Ao analisar os resultados dos questionários das duas instituições, pode-se inferir que o maior percentual de participação foi dos discentes, fato este esperado, uma vez que estes representam a maior parte da comunidade acadêmica.
Conforme esclarecido no item, onde consta os resultados dos questionários, o percentual de pessoas que não participou do processo de auto-avaliação na FAESA foi pequeno (4%). Desta forma, uma análise comparativa com os resultados da UFV, quanto aos motivos que levaram o respondente a não participar da auto-avaliação, pode não trazer resultados conclusivos, uma vez que nem todos tiveram a oportunidade de participar do processo na época. No entanto, as respostas desta questão foram semelhantes em ambas as instituições, sendo que a maioria alegou não ter respondido ao questionário de auto-avaliação por não acreditar no retorno satisfatório dos resultados. Portanto, a descrença em processos novos, principalmente quando envolvem mudanças, é um elemento comum e independente da natureza da instituição.
Em relação aos itens propostos pelo questionário de auto-avaliação da CPA, os resultados foram bem diferentes entre as duas instituições. Na FAESA, grande parte dos respondentes classificou a avaliação como completa. Na UFV, em contrapartida o percentual daqueles que classificaram a avaliação como incompleta é muito semelhante àqueles que a julgaram completa. Analisando os questionários,
propostos pelas duas instituições (ANEXO D e E), percebeu-se algumas diferenças que podem ajudar a explicar estes resultados, como: os questionários da UFV possuem, como alternativas de respostas os itens “ótimo – bom – ruim – sem condições de avaliar”, enquanto na FAESA, as alternativas foram “muito bom – bom – regular – fraco”. Foi mencionado, por alguns respondentes e entrevistados da UFV, que deveria ter uma opção intermediária nas alternativas e espaço para que fossem feitos comentários relativos às mesmas. Estes espaços estavam disponíveis, ao final de cada grupo de questões da FAESA. Em relação à abrangência das perguntas, na UFV, estas eram muito mais amplas e mais gerais, o que dificultou a avaliação. Na FAESA, as questões foram mais simples, mais específicas e com ênfase na a infra- estrutura. Vale ressaltar que a UFV procurou abranger todas as dimensões da auto- avaliação, mas, ao mesmo tempo não elaborou um questionário muito extenso. Na FAESA, o questionário foi mais detalhado e, portanto, mais extenso. Apesar dessas diferenças, a extensão dos questionários foi motivo de reclamação nas duas instituições. Entretanto, como estas estão passando pelo primeiro processo de auto- avaliação, as críticas podem ser úteis ao aprimoramento dos instrumentos avaliativos.
Os resultados relacionados à forma como o respondente teve conhecimento do processo foram, totalmente, diversos, quando se comparam as instituições. Na UFV, a maioria (72%) ficou sabendo do processo pelo endereço eletrônico da universidade ou por e-mail, enviado pela instituição. Na FAESA, o mesmo percentual teve conhecimento do processo por meio das coordenações dos cursos ou nos próprios cursos. Levando-se em consideração que o maior número de respondentes do questionário de pesquisa foi de alunos, esta diferença é relativamente simples de compreender. O perfil dos discentes das instituições particulares é diferente daqueles das instituições federais, sendo que os últimos têm uma ligação maior com a instituição, pois eles passam grande parte de seu tempo no campus, embora não tenham uma ligação tão forte com as coordenações de curso quanto aqueles na instituição particular. Assim, estes alunos interagem mais com a instituição. No caso da UFV, é comum que a instituição se comunique eletronicamente com seus alunos, sendo que vários informativos são enviados por este meio. Outro fato diz respeito ao período de divulgação do processo de auto- avaliação. Apesar da divulgação intensa, no período em que o questionário foi aplicado, o meio mais rápido de atingir a comunidade da UFV foi o eletrônico. Na FAESA, o perfil dos alunos é diferente. O contato eletrônico com a instituição é
menor, o aluno interage menos com a mesma, pois, geralmente ele trabalha e freqüenta a instituição somente no horário das aulas e seu canal de comunicação é, quase sempre, a coordenação de curso.
Em relação aos funcionários, esta situação não é diferente. Nas instituições federais, na maioria das vezes, eles trabalham em regime de quarenta horas semanais. Na UFV, muitos deles possuem acesso a computadores e à internet. Portanto, é natural que os informativos acadêmicos sejam transmitidos com mais eficiência por este meio. Na FAESA, muitos funcionários, e especialmente os professores, são horistas ou, no caso dos técnicos-administrativos, trabalham em períodos diferentes (muitos cursos são noturnos). Desta forma, a ligação deles com as coordenações de curso, principalmente no caso dos docentes, é muito grande. Portanto, estas diferenças servem para caracterizar o perfil da comunidade acadêmica em alguns aspectos.
Quanto à divulgação do processo, outra questão abordou a eficácia desta ação. Mais uma vez, os resultados foram divergentes entre as instituições. Na FAESA, a maioria classificou a divulgação como eficaz, afirmando que ela conseguiu conscientizar a comunidade quanto à importância da auto-avaliação. Na instituição particular, é mais fácil mobilizar docentes e técnicos a participarem deste processo, até mesmo pelo próprio vínculo de trabalho. Desta forma, é responsabilidade da coordenação, ou do docente, comunicar o aluno sobre o processo. No caso da FAESA, os docentes inclusive acompanham os alunos até a sala de informática, onde será realizada a avaliação ou, então, distribuem senhas para que esta seja realizada fora da instituição. Em relação à UFV, a resposta da questão anterior ajuda a entender o fato de a maioria dos respondentes terem julgado o processo de divulgação como falho. A maior parte da comunidade teve conhecimento do processo por um meio impessoal, que é o eletrônico, o que já representa um fator menos eficiente em comparação com à sensibilização feita por pessoas. Estas precisam ser envolvidas e convencidas de que são importantes atores neste processo de diagnóstico institucional. Contudo, percebeu-se que faltou um envolvimento maior dos próprios representantes dos órgãos e setores que, se sensibilizados, poderiam ser responsáveis por uma participação mais efetiva da comunidade. A falta de envolvimento destes representantes foi mencionada algumas vezes em relatos das entrevistas e considerações dos questionários.
Finalmente, a principal diferença na análise dos resultados não só dos questionários, mas também das entrevistas aplicadas nas instituições, está relacionada às expectativas da comunidade em relação ao retorno dos resultados da auto-avaliação institucional. A descrença da comunidade acadêmica da UFV é visível, falta cultura de avaliação e também credibilidade das poucas avaliações existentes. Um exemplo é a avaliação de disciplinas feita pelos alunos. Houve períodos que esta avaliação era compulsória, o aluno só conseguia renovar a matrícula, via sistema, se ele respondesse ao questionário de avaliação de disciplinas. Todavia, os alunos não viam o retorno de suas reivindicações. Como este tipo de avaliação não ocorreu uma só vez, a descrença e o ceticismo relacionados a processos como estes foram aumentando.
Entretanto, esta é a opinião de uma parte significativa da comunidade acadêmica da UFV, mas não de toda a comunidade, como se observa nos resultados dos questionários e entrevistas apresentados. Algumas pessoas sustentam a esperança de resultados positivos deste processo ao mesmo tempo em que reconhecem as limitações da universidade. Apesar das restrições de uma instituição pública de ensino superior, é possível otimizar os resultados da auto-avaliação institucional. Muitas ações não dependem de recursos financeiros, nem mesmo de se modificar normas ou estruturas administrativas, mas apenas de boa vontade, competência e criatividade.
Por outro lado, nas instituições particulares, especificamente na FAESA, esta realidade é um pouco diferente. A maioria das pessoas acredita na continuidade e retorno do processo porque vêem os resultados, por mais que estes não contemplem todos os segmentos. Possivelmente, os alunos percebem mais as ações de melhorias do que os professores e técnicos. Na instituição particular, os alunos são mais ouvidos, suas reclamações geralmente estão relacionadas à infra-estrutura física e professores; portanto, quando suas reivindicações têm procedência, as ações são visíveis, uma vez que o aluno é o “cliente” da instituição particular. Entretanto, quando se trata de professores ou técnico-administrativos, torna-se mais difícil identificar suas reivindicações. Isto ocorre, principalmente, por temerem algum tipo de punição caso demonstrem em demasia sentimentos de descontentamento; outra razão é que mesmo que tenham oportunidade de expor suas opiniões, pode ser que estas não sejam totalmente sinceras pelo mesmo motivo anterior.