• Sonuç bulunamadı

4. ARAŞTIRMA BULGULARI ve TARTIŞMA

4.2. Kalite Unsurları

4.2.2.1. Protein oranı (%)

Como o contexto deste estudo é a formação de professores em pré-serviço, o estudo sobre crenças com esses indivíduos se torna relevante, uma vez que estas estão relacionadas à construção da identidade. Discorro, nesta seção, sobre os estudos de Gimenez et al. (2000), Barcelos, Batista e Andrade (2004), Gratão e Silva (2006), Barcelos (2006b) e Santos e Lima (2011).

Gimenez et al. (2000) realizaram uma pesquisa com professores em formação de um curso de Letras em uma universidade estadual. O objetivo dessa pesquisa foi descrever, por meio de observações de aulas escritas pelos alunos, as crenças que esses professores em formação possuíam sobre o processo de ensino e aprendizagem em escolas públicas. Como metodologia, as autoras utilizaram a análise exploratória para elencar as oito categorias que surgiram dos relatos de observação feitos. A partir da análise das categorias, Gimenez et al. (2000) verificou que as crenças reveladas por esses licenciandos, ainda no início da disciplina de estágio, ratificaram a ideia de que as crenças são contextuais e baseadas nas experiências vividas pelos indivíduos. Ficou evidente, também, a importância de se estudar as crenças de professores em formação no sentido de identificá-las para modificá-las, facilitando a reflexão constante das crenças do futuro professor e sua identificação com a sua profissão.

Barcelos, Batista e Andrade (2004) realizaram uma pesquisa com quinze alunos do curso de Letras de uma universidade federal, procurando identificar as crenças, expectativas e dificuldades desses alunos no que concerne a profissão de professor, de

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forma a “promover mudanças na formação pré-serviço dos professores de inglês.” (p.11). As crenças que foram identificadas se relacionaram com o que é ser um bom professor de inglês e com o ensino desse idioma em escolas regulares públicas. Já as dificuldades e expectativas encontradas se relacionavam com problemas na formação, como a pouca quantidade de aulas de disciplinas de língua estrangeira e falta de fluência na língua. Após as discussões feitas na disciplina de estágio, os alunos puderam modificar algumas de suas crenças. O trabalho das autoras mostrou, então, que detectar as crenças dos alunos de Letras e trabalhar com elas são de grande importância para evitar que essas crenças se tornem empecilhos para o desenvolvimento profissional de futuros professores, e, consequentemente, para a construção de suas identidades.

Gratão e Silva (2006) objetivaram verificar as crenças sobre a aprendizagem de língua estrangeira de nove alunos concluintes de licenciatura em inglês. Como arcabouço teórico, as autoras utilizaram Dewey (1959), Nespor (1987) e Barcelos (2004), principalmente. Elas afirmam que as crenças sobre aprender e ensinar línguas de alunos graduandos de sua pesquisa trazem consigo discursos anteriores, como os que estão na mídia e nos documentos oficiais. Sendo assim, as autoras afirmam que os estudantes ao ingressarem no curso de letras já possuem experiências anteriores sobre como se dá o processo de ensino e aprendizagem de línguas. Para as autoras, estudar crenças de professores em formação pré-serviço contribui para a compreensão dos discursos que circundam a profissão do professor não só na esfera acadêmica, mas também fora dela, como na mídia.

Ainda na percepção de Gratão e Silva (2006) é também possível perceber que as crenças trazidas pelos alunos para o curso de licenciatura são também influenciadas pelos discursos dos professores que participaram de sua formação enquanto alunos de escolas regulares. Por fim, as autoras afirmam que o conhecimento das crenças dos professores em formação inicial geram espaços para discussão sobre os saberes e experiências dos alunos e até mesmo uma possível reformulação do currículo dos cursos de formação de professores de língua estrangeira.

Barcelos (2006b) teve por objetivo investigar as crenças de alunos universitários (cursos de Letras e Secretariado Executivo Trilíngue) em relação à aprendizagem de inglês em escolas regulares e cursos de idiomas. Os dados foram coletados por meio de narrativas a respeito de suas experiências de aprendizagem de língua inglesa. Como

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aporte teórico foram utilizados conceitos e implicações sobre narrativas, experiências e crenças.

Os resultados de Barcelos (2006b) evidenciaram que os estudantes não estavam satisfeitos com o ensino que tiveram nas escolas públicas, o que, para eles dificultaria a aprendizagem na universidade. Já em relação aos cursos de idiomas, as crenças eram mais positivas, acreditando que nesses locais o ensino de línguas é mais completo. Esse estudo de Barcelos (2006b) é relevante para esta pesquisa visto que, apesar de não trabalhar somente com estudantes de letras, ele revela que as experiências e crenças dos estudantes afetam as formas que eles aprendem. Dessa forma, acredito que as crenças afetam o investimento do aluno na aprendizagem de língua inglesa, o que, consequentemente, afeta a construção de sua identidade enquanto sujeito capaz de se comunicar nesse idioma.

Santos e Lima (2011) procuraram evidenciar as crenças de dois professores em formação inicial, mas que já atuam como professores, sobre o ensino e a aprendizagem de língua inglesa, bem como as influencias do curso na prática desses profissionais. Como aporte teórico sobre crenças, os autores utilizaram Dewey (1933), Barcelos (1995, 2004), Kalaja (2003) e Silva (2007). Em relação à formação de professores, os autores se apóiam em Volpi (2001) e Leffa (2001) enfatizando principalmente questões concernentes à junção teoria e prática durante a formação universitária. Como instrumento para coleta de dados foram utilizadas narrativas.

As crenças dos participantes do estudo de Santos e Lima (2011) mostraram: a) a responsabilidade do professor no processo de aprendizagem da língua, ao criar um ambiente favorável e manter uma postura amistosa; b) a prática em sala de aula como parte fundamental na formação profissional e c) o papel da universidade na ampliação dos conhecimentos teóricos, diversificando metodologias e abrindo diálogos entre o que se estuda e o que se pratica em sala de aula. O estudo reafirmou o papel das crenças na configuração do processo de ensino e aprendizagem de línguas.

Os estudos citados mostram as vantagens que os professores formadores têm ao identificarem as crenças que os alunos trazem consigo para a licenciatura e também para a prática da sala de aula, visto que o trabalho e a socialização das mesmas instigam a reflexão do futuro professor. Esse fato contribui também para que os professores em formação percebam como essas crenças podem influenciar no processo de construção da identidade profissional, visto que, se “somos o que acreditamos” (BARCELOS,

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2009) é possível que os professores em formação construam uma identidade profissional que não seja favorável ao ensino devido ao fato de que eles podem ter crenças negativas sobre o processo de ensino e aprendizagem de línguas.

Benzer Belgeler