Para realização do mapeamento de uso e ocupação do solo do município de Conde-PB, foi utilizada imagem do satélite Rapideye disponível pelo Geocatálogo online do Ministério do Meio Ambiente (http://www.geocatalogomma.com.br) (Figura 17). A imagem foi capturada pelo satélite em julho de 2014 e apresenta ausência de nuvens em maior parte da delimitação municipal.
Para identificação de classes na imagem, foi efetuada classificação pelo algorítimo The Iterative Self-Organizing Data Analysis Technique (Isodata), o qual identifica a intensidade de reflexão de cada alvo distinto da superfície terrestre e os divide em classes homogêneas. Dessa forma, foi possível identificar as classes de água, agropecuária, solo exposto, área urbana, loteamentos (não construídos) vegetação densa e vegetação esparsa (Figura 18). Para classificação não supervisionada, foi utilizado o software Erdas Imagine 2011, e, para montagem do layout final dos mapas, o software QGIS 2.2.
O mapa de uso do solo mostra, como dito acima, que as áreas urbanas prevalecem no litoral do município, principalmente onde se localiza o distrito de Jacumã. O preocupante foi ver a quantidade de loteamentos e áreas construídas dentro da APP de Tambaba.
Figura 17 – Carta imagem do município do Conde-PB
Figura 18 – Uso e ocupação da cobertura superficial do solo do Conde-PB
Por muitas vezes, o poder público local não entende que, para o turismo se desenvolver de forma harmoniosa e que beneficie a comunidade local, é preciso primeiro viabilizar a captação de investimentos com melhorias da infraestrutura local por meio dos vários atores presentes no turismo – econômicos, políticos e sociais. A comunidade local deve ser a primeira beneficiada dessa atividade enquanto via de desenvolvimento local. É necessário haver condições para que esse desenvolvimento aconteça e não passe a ser só mais um mecanismo de crescimento econômico para uma minoria.
Essa lógica do desenvolvimento de grandes resorts e condomínios horizontais que procuram satisfazer a uma demanda de turistas de alto padrão, que querem estar hospedados em lugares onde possam usufruir de toda uma infraestrutura de qualidade. Lembra-se, ainda, que os condomínios horizontais, em sua maioria, são para atender a uma demanda de casas de veraneio ou às chamadas segundas residências. O turismo é capaz de submeter o poder público em prol do mercado. Quando o poder público não percebe a lógica do desenvolvimento e como cada área tem sua função dentro da esfera municipal, surgem as novas formas de dinâmicas do turismo. É aí que surgem os grandes agentes imobiliários, que se aproveitam dessa realidade para adotar outro tipo de condição do turismo. Esses grandes grupos passam a conduzir a atividade turística local (CORIOLANO, 2006).
Nos últimos anos vem surgindo no município grande quantidade de condomínios horizontais fechados, o que promove o loteamento e a ocupação de áreas de preservação ambiental. Na Figura 19 é possível visualizar com maior nitidez essa prática desenfreada dos loteamentos desses condomínios. A partir da década de 1970, o município passou a apresentar uma tendência a minifúndios. Com essa prática, começa uma tendência de ocupação em residências, de loteamentos e, mais tarde, esses minifúndios são transformados em loteamentos para a constituição de condomínios horizontais (Kyiotani, 2011).
Figura 19 – Loteamentos e áreas construídas na APA de Tambaba
Fonte: Adaptado de Google Earth (2013).
Essas práticas espaciais tomaram maiores impulsos a partir de lançamentos de condomínios horizontais fechados, encontrados não só na APA de Tambaba, como em todo o Conde. Esses agentes atuam no sentido de empreender a vontade de turistas de determinada classe consumidora. É aí que surgem os grandes empreendimentos, como resorts e condomínios fechados (Figura 20). Essas instalações possuem todo um aparato de infraestrutura e serviços utilizados apenas por seus clientes. Esses grandes empreendimentos geram mais impactos negativos do que positivos, pois geram um grande impacto ambiental com construções em áreas de preservação, e geram pouquíssimos empregos para a população local.
Com essa prática, podemos observar, também, uma segregação socioespacial no local. Muitos desses resorts oferecem serviços que levam os clientes até a praia, um local praticamente particular do resort.
Figura 20 – Resorts e condomínios fechados no Conde-PB
(a) Condomínio Brisas de Coqueirinho; (b) Mussulo Resort By Mantra; (c) Condomínio Tambaba Country Club.
Fonte: Elaboração própria, com base em acervo da autora e de Google Earth (2013).
Durante os últimos anos, o poder público local, além de apoiar esses agentes imobiliários, tem buscado melhorar a infraestrutura turística local, como o acesso interno às praias, que foi constatado na última visita in loco. A praia de Coqueirinho, uma das mais visitadas pelos turistas, está contando com o calçamento de sua via de acesso, que vai da rodovia até o estacionamento na orla, como é verificado na Figura 21.
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Figura 21 – Acesso interno antigo e novo (em construção) à praia de Coqueirinho, nos anos de 2012 e 2014 – Conde-PB
Fonte: Acervo da autora (2014).
A manutenção dos acessos às praias do município do Conde torna-se ainda mais importante por se localizar em área de falésias, onde o acesso até as linhas de praias e o mar se torna difícil, principalmente pela altura (Figura 22). Abaixo perdebemos a dificuldade de acesso as praias. A praia de Carapibus, como dito anteriormente perdeu o seu acesso com a destruição da escada que já se encontrava em condições precárias, e a praia de coqueirinhos, apesar de não só existir acesso por essa escada, mas também por suas laterais, são acessos de difícil locomoção para todas as pessoas, deficientes motores ou não. Em períodos chuvosos a locomoção nesses “caminhos” e estradas se tornam impossíveis para certos tipos de pessoas e automóveis, devido a grande inclinação das estradas e trilhas.
Figura 22 – Acessos às praias de Coqueirinho e Carapibus
Fonte: Acervo da autora (2014).
Outra transformação observada na mesma praia é o centro turístico de Coqueirinho. Há alguns anos os barraqueiros de Coqueirinho ficavam na linha de praia, sem qualquer infraestrutura. Depois do projeto do Governo do Estado da Paraíba, do Empreender e da Associação dos Donos de Barracas na Costa do Conde (ADBCC), foi construído o centro turístico de Coqueirinho (Figura 23), que abrigou, segundo o presidente da associação, 7 dos 8 barraqueiros da praia. Mesmo com uma melhor infraestrutura presente no local para os turistas, ainda é insuficiente, os proprietários dos quiosques não podem fazer qualquer modificação e reclamam da falta de estrutura sanitária, já que o projeto inicial comportava dois banheiros masculinos e dois femininos, mas existe apenas um de cada.
Figura 23 – Centro turístico de Coqueirinho – Conde-PB
Fonte: Acervo da autora (2014).
Algumas das reclamações dos donos desses quiosques foram que, a partir deste ano de 2014, todos eles passaram a pagar, para a prefeitura, o imposto sobre mercadoria vendida. Essa prática será gerenciada por um novo sistema integrado às máquinas de cartão de crédito/débito, onde 2% será passado para a gestão municipal. Outra informação dada por eles é que, também neste ano, começarão a pagar pelo terreno onde foi construído o complexo. Como as áreas de proteção ambiental e as costas litorâneas são patrimônio da União, passarão a pagar mensalidades à União, porém isso não quer dizer que eles serão donos do terreno, a qualquer momento em que um proprietário não realizar as exigências das entidades envolvidas no projeto, poderão ser retirados do local.
Assim, percebemos que o turismo corresponde a uma atividade responsável pelo consumo e transformação do espaço, da paisagem e culturas, estando integrado a um espaço de atração. Essa atração, por sua vez, está integrada a uma infraestrutura de elementos naturais ou artificiais contidos nesse espaço. Portanto, o turismo de forma não planejada não trará reflexos de desenvolvimento local, mas, talvez, um crescimento econômico que beneficie agentes especuladores desse mercado, que, de forma desenfreada, trazem apenas danos aos aspectos fisionômicos daquela localidade e um mínimo de beneficios para a comunidade local.