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4. ARAŞTIRMA SONUÇLARI VE TARTIŞMA 17

4.12. Protein Verimi 30

O presente capítulo serve a este trabalho como a descrição do quadro jurídico- institucional em que se insere a fundação de apoio como uma organização de intermediação. Em razão disso, antes de apresentar seus conceitos e a disciplina que esta propõe, propomos uma breve reflexão inicial sobre a principal contribuição para as relações entre universidade e empresa (U&E), qual seja, da Lei como o marco legal de institucionalização da cooperação U&E.

A nosso ver, a Lei parte de duas premissas importantes, a primeira de que a universidade vive um processo de transformação no que diz respeito a suas funções sociais ligadas à produção e transferência de conhecimento para a sociedade32 e a segunda de que projetos cooperativos com o compartilhamento de direitos de propriedade intelectual são o caminho mais curto para a ampliação e diversificação da matriz industrial nacional33.

Ela se opõe à visão de que a aproximação entre universidade e indústria poderia comprometer o seu compromisso com a liberdade acadêmica, em particular, com a livre circulação de conhecimentos e a livre escolha de temas e agendas de pesquisa, em razão da transformação do conhecimento em mercadoria por meio dos direitos de propriedade intelectual.34

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Em uma leitura atenta da Lei n.º 10.973/2004, podemos notar um diálogo direto com o raciocínio de Henry Etzkowitz, quando este busca apontar como o modelo de universidade nos Estados Unidos e na Europa está sofrendo transformações de modo a incorporar aspectos que não faziam parte de suas missões como instituição de ensino e pesquisa. Transformações que são aglutinadas sob a expressão universidade empreendedora , compreendendo desde a participação de universidades em projetos de pesquisa desenvolvidos em conjunto com empresas privadas e públicas, bem como a participação de universidades em empreendimentos empresariais, sendo sócias minoritárias de empresas nascentes voltadas à inovação. Ver em: ETZKOWITZ, Henry et. al. The

future of the university and the university of the future: evolution of ivory tower to entrepreneurial paradigm.

Research Policy 29, 2000, pp. 313 303, p. 314. Disponível em: < http://ideas.repec.org/a/eee/respol/v29y2000i2p313-330.html>. Últimos acesso: 12/05/2011.

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Em um estudo promovido por Brooks e Randazzese, os autores apontam que a pesquisa aplicada desenvolvida por universidades é mais importante para o avanço técnico da indústria do que em regra se discute. O impacto destas pesquisas na matriz das indústrias nacionais não se restringe apenas a geração de produtos ou da solução de problemas técnicos na produção, passa pelo próprio aprendizado estratégico da estrutura produtiva, pela formação e reciclagem profissional, se estende às decisões de aquisição de maquinário, na formulação de testes, no controle de qualidade, dentre outros aspectos não visíveis nos debates sobre o tema, mas fundamentais para a reflexão sobre o crescimento industrial. É a combinação entre os canais de comunicação entre universidade e empresa que são os responsáveis por todo este conjunto de transformações importantes, capazes de diversificar a matriz industrial dos países. Ver em: BROOKS, Harvey; Randazzese, Lucien P. University-Industry Relations: The Next Four Years and Beyond. In: BRANSCOMB, Lewis M.; KELLER, James H. Investing in Innovation:

Creating a Research and Innovation Policy That Works. Boston: MIT Press, 1999, p. 362. 34

Neste trabalho não entramos no debate sobre o mérito da inserção do regime jurídico de proteção da propriedade intelectual no contexto universitário. Sobre este tema há um debate amplo, o qual não quisemos nos

27 Sob uma perspectiva ampla, a Lei n.º 10.973/2004, como norma inserida no ordenamento jurídico brasileiro inaugura de forma expressa uma forma específica de aproximação entre universidades públicas e empresas sob o regime de direito privado, sendo empresas com participação de capital público (empresa pública e sociedade de economia mista) quanto empresas privadas.

Em princípio, não havia proibições explícitas à contratação entre universidades públicas e empresas. Na verdade, havia desinteresse maciço das empresas nacionais, ainda muito ligadas à transferência de tecnologia informada segundo a lógica de substituição de importações e de aquisição de tecnologia estrangeira35, e dúvidas dentro das universidades sobre a legalidade da contratação com empresas privadas, em especial quanto à titularidade de direitos de propriedade intelectual frutos de parcerias com a iniciativa privada e à obrigatoriedade da realização de licitação pública para o licenciamento de uso de tecnologia desenvolvida pela universidade pública36.

debruçar em razão do tema cooperação entre universidade e empresa pressupor que a universidade tenha direitos sobre sua produção tecnológica, uma vez que a cooperação se estrutura a partir de processos de produção e transferência de tecnologia, tendo como instrumentos a propriedade intelectual. Todavia, quanto as críticas sobre as transformações que vem ocorrendo nas universidades pelo mundo, cabe a menção a dois argumentos apontados por Lawrence Soley. O primeiro deles aponta que pesquisadores acadêmicos ao serem influenciados pelo ambiente externo à universidade, em particular por interesses empresariais, teriam comprometidas a sua liberdade acadêmica, principalmente sua livre escolha de temas e agenda de pesquisa. Segundo Soley, a liberdade acadêmica é a desencadeadora de transformações no ambiente social e não o contrário. O segundo argumento da corrente pessimista em relação as transformações ocorridas na universidade aponta para o comprometimento do livre acesso e disseminação de informações de pesquisa no ambiente universitário. Muito embora as informações das cartas patentes sejam públicas, uma vez alcançando a proteção patentária, há um receio considerável de que a disseminação da informação sobre estas pesquisas na universidade sejam retardadas por esse processo, gerando um efeito cumulativo que possa retardar o desenvolvimento tecnológico da própria universidade como um todo, dependente da interação entre seus pesquisadores. Como síntese destes dois argumentos, o Soley afirma que há incentivos positivos para pesquisadores comprometerem suas atividades precípuas como membros da universidade, em especial pois seria mais atraente à eles se envolver em pesquisas com potencial exploração comercial, nas quais dediquem uma parcela maior de seu tempo nos escritórios de transferência de tecnologia, administrando suas invenções protegidas, oferecendo consultorias, auxiliando o processo de licenciamento de suas patentes, ou até criando sua própria empresa, em detrimento da condução e disseminação de suas atividades de pesquisa na universidade ou exercendo suas atribuições de ensino. Para conferir o debate na íntegra ver: SOLEY, Lawrence. Phi Beta Capitalism: Universities in Service to Business. In:

CAQ Covert Action Quarterly, n. 60, spring 1997, pp. 40-45. Também em versão eletrônica sob o Título: The

Selling of Academe: American Universities in Service to Business, disponível em: <http://www.paradigme.com/sources/SOURCES-PDF/Pages%20de%20Sources04-1-2.pdf>. Último acesso: 11/08/2011.

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Nas palavras de Evando Mirra de Paula e Silva, diretor do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos Em grande parte de nosso empreendimento industrial, a modernização tecnológica está embutida no equipamento comprado, o fornecedor é o grande portador do conhecimento . Ver em: PAULA E SILVA, Evando Mirra de.

Modelos de inserção de C,T&I para o desenvolvimento nacional. Seminários temáticos para a 3ª Conferência

Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação. Publicado na Revista Parcerias estratégicas/Centro de Gestão e

Estudos Estratégicos, Ed. especial: n. 20 (jun. 2005), p. 1339. Disponível em: < http://www.cgee.org.br/arquivos/p_20_5.pdf>. Último acesso: 02/06/2011.

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A esse respeito, cabe menção aos comentários feitos por Eva Stal e Asa Fujino em seminário sobre o tema no ano da edição da Lei de Inovação: No âmbito das políticas governamentais, a ausência de política específica

que vise a estimular tal parceria tem sido maior entrave à transferência de tecnologia para a indústria. No caso da legislação, há entendimentos diferentes entre as instituições acadêmicas e de pesquisa sobre a atual Lei de

28 Da perspectiva da cooperação U&E como teoria institucional de aproximação e interação entre Estado, Empresa e Universidade, a Lei não apresentou novidades relevantes, cabendo a menção apenas para a convivência complementar proposta pela lei entre duas organizações de intermediação, a saber, as fundações de apoio e os núcleos de inovação, que será tratada mais de perto nos itens subsequentes.

Nesse sentido, a Lei brasileira serve como objeto concreto de reflexão, pois articula instrumentos jurídicos que almejam induzir e facilitar a cooperação, os quais até então estavam presentes em modelos tradicionais (triângulo de Sábato37) e recentes (Tripla hélice38

Propriedade Intelectual, especificamente nos aspectos que se referem à titularidade, e suas conexões com a lei n.º 8.666, que trata da obrigatoriedade de licitação quando há interesse de instituição pública em processos de compra/venda de ativos. A interpretação de algumas universidades, como a USP, é pela obrigatoriedade de processo licitatório para licenciamento de patente, quando a mesma tiver sido desenvolvida pela universidade e financiada por recursos públicos . Ver em: STAL, Eva; FUJINO, Asa. Gestão da propriedade intelectual na

universidade pública brasileira: diretrizes para licenciamento e comercialização. In: Simpósio de Gestão da

Inovação Tecnológica, 23., 2004, Curitiba. Anais...São Paulo: FEA/USP, 2004. Disponível em: CD-ROM. 37

Jorge Sábato, pesquisador na área de energia nuclear e ex-Diretor da Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina, em conjunto com Natalino Botana, pesquisador do Instituto de Integração da América Latina, propuseram em 1968 o primeiro modelo institucional de interação entre universidade, empresa e governo. O modelo conhecido como Triângulo de Sábato, propunha que cada um dos atores institucionais da ciência e da tecnologia ficassem responsáveis por atividades em que tivessem maior competência. As universidades ficaria resguardada a pesquisa básica e aplicada, enquanto às empresas ficaria o papel de absorção destas pesquisas e sua posterior conversão tecnologia. Ao governo caberia o papel de incentivar a absorção da pesquisa e de tecnologias pelas empresas, criando instrumentos e concedendo benefícios a estas. Interessante notar que mesmo que o modelo não tenha proposto formas em que tais interações iriam ocorrer, foi o primeiro movimento que ressaltou a importância da ciência e da tecnologia para a superação do desenvolvimento nos países latino americanos. Nesse sentido, o modelo serviu mais como uma sinalização de uma tendência de reflexão, do que uma proposta institucional acabada de interação entre empresas, universidades e governo. Segundo Judith Sutz, o mérito das reflexões de Sábato e Botana residiam não apenas na emergência da aproximação entre a pesquisa e a produção industrial na América Latina, como também no apontamento da inserção periférica destes países no contexto da inovação dos países desenvolvidos, mantendo seu padrão histórico de fornecedor de bens e serviços com baixo conteúdo tecnológico e consumidor de produtos com alto conteúdo tecnológico. Para mais detalhes SUTZ, Judith. The university-industry-government relations in Latin America. Research Policy, Amsterdan, vol.

29, pp. 279-290, 2000, p. 281. Disponível em: <

http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733399000669> . Último acesso: 13/07/2011. 38

Henry Etzkowitz em sua obra The Triple Helix: university-industry-government innovation in action, cunhou a expressão hélice tripla como metáfora de um novo arranjo institucional em oposição ao que considerava as propostas de modelos bilaterais de interação entre universidade, empresa e governo, como o modelo do Triângulo de Sábato na América Latina. Enquanto modelos bilaterais a interação ocorria, fundamentalmente, por meio de operações de transferência, segundo o escopo de Programas de incentivo de desenvolvimento tecnológico, o modelo da hélice tripla vislumbra a mudança de papéis dos principais atores dos arranjos de ciência, tecnologia e inovação. Segundo Etzkowitz, há um processo em andamento de transformações nos papéis desempenhados por universidades, empresas e governos. Interações bilaterais, sob a metáfora de uma hélice dupla, em cada ator cumpre um papel determinado, formando pares de interação, universidade-empresa (transferência de conhecimentos), empresa-governo (concessão de incentivos) e universidade-governo (financiamento da pesquisa), estariam dando lugar para interações triplas, em que cada um destes atores ocupariam funções que no modelo anterior eram definidas como função das demais entidades. Por exemplo, universidades passariam a se ocupar do desenvolvimento tecnológico e da formação de empresas nascentes voltadas à tecnologia, e não apenas da produção de conhecimento cientifico e transferência às empresas. Empresas se ocupariam de formar setores de absorção de tecnologias, ampliando seus programas de treinamento e aprimoramento profissional, se aproximando de atividades que até então eram desempenhadas pelas universidades. O governo, ao mesmo tempo que ainda permaneceria no financiamento das atividades de pesquisa e na articulação de incentivos para absorção do conhecimento por parte das empresas, atuaria no fomento de parcerias entre universidade e empresas, bem como na formação de empresas voltadas a inovação tecnológica no

29 e Bonaccorsi & Piccaluga39), que buscam identificar tendências e similaridades na cooperação, bem como diferenças e distorções, suficientes para geração de novos paradigmas.

Sob a perspectiva fática da cooperação U&E no Brasil, a Lei institucionaliza iniciativas que mesmo em meio a incertezas jurídicas sobre parcerias com a iniciativa privada, já eram postas em prática, seja por influência de exemplos internacionais, seja por iniciativa empreendedora de pesquisadores40 e empresários, em particular no contexto de universidades

contexto universitário. Nesse sentido, seu papel seria o de reforçar o hibridismo destas novas relações, em que há empresas dentro da universidade, e em que há formação profissional nas empresas (treinamentos). Segundo Etzkowitz, um cenário que se observa na medida em que centros de pesquisa cada vez mais adotam instrumentos de organização e gestão empresariais, empresas nascentes incorporam elementos acadêmicos, criando um novo tipo de cientista, de caráter empreendedor, bem como uma nova espécie de empresário, de caráter mais acadêmico e técnico. Sobre o modelo de hélice tripla conferir: ETZKOWITZ, Henry. The Triple Helix:

university-industry-government innovation in action. New York: Routledge, 2008. Ver também: ETZKOWITZ,

Henry; VIALE, Riccardo. Polyvalent Knowledge and the Entrepreneurial University: A Third Academic

Revolution? Critical Sociology, 36, 4, 2010. Disponível em: < www.sociologiadip.unimib.it/dipartimento/ricerca/pdfDownload.php?>. Último acesso: 01/05/2011. Ver ainda: ETZKOWITZ, Henry et. al. The future of the university and the university of the future: evolution of ivory tower

to entrepreneurial paradigm. Research Policy 29, 2000, pp. 313 303, p. 314. Disponível em: < http://ideas.repec.org/a/eee/respol/v29y2000i2p313-330.html>. Últimos acesso: 12/05/2011.

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A partir das constatações apontadas pelo modelo de hélice tripla de Etzkowitz, novas propostas de análise destas transformações passaram a ser propostas no contexto de reflexão sobre as interações entre universidades, empresas e governo. Dentre os novos modelos, se destacou a proposta dos pesquisadores italianos Andrea Bonaccorsi e Andrea Piccaluga. Segundo os autores, mesmo que a tendência apontada por Etzkowitz possa ser observada em muitos países, em muitos casos essa tendência surge a partir de movimentos incompletos, os quais reforçam o desempenho de papéis por parte de apenas um ator, ou reforçam as interações em apenas um sentido. Por esse razão, os autores buscaram criar uma taxionomia de relações entre universidade, empresa e governo, de modo a dar conta destes movimentos incompletos em direção a hélice tripla, apontando para cinco tipos de relação, quais sejam: (i) relações pessoais informais (em que a empresa e pesquisadores universitários interagem sem qualquer acordo formal); (ii) relações pessoais formais (em que há acordos formais diretos entre o pesquisador e empresa); (iii) relações institucionais informais (em que há acordos informais entre universidade e empresa); (iv) relações institucionais formais (em que os acordos formais entre universidade e empresa); e (v) relações de interação intermediada (em que são celebrados acordos entre empresas e organizações representantes das universidades, como por exemplo, escritórios de transferência de tecnologia). Como exemplos de arranjos informais os autores apontam a realização de atividades de consultoria individuais e trocas de informação em fóruns, conferência organizadas por empresas. Como exemplos de acordos formais, os autores apontam a contratação por parte de empresas de pesquisa encomendadas, do financiamento de atividades de pesquisa em parceria, a transferência de tecnologia segundo contratos de licenciamento de direitos de propriedade intelectual, bem como a criação de consórcios de pesquisa e incubadoras. O Intuito dessa taxinomia é identificar quais são as barreiras e os facilitadores para as interações segundo o modelo de hélice tripla possam se estabelecer em sua plenitude. Segundo os autores, esta plenitude seria alcançada nas relações formais, em que a interação se desse por meio da intermediação de escritórios de transferência de tecnologia ou qualquer outra forma de entidade de intermediação, pois assim, tanto a universidade não correria riscos de contaminação quanto aos interesses privados de curto prazo, como as empresas também poderiam obter os resultados desejados, não sendo estes comprometidos pelos valores de disseminação do conhecimento das universidades. Para maior aprofundamento no Modelo Bonaccorsi e Piccaluga, ver: BONACCORSI, Andrea; PICCALUGA, Andrea. A theoretical framework for the evaluation of university-industry relationships. R&D Management, vol. 24, issue 3, pp. 229- 247. Disponível em: < http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/j.1467-9310.1994.tb00876.x/abstract>. Último acesso: 06/07/2011.

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Um dos principais problemas relacionados a transformação de professores universitários brasileiros em pesquisadores empreendedores é o seu sistema de avaliação. Enquanto nos Estados Unidos a captação de recursos para pesquisa e o número de projetos realizados são critérios para ascensão na carreira acadêmica, no Brasil e em boa parte da Europa o principal critério de ascensão é o número de publicações em periódicos bem avaliados. Geuna e Nesta, por exemplo, afirmam que na Itália, o sistema de avaliação dos professores valorizam excessivamente as publicações acadêmicas, o que perde o sentido em áreas com conexões importantes com a

30 públicas da região sudeste do país, como a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade de Campinas (Unicamp), a Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) e as Universidades Federais de Minas Gerais (UFMG) e do Rio de Janeiro (UFRJ), cada uma com experiências e formas de organização e gestão da transferência de tecnologia distintas. (TORKOMIAN, 2009, p. 629).

Nesse sentido, organizamos este capítulo da seguinte forma: (a) apresentação de exemplos de cooperação universidade e empresa anteriores à Lei de Inovação, institucionalizados como instrumentos jurídicos à cooperação U&E; (b) apresentação e análise das barreias, do escopo, dos conceitos, instrumentos à cooperação presentes na Lei; e por fim uma (c) reflexão sobre as influências da legislação norte-americana e francesa na Lei nacional, pontuando algumas críticas sobre ausências e lógicas distintas presentes na Lei.

a. Pão de queijo, biphor e PAM Membranas

Dentre as experiências nacionais anteriores à Lei, selecionamos três exemplos de interações entre universidade e empresa que sintetizam três das cinco formas disponíveis de cooperação U&E, quais sejam: (i) contratação da universidade para solução de um problema da empresa ( contratação por demanda de mercado ); (ii) desenvolvimento conjunto de tecnologia ( parceria público-privada tecnológica ); (iii) criação de empresa de desenvolvimento tecnológico a partir de laboratórios de universidades públicas ( incubadoras ou empresas spin-off ).

Além de úteis para uma primeira visualização prática do arcabouço fático que a Lei busca regular, as experiências abaixo descritas também nos servem para definir termos-chave da discussão sobre cooperação, quais sejam conhecimento científico , tecnologia e inovação , fundamentais na compreensão do desenvolvimento de novos produtos, serviços e processos produtivos.

indústria, em áreas como engenharia, química e administração de empresas. Os autores afirmam que número de patentes obtidas, projetos de solução tecnológica, atividades de reciclagem de profissionais da indústria, bem como recursos captados da iniciativa privada, deveriam compor o conjunto de critérios de avaliação dos professores, não apenas na Itália, como em toda a Europa. Professores com atividades diversificadas, capazes de trazem retornos a universidade, sofrem avaliações ruins em relação a professores adstritos a publicações. Os autores fazem questão de afirmar que o ideal não é privilegiar um em detrimento do outro, mas tão somente equalizar situações que aos seus olhos são igualmente importantes para a universidade. Ver em: GEUNA, Aldo; NESTA, Lionel J. J. University patenting and its effects on academic research: The emerging European evidence. Research Policy, vol. 35, pp. 790-807, 2006. Disponível em: < http://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0048733306000655>. Último acesso: 03/08/2011.

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i. Indústria do Pão de Queijo41 e a contratação por demanda de mercado

Não há ao certo uma data para o surgimento do pão de queijo como parte da culinária nacional. Existem registros dele vindos do século XVIII. Contudo, sua popularidade como parte do cotidiano dos brasileiros teve início apenas a partir dos anos de 1950.

Como receita culinária, o pão de queijo: apresenta duas características que determinam aspectos relevantes para sua comercialização: a ausência de fermento biológico ou químico em sua produção e a necessidade de consumo imediato quando pronto.

Nesse sentido, quanto à fabricação o pão de queijo está mais próximo do processo de feitura dos biscoitos de polvilho e não dos pães. Porém, em relação ao seu consumo está mais

Benzer Belgeler