ÜÇÜNCÜ BÖLÜM
3. GÖRSEL ĠLETĠġĠM ARACI OLARAK POSTA PULU TASARIM
3.2. Posta Pulu Tasarımında Görsel Algı, Görsel Dil, Görsel Kültür
O Comitê Regional das Associações e Cooperativas de Artesanato do Seridó – CRACAS foi criado em 2000 e legalizado em 2002. Criado com o objetivo de articular e gerir o grupo das associações e cooperativas da região do Seridó. Segundo informações de Arlete, presidente da instituição, atualmente, o CRACAS agrega vinte e quatro entidades, dois Clubes de Mães e beneficia oitocentos artesãos da região. Para ser associado ao CRACAS não é necessário possuir vínculos com a associação ou com a cooperativa, o vínculo pode ser feito diretamente no próprio Comitê.
A sede do CRACAS está localizada em um complexo de lojas de vários segmentos comerciais, à Rua Otávio Lamartine, centro da cidade, seu imóvel é cedido pela Prefeitura Municipal de Caicó. No CRACAS funciona o Complexo de Artesanato Maria Vale Monteiro, um espaço otimizado para a realização de oficinas de produção e oficinas de vários segmentos de bordados, que capacitam centenas de pessoas. Em 2006, foram capacitadas cerca de quinhentas bordadeiras (Revista Terra Potiguar: a revista do Seridó).
Segundo Arlete, os benefícios em ser associado consistem na redução de custos nas compras em grande quantidade de matérias-primas e equipamentos; acesso a mercados por meio da participação em feiras e exposições em eventos regionais ou internacionais; e, acesso aos espaços da própria instituição, na qual são oferecidos cursos, capacitações e consultorias. As encomendas feitas ao CRACAS são repassadas para as associadas, a mediação é feita através da representante do CRACAS. A COBARTS está vinculada diretamente a gerência do CRACAS, uma vez que essa deu lugar ao que antes era a ABS.
Arlete me explicou quando indaguei o motivo pelo qual a ABS tinha sido extinta ela disse que foi devido ao aumento na demanda de pedidos pelos bordados e, consequentemente, a exigência pela emissão de notas fiscais para os compradores. Então, com o grande número nas vendas fez com que a associação desse lugar a uma cooperativa em virtude de atender aos pedidos e encomendas de grandes empresas do Brasil. Para isso, um ponto importante foi a implementação da emissão de Nota Fiscal (para abrir Nota Fiscal é necessário pagar um valor de R$ 1.000,00 – um mil reais e, mensalmente, alimentar o sistema com o valor de R$ 103,00 – cento e três reais) que contribuiu para aumentar as vendas dos bordados em virtude do maior número de pedidos. Arlete fala de um pedido que encomendou cinco mil peças de uma vez:
Conseguimos pedidos de cinco mil peças, daí fazemos uma reunião e comunicamos. Então, cada uma mostra o interesse em suprir a necessidade do cliente. Na data marcada, recebemos o material, repassamos e recebemos o dinheiro. Em seguida, realizamos o pagamento para cada uma, que nos repassam 5% do valor final (Informação verbal).
Em 2007, a SEDEC – Secretaria Estadual do Desenvolvimento Econômico, concedeu a redução da alíquota do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, para a comercialização de bordados, de 17% e 1%, a ser paga pelo lojista que vender os produtos, desde que adquiridos de associações ou cooperativas de artesãos. Com isso, diminuiu a carga tributária sobre os bordados comercializados nas lojas e facilitou para as bordadeiras associadas.
Nota-se que as possibilidades para quem é associada são mais abrangentes. As encomendas, geralmente em grande quantidade, são feitas diretamente nas instituições e, mediadas por elas, chegam às bordadeiras associadas. Cada bordadeira recebe de acordo com sua produção.
As bordadeiras associadas destacam as vantagens em ser vinculadas as instituições, Gorete é uma delas:
É bom ser associada, porque tudo que vem para o bordado passa pela cooperativa. Como por exemplo, vai ter um empréstimo agora que eu vou ter direito já que eu sou funcionária. A linha que a gente compra é mais em conta, o tecido agente compra mais barato. As encomendas que vem a gente pega antes. Você sendo sócia você tem direito antes. Tudo que chega, primeiramente, procura logo as sócias (Informação verbal).
Frequentemente o discurso utilizado pelas bordadeiras associadas quanto aos benefícios das cooperativas é parecido: compra de matéria-prima mais barata, recebimento de encomendas através das instituições, empréstimo e linha de crédito através de parcerias com o Banco do Brasil e local fixo disponível para expor os produtos (lojas das cooperativas). Segundo os gestores das instituições ligadas ao bordado, cooperativas e comitê, mostraram que com o passar dos anos o número de associadas diminuiu consideravelmente, aproximadamente, 30% do número inicial de sócias de cada instituição mantém o vínculo. Um dos motivos apontado por Iracema, Arlete e Roberta que poderia impulsionar essa evasão seria a presença do intermediário e/ou fornecedor. Como já foi mostrado anteriormente o intermediário leva a encomenda até a bordadeira e faz o pagamento correspondente àquela peça, ficando sob sua responsabilidade a comercialização posterior no mercado.
Pelo viés institucional esse intermediário não é visto com bons olhos pelos representantes das instituições. Iracema o vê como problema:
Acho que o problema é com o intermediário. Por exemplo, tem mulher que é chefe de família, então borda e precisa do dinheiro para pagar as contas: a energia, os remédios, então, aí aparece essa fulana, ela vende para uma empresária pelo custo muito baixo só para ter aquele dinheiro. Então eu acho isso um problema muito sério. (Informação Verbal)
O intermediário, na fala de Iracema é visto como um “problema”, pois ele usaria a necessidade financeira da bordadeira para se beneficiar. Entretanto, esse é o ponto de vista da representante de uma instituição que vai ser diferente do ponto de vista de quem produz. Algumas bordadeiras como já foi mostrado anteriormente, acham cômodo receber os
trabalhos e o pagamento em sua casa. Desse modo, o papel do fornecedor pode ser encarado de formas distintas: pela representante da instituição e pela bordadeira. Se, por um lado, ele é visto como um “problema”, pelo viés das bordadeiras ele poderia ser visto como alguém que traz garantia de trabalho e renda para as famílias dessas bordadeiras.
Figura 18 e 19: Comitê Regional das Associações e Cooperativas de Artesanato do Seridó – CRACAS
O CRACAS e as cooperativas as quais estão integradas a ele, são um importante veículo de mediação entre bordadeiras e consumidores. Embora o número de associados ativos não coincida com os registros, portanto, não tendo um número tão expressivo de bordadeiras, não podemos deixar de destacar as novas formas de relações que tais instituições inseriram no contexto artesanal do município.