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Eu fui convidado pela Antonieta (Cunha) para trabalhar na biblioteca pública municipal infanto- juvenil. Depois, ela convidou-me para trabalhar na Secretaria Municipal de Cultura. Os convites dela foram importantes. Daí, eu pude conhecer, inserir-me no serviço público. Neste lugar, eu pude propor o Centro de Referência para a Criança e o Adolescente, organizar o FAN e dar aula no PREPES86! São espaços importantes na minha formação, em que eu fui podendo mostrar os meus trabalhos.

Centro de Referência

O Centro de Referência, a idéia era propor um lugar em que fosse realçado o papel do brincar na vida da criança. Neste espaço, nós buscamos identificar e registrar diversos tipos brincadeiras, brinquedos tanto quanto um modo de viver a partir da criança. O seu olhar sobre o mundo e como isso entra na escola. Na época, eu já trabalhava com arte e educação e a questão do material para disponibilizar para os arte-educadores, quando eu dava cursos, era sempre um problema. Eu dava uma aula, terminava a aula e os alunos: “Nossa, que legal esta música, este vídeo. Copia para mim?” Eu dizia que era impossível, que não tinha tempo para copiar. Daí, foi crescendo a vontade de criar um espaço para acesso a material deste tipo para quem tivesse interesse. Foi daí que partiu a idéia de criação deste espaço. Ao propor isto para a Antonieta, ela disse que achava a minha idéia bacana, porém, eu deveria

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criar um debate na cidade para mostrar a importância da proposta. Com isto, eu resolvi convidar uma musicista, a Lídia Ortélio. Ela é de Salvador, tem um trabalho de pesquisa e de brincadeiras com as crianças.

Interesse em investigar brincadeiras de criança

Na palestra, ela mostrou slides de quadros antigos (pintura em quadro de Brueghel, pintor holandês87 e também de pintor inglês do século XIX), louça milenar (vaso grego de quatro séculos antes de Cristo) apresentando um mesmo motivo: crianças brincando de “cinco marias” (cinco pedrinhas). Isto ela mostrou também através de ilustração de crianças na África e fotos de crianças, no Brasil, em Salvador, cidade em que mora. Com esta introdução, ela propôs a idéia da cultura da criança. Que as crianças do mundo inteiro, de tempos diversos, brincavam e brincam com as mesmas coisas. Sendo esta a forma delas conhecerem o mundo. Isto me fascinou. Também, quando ela comentou sobre algo que acontece muito e que nem damos tanto valor: o menino chega em casa cantando e a mãe pergunta onde foi que ele aprendeu aquilo? Ele vai e responde: “Ninguém me ensinou não, eu é que inventei.” Na realidade, ele aprendeu com o colega, mas a maneira como se dá a transmissão do conhecimento entre as crianças é de uma forma tão despreocupada que não existe: “Eu aprendi.” Parece que vem de você. Isto é seu. Eu tomo isto como algo que caracteriza a cultura africana, do negro. Então, como havendo uma outra maneira de se passar o conhecimento. De forma espontânea, como se estivesse brincado, a ponto de achar que veio de você mesmo.

Concepção de brincar

Eu tomo o brincar na vida da criança não como algo de caráter utilitário, como a escola acaba reduzindo a questão da brincadeira na vida dela. Eu vejo como um fazer que lhe permite explorar as suas possibilidades, conhecer o mundo. Eu sempre me incomodei quanto à maneira que a escola trabalha com a questão da arte: teatro, música, brincadeiras, de modo geral. Tudo é reduzido. Trata-se somente de um caminho “mais prazeroso” para aprender. Isto é uma apropriação indébita! Além disto, o padrão que é imposto não é brasileiro. No sentido de incluir e valorizar as brincadeiras ligadas aos africanos, aos indígenas. Se por acaso entra este tipo de música, nunca vai ser segundo a metodologia que eu aprendi com o Seu Raimundo Nonato. Vai ser via a partitura e tal. O samba, o maracatu, os cantos, a dança do Congado, o frevo não encontram espaço. O interessante é que com estas experiências, como as que conheci neste encontro com a Lídia, em mim foi se consolidando um modo de pensar a partir do que passei a chamar de cultura da criança e de cultura do africano. Modos de viver que me ajudam a ler o mundo, a pensar os meus trabalhos.

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Peter Brueghel (1525-1569) Pintor flamengo. Conhecido como Brueghel, o Velho, para o distinguir do seu filho, também pintor. Cria um estilo próprio caracterizado pela abundância de colorido. Os seus quadros, de costumes na sua maioria, refletem a vida quotidiana da sua época e, ao mesmo tempo, pretendem interpretar a realidade, umas vezes com profundidade e outras de maneira anedótica. As suas obras estão repletas de pequenos pormenores reais e oníricos. (...) o conjunto da sua produção reflete as atribulações de uma época de confusão e de mudanças marcada pelas guerras de religião. (...) iniciador da escola flamenga, que domina o mundo da pintura européia durante parte do século XVI e no XVII. Entre as suas obras há que

Conheci a cidade

Estas atividades que propus no âmbito do poder público provocaram em mim a elaboração de um pensar sobre este lugar e também o acesso à informação. Neste sentido, foi muito importante o convite da Secretaria. Através deste trabalho, eu conheci a cidade! A minha entrada na Secretaria foi para trabalhar... Foi no início da política do Patrus e era necessário o reconhecimento da cidade para se estabelecer as políticas públicas. Eu saí circulando. Fui para encontros nas regionais. Estive em locais que eu jamais podia imaginar e que eu jamais iria se não fosse nestas condições, pelo poder público! Isto foi uma coisa muito bacana. Então, além de conhecer a cidade, na medida em que eu entrei como diretor de um departamento, eu criei uma inter-relação com outras secretarias. Quer dizer, a Secretaria do desenvolvimento social e a da educação. Principalmente, através destas duas secretarias com as quais eu me envolvia, trabalhei mais diretamente, eu passei a conhecer o poder público. Passei a participar de reuniões das secretarias. Por exemplo, as de planejamento da prefeitura. Então, foi valioso conhecer o funcionamento da máquina pública e oportunidade de formação! Desde como se faz um empenho para pagar uma pessoa, como saber fazer uma licitação para contratação. Ou ainda um plano inter-secretarias de atuação de determinado setor, na cidade.

Benzer Belgeler