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PROGRAM ÖĞRENME ÇIKTILARI İLE DERS ÖĞRENİM ÇIKTILARI İLİŞKİSİ TABLOSU

Ocupada atualmente pelo 14º Batalhão de Polícia do Estado do Ceará, a escola ainda preserva as características do passado. Uma simples visita à escola, faz o curioso voltar no tempo e imaginar como cerca de 400 meninos conviviam por anos ou até durante uma vida inteira no mesmo lugar. A antiga escola ocupa os dois lados de uma estrada asfaltada que dá acesso atualmente à Pacatuba, ao Maracanaú e ao Maranguape. De um lado, encontram-se os prédios da antiga enfermaria, da carpintaria, da tecelagem, do campo de futebol e das casas das professoras e antigas salas de aula, atualmente ocupadas por moradores e ex-alunos ou filhos de ex-alunos que permaneceram morando nas proximidades da escola. Do outro lado, está a entrada da escola, onde ficavam dormitórios, o refeitório, a inspetoria e a diretoria, assim como a horta, o açude e outros espaços.

Nosso primeiro contato com a escola foi na antiga Enfermaria, onde atualmente funciona a Escola de Ensino Fundamental e Médio Carneiro de Mendonça33. As salas de aula

ainda preservam as características da antiga construção, conforme podemos verificar na imagem abaixo.

33Em frente ao prédio da antiga Escola correcional, funciona uma Escola de Ensino Médio, mantida pelo Estado do Ceará, que utiliza o mesmo nome oficial da Escola Santo Antônio do Buraco, qual seja, Instituto Carneiro de Mendonça.

Imagem 8 – Reunião de Pais no Pátio da Escola de Ensino Fundamental e Médio Carneiro de

Mendonça

Fonte: Blog EEFM Carneiro de Mendonça. Acesso em 17 dez. 2017.

À procura de alguém que pudesse nos dar informações acerca da história da escola, conversamos com os gestores da escola, mas nenhum soube nos dar informações sobre o passado da escola ou mesmo informar o nome de alguém que tivesse trabalhado na escola. Por acaso, conhecemos a senhora Maria Ivete da Silva, que tinha sido aluna EEFM Carneiro de Mendonça e atualmente estava trabalhando como zeladora da escola. A senhora Ivete nos disse que conhecia um senhor chamado Cavalcante, que tinha sido aluno e funcionário da escola. Não hesitamos e pedimos que a mesma nos levasse a este ex-aluno.

Chegando à casa do senhor Cavalcante, conhecido como “Mem”, ao lado da Capela São José, fomos muito bem recebidos por ele, que nos disse que seria um orgulho poder falar sobre o seu passado e nos mostrar as atuais instalações da escola. Fizemos um agendamento para conhecer a escola pela manhã no dia seguinte.

A primeira coisa que o senhor Cavalcante nos mostrou foi a sua própria casa onde funcionava a antiga banda de música e rouparia da escola. Ao lado da sua casa nos mostrou a Capela, ainda em funcionamento, onde os padres da escola celebravam as missas.

Imagem 9 – Capela São José

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Caminhando para a escola, o senhor Cavalcante dizia-nos que a FEBEMCE mudara até a entrada da escola. “Aqui era os fundos – aqui não tinha entrada. Ninguém entrava por aqui. Com a FEBEMCE – eles inventaram um bocado de coisa só para comer a verba. É como hoje, inventa-se um bocado de obra só para comer a verba”. Mostrou o campo de futebol onde disputavam torneio. “Aqui dentro era mais para a gente e o campo lá de fora era para os adultos que vinham jogar de fora. O pessoal de fora não podia jogar aqui dentro, mas somente naquele campo”. Seu Cavalcante disse que já jogou no time da escola. “Joguei juvenil, joguei aspirante. Joguei titular. Joguei como lateral esquerdo e volante”.

Entrando na escola, o senhor Cavalcante nos mostrou o refeitório da escola. Uma das primeiras coisas que nos chamaram a atenção é como era possível caber mais de 400 meninos nessa escola. Fazendo essa pergunta ao senhor Cavalcante, respondeu-nos imediatamente: “fazendo fila; cada um esperando a sua vez. Como eram quatro turmas que funcionavam, cada turma esperava a sua vez para se servir”. O senhor Cavalcante nos contou que foi nesse espaço que o rei do baião, Luís Gonzaga se apresentou para os menores. O refeitório era como um galpão todo aberto. Somente com a presença do rei do baião é que eles pegaram caixas e fecharam fazendo um palco para receber o sanfoneiro. Segundo suas lembranças, foi um dos

momentos de maior alegria que a escola recebeu nesse dia. Como podemos perceber nas imagens acima, o espaço encontra-se malcuidado e com o mobiliário deteriorado pelo tempo e abandonado pelas autoridades públicas.

Imagem 10 – Refeitório da Escola

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Continuando a visita, seguimos para o espaço ao lado do refeitório, no caso a cozinha da escola. O senhor Cavalcante nos relatava das vezes que tiveram de cozinhar nos fins semana. Relatou que aprendeu a cozinhar ali mesmo sem ninguém ensinar. Cada um tinha de fazer alguma coisa. A gente fazia o almoço, o jantar. Nunca ninguém nos ensinou. “Aprendemos tudo na marra mesmo”, dizia o senhor Cavalcante, apresentando com nostalgia os tempos de aluno interno na escola.

A cada passo que dava dentro da cozinha rememorava cada detalhe daquele espaço, cada momento vivido durante décadas na escola. Mostrou-nos onde ficava o fogão à lenha e dizendo-nos que o fogão industrial que se via naquele momento não existiu no seu tempo de aluno, pois tinha sido comprado nos tempos que a escola passou a ser da FEBEMCE no final dos anos 1960.

Quando nós começamos não havia gás, era tudo a lenha. Esses fogões são do tempo da FEBEMCE. No nosso tempo tudo era muito simples. Na época de funcionamento da escola não havia pia dentro da cozinha. As pias eram todas no lado de fora. Era lá onde se lavavam os tachos.

Imagem 11 – Cozinha da Escola

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Essa cozinha ainda hoje é utilizada pelo 14º Batalhão da Polícia Militar do Estado do Ceará. No dia da visita, encontramos a cozinheira fazendo o almoço de alguns policiais que estavam de plantão naquele dia. Alguns desses espaços estavam praticamente abandonados, com pouca utilização, encontramos um ambiente escuro e sujo. Ao lado da cozinha, encontramos algumas salas fechadas com caixas de papelão, demonstrando o improviso e a falta de zelo com o patrimônio público educacional. Com alguns armadores às vistas parecia servir de dormitório para os policiais daquele batalhão de polícia.

Segundo o Senhor Cavalcante, “a escola era para ser uma escola agrícola. Seria construída em Juazeiro, mas como não possível, fizeram aqui. Íamos ter uma escola em Pacatuba. Esse projeto inicialmente era para ser uma escola agrícola – e não deu certo e foi para Pacatuba”.

Saindo da cozinha, fomos para o quintal da escola. O senhor Cavalcante nos mostrou os espaços da escola onde se costumava sair para pescar. Mesmo abscôndito, nosso guia, disse- nos que adorava pescar com seus amigos no ICM. “Nós pegávamos peixes e frutas sem o diretor ficar sabendo. Eram tempos muito bons que tenho muita saudade”, dizia o senhor Cavalcante.

Imagem 12 – Antiga horta da escola

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Apontando para o terreno atrás da escola, o senhor Cavalcante dizia:

Esse terreno era todo utilizado por nós. Plantava-se batata, coqueiro, macaxeira, cana, abacaxi, manguá, dentre outras frutas; mas a gente não podia pegar nenhuma. Quando estava na safra, a gente colhia, colocava para amadurecer e levava para nossa merenda. Se algum menino fosse encontrado como alguma fruta escondida, o menino levava seis “bolos” nas mãos. E era obrigado a passar um mês arrodeando o campo todos os dias com o nome de ladrão nas costas. E se repetisse passaria três dias na cadeia. Desse modo não tinha quem quisesse desobedecer. A parada aqui era dura. O pau quebrava aqui.

Em seguida, mostrou-nos onde os meninos ficavam na solitária quando desobedeciam às normas da escola repetidas vezes.

Imagem 13 – Fundos da antiga solitária onde se prendiam os meninos desobedientes.

O senhor Cavalcante nos mostrou, em seguida, a inspetoria e a diretoria. Explicou-nos que antes de se falar com o diretor, precisava falar com o inspetor de turma dos alunos. Quando tinha um menino para ser castigado, era o padre que pegava o menino para dar os “bolos” nas mãos deles. “O que foi que ele fez? Roubou coco? Vai passar duas semanas rondando aqui nesse campo com o nome nas costas: ‘Ladrão’. Era uma humilhação danada que se passava na escola quando se cometia alguma infração”, dizia-nos, o senhor Cavalcante. Segundo ele, quem trabalhava com os diretores eram os próprios alunos; ficam na porta para recepcionar aqueles que precisam resolver alguma coisa com o diretor. Ninguém podia entrar na sala do diretor sem autorização. O senhor Cavalcante disse que o Padre Paixão era tão severo que ele dizia assim: “somente deixe entrar se estiver bem vestindo, se chegar alguma mulher com roupa decotada não deixe entrar”. O senhor Cavalcante lembrou-se de que certo dia, a dentista da escola, Dra. Isolda, precisou falar com o sacerdote. Vejamos o que o ex-aluno narrou:

Quando eu perguntei ao padre se ele poderia receber a doutora Isolda. E quando eu abri a porta para ele ver a doutora, disse que não iria recebe-la. E complementou: a senhora vá trocar de roupa e depois a senhora vem falar comigo. Como essa roupa eu não lhe atendo. O padre Paixão era severo. Disciplina, moral e trabalho aqui funcionava.

Imagem 14 – Inspetoria e Diretoria da Escola

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Na diretoria, segundo o senhor Cavalcante, havia um cofre onde se guardava o dinheiro apreendido de crimes pela Chefatura de Polícia na escola. Ele relatou que:

Esse dinheiro servia para ajudar os funcionários da escola. Por exemplo, quando um filho de um funcionário estava doente e a família não tinha

dinheiro para comprar medicamento, o diretor da escola pegava dinheiro do cofre para os funcionários mais que estivesse necessitando. Era o chamado dinheiro destinado às ‘despesas diversas’.

Imagem 15 – Diretoria da Escola

Fonte: Roberto da Silva Júnior.

Na varanda não tinha porta. Tudo era aberto para o diretor ter uma visão geral da escola. Segundo o senhor Cavalcante o Padre não gritava da varanda da diretoria. Apenas ficava observando as atividades da escola e se precisasse conversar com alguém mandava chamar.

Imagem 16 – Visão da sacada da diretoria

Imagem 17 – Sacada da diretoria – Visão lateral esquerda

Fonte: Roberto da Silva Júnior.

Imagem 18 – Sacada da diretoria – Visão lateral direita

Fonte: Roberto da Silva Júnior.

Saindo da diretoria, seguimos para conhecer os dormitórios e continuamos a testemunhar o descaso com patrimônio histórico da escola. Encontramos os dormitórios

servindo como depósito de mesas velhas, cadeiras e outros móveis da escola. Conforme podemos perceber na imagem abaixo.

Imagem 19 – Antigo dormitório dos meninos

Fonte: Roberto da Silva Júnior.

Encontramos apenas algumas salas em bom estado de conservação. No caso, a sala da diretoria, o antigo arquivo da escola e um dos antigos dormitórios que está sendo utilizado pela secretaria do 14º Batalhão de Polícia Militar do Estado do Ceará. Em 199834 o Centro de

Formação e Aperfeiçoamento de Praças (soldado, cabo, sargento e subtenentes) – CFAP cedeu as suas instalações para a criação do Colégio da Polícia Militar, tendo de se transferir para o prédio do Instituto Carneiro de Mendonça, onde funcionou até 2009.

Imagem 20 – Sala de Aula de Curso de Formação de Praças

Fonte: Roberto da Silva Júnior.

34ALVES, João Batista Rosendo. Docência na Polícia Militar do Ceará: Curso de Formação de Soldado de Fileiras (Turma 2007). Dissertação de Mestrado Acadêmico em Educação. Universidade Estadual do Ceará, 2008.

Ainda nos acompanhando, o senhor Cavalcante nos relatou que a escola era muito bem limpa e tudo nos seus devidos lugares. Cada um sabia o que fazer para manter a escola funcionando corretamente. Apontando para os carros abandonados atrás da escola, onde era a antiga horta, disse-nos:

Hoje se encontra nessa situação. Agora é um depósito de doença, Dengue, Zica, Chikungunya. Esses carros parados aqui acabam sendo um foco de doença para minha família e para a comunidade que mora ainda próximo à escola. Eu mesmo cuidava da limpeza da escola e tudo era feito com muito zelo e fico triste em ver nossa escola nessa situação de abandono e descaso. Imagem 21 – Fundos da Escola

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Para conhecer os outros prédios da escola, tivemos de atravessar a rua. E a nossa impressão mais uma vez foi o de abandono e desperdício de um prédio enorme sem nenhuma utilidade no momento, a não ser de depósito de carros apreendidos pela Polícia Militar. Encontramos um policial de plantão fazendo a segurança do espaço com alguns cães. Segundo esse policial, se não fosse por esses cães, com certeza os vândalos ainda teriam coragem de furtar alguma coisa dos carros que foram apreendidos e guardados também naquele espaço. Ainda esse policial nos relatou que é projeto antigo do governo do Estado aproveitar todas as instalações do Instituto Carneiro de Mendonça para construir uma escola profissionalizante de tempo integral. No entanto, disse-nos que essas ideias e projetos até hoje nunca saíram do papel.

Imagem 22 – Carpintaria e Tecelagem

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Adentrando na antiga carpintaria e tecelagem da escola, tivemos de enfrentar o furor dos cães, que estavam amarrados, que não paravam de latir, impedindo que tivéssemos acesso aos pavilhões da tecelagem da escola. O Policial foi muito gentil e retirou os cães dos corredores, possibilitando que entrássemos na tecelagem.

Imagem 23 – Pátio da Carpintaria e Tecelagem

Imagem 24 – Galpão da antiga Tecelagem do ICM

Fonte: Roberto da Silva Júnior

Quando conseguimos entrar no galpão de trabalho da tecelagem, encontramos um espaço bastante amplo, com um telhado velho e na iminência de cair. O senhor Cavalcante aproveitou para nos contar que trabalhou vários anos nesse espaço. Disse que o seu tempo era muito bem preenchido e não tinha espaço para pensar em besteiras.

Benzer Belgeler