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1. ALGORİTMA

2.4. C Programlama Dili

2.4.3 Program Editörünün Kullanılması

Ainda que não haja mais que se falar na dicotomia público-privado, a efetivação dos Direitos Difusos está invariavelmente relacionada à atuação da Administração Pública.

Não se olvida que o respeito aos Direitos Difusos deve permear todas as esferas, devendo o Direito Privado também respeitá-los. Entretanto, a ausência do jus puniendi nas relações privadas e especialmente a consagração constitucional da proteção do consumidor como fim do Estado prevista no art.5°, XXXII, da Constituição Federal de 1988 impôs à Administração Pública o dever de efetivação desses direitos.

Para tanto, ou seja, para que a Administração Pública possa exercer o conjunto de atividades que lhe cabem na temática, o ordenamento lhe confere determinados poderes.

Esses poderes, por sua vez, conforme leciona Lúcia Rêgo, são decorrentes da existência, na Constituição, de normas-fim e normas-tarefa, que conferem à Administração

80 FIORILLO, Celso Antonio Pacheco. Os sindicatos e a defesa dos interesses difusos no direito processual civil brasileiro.

poderes para que possa exercer os direitos em prol da coletividade.81 No mesmo sentido, reconhecendo o caráter instrumental e qualificado dos poderes da Administração, são os precisos ensinamentos de Celso Antônio Bandeira de Mello:

Logo, tais poderes são instrumentais ao alcance das sobreditas finalidades. Sem eles, o sujeito investido na função não teria como desincumbir-se do dever posto a seu cargo. Donde, quem os titulariza maneja, na verdade, deveres-poderes, no interesse alheio.82

Dentre esses poderes, cabe destacar o poder de polícia e da autotutela, a seguir abordados, e que conferem uma adequada compreensão do tema vertido na presente dissertação.

3.5.1 Poder de polícia

O poder de polícia consiste em forte e relevante instrumento de atuação da Administração Pública, que inclusive condiciona a atuação do administrado.

Conforme explica Maria Sylvia Zanella Di Pietro, o poder de polícia é o instrumento da Administração Pública que condiciona o exercício dos direitos do indivíduo a um fim específico, qual seja, o bem-estar social, não existindo qualquer incompatibilidade nisso, vez que a concepção de limite decorre do próprio conceito de direito subjetivo.83

Para Themístocles Brandão Cavalcanti, o poder de polícia também possui uma característica instrumental, porém qualificada, vez que sua finalidade é assegurar a liberdade individual e os direitos essenciais do homem por meio da disciplina normativa desses direitos exercitada pelo poder de polícia.84

Em igual sentido, são os ensinamentos de Hely Lopes Meirelles:

Poder de política é a faculdade de que dispõe a Administração Pública para condicionar e restringir o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em benefício da coletividade ou do próprio Estado.

Em linguagem menos técnica, podemos dizer que o poder de polícia é o mecanismo de frenagem de que dispõe a Administração Pública para conter os abusos do direito individual. Por esse mecanismo, que faz parte de toda Administração, o Estado detém a atividade dos particulares que se revelar contrária, nociva ou inconveniente ao bem-estar social, ao desenvolvimento e à segurança nacional.85

81 RÊGO, Lúcia. A tutela administrativa do consumidor: regulamentação estatal. São Paulo: RT, 2007, p.38-39.

82 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27.ed. rev. e atual. até a Emenda Constitucional

64, de 4.2.2010. São Paulo: Malheiros, 2010, p.71-72.

83 DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito administrativo. 27.ed. São Paulo: Atlas, 2014, p.121.

84 CAVALCANTI, Themístocles Brandão. Tratado de direito administrativo. t.3. São Paulo-Rio de Janeiro: Freitas Bastos,

1956, p.6-7.

Não é outro o entendimento de Celso Antônio Bandeira de Mello, para quem “A atividade estatal de condicionar a liberdade e a propriedade ajustando-as aos interesses coletivos designa-se poder de polícia.”86

Em igual sentido, José dos Santos Carvalho Filho aduz que “Quando o Poder Público interfere na órbita do interesse privado para salvaguardar o interesse público, restringindo direitos individuais, atua no exercício do poder de polícia.”87

Da leitura dos ensinamentos em referência, verifica-se a existência de três pontos de identidade: a limitação dos interesses dos particulares; a consecução do bem comum e a supremacia do interesse público, características, no entanto, que não permitem à Administração Pública atuar sem prévia previsão legal impondo não apenas a conduta a ser observada, mas também a respectiva sanção.88

Conquanto somente possa exercer seu poder de polícia quando não observada a conduta legalmente prevista, o fundamento do poder de polícia não decorre da lei, mas da própria Constituição Federal de 1988.

Com efeito, se considerado que a consagração constitucional prevista no art.5°, XXXII relativa à proteção ao consumidor como fim do Estado impõe à Administração Pública o dever de agir com vistas a efetivar essa proteção, sem olvidar que ao Direito Privado falta o

jus puniendi, outro não poderia ser o fundamento do poder de polícia que, na temática do presente estudo, destina-se a preservar os direitos difusos dos consumidores.

Destarte, conforme apresentado, a superação da dicotomia público-privado ocasionada pela constitucionalização do Direito e pelo surgimento dos Direitos Difusos robustece o quanto exposto.

Alie-se ao quanto exposto a circunstância de que à Administração Pública incumbe o papel de policiar a supremacia geral que o Estado exerce em seu território, supremacia esta que está assentada nos mandamentos constitucionais e em normas de ordem pública, cuja inobservância traz como consequência a sanção.

Assim, a atuação da Administração Pública na efetivação dos Direitos Difusos efetivada pelo poder de polícia não decorre, tal como pode parecer, da supremacia do

86 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 27.ed. rev. e atual. até a Emenda Constitucional

64, de 4.2.2010. São Paulo: Malheiros, 2010, p.822.

87 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27.ed. rev. ampl. e atual. até 31-12-2013. São

Paulo: Atlas, 2014, p.76.

88 Por todos, são os ensinamentos de Sílvio Luís Ferreira da Rocha: “Em outras palavras, não cabe à Administração

estabelecer restrição ou limitação à propriedade e à liberdade que não estejam previstas na lei. Cabe-lhe apenas, diante da delimitação imprecisa, identificar claramente, no caso concreto, os seus limites.” (ROCHA, Sílvio Luís Ferreira da. Manual

interesse público sobre o privado, mas sim da nova ordem inaugurada pela Constituição Federal de 1988.

Ciente desse cenário, não descuidou o Código de Defesa do Consumidor de fixar a competência legal dos integrantes do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor para o exercício do poder de polícia, seja por meio da prática de atos preventivos, fiscalizadores ou repressivos, fazendo-o em seus arts.55 e 106.

Desta forma, tem-se que o poder de polícia nada mais vem a ser do que uma modalidade lícita de intervenção da Administração Pública no domínio econômico e social e destinada, no que tange ao presente estudo, a efetivar a preservação, pela via administrativa, das normas jurídicas relativas à tutela dos direitos dos consumidores.89

3.5.2 Autotutela

Conforme anteriormente apresentado, a proteção do consumidor realizada pela Administração Pública não fica circunscrita à função sancionadora exercida por meio do poder do polícia. Ao seu lado deve também ser alocado o princípio da autotutela, que permite à Administração Pública revisar seus atos, anulando os ilegais e revogando os inconvenientes ou inoportunos.

Trata-se, no que tange à anulação dos atos, como facilmente se pode depreender, de decorrência do princípio da legalidade eis que, estando a Administração Pública sujeita à lei, a ela, a Administração, incumbe, por óbvio, o controle da legalidade, tratando-se, no que tange à revogação dos atos, de conduta destinada à apreciação do mérito do ato. A revogação está relacionada ao reexame, pela Administração, dos atos anteriores quanto à conveniência e oportunidade de sua manutenção ou desfazimento.90

Esse controle de seus próprios atos, entretanto, não é, em virtude do princípio da segurança jurídica e da estabilidade das relações jurídicas, permanente.

De acordo com o art.54 da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo federal, a anulação dos atos administrativos pela própria

89 Exemplos das limitações impostas pelo poder de polícia encontrados nos arts.5°, VI e VIII (liberdades pessoais), 5°, XXIII

e XXIV (direito de propriedade), 5°, XIII (exercício das profissões), 170 e 173 (liberdade de comércio) e 225 (meio ambiente).

90 Nesse sentido, são os ensinamentos de José dos Santos Carvalho Filho: “Registre-se, ainda, que a autotutela envolve dois

aspectos quanto à atuação administrativa: 1. aspectos de legalidade, em relação aos quais a Administração, de ofício, procede à revisão de atos ilegais; e 2. aspectos de mérito, em que reexamina atos anteriores quanto à conveniência e oportunidade de sua manutenção ou desfazimento.” (CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27.ed. rev. ampl. e atual. até 31-12-2013. São Paulo: Atlas, 2014, p.35.

Administração Pública e que tenham gerado efeitos favoráveis ao destinatário não poderá ser realizada após o prazo de cinco anos, salvo comprovada má-fé.

Interessante salientar que o exercício da autotutela não demanda a prévia provocação da Administração Pública, que pode realizá-la de ofício, estando essa capacidade de revisão dos próprios atos inclusive consagrada em firme orientação do Supremo Tribunal Federal.91

Conveniente ainda explicitar que pelo controle de seus próprios atos poderá a Administração velar pela correta aplicação da sanção, que deve adequar-se à conduta infratora (princípio da adequação punitiva), evitando-se o excesso ou a escassez da punição.

Desta forma, também pelo princípio da autotutela, tem-se por possível a ocorrência da

reformatio in pejus no âmbito do processo administrativo do consumidor, sob pena não apenas de restar obviada à Administração Pública o exercício do controle de seus próprios atos, mas também sob pena de a sanção previamente imposta mostrar-se desproporcional, para mais ou para menos, à infração cometida. Não bastasse, cabe asseverar que a possibilidade de a Administração rever a sanção imposta no âmbito do processo administrativo do consumidor é possível até a formação final do ato administrativo.

91 Súmula 346: “A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos.” Súmula 473: “A administração

pode anular seus próprios atos quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”

4 O PROCESSO ADMINISTRATIVO DE DEFESA DO CONSUMIDOR

Belgede Temel Programlama (sayfa 45-57)

Benzer Belgeler