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2.6. Matris Malzemeleri

2.6.3. Polimer matrisli kompozitler (PMK)

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“(...) Vi que não há Natureza, Que Natureza não existe, Que há montes, vales, planícies, Que há árvores, flores, ervas, Que há rios e pedras,

Mas que não há um todo a que isso pertença, Que um conjunto real e verdadeiro

É uma doença das nossas idéias.”

(Fernando Pessoa/Alberto Caeiro)1

Paisagem

Paisagem urbana, paisagem contínua, paisagem de Mata Atlântica. Esse uso plural da palavra paisagem, atribuindo-lhe vários significados, foi utilizado no texto deste trabalho, sinalizando a abordagem que se abre a partir dela.

A paisagem tem sido objeto de estudo de várias disciplinas, como a geografia, a arquitetura, a ecologia, a arqueologia, entre outras, cada uma delas com correntes de pensamento diferentes, sendo que por algumas disciplinas a paisagem é trabalhada como um conceito científico, e por outras como categoria de análise, dada sua variada significação e subjetividade. Este trabalho utiliza a noção de paisagem como categoria,2 como um instrumento de reflexão e um enfoque para

entender o objeto de estudo, e se utiliza também de definições da geografia, uma vez que, ao longo da história, foi a disciplina que mais se dedicou a refletir sobre ela e que, segundo Ribeiro (2007), de um modo geral incorporou, através da paisagem, a dimensão cultural nos seus trabalhos.

Os textos que falam sobre o Parque do Pedroso tratam-no como um remanescente de Mata Atlântica, mas essa mata “sobrevivente” foi resultado da atividade econômica e social que caracterizou a região até o início do século XX, com o uso e ocupação da área por chácaras, fazendas, olarias e carvoarias, caracterizando-o também como um remanescente fundiário3.

Esse fato nos leva à paisagem. A natureza de que tratamos é um produto da intervenção humana, uma construção social, sobre a qual manifestam-se as

1

Apud Carvalho, 2003.

2 A categoria não possui a precisão teórica e descritiva de um conceito, mas reúne um conjunto de

elementos que possuem características comuns e contribuem para a elaboração de um conceito científico (Ribeiro, op.cit.:14).

3

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variadas formas de ver e enfrentar, entre outras questões, a proteção legal das áreas naturais, dentro da visão de mundo que provisoriamente4 se estabelece.

Faz-se aqui um breve traçado das motivações gerais do surgimento e de algumas abordagens em torno da noção de paisagem, a fim subsidiar a compreensão deste enfoque no trabalho, como uma síntese da relação entre homem e a natureza.

O aporte teórico-científico proporcionado pela geografia serviu de base para definições da paisagem cultural e para a construção do chamado “patrimônio natural”, que também são instrumentos de proteção ambiental e explicitam uma contradição presente na legislação aplicada ao Parque do Pedroso, que são as questões de ordem sócio-culturais, muito latentes no parque diante da interface com uma população numerosa em um contexto urbano.

A paisagem nasce de uma experiência estético-sensível, e foi atribuído ao relato de Petrarca5 um valor inaugural à noção de paisagem no ocidente. O

desenvolvimento da concepção da natureza como paisagem, da ideia da parte valendo como todo (natureza-paisagem), foi explicada não pela ciência, mas pela literatura e pela arte, pelos sentimentos de quem a observa, num exercício de fruição da natureza. “(...) A paisagem começa na arte, com as primeiras angústias da consciência metafísica, aquela que se inquieta de repente com a sombra que se mexe sob as coisas.” 6

A definição da paisagem como um conceito formal surgiu no final do século XIX e início do século XX, e ao longo do tempo a paisagem como conceito foi objeto de múltiplas abordagens, sendo que muitos autores não a consideram como um conceito científico devido à carga de subjetividade que carrega por sua dimensão estética e pelas inúmeras interpretações possíveis. A polissemia é uma condição da paisagem e é o que a torna interesse de várias áreas do conhecimento.

4

As sociedades humanas desenvolvem-se num determinado espaço e tempo com visões de mundo provisórias. O poema que introduz esse texto, segundo Carvalho, fala, com a liberdade do poeta, que as “verdades” sobre a natureza são um produto das “nossas ideias”. “(...)a natureza (...) deixa de ser

vista como uma ‘verdade absoluta, e passa a ser parte integrante de realidades sempre provisórias, contra ou a favor das quais os homens investem dependendo daquilo que pretendem: a manutenção ou a transformação destas realidades” (Carvalho, 2003:60).

5

Atribui-se à escalada de Francesco Petrarca, poeta Renascentista Italiano (1304-1374), ao monte Ventuso um valor inaugural da “postura moderna do olhar direto sobre o mundo” (Besse, 2006:2).

6

Yves Bonnefoy. Apud Besse, op. cit. prefácio, VIII. Esse texto refere-se ao artista da idade média que não pensaria fazer estudos da paisagem dentro do contexto intelectual de sua época, no qual a felicidade estava no universal e no transcendente: “(...) não se representa o particular (...)”. Só com as primeiras angústias da consciência metafísica é que surge a necessidade da representação da paisagem.

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Éric Dardel (1899-1968), geógrafo francês, definiria a função da paisagem para a sociedade moderna: “Manter uma relação viva entre o homem e a natureza que o envolve imediatamente. A paisagem desempenha o papel da ‘mediação’, o que permite à natureza subsistir como mundo para o homem” (Besse, 2006:82).

Dentre os vários conceitos – como região, território, espaço e lugar –, foi através da paisagem que se incorporou os aspectos culturais nos estudos da geografia: “A cultura é o agente, a área natural é o meio e a paisagem cultural é o resultado”.7 No início do século XX, por paisagem natural entendia-se aquela que não havia sofrido transformações pelo homem (intocada), e por paisagem cultural a que seria transformada pelo trabalho do homem.

Dentro dessa concepção ainda não eram consideradas as questões de ordem imaterial. As dimensões estéticas e subjetivas existiam, mas não faziam parte do interesse científico, uma vez que não poderiam ser classificadas e mensuradas dentro da visão positivista que pressupunha a existência de leis gerais.

No final da década de 1960, a partir do rompimento da visão objetiva, positivista, a paisagem passaria a ser entendida além dos aspectos visíveis, dos resultados físicos da ação humana impressos sobre o solo. O caráter subjetivo e simbólico passaria a ser considerado na definição da paisagem.8 O movimento

humanista mostraria que inúmeras abordagens eram possíveis com o consenso na contraposição ao modelo científico anterior e na percepção da paisagem como um “documento a ser lido”.

Nessa mesma direção, as novas abordagens da década de 1980 incluíram a questão da subjetividade da paisagem e as várias interpretações a que estava sujeita de acordo com a compreensão de cada grupo, tomando-a como um documento aberto. Foi uma temática abordada por geógrafos como Donald Meining (1979), identificando dez formas diferentes de ver a paisagem: como natureza, habitat, artefato, sistema, problema, riqueza, ideologia, história, lugar e como estética.

Quando passaram a ser considerados os problemas de ordem econômica interferindo nas questões culturais, agregou-se à ideia da simbologia da paisagem o conceitual teórico de fundo marxista. A paisagem através da apreensão dos seus aspectos simbólicos era resultado do meio de produção de uma sociedade: “(...) foram as novas formas de produção introduzidas que consolidaram novas visões de

7

Sauer apud Ribeiro, 2007.

8

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mundo e uma nova percepção da relação entre homem e natureza” Cosgrove apud Ribeiro (op. cit.:26).

Há muitas outras abordagens sobre a paisagem, mas de uma forma geral esse encadeamento de idéias – que não ocorreu de forma linear, já que ao longo da história esse conceito sofreu de recorrente refutação e aceitação – contribuiu para a reflexão sobre a integração entre o homem e a natureza, que só pode ser entendida dentro de um contexto histórico, econômico e social.

No pensamento geográfico está uma das origens da reflexão sobre paisagem, patrimônio cultural e patrimônio natural, cuja discussão não foi contemplada nas categorias de unidades de conservação, na estruturação dos parques nacionais.

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A proteção de áreas naturais

Benzer Belgeler