BÖLÜM 2: MUHASEBENİN TEORİK YAPISI (ÇERÇEVESİ)
2.4. Muhasebe Teorilerinin Sınıflandırılması
2.4.2. Pozitif Muhasebe Teorisi
252 OCTAVIANI, Tiago. Globalização e constitucionalismo frente à dicotomia público e privado. Disponível em:<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7803>. Acesso em: 7 set. 2009.
253 OCTAVIANI, Tiago. Globalização e constitucionalismo frente à dicotomia público e privado. Disponível em:<http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=7803>. Acesso em: 7 set. 2009.
No desenvolvimento do primeiro capítulo, demonstramos a ligação direta entre as características dos direitos de primeira geração e o paradigma de Estado liberal de direito. No capítulo seguinte explicitamos a vinculação do paradigma de Estado social com os direitos denominados de segunda geração.
No contexto de crise do Estado social começam a se delinear os direitos de fraternidade e de solidariedade, que vêm fundamentar a terceira geração de direitos. Tais direitos têm viés coletivo e difuso, dos quais temos exemplos a paz, a autodeterminação dos povos, o meio ambiente e a qualidade de vida.
A terceira dimensão de direitos surge como fruto do próprio desenvolvimento da sociedade e da transformação do modelo de Estado social. Mas, antes de tudo, é filha legítima da revolução tecnológica pela qual vem passando a sociedade e que recebe o nome de terceira revolução tecnológica.
Esse avanço tecnológico é caracterizado pelo surgimento e aprimoramento rápido e contínuo da microinformática, internet, microeletrônica e da robótica, dentre outros fatores. É a marcha da história que continua e cria terreno fértil para a invenção da internet e o aprimoramento das comunicações, “diminuindo a distância entre os povos”, e tornando “homogêneos valores, costumes e a idéia de consumo em massa, da globalização econômica e cultural”254.
Para alguns a terceira revolução tecnológica é sinônimo do fim da sociedade do trabalho, na medida em que nos próximos anos novas e mais sofisticadas tecnologias de
software aproximarão cada vez mais a civilização de um mundo praticamente sem trabalhadores.
254 ARAÚJO, Carolina Lobato Góes. Direitos metaindividuais e ação civil pública : a perspectiva
contemporânea da tutela coletiva trabalhista. Dissertação (Mestrado Direito do Trabalho)-Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2006, p. 37.
Para essa corrente de análise dos impactos da tecnologia na sociedade do trabalho, a “maciça substituição do homem pela máquina” traz a necessidade de cada nação repensar o papel a ser desempenhado pelos seres humanos no processo social.255
Mas outros pensadores obtemperam ao considerar que estando em curso a terceira revolução tecnológica é imprudente prever ou preconizar seus efeitos próximos ou longínquos. Ademais, advertem que a terceira revolução tecnológica representa, na verdade, o acelerado aumento da produtividade do trabalho tanto na indústria como em numerosos serviços.256
Sem dúvida, essa nova revolução tecnológica apresenta avanços e retrocessos. A descoberta de novas tecnologias gera progresso e crescimento tanto econômico quanto humano. Não obstante, também gera prejuízos em larga escala e para grupos indeterminados de pessoas, como danos ambientais e ao patrimônio cultural da humanidade.
Nesse contexto, os direitos de terceira dimensão são caracterizados pela dificuldade de titularização por determinado grupo ou coletividade e por não serem restritos a um número especificado de destinatários. Ou seja, são direitos de toda humanidade globalmente considerada, porém não podem ser titularizados de forma individual por ninguém.
Pedro Lenza afirma que os direitos da terceira geração vêm sendo batizados de metaindividuais ou transindividuais, visto que transcendem o indivíduo, não mais se restringindo à relação individual. Eles fazem correspondência com o lema da fraternidade ou solidariedade profetizado na Revolução Francesa257.
Mancuso afirma que outra peculiaridade desses direitos humanos de terceira geração é sua duração efêmera. Pela efemeridade entende que tais direitos se modificam na medida em
255 RIFKIN, Jeremy. O fim dos empregos: o contínuo crescimento do desemprego em todo o mundo. São Paulo: M. Books, 2004, p.47.
256 SINGER, Paul. Globalização e desemprego: diagnósticos e alternativas. 2.ed. São Paulo: Contexto, 1998, p.17.
257 LENZA, Pedro. As transformações do Estado e a multiplicação dos direitos. In: Teoria Geral da Ação Civil
que se alteram as condições fáticas que os ensejam, que podem se extinguir e reaparecer posteriormente258.
Ressalte-se que são direitos que complementam os de primeira e segunda geração. Apresentam como objeto central a solidariedade e a fraternidade e se caracterizam pelo fato de seus destinatários serem indeterminados. Apreendem o ser humano sob o ponto de vista universal, sem considerar as barreiras nacionais dos Estados.
Os direitos de terceira geração, que materializam poderes de titularidade coletiva atribuídos genericamente a todas as formações sociais, consagram o princípio da solidariedade e constituem um momento importante no processo de desenvolvimento, expansão e reconhecimento dos direitos humanos, caracterizados enquanto valores fundamentais e indisponíveis, pela nota de uma essencial inexauribilidade259
Os direitos de terceira geração surgem no contexto do Estado contemporâneo e com ele se relacionam intrinsecamente. O novo modelo de Estado de direito que se constrói é delineado justamente pelos conflitos de massa, que atingem toda a coletividade, pelo avanço tecnológico que une os povos através da informática e da internet e pela economia globalizada que prega o fim das barreiras comerciais entre as nações.
A terceira geração tem direitos de titularidade coletiva: a) no plano internacional: direito ao desenvolvimento e a uma nova ordem econômica mundial, direito ao patrimônio comum da humanidade, direito à paz; b) no plano interno: interesses coletivos e difusos, como, por exemplo, o direito ao meio-ambiente260.
258 PIMENTA, José Roberto Freire; PORTO, Lorena Vasconcelos. Instrumentalismo substancial e tutela jurisdicional civil e trabalhista: uma abordagem histórico-jurídica. Revista do Tribunal Regional do Trabalho da
3ª Região, Belo Horizonte, v. 43, n. 73, jan/jun. 2006, p. 117.
259 STF, Pleno, MS n. 22.164/SP, Rel. Min. Celso de Mello, Diário da Justiça, Secção I, 17 nov. 1995, p. 39.206. 260 VELLOSO, Carlos Mário da Silva. Os direitos sociais na Constituição do Brasil. Texto básico de palestra proferida em Madri, Espanha, na Universidade Carlos III, sob o patrocínio desta e da ANAMATRA – Associação Nacional dos Magistrados do trabalho, em 10 mar. 2003.
Já se fala, atualmente, em direitos de quarta geração, mas a definição de seu conteúdo é bastante divergente. Podem compreender desde o direitos à democracia, à informação e ao pluralismo261, como o direito ao desenvolvimento da “biotecnologia, tais como células tronco, privacidade dos dados genéticos, reprodução assistida, transplantes, mudança de sexo”262, etc. Nesse sentido também temos Norberto Bobbio263, para quem a quarta dimensão tem como elemento principal o direito à propriedade genética, advinda da conjugação dos avanços tecnológico e científico, que permitirá a manipulação crescente do patrimônio genético de cada indivíduo.
Importante ressaltar do estudo da terceira dimensão de direitos é sua vinculação direta com a formatação de um novo modelo de Estado, tendo em vista que o Estado social entra em crise.
Isso demonstra que a marcha da história e o desenvolvimento do direito estão intrinsecamente ligados à escolha política dos governantes, ao funcionamento da economia, à demanda social e à respectiva resposta dada pela ordem jurídica.
Enfim, o Estado deve buscar conferir efetiva proteção a esses novos direitos de terceira geração, seja revisitando conceitos ou criando novos mecanismos para viabilizá-los. Nesse sentido, o juiz exerce papel relevante, pois são eles que fazem a ponte entre o direito e os conflitos sociais. Para tanto, precisam abandonar aquela visão liberal-individualista própria do liberalismo clássico e que não se identifica mais com os conflitos de massa da sociedade de hoje.
261 BONAVIDES, Paulo. A teoria dos direitos fundamentais. Curso de direito Constitucional, p. 571.
262 MORAES, Maria Celina Bodin. O conceito de dignidade humana: substrato axiológico e conteúdo normativo. In: COUTINHO, Adalcy Rachid. et al. Constituição, direitos fundamentais e direito privado. Ingo Wolfgang Sarlet (Org.). 2.ed. rev. e ampl. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2006, p. 127-129
263 GERA, Renata Coelho Padilha. Interesses individuais homogêneos na perspectiva das “ondas” de acesso à justiça. In: LEITE, Carlos Henrique Bezerra (Coord.). Direitos metaindividuais. São Paulo: LTr, 2004, p. 58.