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Tratado é um ato jurídico segundo o qual os Estados e organizações internacionais que obtiveram personalidade por acordo entre diversos Estados, criando, modificando ou extinguindo uma relação de direito existente entre eles.

Convenção e tratados são expressões sinônimas. Antigamente, empregava-se o termo convenção para indicar os acordos entre Estados, objetivando assuntos de natureza econômica, comercial ou administrativa; e a designação tratados, para os acordos de caráter político, hoje não se faz mais tal desconformidade.

Os tratados constituem o direito internacional escrito. Existem duas espécies de tratados: os tratados-contratos, que são pactuados entre um número limitado de Estados, com o objetivo de deliberar questões de caráter peculiar que somente interessam aos contratantes, pois demandam concessões mútuas; e os tratados normativos, que formulam preceitos de ordem geral pretendendo nortear relações entre diversos Estados.

Para os romanos não havia regras específicas de direito internacional para a guerra.Existiam, contudo, para a sua terminação.Ela findava ou por um tratado de paz, que era sempre de amizade, ou pela rendição (reditio), ou pela conquista do país inimigo (occupatio). A rendição poupava a vida e bens do inimigo. Na hipótese de conquista, porém, estes, na suas pessoas e bens, ficavam à discrição dos vencedores.

Hoje o tratado se extingue pelo:

a) Cumprimento da obrigação estipulada; b) Decurso do prazo estabelecido pelas partes; c) Impossibilidade de execução;

d) Acordo entre os interessados;

e) Renúncia – quando o Estado desiste de algum direito que o outro membro da comunidade internacional era coagido a conceder-lhe;

f) Denúncia unilateral – ato pelo qual o Estado resolve rescindir unilateralmente um convênio ou dele se afastar sponte sua, isto é, sem necessidade de declinar o motivo do retraimento. Essa modalidade, no entanto, somente será permitida se no tratado constar a cláusula de denúncia ou após um pré-aviso aos demais pactuantes. Acrescente-se, por oportuno, que denunciado o acordo, restabelecer-se a vigência das normas internas anteriores que haviam sido postas de lado;

g) A guerra sobrevinda entre as partes suspende as convenções entre os beligerantes, os quais, no entanto, devem observar os preceitos do direito humanitário.

Em todo tratado está implícito que o mesmo perderá a sua vigência quando as condições que o motivaram deixaram de existir. Em outras palavras, as circunstâncias que ensejaram a assinatura do convênio se modificaram para um dos signatários, o qual ficou em posição inferior ao outro contratante. Permanecer válido esse acordo seria não só injusto como prejudicial à paz que deve reinar na comunidade internacional.

A convenção sobre o direito dos tratados (Viena, 1969) preceitua que um Estado pode invocar a impossibilidade de executar um tratado, como motivo para por termo à vigência ou para a ele retirar-se, se essa impossibilidade originar-se da desaparição ou destruição duradoura de um objeto indispensável à execução do pactuado. No caso dessa impossibilidade for transitória, apenas pode ser invocada como motivo de suspensão da aplicação do convencionado.

Não constitui fundamento para um Estado pôr fim à vigência do tratado ou dele se esquivar, se a impossibilidade resulta de uma violação pela parte que invoca, de uma obrigação nascida do estipulado ou de outra obrigação internacional referente a qualquer outra parte no mesmo.

A modificação fundamental nas circunstancias que não tenham sido previstas pelos contratantes não justifica o término do convênio nem para deixar de ser parte, exceto se:

a) A existência de mencionadas condições possa considerar-se como um requisito essencial das partes para obrigar-se;

b) Essa alteração tiver por modificar radicalmente a natureza das obrigações assumidas no pactuado.

É corrente também que os Estados têm o dever de resolver seus conflitos internacionais por meio pacífico. Esse dever, inicialmente de caráter moral, já se encontra em vários atos internacionais, desde as Convenções de Haia, de 1899 e 1907, sobre as soluções pacíficas das controvérsias internacionais até a Carta das Nações Unidas e a Carta dos Estados Americanos.

Do ponto de vista propriamente do direito das gentes, o fato mais importante do começo do século passado foi a conferência de paz reunida em Haia. Os resultados de seus trabalhos foram consignados no Ato Final e constam de treze convenções, uma declaração e alguns votos, além do reconhecimento do princípio da Arbitragem Obrigatória e a confirmação de que a esta pode ser submetida, sem aplicação das estipulações convencionais internacionais. As treze convenções aprovadas e assinadas dizem respeito, respectivamente, aos seguintes assuntos: solução pacífica dos conflitos internacionais; limitação do emprego da força para a cobrança de dívidas contratuais; abertura das hostilidades; leis e costumes da guerra terrestre; direitos e deveres das potências e das pessoas neutras, no caso de guerra terrestre; regime dos navios mercantes inimigos no começo das hostilidades; transformação dos navios mercantes em vasos de guerra; colocação de minas submarinas automáticas de contato; bombardeamento por força naval em tempo de guerra; adaptação à vida marítima dos princípios da convenção de Genebra “relativa aos feridos e enfermos nos exércitos em campanha”; restrições ao exercício de direito de captura na guerra marítima; estabelecimento de uma corte internacional de presas; direitos e deveres das potências neutras em caso de guerra marítima. A declaração trata da proibição de lançar projéteis e explosivos dos balões.

O acordo de cessar fogo assinado em Gâmbia entre Nino Viera e Ansumane Mane não foi cumprido, principalmente as partes que abordavam sobre a retirada de tropas estrangeiras, o cessar fogo e a formação do governo de transição.

Estas fases, definidas por Koudawo, dizem respeito à primeira transição política de acordo com alguns autores, ao nível político, na Guiné-Bissau. Este período transcorre de 1974 a 1991, culminando com o início do regime de partido único, que se manteve no poder entre 1991e 1999.

Em face da recusa de desarmamento, o âmbito do que estava estabelecido no acordo de Abuja, a junta militar lançou uma operação militar em Bissau com o objetivo de derrubar Nino Viera. Passadas pouco mais de 24 horas, os homens fiéis a Nino Viera renderam-se. As forças da CDEAO não se intrometeram no conflito. Após a tentativa de refúgio na Embaixada Francesa e, em seguida, na Senegalesa, Nino Viera foi acolhido, a conselho dos próprios dirigentes da junta militar, na Embaixada Portuguesa.

Durante o conflito armado na Guiné–Bissau, todos os acordos e negociações feitos, tanto nos países estrangeiros, como no nacional, acordos estes que evidenciavam todo o esforço para encontrar a paz no território guineense, não foram obedecidos por nenhum dos beligerantes.

A comunidade internacional acompanhou passo a passo do conflito na Guiné- Bissau. Apesar de participação indireta de Portugal na demanda, não se pode negar a sua contribuição, enviando o Ministro de Negócio Estrangeiro Português à Guiné-Bissau a fim de negociar com a junta militar e o governo no intuito de resolver as crises política e econômica que assolavam o país. Todos os lados beligerantes aceitaram negociar e assinar vários acordos: o de cessar fogo, o da retirada de tropas estrangeiras e o de formação do governo nacional. Contudo, todos os acordos e negociações foram desobedecidos, voltando-se sempre ao ponto-de-partida, qual seja: a guerra.

4.5. A PARTICIPAÇÃO DE ALGUNS PAÍSES AFRICANOS NAS

Benzer Belgeler