• Sonuç bulunamadı

Vale destacar que o Decreto 5.977 também estabelece os critérios que serão utilizados para a avaliação de projetos e demais documentos a serem utilizados, parcial ou integralmente, na eventual licitação a ser realizada. Serão avaliados os seguintes requisitos (art. 10): (i) consistência das informações que subsidiaram sua realização; (ii) adoção das melhores técnicas de elaboração, segundo normas e procedimentos científicos pertinentes, utilizando, sempre que possível, equipamentos e processos recomendados pela melhor tecnologia aplicada ao setor; (iii) compatibilidade com normas técnicas emitidas pelos órgãos setoriais ou pelo CGP Federal; (iv) razoabilidade dos valores apresentados para eventual ressarcimento, considerando projetos, estudos, levantamentos ou investigações similares; (v) conformidade com a legislação aplicável ao setor; (vi) impacto do empreendimento no desenvolvimento socioeconômico da região e sua contribuição para a integração nacional, se aplicável; (vii) demonstração comparativa de custo e benefício do empreendimento em relação a opções funcionalmente equivalentes, se existentes.

A seleção dos estudos que embasarão a futura outorga, portanto, deverá levar em consideração, necessariamente, tais requisitos (que poderão, inclusive, ser mais bem delineados no instrumento de convocação dos eventuais interessados a participar do

124 Não nos referimos, aqui, à etapa de pré-qualificação de propostas técnicas prevista no art. 114 da Lei de

Licitações e no art. 12, I, da Lei de PPPs, a ser procedida sempre que o objeto da licitação recomendar a análise mais detida da qualificação técnica dos interessados.

Para fins terminológicos, a expressão “pré-qualificação técnica” é adequada para caracterizar a exigência prevista no Decreto 5.977. Isso porque, caso os interessados não evidenciem, minimamente, a sua experiência em projetos semelhantes aos que serão estudados, não serão autorizados a seguir adiante com os trabalhos no bojo do procedimento de manifestação de interesse. Tal como as previsões contidas na Lei de Licitações e na Lei de PPPs, não poderão seguir adiante no certame.

procedimento a ser instaurado pelo CGP Federal). Há a definição de critérios genéricos a serem observados pela Administração Pública Federal para avaliar a documentação que lhe for apresentada, selecionando-a de forma isonômica e motivada.125

Qualquer decisão a respeito dos estudos apresentados no bojo do procedimento de manifestação de interesse que não leve tais aspectos em consideração poderá ser reputada inválida e ser fulminada pelos eventuais interessados.126 Deverá haver a exposição dos motivos que embasaram a seleção ou a desconsideração dos documentos apresentados, demonstrando-se, claramente, os aspectos pertinentes e impertinentes à luz do chamamento realizado.

Ainda no que toca à avaliação e seleção dos estudos, o Decreto 5.977 estabelece que as decisões não se sujeitam a recursos na esfera administrativa quanto a seu mérito (art. 11). No entanto, tal dispositivo deve ser lido com ressalvas. Caso, e.g., haja decisão eivada de motivação insuficiente ou imprecisa, não haveria razão para desconsiderar o direito dos interessados de possuir um juízo adequado a respeito da documentação que preparou.

Mesmo que o recurso não fosse dirigido a autoridade superior, poderia haver, no limite, socorro ao Poder Judiciário, com fulcro no art. 5°, XXXV, da Constituição Federal. Tal ponto ganha ênfase ao se considerar que, no âmbito do Decreto 5.977, o PMI tem início em chamamento que emerge da própria Administração Pública Federal. Deve ela realizar o julgamento com a exposição de todos os motivos que embasam a sua decisão, ainda que entenda que nenhum dos projetos e estudos atende satisfatoriamente ao escopo indicado na autorização.127

125“o Decreto [5.977] não apresenta critérios detalhados e objetivos para a condução de um Procedimento de

Manifestação de Interesse, de modo que a Administração deve ser cautelosa sempre que pretender instaurar procedimento com essa finalidade. As questões mais relevantes são ligadas (i) aos critérios de avaliação e seleção dos estudos; (ii) ao valor e ao critério de pagamento dos que forem escolhidos; (iii) ao prazo para elaboração dos estudos e projetos e (iv) à possibilidade, ou não, de serem oferecidos estudos ou documentos parciais. Todas essas questões integram, naturalmente, o âmbito de competência discricionária da Administração e deverão, à luz da ratio legis do instituto, serem devidamente sopesadas, caso a caso, de modo a se poder extrair do procedimento a maior quantidade possível de elementos úteis e do maior número possível de interessados” (DAL POZZO, Augusto Neves. Procedimento de manifestação de interesse e o planejamento estatal de infraestrutura. In: DAL POZZO, Augusto Neves; VALIM, Rafael; AURÉLIO, Bruno; FREIRE, André Luiz (coord.). Parcerias público-privadas: teoria geral e aplicação nos setores de infraestrutura. Belo Horizonte: Fórum, 2014, p. 58).

126 O dever de motivação e de obediência às normas pertinentes do regime jurídico de Direito Administrativo

existem em relação à expedição de qualquer ato e à tomada de qualquer decisão pela Administração. Em sede de procedimento de manifestação de interesse, não haveria razão para atuação desconforme a tais aspectos.

127 No mesmo sentido, Flávio Amaral Garcia coloca que “A decisão que avalia e seleciona os projetos não se

sujeita a recursos na esfera administrativa quanto ao seu mérito, a teor do disposto no art. 11 do Decreto Federal n° 5.977/2006, o que não invalida que o interessado possa, a teor do disposto no art. 5°, inciso XXXIV, alínea “a”, da Constituição Federal, exercer o seu legítimo direito de petição. Essa decisão deve se sujeitar ao princípio da motivação, sob pena de tornar inúteis os próprios critérios de seleção previstos no Decreto Federal n° 5.977/2006, além de conferir um subjetivismo indesejável em qualquer procedimento

Adicionalmente, ainda que não esteja prevista no decreto, existiria a possibilidade de recurso à autoridade superior com fundamento no direito de petição, previsto no art. 5º, XXXIV, ‘a’/CF, o qual prevê ser assegurado a todos, independentemente do pagamento de taxas, o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder.

Benzer Belgeler