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Para Santos (2004, p. 80), o solo “é o suporte dos ecossistemas e das atividades humanas sobre a terra, [sendo que] seu estudo é imprescindível para o planejamento”. Dessa forma, é um elemento físico-natural importante para o desenvolvimento das atividades humanas e para o próprio suporte à vida. É o solo o substrato para a construção, para a agricultura, para o armazenamento de reservas hídricas etc. É um fator primordial para o planejamento das atividades antrópicas, sendo suas potencialidades e limitações fatores chave para o desenvolvimento das sociedades, bem como para a explicação de contextos ecológicos e ambientais associados à relação homem e natureza.

Os estudos sobre os solos, suas características, classificação e determinação de potencialidades e fragilidades, não devem ser dispensados num processo de análise, planejamento e gestão do meio ambiente.

A importância do estudo dos solos remete, sobretudo, à explicação que o mesmo pode fornecer sobre uma análise da erosão e do assoreamento (SANTOS, 2004). A tipificação das potencialidades e fragilidades dos solos, correlacionada às atividades humanas, fornecem dados para o desenvolvimento de ações de manejo, proteção e conservação, ou até mesmo da produtividade ecológica. As escalas utilizadas nos estudos dos solos variam conforme o objetivo do estudo.

No Estado do Ceará, os estudos iniciais sobre solos deram início na década de 70, sobretudo pela contribuição do trabalho de Souza (1975). Foi este autor que apresentou uma classificação das unidades morfoestruturais do Ceará, o que, consequente, aponta para uma classificação dos tipos de solos predominantes, uma vez que a interação entre os aspectos físico-naturais é característica da fundamentação teórico-metodológica adotada (cf. SOUZA, 1988, 2000).

O IPECE, como órgão público realizador de estudos de ordem socioeconômica e geográfica do Estado do Ceará, disponibiliza dados sobre a temática Meio Ambiente, em especial os mapas de informação georreferenciadas e espacializadas dos 184 municípios cearenses. Tal órgão, dentre os diversos mapas

construídos, apresenta o levantamento exploratório e de reconhecimento dos solos do Estado do Ceará. Com apoio da FUNCEME, o IPECE8 apresenta um mapa de solos na escala de 1:25.000, espacializando a existência de 19 tipos diferentes de solos no estado. Desses, o Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico (PE), o Bruno Não-Cálcico (NC) e os Solos Litólicos Eutróficos (Re) e Eutróficos e Distróficos (Red) são os mais abundantes e representativos do Ceará. Tais nomenclaturas foram atualizadas pela EMBRAPA, mediante atualização do SiBCS.

Nessa escala, o IPECE apresenta que a área equivalente a sub-bacia hidrográfica do Rio Pirapora é compreendida por solos do tipo Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico (PE) e Podzólicos Vermelho Amarelo (PV). Vale ressaltar que com a nova classificação de solos brasileira (SiBCS, 2006), a denominação Podzólico passou a chamar-se Argissolo.

Ainda na sub-bacia hidrográfica do Rio Pirapora, Cordeiro (2013) apresenta uma classificação em menor escala, onde são constatados os seguintes tipos de solos existentes e que se encontra em associação no ambiente:

 Argissolos vermelho-amarelo: mais presente nas áreas de elevadas topografias e morros baixos (serra e pé da serra). São solos desenvolvidos sobre influência cristalina, caracterizando-se como solos profundos ou muito profundos. São bem estruturados e bem drenados, textura média argilosa e fertilidade natural baixa ou muito baixa. A vegetação associada geralmente são florestas subcaducifólias.

 Neossolos litólicos: associados também a afloramentos rochosos, estes solos encontram-se distribuídos pontualmente pela área da microbacia nas áreas de morros. São solos rasos, cujos horizontes não ultrapassam os 50 cm de largura, associadas às áreas de maior declividade. São mais susceptíveis à erosão e frequentemente há presença de rochas, o que provoca pouca fertilidade. A vegetação associada geralmente é de pequeno porte.

 Neossolos flúvicos: encontram-se distribuídos ao redor de corpos hídricos, especialmente os lóticos. São solos minerais não hidromórficos, oriundos de sedimentos de deposição recente e ainda não totalmente consolidados. Possuem baixo teor de desenvolvimento pedogenético. Suas camadas são geralmente diferenciadas, sendo as

condições de espessura e granulometria dependente do material originário de deposição. A vegetação associada são matas ciliares que devido às condições naturais, desenvolvem-se bem.

 Planossolos: distribuídos no setor oriental da sub-bacia, em áreas de baixas topografias, relevo plano ou suave ondulado e que durante o período chuvoso estão frequentemente inundadas. São geralmente pouco profundos com horizontes superficiais de cor clara e de textura arenosa, seguido de horizontes com texturas argilosas com deficiência de drenagem (pouco permeável). Solos imperfeitamente drenados que, devido às essas características, podem provocar a formação de lençol freático suspenso, mesmo que temporariamente.

A partir da identificação dos solos existentes na sub-bacia proposta pelo autor, cuja espacialização pode ser visualizada na Figura 35, pode-se avançar para a apresentação dos tipos de uso e ocupação predominantes. Dessa forma, a tabela 20 apresenta uma associação entre o tipo de solo e o uso e ocupação principal percebido.

Tabela 20 – Relação entre o tipo de solo predominante e o uso e ocupação predominante.

ONDE PREDOMINA TIPO DE USO E OCUPAÇÃO

Argissolos vermelho-amarelo

Solo mais abundante do município,

apresenta uso e ocupação constituídos por atividades diversas, sobretudo habitacional, comercial e industrial, bem como

desenvolvimento de atividades agrícolas.

Neossolos litólicos Áreas com pouca representatividade de uso

e ocupação.

Neossolos flúvicos

Mosaico de uso e ocupação formado pela existência de mata ciliar, ocupação irregular por habitações com infraestrutura precária, expansão urbana irregular e agricultura rudimentar.

Planossolos

Maior uso e ocupação representativos pela expansão urbana regular e irregular.

Figura 36 – Mapa de associação de solos.

Conforme a tabela, destaca-se que o uso e ocupação existente nas áreas onde há maior limitação de uso, dado o tipo de solo, são constituídas, em sua maioria, por expansões urbanas ou ocupações irregulares. Os Neossolos flúvicos e Planossolos, cujas características indicam maior potencial de restrição à ocupação, seja por estarem em processo de formação resultando em instabilidade, seja por possuírem características de drenagem que tornam a ocupação inadequada, sofrem com a expansão urbana e ausência de políticas efetivas de restrição de uso.

As potencialidades principais observadas, referente à menor restrição de uso e ocupação, estão nas áreas onde predominam Argissolos vermelho-amarelo, desde que a topografia não seja um fator dominante de risco.

Benzer Belgeler