A emissão contínua de poluentes atmosféricos decorrentes dos processos desenvolvidos na planta industrial da CBA estabelece cenários de riscos, caracterizados pela exposição da população aluminense às elevadas concentrações de poluentes presentes na atmosfera local, que podem causar, a curto e longo prazos, problemas à saúde da população, tais como doenças respiratórias68 e cardíacas.
68 Para efeito de comparação, serão elaborados três gráficos baseados no percentual de óbitos causados por doenças respiratórias em relação ao total de óbitos ocorridos em Alumínio versus as taxas de emissão de poluentes atmosféricos pela CBA. Os gráficos e comentários estão apresentados no ANEXO II.
Embora seja possível inferir sobre os riscos da exposição da população aos fluoretos, material particulado, ozônio e outras substâncias poluidoras emitidas pelas chaminés da fábrica de alumínio, não é possível quantificar a extensão dos danos à saúde da população aluminense, devido à ausência de estudos epidemiológicos e, ainda, porque são conhecidos, apenas, os efeitos causados por alguns dos poluentes isoladamente. Entretanto, esses efeitos podem ser agravados pelo efeito de sinergismo entre os poluentes e outras substâncias presentes no ar, o que pode potencializar, negativamente, os efeitos dos poluentes atmosféricos sobre a saúde humana. Não há conhecimento preciso sobre o que ocorre na atmosfera nas condições em que diversos poluentes são emitidos a partir de diferentes fontes de emissão, ou seja, há forte grau de incerteza sobre os efeitos conjuntos à saúde humana, o que aumenta a vulnerabilidade da população frente aos poluentes atmosféricos.
Os habitantes da Vila Industrial estão sujeitos à maior exposição aos poluentes emitidos pela CBA, devido à proximidade do local da área industrial. Os funcionários da CBA que moram no local são “duplamente” expostos, pois convivem com os poluentes em seu ambiente de trabalho e em suas casas.
As cubas eletrolíticas instaladas na CBA operam com anodo Soderberg, sendo esta tecnologia mais poluente do que aquelas que utilizam anodos pré-cozidos. Assim sendo, a população aluminense, especialmente, as pessoas que residem próximo à área industrial da CBA estão expostas a uma elevada carga de poluentes atmosféricos de elevada periculosidade, uma vez que várias salas de redução eletrolítica da referida empresa apresentam emissões fugitivas de material particulado, fluoretos e outros poluentes pelo lanternim desses galpões. Cabe salientar que na área identificada com o número 1 no mapa de riscos associados à emissão de material particulado, localiza-se a sede da Prefeitura Municipal e quatro escolas de nível fundamental, médio e técnico, o que aumenta ainda mais o número de pessoas expostas aos poluentes atmosféricos na área que oferece os maiores riscos à saúde da população aluminense.
Na estação automática de monitoramento da qualidade do ar da CBA, há um equipamento para monitorar as concentrações de poluentes atmosféricos (ozônio, NOx e SOx) em tempo real na atmosfera aluminense por meio de técnicas de eletroscopia. Os dados são obtidos por integração, ao longo de um caminho óptico, de uma fonte de luz e receptor. Esse equipamento é composto por dois aparelhos e sua comunicação se dá através de um feixe de luz que é emitido por um dos aparelhos e receptado pelo outro aparelho. Um dos aparelhos está instalado na estação automática de monitoramento da qualidade do
ar (EAMQar) e o outro na sede da Cooperativa de Economia e Crédito Mútuo dos Empregados da Companhia Brasileira de Alumínio (Coopercred - CBA), a uma distância de, aproximadamente, 200 metros um do outro. Como pode ser verificado nas fotografias apresentadas na Figura 6.7, foram plantadas árvores de grande porte – inclusive eucalipto – nas proximidades dos aparelhos, de modo que os resultados do monitoramento podem ser mascarados, caso os galhos obstruam a “passagem” do feixe de luz entre os dois aparelhos.
Figura 6.7. Vista geral dos aparelhos instalados na EAMQar e Coopercred - CBA Fonte: Acervo pessoal, imagens obtidas no dia 27 de novembro de 2009
Não foram encontrados estudos sobre os Hidrocarbonetos Aromáticos Policíclicos (HAPs), além de ter sido constatado que o monitoramento da emissão de HAPs não é realizado. É sabido que as cubas eletrolíticas emitem quantidades significativas desses poluentes e que alguns desses compostos são cancerígenos (REMIÃO, 2007; IARC, 2006;
USEPA, 1998; USEPA, 1999a), e, assim sendo, em longo prazo, esses poluentes podem causar diversos prejuízos à saúde da população aluminense, manifestados em doenças crônico degenerativas.
Ressalta-se que, além da utilização do anodo Soderberg em todas as salas de redução eletrolítica, que resulta em maior nível de emissão de poluentes tóxicos como citado no Capítulo 2, algumas destas salas de redução eletrolítica não foram instalados equipamentos de controle de poluição para reduzir as emissões fugitivas no lanternim. Portanto, dada a complexidade do comportamento dos compostos orgânicos, suspeita-se que a população aluminense pode estar exposta a outros poluentes carcinogênicos emitidos nas cubas eletrolíticas, cuja formação no processo de redução é, ainda, desconhecida.
O vento predominante em Alumínio é Leste-Sudeste (ESE). Se levar em consideração essa característica do vento, pode-se concluir que boa parte da área urbana do município não seria atingida pelas emissões da CBA. No entanto, deve-se ressaltar que há ventos provenientes de outras direções, e a direção do vento muda várias vezes durante o dia, de modo que os poluentes emitidos pela CBA podem ser transportados até o centro urbano do município.
A altura das chaminés também influência a dispersão dos poluentes, como pode ser constatado nas informações e dados constantes nas tabelas e quadros do ANEXO I. Na planta industrial da CBA há chaminés com baixa altura, o que dificulta a dispersão dos poluentes atmosféricos, contribuindo para aumentar o risco da exposição aos poluentes perigosos para os funcionários da fábrica e para a população residente próxima à área industrial da CBA.
A empresa pretende ampliar sua produção de alumínio primário de 475 mil toneladas por ano para 630 mil toneladas por ano, o que aumentará consideravelmente a emissão de poluentes atmosféricos, mesmo que equipamentos de controle de poluição do ar – como os lavadores de gases a seco e úmido – com altas eficiências sejam instalados, pois a contribuição dos poluentes emitidos pelas novas salas de redução eletrolíticas serão somadas às emissões já existentes, tornando, assim a população aluminense mais vulnerável aos efeitos deletérios causados pelos poluentes atmosféricos à saúde humana e ao meio ambiente.
É importante citar que os equipamentos de controle de poluição atmosférica podem não funcionar corretamente durante vários dias, ou por falta de manutenção, ou mesmo, devido ao mau uso desses equipamentos, o que também contribui para aumentar as taxas de emissão de poluentes para a atmosfera e piorar a qualidade do ar.