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No Mundo

B. argentifolii tem sido documentada em regiões tropicais e subtropicais de

todos os continentes, exceto na região equatorial da América do Sul. O transporte de plantas ornamentais, notadamente a poinsetia, disseminou e estabeleceu a mosca-branca-da-folha- prateada em áreas agrícolas de muitos países, tanto em ambientes protegidos como em cultivos de campo. Sua introdução na Bacia do Caribe ocorreu entre 1987 e 1988, dispersando-se como praga por toda a região, primariamente em plantas ornamentais, passando, posteriormente, para tomate e alcançando campos de feijão, algodão, pimentão, abóbora, fumo, melão (Cucumis melo L.), e quiabo (Hibiscus esculentus L.). Similarmente, por volta de 1988-1989, B. argentifolii foi documentada no Arizona, Califórnia, Flórida, Texas e em vários outros locais dos EUA e, em 1990-1991 estava largamente disseminada pelos quatro estados americanos. Zonas agrícolas da Bacia do Mediterrâneo, África, América Central (Panamá, Costa Rica, Nicarágua, República Dominicana, Guatemala, El Salvador, Cuba e Honduras), México e América do Sul (Argentina, Brasil, Colômbia e Venezuela) foram igualmente infestadas pela mosca branca, a partir do início da década de 90. Plantas cultivadas em casa de vegetação de toda a Europa e Japão, e de áreas de clima temperado dos EUA, foram rapidamente colonizadas pelo inseto como resultado do transporte de ornamentais infestadas (Brown & Bird, 1992, Bedford et al, 1994; Costa et al., 1993a; Brown et al., 1995). A introdução de B. argentifolii nas diversas localidades dos continentes ocorreu de maneira praticamente simultânea, expressando-se como praga importante nos diferentes países entre 1986 e 1991 (Costa et al., 1993a; Lastra, 1993; Lourenção & Nagai, 1994).

A dispersão da mosca branca nas diferentes regiões agrícolas tem sido relacionada à expansão da monocultura, às praticas agrícolas atuais com regime de cultivo intensivo, às mudanças das condições climáticas, ao transporte internacional de material vegetal infestado com Bemisia (Duffus, 1992; Duffus, 1996; Brown et al., 1995) e ao uso indiscriminado de agrotóxicos. De acordo com Dittrich et al. (1990), sob estresse do inseticida, indivíduos de B .argentifolii, resistentes a inseticidas, aumentam em várias vezes a sua taxa de oviposição. Esses aspectos, ao lado da grande facilidade de adaptação a novos

hospedeiros e dos danos resultantes como inseto sugador e vetor de vírus, conferiram-lhe a posição de uma das mais sérias pragas atuais, em nível mundial (Caballero, 1996).

No Brasil

Os primeiros relatos de ocorrência de B. tabaci no Brasil são atribuídos a Bondar em 1928, infestando Euphorbia hirtella L., Nicotiana glauca Graham. e N. tabacum L., na Bahia (Caballero, 1993). Surtos de mosca branca, no entanto, foram registrados nos estados de São Paulo e Paraná em 1968, em cultivos de algodão (Costa et al., 1973) e, em 1972 e 1973, em plantios de feijão, quiabo, soja (Glycine max (L.) Merril., girassol (Helianthus

annuus L.), plantas daninhas como Acanthospermum hispidum DC., Momordica charantia

L. e Sida sp. (Costa & Russel, 1975). Uma explosão do nível populacional de B. tabaci, sem precedentes, era registrada naqueles estados, decorrente da considerável expansão na área de plantio da soja, hospedeira favorável à colonização da mosca branca.

Apesar desses surtos, até início da década de 90, infestações de mosca branca, em culturas ou invasoras, não foram motivo de novos relatos. Porém, nos anos de 1991 e 1992, ressurgiram nas regiões de Paulínia, Jaguariúna, Artur Nogueira e Holambra (São Paulo) altas infestações da mosca branca com expressivo impacto nas culturas de tomate, brócolos, abóbora, algodão, feijão, poinsetia, berinjela (Solanum melongena L.) e crisântemo (Chrysatemum morifolium) (Lourenção & Nagai, 1994). Foram constatados frutos de tomate com amadurecimento irregular e viroses em 100% das plantas de feijão.

Em conseqüência do considerável crescimento populacional da praga, notadamente em hortaliças e em plantas ornamentais, como também do prateamento observado nas folhas das aboboreiras, fitotoxemia associada a B. argentifolii nos EUA, levantou-se a hipótese da presença da nova espécie no país (Lourenção & Nagai, 1994). A introdução teria ocorrido possivelmente pela importação de plantas ornamentais no início da década de 90, no estado de São Paulo (Haji et al., 1996; Oliveira & Faria, 2000).

No Distrito Federal, a praga foi relatada em 1993 em tomate indústria e em repolho, quando também foram observados sintomas de infecção por begomovírus nas plantas de tomate no campo (França et al., 1996). Exemplares da mosca branca enviadas

para a Universidade do Arizona (EUA) revelaram que o inseto envolvido era B. argentifolii, indicando que a nova espécie já alcançara aquela região. Em 1995, os sintomas de virose foram também observados em até 80% de plantas de tomate para mesa (França et al, 1996). No final desse mesmo ano, elevados níveis populacionais da mosca branca foram registrados no Submédio do Vale do São Francisco-Pe, tendo como hospedeiros principais cucurbitáceas, feijão, tomate, pimentão e videira (Vitis vinifera L.) (Haji et al., 1996). Em Roraima, o primeiro registro da mosca branca ocorreu em 1998, atacando soja, berinjela, tomate, melão e melancia (Citrullus lanatus L.) (Moreira et al., 1999a).

Segundo Oliveira & Faria (2000), nuvens do inseto têm sido relatadas em diversas regiões, indicando que a praga, em virtude das condições climáticas favoráveis existentes no país, estabeleceu-se, tornando difícil o seu controle nas culturas. Não há respostas imediatas para explicar esse fenômeno, porque diversos fatores têm influenciado essas mudanças, como aplicação massiva de inseticidas e abundância de hospedeiros, associados ao clima quente e úmido. O vento pode disseminar os adultos para curtas ou longas distâncias, enquanto que adultos e formas imaturas são involuntariamente transportadas pelo homem nos vegetais (Brown et al., 1995).

Estudos realizados no Brasil têm indicado que B. argentifolii é encontrada na maioria dos estados. Empregando-se métodos morfológicos e moleculares para análise de mosca branca coletada em 20 estados, foi detectada a presença de B. argentifolii em todos os estados e de B. tabaci em apenas cinco deles (Lima et al., 1999a; Lima et al., 2000b; Oliveira, et al., 1997). Villas-Bôas et al. (1999) e Villas-Bôas (2000) demonstraram que a grande maioria das populações coletadas no Brasil agrupa-se com o padrão de B.

argentifolii. Essas informações confirmam que B. argentifolii é a espécie que comumente

devasta os cultivos agrícolas nas várias regiões geográficas do país. Com relação à predominância de B. argentifolii sobre B. tabaci, também constatada nos EUA, especula-se que B. tabaci não consegue co-existir com B. argentifolii (Costa et al., 1993a), uma vez que esta espécie é melhor competidora e, sendo assim, desloca B. tabaci (Perring et al., 1991). Odum (1971), citado por Perring (1996), situa que "organismos muito relacionados em hábitos e forma de vida não ocorrem no mesmo lugar. Se ocorrem, possuem hospedeiros diferentes, agem em tempos diferentes, ou não ocupam o mesmo nicho".

Benzer Belgeler