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3.1.1. Statik Tip

3.1.1.2. Poliritmik Kontrpuana Dayalı Statik Doku

No quintal das residências, elas costumam cultivar algumas plantas, dentre elas árvores frutíferas como mamoeiros, goiabeiras, coqueiros, pés de acerola, graviola etc., além de plantas medicinais como mastruz, pimenta, corama santa, hortelã, pinhão roxo e outros tipos. Com os galhinhos (ramos) destas plantas consideradas medicinais que elas realizam parte do seu ritual de cura. Inclusive, Joaninha falou-me que é difícil comprar “remédio de farmácia” quando adoece alguém em sua casa com gripe. Ela mesma faz lambedores com as plantas que cultiva no quintal. Apenas não chega a prescrever esses “remédios caseiros” para as pessoas que se rezam, se alguma delas pedir para preparar um lambedor ou garrafada ela disse que faz, principalmente para crianças com catarro preso no peito. Dentre as várias plantas existentes, cito as que são conhecidas: arruda (Ruta graveolens), (Lowsonia inermes

L.), pinhão roxo (Jatropha grossypiifolia L.), romã (Punica granatum), cidreira (Citrus medica L.), acerola (Malpighia emarginata).

Embora os tipos de plantas sejam recorrentes nos quintais das rezadeiras, havia plantas exclusivas, como a que constatei na casa de dona Chiquinha. Seu quintal tinha uma área restrita, mas bem cuidada e com alguns pés de plantas. Ela cultivava e mantinha em seu quintal uma laranjeira, uma toiceira (arbustos) de cidreira e muitos pés de boldo do Pará. Esta erva exala um perfume agradável e é com seus ramos que a rezadeira costuma rezar as pessoas em seus rituais de cura. Percebi também uma preferência por plantas que exalam cheiros, como a arruda, o alecrim, o eucalipto, o manjericão, a mangerona. Em razão dos períodos de estiagem que acontecem em Cruzeta, nem a arruda nem o alecrim conseguem

sobreviver. Dona Uda, falou que a arruda é boa para rezar de olhado porque tem o poder de atrair a doenças, mas é muito sistemática, é sensível, difícil de cultivar. “A arruda é usada nas rezas porque é apropriada para essas coisas [curar doenças]. Caso você não se cure com ela, mas ande com um raminho que ela te livra de muita coisa” (Informação verbal, maio/2006. Grifo do pesquisador).

A casa de dona Hosana também tem quintal, porém ao invés das paredes serem de alvenaria, elas eram de faxina (cerca de varas). E, talvez por ela não ter mais condições físicas, havia muito mato e, no meio dele, muitos pés de pinhão roxo. Ao lado da casa, no beco, também havia muito desse tipo de planta. Em dois recipientes com água sob a “banquinha” do rádio, havia vários galhos de pinhão roxo (Jatropha grossypiifolia L.), planta preferida por dona Hosana para a realização de suas curas. Logo cedo, ela colhia os ramos e colocava-os em um recipiente com água e, na medida que os clientes vão chegando para se curar, ela utiliza-os. Embora ela não tenha explicitado o motivo de só usar esta planta. Constatei durante as observações que, provavelmente, estes ramos tinham poderes de expulsar o mal, que estava materializado como doença. Percebi também que, em algumas residências da cidade, havia um pé de pinhão roxo plantado, em frente ou na lateral das casas. De acordo com uma moradora, que mantém sempre um pé desta planta em frente à sua casa, ele tinha o poder de absorver qualquer mal que viesse para cima dos donos da casa. Em Cruzeta, o pinhão roxo, também é conhecido como pinhão de São Francisco, pois as cores das suas folhas lembram a cor da túnica que este santo usava.

Figura 13 - Pé de pinhão roxo plantado em frente a uma residência, cujo é objetivo é proteger dos males.

O nome pelo qual esta planta era conhecida na região estava relacionado com a cor roxa que sua folhagem apresentava. Existe também o pinhão branco que é idêntico, porém

suas folhas são verde-claras. Lembro que minha avó Maricuta só rezava, usando ramos desta espécie. No sítio Cruzeta Velha, onde ela residia era comum esta planta, fazia parte da vegetação da região.

Ainda no que, diz respeito aos tipos de plantas para realizar rezas de cura, dona Santa disse que planta nenhuma tira doenças. No entanto, admitiu ter preferências por algumas plantas durante suas rezas.

Eu uso um raminho verde. Não rezo com pereiro (Pêra bailloniana M.), velame (Croton campestris), e nem com jurema87, nem com planta de enfeite de dentro de casa. Eu uso o pinhão roxo nas rezas... tem um pé aqui na frente de casa, e carrapateira (Ricinus commnis) (Informação verbal, junho2006. Grifo do pesquisador).

A rezadeira Silvina de Domingo Preto, também expôs sua preferência por algumas plantas e justificou o motivo de não usar outras.

Para todas as orações eu uso três raminhos, que são as três pessoas da santíssima trindade. Qualquer ramo eu uso, porque no Monte das Oliveiras tinha toda qualidade de planta. Eu só não rezo com ramos de jurema que é de feiticeiro. Planta que tem espinhos também é ruim demais. Mas, que com algaroba88 (Prosopis

Algarobilla) não ofende porque é planta que a gente encontra com mais facilidade,

mesmo em ano de seca (informação verbal, abril/2006. Grifo do pesquisador).

Durante o período que passei na casa da rezadeira Barica, observando o seu ritual de cura, percebi que não havia uma preferência por uma determinada planta. No seu quintal, havia alguns pés de árvores frutíferas, dentre eles: gravioleira, goiabeira e acerola. E, muitas vezes, observei que ela trazia ramos destas plantas para rezar seus clientes. Mas os ramos que ela mais usou, foram tirados de uma planta que existia em frente a sua casa, chamada nin

indiano (Azadirachta indica A Juss).

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Pelo que observei, os ramos da jurema não são usados durante o ritual de cura porque é a uma planta cultuada pelos catimbozeiros. Sobre o Culto da Jurema, ver Assunção (2006).

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Figura 14 - Barica colhendo ramos para iniciar a reza de cura.

A rezadeira dona Maria de Neco, apesar de ter preferência por plantas que costuma cultivar no muro, disse só não rezar com plantas de espinhos.

Não, não são com todas as plantas que eu rezo. Eu sempre rezo mais com mastruz (Senebiera didyma), muçambê (Cleome heptaphylla)... Quando não tem muçambê, eu sempre uso o mastruz, mas eu rezo com qualquer planta, não tendo espinhos é a conta (Informação verbal, abril/2006. Grifo do pesquisador).

Para justificar, o não uso de plantas espinhosas nos rituais de curas, dona Chiquinha, deu a seguinte explicação:

Como é que a gente vai tirar o sofrimento de alguém, com um negócio que serviu para fazer uma coroa de espinhos, para ser encravada na cabeça de Nosso Senhor Jesus Cristo? E tem mais, não se deve fazer fogueira de são João nem de são Pedro com lenha de jurema, só quem faz são os feiticeiros. A lenha própria de fazer fogueira em homenagens aos santos da igreja é a de pau de catingueira (Caesalpinia gardneriana) e faveleira (Jatropha phyllacantha). (Informação verbal, maio/2006. Grifo do pesquisador).

É interessante perceber como existe um sistema simbólico meticulosamente construído pelas rezadeiras que as fazem se autodistinguir dos demais terapeutas religiosos, sobretudo quando se trata do uso das plantas que contêm espinhos. Como bem relatou esta rezadeira, os espinhos trazem dores e sofrimento. Tal qual o feiticeiro, que é visto por elas como aquele agente que realiza seus trabalhos em prol de fazer malefícios às pessoas. Os ramos da jurema, não são usados para auxiliar nas rezas de cura, talvez porque, segundo elas, a jurema fosse a planta preferida pelos feiticeiros. A rezadeira Tia Romana justificou o motivo de não usar plantas com espinhos nos seus rituais de cura. “Você vai num caminho, aí leva uma

espinhada. A primeira palavra que você chama é pelo diabo. Ah, diabo! Por isso que todo espinho é amaldiçoado” (Informação verbal, junho/2006).

De todas as rezadeiras, a que tinha a maior diversidade de plantas em seu quintal era dona Uda. Na verdade, ela tinha duas casas, e entre elas, havia um quintal enorme com muitas plantas medicinais: linhaça, pimenta, erva-doce, endro, corama santa, hortelã, vários tipos de flores, inclusive uma roseira com flores de várias cores e um pé-de-sete-dores. Quando chega algum cliente pra se rezar ela costuma usar os ramos de linhaça, isso porque há um pé no beco, que fica próximo à janela que do interior da casa, a rezadeira pega os galhos.

2.3 O DOM DE CURA E A GRATUIDADE: VETORES QUE DIFERENCIAM O CAMPO

Benzer Belgeler