato uma obra de arte e que suas escolhas e desejos moldam o fluxo de cada caminhada. Claro que há uma dose de verdade e essa é uma ideia que os contemporâneos compraram e quando algo dá errado em suas vidas, eles acabam se sentindo totalmente culpados. Mas há um outro lado que Bauman não esquece, mas que esses mesmos indivíduos parecem (ou fingem) esquecer, que é a contingência. Os pós-modernos abominam essa incerteza que o acaso traz e esse é um dos motivos deles não olharem para o futuro.
Dentro do amoremcristo.com entra um elemento que muda o curso da observação. Esse elemento é Deus, que é levado mais a sério por aquelas pessoas do que o Deus dos contemporâneos. Esse Deus do matchmaker é um Deus que ajuda no futuro daquele que o crê, trazendo o amor de sua vida e o ajudando a enfrentar as contingências. Esses usuários apresentam uma crise com o contemporâneo no âmbito ontológico e olham sim para o futuro, que com a ajuda do Senhor os deixam com um bem-estar e com uma sensação de que a vida vai dar certo. Talvez isso seja o que os usuários classificam como felicidade, a companhia do transcendente e do par encontrado no site.