III. FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRMELER
2. PERFORMANS BİLGİLERİ
2.1. Proje ve Faaliyet Bilgileri
No mundo contemporâneo, o letramento mostra-se como um fenômeno a ser compreendido nas esferas técnica, conceitual, política e ideológica. Isso porque é preciso considerar que o sujeito é um usuário da língua, tanto oral como escrita, e se engaja nas mais diferentes práticas cotidianas. Por meio delas, utiliza-se dos diversos saberes para compreender a realidade e nela atuar. Soares (2006), a respeito disso, afirma que é considerado letrado o sujeito que consegue fazer uso de forma competente da leitura e da escrita, nos diferentes eventos cotidianos.
O fenômeno do letramento, de acordo Soares (2003), é como um ser que existe, mas não é reconhecido como legítimo, por não ter, oficialmente, seu nome no lugar onde qualquer um acessa quando tem necessidade de uma definição, como por exemplo, o dicionário. Segundo a autora, um termo só aparece para designar um fenômeno quando o que está em vigência não dá conta de explicar as ocorrências.
O conceito de letramento começou a ser usado nos meios acadêmicos numa tentativa de separar os estudos sobre o impacto social da escrita (KLEIMAN, 1991) dos estudos de alfabetização. De acordo com esses estudos, a ideia de letramento não corresponde necessariamente àquilo que as pessoas são capazes de ler e escrever, mas sim, ao que essas pessoas conseguem fazer por meio dessas práticas.
Os PCNs (1998) de Língua Portuguesa, em determinada explicação, afirmam que:
Letramento, aqui, é entendido como produto da participação em práticas sociais que usam a escrita como sistema simbólico e tecnologia. São práticas discursivas que precisam da escrita para torná-las significativas, ainda que às vezes não envolvam as atividades específicas de ler ou escrever. Dessa concepção decorre o entendimento de que, nas sociedades urbanas modernas, não existe grau zero de letramento, pois nelas é impossível não participar, de alguma forma, de algumas dessas práticas.
Essas práticas que os indivíduos precisam exercitar no cotidiano vão desde as mais simples, como por exemplo, ler o destino de um ônibus ou preencher formulários com dados pessoais, até as mais complexas, que exigem habilidade para fazer inferências e lidar com discursos implícitos em busca de significados. São práticas que visam a cidadania plena do indivíduo, vistas como essenciais para a sobrevivência digna do sujeito como cidadão em uma sociedade letrada como a nossa.
Assim, o uso da escrita de forma adequada, nas diferentes esferas discursivas da sociedade nas quais o sujeito está inserido, o posiciona em um dado lugar social, fazendo-o sentir-se parte do todo social e, assim, possibilita-lhe- agir plenamente conforme suas necessidades e desejos. Ou, ao contrário, em sua forma não-inclusiva, favorece a permanência desse sujeito em estado de dependência. Para Soares (2003), nas sociedades modernas, a escrita está
profundamente incorporada à realidade do sujeito em relação à sua atuação nas áreas política, econômica, cultural e social.
Tal realidade pressupõe um sujeito capaz de valer-se da compreensão de si próprio enquanto agente da realidade e, ao mesmo tempo, ser compreendido pelos demais membros da sociedade à qual pertence. Desse modo, o pertencimento ao grupo é legitimado principalmente pelas ações do sujeito de forma crítica, que vão desde as atividades cotidianas até aquelas em que são necessárias habilidades específicas, como afirma Kleiman (2005,p.25): “...o tipo de habilidade que é desenvolvida depende da prática social em que o sujeito se engaja quando ele usa a escrita.” A formação que a escola espera dos alunos tem relação intrínseca com as práticas de leitura e de escrita por ela desenvolvidas. Isto porque é a escola é o principal lugar onde os alunos se apropriam das habilidades e conhecimentos linguísticos e cognitivos necessários e adequados à linguagem escrita para usufruir da plena cidadania. De acordo Soares (2003), essa é uma perspectiva crítica de letramento.
Kleiman (1995) discutindo a concepção de letramento autônomo, como é definido por Street (198, p.21), retoma o que diz o autor descrevendo-o como: “concepção que pressupõe que há apenas uma maneira de o letramento ser desenvolvido, sendo que essa forma está associada quase que causalmente com o progresso, a civilização, a mobilidade social”. Assim, esse modelo de letramento se presta a fins concebidos como meios de aquisição de habilidades para desenvolvimento de ações que são formalmente aceitas na sociedade. Nesse modelo, o foco não são as práticas sociais que fazem parte da vida das pessoas, mas sim, a aquisição do código para fins absolutos.
Contudo, o modelo de letramento autônomo não é garantia de inserção do sujeito em outros bens culturais além da escrita, se for levada em consideração sua história social. Isso porque se for um letramento ideológico com objetivos dirigidos a exames ideológicos, ele não contempla o sujeito nos mais diversos aspectos de um ser social. Já o modo de pensar o letramento na atualidade concebe um sujeito complexo, constituído num processo de constante mudança, e que precisa se adequar, cotidianamente, às mudanças desse mundo também tão complexo.
Nesse modelo de letramento, o fazer escolar pressupõe a capacitação dos indivíduos para futuras práticas de letramentos. Entretanto, deve-se considerar que a maioria das atividades das práticas escolares geralmente estão voltadas ao serviço do letramento dominante na sociedade. Em outras palavras, práticas que a sociedade concebe como propulsoras da aquisição de habilidades para desenvolvimento de ações que são formal e convencionalmente aceitas.
Para Barton e Hamilton (1993) e Street ( 1984 ), a concepção de leitura e escrita são práticas sociais historicamente situadas. Os vários tipos de letramento servem a propósitos bem definidos e estão associados a diferentes situações da vida. As práticas de letramento, segundo essa visão, são modeladas por instituições sociais e por relações de poder; por isso, alguns letramentos são mais visíveis e influentes do que outros. Tais práticas de letramento mudam de acordo com as necessidades, considerando seu vínculo com práticas sociais, influenciadas pelo contexto histórico.
Ainda segundo essa visão, práticas de letramento são caminhos culturais gerais de utilização da linguagem escrita por pessoas ao longo de suas vidas. Há uma distinção entre práticas de letramento e eventos de letramento, de acordo com os autores: a) práticas de letramento correspondem ao que as pessoas fazem com o letramento. Entretanto, práticas não são unidades observáveis de comportamento, uma vez que elas envolvem valores, atitudes, sentimentos e relações sociais; b) já os eventos de letramento, ao contrário, são episódios observáveis que nascem de práticas e são modeladas por elas.
Os autores citados concordam em relação às práticas de letramento: são indissociáveis da vida cotidiana, isto é, contemplam o sujeito em seus afazeres individuais e em relação aos outros. Portanto, nesta pesquisa, cujo foco é analisar e compreender as ações por meio de sentidos-e-significados sobre leitura, tanto dos alunos quanto da professora, as questões relacionadas ao letramento servem
para reflexão sobre como os sentidos-e-significados são