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3. PROPOSED SOLUTION

3.3. Description of Essential Processes in the Proposed Model

3.3.2. Creation of Workflow System Specifications from Promotion Metadata

Para Dejours (1993), o trabalho não é somente visto de maneira negativa, acarretando doenças, agravos e acidentes, mas, dependendo da forma como estiver

organizado, pode também ser visto de forma positiva, possibilitando sentimentos de realização e prazer, constituindo-se assim, em um dado fundamental para a saúde. Nessa perspectiva, o estudo de Neves (1999) sobre professoras do ensino fundamental, relembra o cuidado de não se abordar o sofrimento e o prazer no trabalho como mutuamente excludentes. Para a autora, há uma possibilidade de coexistência desses pólos, numa dinâmica onde um se transforma no outro, além de ambos poderem existir simultaneamente. Como verificado em seu estudo, o sofrimento, embora inerente à vida humana, pode tomar um caminho tanto patógeno quanto criador.

Em nosso estudo, não obstante os problemas enfrentados pelas enfermeiras em sua atividade decorrentes da relação com os usuários da ESF, que resultam em sofrimento, e até mesmo em processos de adoecimento, nos depararemos, conforme veremos mais adiante, com o fato de que, paradoxalmente, essa relação pode também proporcionar também uma vivência de prazer, motivada principalmente pelo reconhecimento do seu trabalho por parte da população assistida.

Percebemos em algumas entrevistas, uma forma conflituosa como percebem o prazer e o sofrimento, vivenciados nos ambientes de trabalho:

“[...] a gente não diz assim, não existe uma que diga assim, olha eu tô, eu sou saudável, não tenho problema nenhum, eu tenho prazer no meu trabalho. A gente tem prazer no trabalho enquanto profissional, enquanto pessoa humana, mas o prazer mesmo, dizer assim: “olha eu gosto de ir”... Eu não gosto não, eu já acordo aqui pensando, meu Deus eu gosto das pessoas, aí eu digo assim, bom pelo menos quando eu chego, pra vir, se eu pudesse eu não viria mais, não trabalhava nem mais. Mas quando a gente chega, a gente vai se envolvendo, vai se esquecendo e assim funciona, mas dizer assim, “olha que bom que eu vou” [...]”.

“[...] dá, dá muito prazer, só quando eu tenho um aborrecimento é que eu fico avaliando [...] às vezes sinto [...] fico pensando nisso, até que ponto vale a pena [...] continuar.”

Mas, tivemos também acesso a depoimentos que remetem a um sentimento de felicidade em saber que seu trabalho faz a diferença, de ver os resultados do seu trabalho.

“[...] de bem, traz muita coisa boa, de bom, de bom. O fato de trabalhar, de me sentir útil, de estar fazendo o que eu gosto, eu amo ser enfermeira. Então, chego aqui na Unidade às 8 horas da manhã pra trabalhar. Então assim, eu venho com a maior satisfação do mundo, então atender, é [...] me relacionar com eles, com a equipe, trocar conhecimentos com a médica que me ajuda muito, isso me faz muito bem.”

“[...] pra minha saúde é a auto-estima, né [...] de eu poder realizar o que gosto, mas me faz bem, é benefício.”

A referência ao prazer, ressaltada por Dejours (1987), não corresponde à satisfação dos desejos inconscientes ligados às primeiras vivências de satisfação, mas à possibilidade de deslocamento da fonte de prazer, que poderá ser encontrada no conteúdo da atividade em si, como também na busca de superação dos desafios que ela provoca, proporcionando crescimento intelectual ao profissional.

O sentido do trabalho apresenta-se como ponto fundamental na relação com o desejo e o prazer, uma vez que não configura questão de mera satisfação, mas de realização. Em nossa análise percebemos que as enfermeiras apontam para os benefícios da atividade, quando falam que gostam de trabalhar na profissão, não obstante a sobrecarga mencionada por unanimidade e o salário insuficiente, relatado por algumas. Expressaram sentirem-se realizadas no trabalho, como também, desejosas de continuarem especializando-se na área.

“[...] Eu sou uma pessoa feliz no que eu faço, eu gosto de trabalhar, eu gosto de estar aqui no Saúde da Família. Gosto de fazer o meu papel, de desempenhar o meu papel como enfermeira, pra isso eu não tenho a menor dúvida.”

O prazer foi expresso também em atender bem as pessoas, em servir:

“[...] me sinto realizada, dá prazer [...]. Eu me sinto, porque sei lá [...] tem dia assim que eu olha assim pro pessoal, pro pessoal que chega e [...] tratar bem, atender [...] isso dá prazer.”

Dessa forma, apesar dos obstáculos apontados, é visível a mobilização subjetiva e as vivências de prazer de uma parcela considerável das enfermeiras da ESF na realização de suas atividades.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Tivemos como pretensão, em nosso estudo, analisar a relação entre a atividade de trabalho e a saúde das enfermeiras, as quais exercem suas atividades na Estratégia Saúde da Família, nos Distritos Sanitários I, III, IV e V, do município de João Pessoa - PB. Priorizamos a ESF como campo de investigação, pelo fato, de acordo com nosso levantamento, da (ainda) insuficiência de estudos acerca dessa temática.

Iniciamos pelas ‘razões da escolha’ do campo da enfermagem pelas profissionais, a sua ‘inserção’ e a sua ‘formação profissional’ na ESF. As enfermeiras revelaram afinidade com a área, cuja inserção aconteceu por intermédio de processo seletivo via análise curricular. A formação profissional na ESF deu-se de várias formas: enquanto algumas tiveram acesso a cursos introdutórios em Saúde Pública e Saúde da Família, a grande maioria ingressou sem conhecimentos específicos prévios. Estes foram unicamente adquiridos já no exercício de sua prática diária, tornando-se motivo de queixa.

Outros aspectos também são motivos de queixas pelas profissionais: (1) as precárias condições de trabalho, principalmente das Unidades Adaptadas; (2) a grande quantidade de usuários da área, como de áreas de influência, avaliado por elas, como empecilho para o bom andamento do trabalho; (3) a falta ou insuficiência de materiais e equipamentos; (4) a insuficiência de treinamento no manejo dos materiais; e, fundamentalmente, (5) o não-reconhecimento do seu trabalho, principalmente por parte da chefia.

Quanto à atividade das enfermeiras, constatamos que a longa e exaustiva jornada de 40 horas (às vezes sem pausas) é provocadora de sofrimento e desgaste, acentuados pelo fato das enfermeiras levarem trabalhos a serem realizados em casa. Vale lembrar que essas ainda têm que dar conta do trabalho doméstico, atribuição historicamente atribuída às mulheres. Assim, acreditamos que a invisibilidade dos problemas das condições de trabalho e saúde das mulheres tem comprometido a apreensão do seu processo saúde-doença.

Apesar da naturalização do cuidado como tarefa das mulheres, o tipo de atividades realizadas pelas enfermeiras, altamente específicas e qualificadas, como,

dentre elas, o acolhimento à comunidade, a escuta terapêutica, a gestão do tempo para a execução de todas as demandas, levam as mesmas a recorrerem a diversas ferramentas como a experiência pessoal, ao uso do corpo e da sua inteligência prática, numa dinâmica de regulação entre o trabalho prescrito e o trabalho real.

Analisar a coexistência das vivências de sofrimento e prazer, como também os possíveis processos de adoecimento vinculados à atividade foi um tanto delicado, porém, rico. O sofrimento foi evidenciado através de expressões sinalizadoras como

frustração, estresse, desrespeito, desestímulo, tristeza, desanimo, impotência e cansaço físico e mental. As vivências de prazer foram expressas por intermédio de relatos de

dedicação, realização e amor à atividade.

Quanto à dinâmica de reconhecimento da sua atividade, as enfermeiras sinalizam para o reconhecimento dos usuários, o que confere sentido ao trabalho realizado, além de desempenhar papel fundamental na proteção da sua saúde mental. Não obstante, foi relatado que esses são motivos também de cobranças, estresses, transtornos e insatisfações. Nessa direção, elas se ressentem do não reconhecimento dos pares, colegas de equipe e direção.

Acreditamos que na medida em que as enfermeiras são reconhecidas no/pelo seu trabalho não apenas pelos usuários, mas também por seus pares, colegas de equipe e direção, essas podem ter o seu sofrimento, experienciado pelas exigências e pressões vivenciadas nas situações de trabalho, convertido em prazer. Isto é, o reconhecimento favorece o sentido do trabalho e, conseqüentemente, a mobilização subjetiva, fazendo com que as mesmas utilizem-se da sua inteligência prática para uma realização mais competente e prazerosa da atividade.

Ao término do nosso trabalho, não nos propomos a concluí-lo, nem colocamos um ponto final nas nossas questões. Com certeza, perguntas, anteriormente formuladas, foram respondidas, porém, outras vieram e, certamente estas poderão ser respondidas por outros estudos. Entretanto, almejamos que este tenha contribuído na produção de conhecimento e, acima de tudo, contribua para práticas transformadoras que viabilizem melhores condições de trabalho e saúde para as profissionais de enfermagem da ESF.

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ANEXOS

ANEXO I MAPAS DE LOCALIZAÇÃO DAS UNIDADES DE SAÚDE DA

FAMÍLIADOMUNICÍPIODEJOÃOPESSOA DISTRITO SANITÁRIO I - MAPA

ANEXO II – O ROTEIRO DE ENTREVISTA Data:

Início: Término:

UNIDADE SAÚDE DA FAMÍLIA _______________________ DISTRITO SANITÁRIO ______ DADOS DEMOGRÁFICOS: - Nome: - Sexo: - Idade: - Estado civil: - Número de filhos: - Bairro residência:

- Bairro da Unidade Saúde:

- Tempo de serviço no geral e na função atual: - Vínculo empregatício: P.S./efetivo

- Remuneração: - Renda Familiar:

- Número de pessoas em casa:

1. Conte-me a sua trajetória profissional até chegar a ser enfermeira? 1.1. Como se deu a inserção no PSF quando da sua implantação*

2. Existe algum programa de formação ou treinamento para a função antes e/ou depois de entrar para a Unidade de Saúde?

2.1 Explanar as razões porque não foi realizado o treinamento...

3. Há algum tipo de manual (escritos) ou recomendações (orais) que prescreve o seu trabalho na USF?

3.1. Explanar as atribuições, prescrições...

* Os subitens são perguntas, sugestões ou reforço à pergunta acima, ou comentários para lembrete do pesquisador.

4 .Há exigências/ metas estabelecidas pela Secretaria/direção? Como você lida com elas?

5 .Como você definiria as condições de trabalho às quais você está exposta?