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ESOGU Department of Educational Science Course Information Form

PROFESSIONAL EDUATION

Enquanto a Alemanha começou relativamente tarde com o recrutamento activo de trabalhadores qualificados, fora do país observa-se já há alguns anos uma competição mundial por pessoal qualificado. O ex-chanceler alemão Gerhard Schroeder discutiu publicamente em 2000, pela primeira vez, a possibilidade de recrutar mão-de-obra altamente qualificada na Índia, no contexto de uma escassez previsível de especialistas em informática (Bade e Oltmer 2004). Mas a introdução do “Green Card” que se seguiu, gerou cepticismo. O então ministro federal de investigação Jürgen Rüttgers (CDU) associou-se aos medos emergentes de um “estrangeiramento” (original, em alemão: Entfremdung) e de uma exclusão dos trabalhadores nativos a favor da imigração, promovendo o slogan "filhos em vez de indianos" (no original, em alemão: Kinder statt Inder). Hoje, mais uma vez, são discutidas estratégias para recrutar profissionais qualificados para manter a competitividade no futuro. O Relatório de Demografia do Governo Federal (2011) deixa claro que há sinais de uma mudança demográfica já para a próxima década, o que levará a um declínio enorme na força de trabalho (Bundesministerium des Inneren 2011:75). O aumento da esperança de vida e uma diminuição dos nascimentos resultará, a longo prazo, numa pressão no sistema da segurança social pois cada vez menos trabalhadores terão de suportar cada vez mais pessoas em idade de reforma.

Supõe-se que a força de trabalho potencial de 44,8 milhões de indivíduos em 2008 diminuirá para 26,7 milhões em 2050 (Fuchs et al. 2011:2). Principalmente em ocupações que pedem altas qualificações, faltará mão-de-obra, devido à mudança tecnológica em curso. Além da mobilização do potencial da população activa nacional, nomeadamente mulheres e idosos, a Alemanha precisa de se tornar atractiva, especialmente para imigrantes qualificados e investir na integração desses imigrantes no mercado de trabalho alemão. Embora a imigração já não consiga

parar as alterações demográficas, pode pelo menos, reduzir significativamente a sua velocidade e as consequências negativas associadas (Brücker et al. 2013a:7-8). Também os orçamentos públicos ganharão com a imigração. Especialmente o sistema de pensões que beneficiará com as contribuições líquidas positivas dos migrantes, sem que tenha havido despesas de educação com a maioria dos imigrantes qualificados (Brücker 2010:8). É incontestável que a mudança demográfica baixará a mão-de-obra disponível. Se, no entanto, se trata de uma verdadeira escassez de trabalhadores qualificados continua a ser uma questão controversa. Brücker define “escassez de trabalhadores qualificados” como um “excedente permanente da procura de trabalho sobre a oferta de mão-de de-obra” (Brücker 2010, Brücker et al. 2013a). Com um milhão de ofertas de emprego e cerca de 3 milhões de desempregados na Alemanha, observa-se, segundo Brücker, mais um “desfasamento” (original, em inglês: mismatch28) do que uma verdadeira escassez. Para reduzir este “desfasamento” a Alemanha precisa, juntamente com medidas locais de formação, investir mais no recrutamento de profissionais qualificados vindo do exterior. Também o futuro do estado social alemão depende significativamente da capacidade do país conseguir no futuro tornar-se mais atraente para os imigrantes qualificados e assim, ser capaz de mitigar conflitos distributivos entre as gerações, devido às mudanças demográficas (Brücker 2013b). Mas a médio prazo o potencial de imigração da UE será esgotado. Com as recentes mudanças na lei de imigração e da implementação do “Blue Card”, na consequência do quadro jurídico da UE, criou-se na Alemanha um enquadramento jurídico para o recrutamento de trabalhadores de países terceiros (Brücker 2013a:16). Até agora, no entanto, não se verifica um acréscimo enorme do número de imigrantes. A tese política e socialmente proclamada de não ser um país de imigração, deixou rastros:

“A Alemanha é um país de imigração contra a sua vontade, não por convicção, mas por necessidade.”29

28 Se em relação a determinadas qualificações, sectores ou regiões os locais de trabalho não podem ser preenchidos porque a procura de trabalho e a oferta de trabalho não são iguais, a teoria do mercado de trabalho fala de um "mismatch" (Brücker et al. 2013a).

Enquanto a imigração qualificada de países terceiros30 ainda se mostra bastante limitada com apenas 170 pessoas entre Julho 2013 e Julho 201431, as campanhas de empresas alemãs que recrutam jovens para fazerem uma formação em profissões com escassez de pessoal, têm vindo a ganhar crescente popularidade no sul da Europa32. O governo federal queria mandar desta forma um sinal positivo para o sul

da Europa. Em vez de ser visto como um aforrador desagradável, a Alemanha queria mostrar-se como socorrista para os jovens desempregados na Europa do sul mas, segundo as primeiras avaliações a campanha, falhou33. A mudança de imagem, que este programa ambicionava, em direcção a uma “cultura de boas-vindas” e uma abertura aos imigrantes, falhou neste aspecto. A ofensiva de recrutamento de jovens Europeus do Sul por parte da Alemanha, realizou-se sob o manto de uma “solidariedade europeia vivida”34, apesar de ser óbvio que a motivação principal era a ocupação de postos de trabalho onde havia escassez, de forma a manter o potencial competitivo na economia mundial. A criação de uma “cultura de boas vindas” e uma mudança de imagem que a actualmente Alemanha persegue para se tornar mais atractiva à imigração, significa também jogar um jogo franco e assumir necessitar da imigração de trabalhadores, incluindo-os activamente na vida profissional e social da Alemanha. Como em particular a língua alemã opera como barreira de mobilidade, é preciso investir mais nas ofertas de aquisição da língua no país de origem.

30 Desde Julho 2013 não são apenas académicos de países terceiros, ou seja de países fora da UE, com altas qualificações que podem viver e trabalhar na Alemanha mas também trabalhadores em sectores profissionais com escassez na Alemanha.

31 Artigo do jornal alemão DIE WELT do 18.08.2014, com dados da Agência de Emprego da Alemanha URL: http://www.welt.de/wirtschaft/article131318533/Fachkraefte-von-ausserhalb-der- EU-meiden-Deutschland.html

32 BMW, VW, a BASF, SAP e Würth começaram nos anos 2011/2012 campanhas de formação profissional bem-sucedidas na Península Ibérica. O Centro de Emprego/ ZAV lançou em colaboração com o Ministério Federal do Trabalho e dos Assuntos Sociais o projecto "The Job of my Life" (URL: http://www.thejobofmylife.de/de/). Jovens espanhóis, gregos e portugueses que participam no programa são formados na Alemanha em profissões de escassez e percorrem um programa de integração.

33 Devido à alta participação (9.000 candidaturas de Portugal, Grécia e Espanha) no programa e uma má gestão, alguns subsídios não puderam ser pagos, com o resultado que um grupo de alguns jovens que já se encontravam na Alemanha, tiveram de regressar aos seus países de origem, desiludidos e com dívidas. URL: http://www.faz.net/aktuell/wirtschaft/eurokrise/spanien/wie- deutschland-jungen-spaniern-die-hoffnung-nimmt-12894189.html

34 Citação de Ursula von der Leyen, ministro de emprego na Alemanha no período 2009 à 2013, URL: http://dip21.bundestag.de/dip21/btd/18/013/1801343.pdf

Principalmente na área de saúde, a Alemanha dependerá a longo prazo da imigração. Antes de demonstrar as campanhas alemãs de recrutamento de enfermeiros portugueses, apresenta-se por motivos de contextualização, uma visão geral sobre a migração na área de saúde.

Benzer Belgeler