A inclusão da Pessoa com Deficiência no mercado de trabalho é tema constante na sociedade atual e este assunto precisa ser refletido e discutido, entendendo que é uma questão premente na discussão da cidadania e da inclusão. Entende-se que a inserção no trabalho é parte importante no que refere-se a alcançar a inclusão da Pessoa com Deficiência pois esta última é mais abrangente, não ferindo-se apenas a inclusão em um local ou outro da vida humana, mas sim em todos os locais. O trabalho precisa ser valorizado e garantido indistintamente tanto para uma pessoa sem deficiência quanto para uma pessoa com deficiência. Para o jovem com deficiência é assegurado trabalho protegido conforme o ECA (1990) e Constituição Federal (1988). Não pode ser discriminado quanto ao salário ou a critérios de admissão no trabalho porque tem uma deficiência. Deve trabalhar, num espaço adequado a sua deficiência que não lhe cause prejuízos.
Humanos sendo sancionado pela Assembleia Geral das Nações Unidas. O artigo 23, inciso – a) aponta que: ―Toda a pessoa tem direito ao trabalho, a livre escolha do seu trabalho, a condição equitativa e satisfatórias de trabalho e a proteção contra o desemprego‖.
No caso das PCD, devido ao preconceito arraigado acerca da temática da inclusão, houve a necessidade de criação de leis específicas que tratam da inclusão de pessoas com alguma deficiência no mercado de trabalho.
Todo homem é, em potencial, um trabalhador. O trabalho se constitui na atividade vital do homem. É a fonte de objetivação do ser humano e por meio dele, os homens transformam o mundo e se transformam, enquanto sujeitos sociais. (SQUARIZZI, 2008, p. 42).
Desta forma, ressalta-se que um dos benefícios trazidos pela contratação de uma Pessoa com Deficiência está na participação do dia-a-dia da sociedade moderna, culta e informada; também pela satisfação das necessidades do ser humano que passa a ser tratado como cidadão. Por isso, como qualquer outra pessoa, é preciso avaliar as competências e habilidades, verificar qual é a função mais adequada para se fazer uma colocação de sucesso no mercado de trabalho.
Para Oliveira (2001) a inclusão da Pessoa com Deficiência significa torná-las participantes da vida social, econômico e política, assegurando o respeito aos seus direitos no âmbito da sociedade pelo estado, e pelo poder público. Para promover a inserção das PCD no mundo do trabalho, a legislação brasileira estabeleceu uma reserva legal de cargos que ficou conhecida como a Lei de Cotas criadas por leis, tais como a Lei 8.213/91, artigo 93; Portaria do Ministério da Previdência e Assistência Social (MPAS) de número 4.677/98 (também baseada no artigo 93); lei 7.853/89 e Decreto Lei 3.298/99 determinam que as empresas reservem uma quantidade de vagas para os profissionais com deficiência com a seguinte classificação:
Classe I até 200 funcionários 2% das vagas para PCD; Classe II de 201 a 500 funcionários 3% das vagas; Classe III de 501 a 1000 funcionários 4% das vagas; Classe IV mais de 1001 funcionários 5% das vagas. Determina ainda a Lei 8.112,
que a União reserve em seus concursos, até 20% das vagas para PCD. Apesar de a legislação garantir a inserção no trabalho, é possível perceber, conforme dados do IBGE (2010), que a grande maioria das empresas não consegue cumprir as exigências da Lei de Cotas e que somente empregam Pessoas com Deficiência devido à existência da mesma. Ainda, alega-se que não existem Pessoas com Deficiência ―qualificadas‖ para assumir os postos de trabalho. Faz-se imprescindível criar mecanismos de acesso ao mercado de trabalho que superem esta falácia e de fato promovam a inclusão.
É finalidade primordial da Política de emprego, a inserção da Pessoa com Deficiência no mercado de trabalho e sua incorporação ao sistema produtivo, mediante regime especial de trabalho protegido.
A eliminação de barreiras e obstáculos físicos e arquitetônicos e de comunicação que afetam o local de treinamento e de emprego de pessoas com deficiência, bem como a livre circulação nos ditos locais; padrões apropriados devem ser levados em consideração na construção de novos edifícios e instalações públicas. (BRASIL, CORDE, 1997, p. 41).
Há alguns desafios para a inclusão da PCD no mercado de trabalho, as empresas precisam de uma estrutura para recebê-los e estes, de formação. Cabe aos órgãos governamentais capacitá-los, e às empresas disponibilizarem ambientes físicos para formar e integrar cidadãos dignos do trabalho diário. A empresa deve providenciar adequação dos meios e recursos para o bom desempenho do trabalho, considerando suas características. Os atendimentos interdisciplinares, (orientação, supervisão e ajudas técnicas, dentre outros) são elementos que auxiliam ou permitem compensar uma ou mais limitações funcionais motoras, sensoriais ou intelectuais da Pessoa com Deficiência, de modo a superar as barreiras da mobilidade e da comunicação, possibilitando a plena utilização de suas capacidades (Instrução Normativa nº 20/01, da Secretaria de Inspeção do Trabalho/MTE).
De acordo com o Cap. V, art. 41 do Direito ao Trabalho: ―é vedada qualquer restrição ao trabalho da pessoa com deficiência‖, já o Art. 42 define que ―é finalidade primordial das políticas públicas de emprego a inserção da pessoa com deficiência no mercado de trabalho ou sua incorporação ao sistema produtivo mediante regime
especial‖. Entretanto, nem sempre a sociedade tem oferecido a PCD, as condições para o exercício do direito ao trabalho. Deve-se trabalhar a inclusão como um processo cultural que compreende a ação de todos contra o preconceito e a discriminação. Nas palavras de Tomasini:
Todo homem é em potencial um trabalhador. O trabalho se constitui na atividade vital do homem. È a fonte de objetivação do ser humano e através dele os homens transformam o mundo e se transformam, enquanto sujeitos sociais. […] O trabalho define a condição humana e situa a pessoa no complexo conjunto das representações sociais, definindo a posição do homem nas relações de produção, nas relações sociais e na sociedade como um todo (TOMASINI, 1996, p. 11).
Numa sociedade inclusiva, as diferenças sociais culturais e individuais são utilizadas para enriquecer as interações e a aprendizagem entre os seres humanos, e não para separá-los. Trata-se de uma mudança profunda no comportamento e na atitude das pessoas, no caso específico das PCD, promover a compreensão da diversidade é a forma mais coerente de favorecer a inclusão e a aprendizagem.
A escola tem um papel muito importante na vida da criança e do jovem. Ao entrar na escola, ele têm a oportunidade de conviver e de se relacionar com diferentes pessoas. Dessa forma, passa por muitas experiências novas e, assim, vai agir, reagir, mudar sua forma de pensar, criar um jeito próprio de se relacionar com o mundo. No Brasil, a Constituição Federal promulgada em 05 de outubro de 1988, contribui preponderantemente para o avanço e a legalização dos direitos da Pessoa com Deficiência, assim como das demais pessoas excluídas, na área da assistência social (art.203, IV e V), da Educação (Art. 208), da família, da criança, do adolescente e do idoso (Art. 227), etc.
A Constituição Brasileira representa um avanço na proteção dos direitos dos cidadãos e das ―pessoas com deficiência‖:
Recebeu a significativa denominação de Constituição-cidadã por expressar um marco, altamente relevante, do processo de redemocratização e por conter conquistas decorrentes da luta social desenvolvida durante e após o auge do período autoritário (RIBEIRO, 1996, p. 22).
a dignidade da pessoa humana e garantir o exercício da cidadania para que não haja desigualdades sociais e sejam eliminados quaisquer preconceitos ou discriminações (Art. 1º e Art. 3º). Isto significa conceder a todos, inclusive à ―pessoa com deficiência‖, direitos sociais à educação, à saúde, ao trabalho, ao lazer, à segurança e à previdência social (Art. 6º). Em 1990 é sancionado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) estabelecido pela Lei 8069 de 13/07/1990, que preconiza os direitos da criança e do adolescente independente de ter uma deficiência ou não. Contudo, a criança e o adolescente com deficiência são especificados nos seguintes parágrafos do Art. 11:
1º A criança e o adolescente portadores de deficiência receberão atendimento especializado.
2º Incumbe ao Poder Público fornecer gratuitamente àqueles que necessitarem os medicamentos, próteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação.
A Lei Orgânica de Assistência Social (LOAS, Lei nº. 8.742/1993) regulamenta a política de assistência social e inclui como um de seus beneficiários específicos à Pessoa com Deficiência. Primeiro, estabelece como um dos seus objetivos a habilitação e reabilitação, bem como a proteção a sua integração à vida social (Art. 2º, IV) e segundo, implementa o Benefício de Prestação Continuada – BPC. Segundo a publicação do CRESS (2000) a Lei nº 8.742 de 07 de dezembro de 1993, dispõe sobre a Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS), em seu art. 2° estabelece que a Assistência Social tem por objetivos:
I – A proteção à família, a maternidade, a infância, a adolescência e a velhice;
II – O amparo às crianças e adolescentes carentes;
III – A promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV - A habilitação e reabilitação das pessoas com deficiência e a promoção de sua integração a vida comunitária.
deficiência e ao idoso que provem não possuir meios de prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família.
O Benefício de Prestação Continuada (BPC), conforme Cap. IV, Art. 20º da LOAS (Lei Orgânica da Assistência Social), tem o objetivo de garantir um salário mínimo mensal a pessoa com deficiência e pessoas idosas com 65 anos de idade ou mais, desde que a familia não exceda a renda per capita de 1/4 do salário mínimo. Os critérios para a concessão desse benefício são seletivos, no entanto, a própria lei que deve garantir esse direito é excludente, no momento em que estabelece os critérios como, por exemplo, a renda e até mesmo o tipo de deficiência. Verifica-se que, ao mesmo tempo em que visa à inclusão por meio da garantia do direito, também repercute a exclusão para aqueles que excedem a renda estipulada.
O BPC é um mínimo social enquanto se constitui em um dispositivo de proteção social destinado a garantir, mediante prestações mensais, um valor básico de renda às pessoas que não possuam condições de obtê-la, de forma suficiente, por meio de suas atividades atuais ou anteriores. Todavia, a forma seletiva e residual de acessá-lo não parece corresponder ao disposto constitucional que afiança um salário mínimo ao idoso e à pessoa portadora d deficiência sem renda a que dele necessitar. Assim,
tornou-se um mínimo operacionalmente tutelado, ―um quase direito‖, na
medida em que seu acesso é submetido à forte seletividade de meios comprobatórios que vão além da manifesta necessidade do cidadão. O acesso ao BPC, vinculado operativamente à renda per capita da família, restringe o direito individual do cidadão. O critério seletivo adotado internamente pelas agências do INSS para a operação do BPC termina por diluir o caráter universal, constitucionalmente estabelecido. (SPOSATI, 1999, p. 126)
É neste cenário em que se conjuga a falta de empregos, trabalho informal e a deterioração das condições e relações de trabalho, que os sujeitos com deficiências e suas famílias (usuários) enfrentam o seu cotidiano, permeado, muitas vezes, de situações em que predomina a fragilização dos vínculos familiares, bem como a desorganização da familia, a marginalização, a discriminação e a exclusão social, e a miserabilidade no seu modo de vida. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho, (OIT) ao se tratar a questão do emprego para a Pessoa com Deficiência, deve-se buscar uma atividade economicamente rentável, que corresponda não pelas deficiências do candidato, mas por suas aptidões e ao seu potencial. Indica Borges (1997) que ―todos sabemos que o trabalho contribui muito para a autoestima, confiança e para determinar o status do ser humano‖ (BORGES,
1997, p. 11).
O trabalho é de fundamental importância para o ser humano, pois proporciona aprendizagem, crescimento, transformação de conceitos e atitudes, aprimorando e com isto obtendo uma remuneração. Assim sendo, deve-se considerar sua formação, suas qualidades pessoais e sua vontade de trabalhar. Entretanto, nem sempre a sociedade tem oferecido a Pessoa com Deficiência a condições para o exercício do direito ao trabalho.
Alguns aspectos são fundamentais a serem destacados quando se trata do assunto ―pessoas com deficiência‖. Primeiramente e principalmente são seres humanos sujeitos a todos os deveres e direitos que a sociedade pode oferecer a seus cidadãos. Deve haver uma mudança na sociedade para atender a todas as necessidades de seus membros, ou seja, o desenvolvimento (por meio da educação, reabilitação, qualificação profissional) das Pessoas com Deficiência deve ocorrer dentro do processo de inclusão e não como pré-requisito para estas pessoas poderem fazer parte da sociedade (SASSAKI, 1997).
Para Sassaki (2003) na década de 90, começou a ficar cada vez claro que a acessibilidade deverá seguir o paradigma do desenho universal, segundo o qual os ambientes, os meios de transporte e os utensílios devem ser projetados para todos, não apenas para pessoas com deficiência. E, com o advento do paradigma da inclusão e do conceito de que a diversidade humana deve ser acolhida e valorizada em todos os setores sociais comuns. Por paradigma utiliza-se o conceito de Mantoan (2003).
Conforme pensavam os gregos, os paradigmas podem ser definidos, como modelos, exemplos abstratos, que se materializam de modo imperfeito no mundo concreto. Podem também ser entendidos segundo uma concepção moderna, como um conjunto de regras, normas, crenças, valores, princípios que são partilhados por um grupo em um dado momento histórico e que norteiam o nosso comportamento, até entrarem em crise, porque não nos satisfazem mais, não dão conta dos problemas que temos de solucionar. (MANTOAN, 2003, p. 11).
gradativamente as medidas de acessibilidade. Portanto existem seis tipos de acessibilidade nas empresas inclusivas, deverão existir também em todos os outros ambientes internos e externos onde qualquer pessoa, com ou sem deficiência, tem o direito de circular. Suas respectivas características, hoje obrigatórias por lei e/ou por consequência do paradigma da inclusão, são as seguintes, no caso das empresas inclusivas:
Acessibilidade arquitetônica: sem barreiras ambientais físicas, no interior e
no entorno dos escritórios e fábricas e nos meios de transporte coletivo utilizados pelas empresas para seus funcionários.
Acessibilidade comunicacional: sem barreiras na comunicação interpessoal
(face-a-face, língua de sinais, linguagem corporal, linguagem gestual etc.), na comunicação escrita (jornal, revista, livro, carta, apostila etc., incluindo textos em braile, textos com letras ampliadas para quem tem baixa visão, notebook e outras tecnologias assistivas para comunicar) e na comunicação virtual (acessibilidade digital).
Acessibilidade metodológica: sem barreiras nos métodos e técnicas de
trabalho (métodos e técnicas de treinamento e desenvolvimento de recursos humanos, execução de tarefas, ergonomia, novo conceito de fluxograma, etc.).
Acessibilidade instrumental: sem barreiras nos instrumentos e utensílios de
trabalho (ferramentas, máquinas, equipamentos, lápis, caneta, teclado de computador etc.).
Acessibilidade programática: sem barreiras invisíveis embutidas em
políticas (leis, decretos, portarias, resoluções, ordens de serviço, regulamentos etc.).
Acessibilidade atitudinal: sem preconceitos, estigmas, estereótipos e
discriminações, como resultado de programas e práticas de sensibilização e de conscientização dos trabalhadores em geral e da convivência na diversidade humana nos locais de trabalho (SASSAKI, 2006). Fernandes; Lippo (2013, p. 284)
complementam o conceito de acessibilidade:
O conceito da Convenção demonstra que existe um consenso mundial em sintonia com a análise das interdições contextuais, como um fator importante a ser considerado na organização social. As barreiras físicas, culturais, sociais, passam a ser pensadas como impedimentos e, portanto, precisam ser eliminadas em um processo que possibilidade aos sujeitos uma maior acessibilidade à vida em sociedade. Sintetizando, as deficiências estão na estrutura do social e suas diversas instâncias que padronizam e segregam, com as pessoas estão às diferenças.
Neste sentido, cada um tem suas diferenças e a sua valorização, o respeito e a convivência dentro da diversidade humana e isto é um dos preceitos fundamentais no processo de inclusão.
No horizonte de novos significantes que situem os seres sociais na possibilidade de exercer sua singularidade, conclui-se que o social precisa se tornar acessível para comportar a diversidade da condição humana. Acessibilidade que precisa ser universal, ou seja, para todas as pessoas e não um ―lugar especial‖ designado para pessoas com deficiência, como uma marca para determinados sujeitos que precisam deste espaço. (FERNANDES; LIPPO, 2013, p. 287).
A mudança de mentalidade de todos, inclusive da PCD, em suma, é importante para avançar para a inclusão. No entanto, mais do que a participação coletiva das Pessoas com Deficiência, faz-se necessário também a mudança da concepção política, econômica e social, um novo modelo societário que acolha a diversidade humana, sem pré-requisitos para aceita-la socialmente. A Pessoa com Deficiência é capaz de superar suas limitações e encarar as dificuldades para ter, com muito esforço e dedicação, a oportunidade de entrar no mercado de trabalho, além de desmistificar o preconceito da sociedade atual, que ainda persiste em inutilizar a mão-de-obra considerando-os insuficientes para realizar qualquer atividade. Assim amplia-se o acesso da PCD, tendo garantido o direito a educação, o lazer, a cultura, o trabalho etc. Em outras palavras, a capacidade da pessoa humana responder as demandas da sociedade, nos aspectos que dizem respeito à comunicação, aos cuidados pessoais, as habilidades sociais, ao desempenho na família e comunidade, a sua independência na locomoção, saúde, desempenho escolar e trabalho.
Contemporaneamente a Escola de Educação Especial que tem por objetivo geral prestar atendimentos educacionais a alunos com deficiência intelectual e outras deficiências associadas, tem desenvolvido atividades visando o desenvolvimento das potencialidades da PCD, tais como valorização familiar e social, preparação para o trabalho e o pleno exercício de sua cidadania. Para isto, tem-se proposto a promover e articular ações na defesa dos direitos, prevenção, orientação, prestação de serviço, apoio a família, direcionado a melhoria da qualidade de vida para as Pessoas com Deficiência e a construção de uma sociedade inclusiva. Sabe-se que a instituição que pratica a segregação tem cada vez mais as suas ações questionadas e devem aderir à inclusão.
Deve-se fazer referência que a inclusão da Pessoa com Deficiência somente será viável se acontecer partindo de toda a sociedade. Não é possível afirmar sobre a inclusão da Pessoa com Deficiência se depositar as expectativas apenas sobre uma ou outra instituição filantrópica.
A escola filantrópica é a escola humanitária aperfeiçoada. Ela nega a
necessidade do antagonismo; quer tornar burgueses todos os homens; quer pôr em prática a teoria, na medida que a diferencia da prática e que não contenha antagonismo.[...] Os filantropos querem, desse modo, manter as categorias que expressam as relações burguesas, sem ter o antagonismo que as constitui e que delas é inseparável. Imaginam combater seriamente a prática burguesa, e são mais burgueses do que os outros, (MARX, 2007 p 148).
A inclusão profissional da PCD faz parte do processo de reconhecimento como cidadão, um ser humano que também dá a sua contribuição na divisão social do trabalho. A possibilidade de inclusão no mundo do trabalho surge de uma mudança de pensamento vigente; o que propicia condições de valorização da condição humana, respeitando suas limitações e promovendo meios para que o mesmo venha a descobrir habilidades, podendo exercê-las em âmbito profissional. Neste sentido Fernandes e Lippo (2013, p. 288), afirmam:
O mundo ao redor parece ter sido todo ele construído para seres humanos, sem limitações e num padrão único, sem distinções. Ao observar o cotidiano no agito das grandes metrópoles, por exemplo, encontram-se grandes empecilhos para aqueles que não condizem coma as exigências da figura humana pensada na arquitetura da cidade. As politicas públicas devem
estar atentas a estas barreiras e incidir sobre as mesmas.
A Pessoa com Deficiência vem recebendo ―tratamentos‖ diversos da sociedade, passando do tempo da cruel eliminação para o da indiferente segregação. Agora chegou o momento da valorização e implementação de Políticas Públicas de inclusão deste representativo contingente da sociedade. A Organização das Nações Unidas, o Estado brasileiro, garantem em suas legislações, a existência de inúmeros direitos, entre eles o direito ao trabalho, à educação, entre outros. Cabe agora a garantia destes direitos, ainda que para isto tenha que avançar com garantias para além daquelas que o capital pode oferecer.
A reprodução é chave para o desenvolvimento da humanidade, mas por outro lado também há a reprodução da alienação, não há apenas a reprodução da cultura, dos saberes, da passagem histórica, entre outros. As categorias da dialética são fundamentais para que se possa superar a reprodução da alienação. Entende-se a historicidade como interconexão dos diversos, o reconhecimento do singular e do universal. Já a historicidade não é compreendida como sinônimo de história, mas de processo, em sua apreensão garante-se o desocultamento dos fatos, contribuindo para a sua reflexão crítica. E a contradição, também abordada neste texto, é uma negação que inclui. É a contradição como motor do movimento. Ao negar uma etapa, um estado, uma necessidade, instiga-se a reação oposta, ―a negação da negação‖, estimula-se a superação porque a contradição é insuportável e tenta-se superá-la.
Neste sentido compreende-se que a inclusão da Pessoa com Deficiência deve