A partir do momento que se conhece um conteúdo, a diferença entre você conseguir reproduzi-lo no mesmo contexto no qual ele foi abordado por meio de exemplos fornecidos e aplicá-lo a outros ambientes e problemas aparentemente sem
relação consiste em dominar a competência ou habilidade relacionada a esse saber.
A habilidade está relacionada ao domínio teórico, prático e aplicado do conhecimento. É um estágio em que, ao se deparar com um problema, aparentemente sem conexão direta com um determinado referencial teórico, é possível lançar mão do que já conhece e adequá-lo à realidade em questão e propor uma solução adequada e correta. É como se algumas variáveis de uma situação ou de um problema conhecido fossem alteradas (“e se?”).
Nesse estágio, é estimulada a aplicação do conhecimento e das competências adquiridas a novas hipóteses, novas situações, novos problemas.
Por meio desse desafio de resolução de problemas relacionados a novos contextos, iniciar-se-á um novo processo de consolidação do desenvolvimento cognitivo. Aqui, o aprendiz já terá maturidade para pesquisar novas informações que o ajudem a entender melhor a situação-problema e utilizar a competência adquirida para resolvê-la.
Nesse estágio, a aprendizagem colaborativa e ativa é o cerne desse processo. Segundo Ribas (1998), indivíduos que aprendem ativamente em grupos cooperativos demonstram habilidade para gerar estratégias de raciocínio com alto nível de abstração, maior diversidade de idéias, pensamento crítico e aumento das respostas criativas, quando comparadas ao aprendizado individual, ou baseadas na competição entre pares.
As teorias de aprendizagem que predominam nesse estágio de desenvolvimento cognitivo é o construtivismo e o sócio-construtivismo, pois o
194
aprendiz deverá ser direcionado para um processo (inter)ativo e colaborativo para o desenvolvimento das habilidades.
Como a colaboratividade e a interatividade são os focos desse estágio, é nele que acontecerá, de forma mais constante e estimulada, a interação entre os aprendizes.
No quadro 18, é possível perceber, pelas estratégias e estilos determinados, que quanto mais ativo e colaborativo for o aprendiz, maior será o desenvolvimento das suas habilidades.
Quadro 18 – DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES E CARACTERÍSTICAS DOS AGENTES PRESENTES NESSE ESTÁGIO DE APRENDIZAGEM
Objetivos Analisar verbos: analisar, quebrar, classificar, comparar, contrastar, determinar, deduzir, diagramar, distinguir, diferenciar, identificar, ilustrar, apontar, inferir, relacionar, selecionar, separar, subdividir, calcular, discriminar, examinar, experimentar, testar, esquematizar e questionar. Avaliar verbos: avaliar, averiguar, escolher, comparar, concluir, contrastar, criticar, decidir, defender, discriminar, explicar, interpretar, justificar, relatar, resolver, resumir, apoiar, validar, escrever um review sobre, detectar, estimar, julgar e selecionar.
Criar verbos: categorizar, combinar, compilar, compor, conceber, construir, criar, desenhar, elaborar, estabelecer, explicar, formular, generalizar, inventar, modificar, organizar, originar, planejar, propor, reorganizar, relacionar, revisar, reescrever, resumir, contar, escrever, desenvolver, estruturar, montar e projetar.
Abordagem/Teoria de
aprendizagem Construtivismo e sócio-construtivismo.
Estudo/Foco Está no trabalho em equipe, em grupos virtuais. Por meio da interação entre os pares, será possível desenvolver habilidades.
Agentes Professor/Tutor Assume uma postura de desafiador: deverá “provocar positivamente” os aprendizes, objetivando uma percepção concreta da aplicação e da relação entre teoria e prática.
Aprendiz Assume uma postura interativa e responsável, com relação ao seu aprendizado e ao grupo. A interação se dá por meio da relação aprendiz – aprendiz.
Tecnologia, mídia e recursos Utilização de tecnologias denominadas colaborativas (centrada no grupo e na formação de novos esquemas mentais): que estimulem alto grau de cooperação do tipo muito-para-muitos. As mídias utilizadas devem possuir a características de enfatizar a comunicação: Fórum, vídeo-conferência, web- conferência, audio-conferência, sala de bate papo, editores colaborativos de textos (wikis).
Quadro 18 – DESENVOLVIMENTO DE HABILIDADES E CARACTERÍSTICAS DOS AGENTES PRESENTES NESSE ESTÁGIO DE APRENDIZAGEM
Estratégias de ensino Questões e tópicos, dissertativos, de forma que os aprendizes consigam refletir sobre os conceitos aprendidos de forma interativa e colaborativa, além de exercitar novas relações mentais possíveis e (im)prováveis. Desenvolvimento conceitual por meio de atividades colaborativas, que contemplem a discussão e a reflexão para além do domínio compartilhado da tarefa; encorajamento da experimentação e da descoberta
compartilhada; focalização em conceitos e habilidades já adquiridos (inclusive sociais); avaliação por pares e responsabilidade compartilhada.
Estilos de aprendizagem predominantes e estimulados, segundo Felder
Reflexivos - ativos Seqüenciais – globais
Ciclo de Aprendizagem (Kolb) “E se...”
Estilos de Aprendizagem(Kolb) Acomodador: aprendizes preferem aprender usando a experiência concreta e a experimentação ativa. Aprendem melhor por meio de projetos, trabalhos práticos, jogos, atividades autodirecionadas e discussão em grupo. Obtêm melhores resultados quando se envolvem em novas situações e
experiências de aprendizagem. São chamados de acomodadores (como referência aos estágios de Piaget – assimilação e acomodação), por serem capazes de aplicar, sem grandes dificuldades, a informação transmitida a situações práticas e aprender por meio delas.
Estágios de desenvolvimento Experiência concreta – experiência ativa.
Eventos instrucionais Revisar e sintetizar; transferir a aprendizagem; re-motivar e encerrar; avaliar a aprendizagem; fornecer feedback e atividades de complementação da aprendizagem. Desenvolver esse momento de aprendizagem criando situações inovadoras (“e se...”) que requeiram um grau significativo de abstração sobre o assunto.
Estratégias avaliativas Atividades que requeiram que o aprendiz reúna elementos da informação e faça abstrações e generalizações, a fim de criar algo novo.
É importante salientar que é nesse estágio que se consegue, na modalidade EaD, efetivamente, estimular o desenvolvimento do alto grau de abstração do raciocínio crítico abstrato; aqui, é possível considerar que o indivíduo alcançou o domínio total do conteúdo, iniciado no estágio de aquisição do conhecimento.
Isso é possível devido ao fato de serem fornecidas atividades de discussões desafiadoras, que permitam aos aprendizes fazer conexões com informações previamente conhecidas. Novamente, é a estratégia e não a tecnologia que faz diferença, nesse momento de aprendizagem.
196
Considerando os quadros 16, 17 e 18, construídas neste capítulo, foi possível interpolar os aspectos nelas descritos, considerando os referenciais teóricos definidos em cada capítulo (quadro 19). Entretanto, é importante salientar que este novo quadro só conseguirá atingir o seu objetivo (facilitar o processo de planejamento de material instrucional) quando combinada com as informações existentes nos quadros anteriores.
A partir do quadro 19 (c.f.), a partir do conhecimento do referencial teórico que a sustenta, poderá ser utilizada de diferentes formas, de acordo com as estratégias de implantação e planejamento de materiais instrucionais de cada instituição.
No contexto desta pesquisa, por exemplo, uma das possíveis utilizações desse quadro poderia ser a seguinte: a partir da definição do objetivo cognitivo, é possível perceber onde está o foco do processo de aprendizagem: no material, na interatividade ou na colaboratividade. Isso direcionaria a escolha de tecnologias e estratégias de ensino adequadas, de acordo com o momento de aprendizagem sustentado pela teoria cognitiva predominante. A partir daí, com o conhecimento e a agregação das características predominantes nos estilos de aprendizagem propostos por Silverman e Felder, e do ciclo de aprendizagem idealizado por Kolb, seria possível não apenas escolher a forma de construir o conteúdo, mas também o modo de avaliar a aprendizagem.
Observe-se que todos esses itens fazem parte do planejamento de um material instrucional, pois, após a integração de todos esses conhecimentos, poderá ser realizada a escolha adequada do conteúdo a ser construído.
197
Quadro 19 – COMBINAÇÃO DOS REFERENCIAIS TEÓRICOS ABORDADOS NESSE TRABALHO, COM O OBJETIVO DE CONSTRUIR UMA