O valor de um avaliador, segundo Vianna (2000) não está apenas em levantar questões, mas em dar respostas aos problemas, comunicando-as de uma forma eficiente: de modo claro, rapidamente, com fidedignidade e validade, oferecendo informações alternativas que satisfaçam as várias opiniões. Tudo isso, para que a mensagem do avaliador seja compreendida, mereça credibilidade, ofereça respostas significativas, altere prováveis posições preconcebidas e estabeleça um diálogo enriquecedor, consequente e, finalmente, permita decisões adequadas.
Ainda que nem todos se deixem convencer por seus argumentos, o agir do avaliador deve ser, nesse sentido, para que o máximo de pessoas possam usar os dados levantados e as conclusões estabelecidas, mas isto deve fazer parte de um plano de ações definidas pela equipe de avaliação. A avaliação implica esclarecer controvérsias, dirimir dúvidas sobre falsos pressupostos e possibilitar ações que resultem da compreensão do objeto avaliado.
Busca-se situar a função do avaliador, que se torna mais clara quando certos aspectos são considerados, como a definição de avaliação. Pode-se agrupar os modelos de avaliação em três grandes conjuntos: avaliação por objetivos (Tyler); avaliação descritiva (Stufflebeam et al.; Cronbach) e avaliação que implique julgamento (Scriven).
Assim, numa avaliação por objetivos, o avaliador é um controlador, um auditor; numa avaliação descritiva, o avaliador é um cientista, um educador que procura informar às várias audiências sobre aspectos relevantes a fim de aumentar a sua compreensão sobre diferentes problemas, e no caso de uma avaliação com vistas a um julgamento, o avaliador assemelha-se a um juiz, um crítico literário ou a um crítico de arte.
Vianna (2000, p. 77-78) salienta que:
Cronbach lembra-nos que entre avaliadores humanistas e behavioristas há concordância de que a avaliação de um programa deva ser empírica e os eventos examinados nos locais em que ocorrem. Os avaliadores, especialmente aqueles que seguem uma metodologia quantitativa, precisam lembrar que as estatísticas são
acompanhadas por grau de incerteza, o que nos faz considerar que a avaliação não se pode apoiar inteiramente em métodos estatísticos e nas inferências decorrentes dos resultados.
Vianna (2000, p. 167-168) agrupou as características de um avaliador atuante, na forma abaixo:
1.0 O avaliador deve ser capaz de:
1.1 especificar informações necessárias para o desenvolvimento de programas de avaliação;
1.2 localizar, ler e integrar informações existentes na literatura técnica;
1.3 analisar avaliações anteriores sobre o assunto de seu interesse e discutir suas implicações;
1.4 definir com precisão os objetivos gerais e específicos de uma avaliação. 2.0 O avaliador deve ser capaz de:
2.1 examinar, criticamente, estratégias de avaliação e selecionar a adequada para o seu problema;
2.2 formular questões ou hipóteses a serem respondidas ou verificadas na avaliação;
2.3 desenvolver planejamento adequado para a coleta de dados que possibilitem realizar 2.2.
3.0 O avaliador deve ser capaz de:
3.1 selecionar amostra capaz de atender os objetivos de um projeto; 3.2 identificar, a partir dos objetivos, as variáveis a considerar na avaliação. 4.0 O avaliador deve ser capaz de:
4.1 selecionar e/ou construir os instrumentos necessários à avaliação;
4.2 estabelecer a validade dos instrumentos e determinar o grau de fidedignidade dos resultados;
4.3 dominar técnicas qualitativas de coletas de dados; 4.4 gerenciar o programa de avaliação e corrigir seus desvios; 4.5 selecionar as técnicas estatísticas necessárias, se for o caso;
4.6 definir os procedimentos de análise em termos de processamento de dados. 5.0 O avaliador deverá ser capaz de:
5.1 interpretar e estabelecer conclusões fundamentadas; 5.2 elaborar relatórios e discutir suas conclusões. 6.0 O avaliador deverá ser capaz de:
6.1 estabelecer relações interpessoais adequadas com a equipe de avaliação; 6.2 administrar recursos humanos e materiais ligados à avaliação.
É obvio que esse é um perfil desejável, mas assintótico, ideal, sendo impossível encontrar todas essas características em uma única pessoa. Acrescentamos a tudo isso, diríamos que o avaliador deve ter um bom treinamento na avaliação quantitativa, inicialmente, e, depois, em avaliação qualitativa, conforme a linha seguida por Stake.
A avaliação educacional é realizada com alunos, professores, administradores e outros interessados na vida escolar. São indivíduos que não devem ser avaliados somente por dados estatísticos, mas com outros instrumentos, que sejam subjetivos. A partir do anteriormente colocado, é percebido que alguns avaliadores, no planejamento e na prática, utilizam ambas as abordagens, a científica e a humanista.
Outros podem preferir um estilo uniforme num determinado assunto. Quando o avaliador, ao planejar, não consegue identificar o estudo, deve prosseguir e a identificação far-se-á no contexto, a partir dos dados coletados e interpretados pelo avaliador, com base na sua experiência direta ou na vicária.
Nesses questionamentos a equipe de avaliação analisa os objetivos propostos no planejamento, faz indagações, questionamentos, a fim de evitar possíveis erros ou trabalhos fora do foco principal.
Um avaliador é um cientista, um pesquisador, entretanto ao se considerar o que mesmo deveria ser, acredita-se que é possível afirmar, com base em um verdadeiro achado citado por Stake e Kerr (1994), que o avaliador é um “provedor de imagens”, alguém que proporciona elementos essenciais para o espírito daqueles que devem confrontar diferentes imagens resultantes da experiência tácita, imagens que vão despertar atenção para novas expectativas e suposições de possíveis novas verdades, e são essas imagens que muitas vezes chocam, mas conduzem para um novo mundo bem diverso do cotidiano.
Além de cientista e pesquisador, o avaliador, como o artista, deve produzir uma obra que conduza à construção de novas realidades, conforme mencionado por Vianna (2000). O observador nem sempre comunica o total das suas observações, Vianna (2000), sendo algumas perdidas no processo de codificação e sumário das estatísticas, enquanto outras informações são omitidas do relatório. Surge, aqui, a questão das várias audiências do avaliador, que são distintas e nem sempre identificadas com a linguagem e o estilo de pensamento do avaliador responsável pelo relatório da avaliação.
Cronbach, Stufflebeam e, anteriormente, Stake acreditam que o trabalho de avaliação deva ser dividido entre todos os membros da equipe, que age, entretanto, como uma unidade solidária. A equipe deve ter uma perspectiva de tudo aquilo que acontece e possa, depois, interpretar corretamente os dados.
No final Cronbach (1982) fica otimista com a possibilidade de a avaliação ser utilizada como ferramenta para se desenvolver políticas públicas, principalmente na área da educação.
Na visão de Stake – o homem observa, o homem julga, isto é, avalia. O enfoque da avaliação educacional não está restrito aos estudantes, mas a todos profissionais envolvidos com a educação (alunos, professores, administradores, técnicos, etc.), podendo-se dizer que envolve a família e a sociedade em geral.
Visando responder a indagação do interesse atual por avaliação, deve-se considerar que a sociedade brasileira atual busca respostas para todos seus problemas e, para
melhorar os sistemas educacionais, se faz necessário a obtenção de um diagnóstico sobre o que existe atualmente. Busca-se uma boa avaliação para projeção de melhorias futuras.