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Em 1996 o Conselho Federal de Entorpecentes (CONFEN) realizou o 1º Seminário Latino Americano de Comunidades Terapêuticas. Nesse período não estava claro sobre quais diretrizes as CTs deviam seguir, o que resultou na apresentação de uma proposta de normas por parte dos representantes das CTs presentes no evento. Eles solicitaram, também, fiscalização no cumprimento das normas sugeridas, assim como subsídio para que as CTs pudessem se enquadrar ao padrão sugerido pelas CTs. As sugestões foram aprovadas pelo plenário e aproveitadas posteriormente pela SENAD no 1º Fórum Nacional Antidrogas, realizado em novembro de 1998, em Brasília, colocando-as no subgrupo “Comunidades Terapêuticas” (CHAVES; CHAVES, 2007). Esse Fórum teve a participação de cerca de 2000 representantes de vários setores da sociedade brasileira e se uniram com o objetivo de apontar necessidades e sugerir aspectos que deveriam ser incluídos na Política Nacional Antidrogas, além de estabelecer um diálogo permanente entre sociedade e governo federal. Um dos temas centrais tratou sobre a melhoria do tratamento do dependente químico, a começar pelo treinamento dos funcionários (BRASIL, 2002).

Segundo o relatório do subgrupo do Fórum intitulado “Comunidade Terapêutica”, coordenado por Saulo Monte Serrat, ficou evidenciada a preocupação dos representantes das CTs brasileiras em relação ao crescimento indiscriminado de tais organizações que assim se intitulam, mas que não possuem nenhum compromisso ético em relação aos usuários desses serviços e nem um programa terapêutico coerente, além de funcionarem, em alguns casos, na clandestinidade. Foi ponto pacífico de que as CTs poderiam trabalhar em um dos três modelos tradicionais: modelo espiritual, científico e misto. Os participantes desse subgrupo reivindicaram que fossem assegurados direitos iguais para as CTs, desde que elas

21 ACCTE. Entrevista sobre Comunidade Terapêutica com Célio Luis Barbosa. Disponível em

atendessem às normas propostas. As propostas com relação às normas mínimas de funcionamento das CTs previam que houvesse: um programa terapêutico coerente em que constasse a adoção de critérios para admissão da pessoa dependente de substância psicoativa; programa de tratamento com fases distintas; estabelecimento de critério de alta; procedimento que caracterizassem a reinserção social como objetivo final. Além dessas propostas, foi sugerido que as CTs devessem apresentar um Programa de Capacitação e Treinamento de seu pessoal em cursos credenciados pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (SENAD); obedecer ao Código de Ética da FEBRACT, o qual havia sido aprovado pela Federação Mundial de Comunidades Terapêuticas. No que se refere às propostas dirigidas para a SENAD, foi sugerido que esta: contemplasse prioritariamente com distribuição de recursos financeiros, as CTs que lutavam contra a falta de recursos, mas que realizavam um trabalho sério e eficaz; acompanhasse as CTs (ou outro órgão credenciado por essa secretaria); incluísse representantes das CTs em seus respectivos órgãos estaduais ou municipais; formasse uma comissão com representantes da FEBRACT, FETEB e das CTs, com o objetivo de aprofundar as normas sugeridas (BRASIL, 1998).

A partir desse momento iniciou-se o processo para o estabelecimento de normas mínimas de funcionamento das CTs, tendo como resultado em 2001 a publicação da Resolução nº 101 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA). Essa normatização buscou evitar a disseminação do conceito errôneo de que as CTs eram organizações desorganizadas, constituindo-se em depósitos que exploravam os dependentes e suas famílias (CHAVES; CHAVES, 2007).

Em 30 de maio de 2001 foi aprovada a RDC 101. Essa resolução se constituiu em um avanço e a primeira diretriz para as comunidades terapêuticas. De acordo com o texto introdutório da Resolução, por considerar a necessidade de normatizar o funcionamento de serviços públicos e privados segundo o modelo psicossocial para atender pessoas com transtornos decorrentes de uso ou abuso de drogas, ficou estabelecido no Artigo 1º o seguinte:

Estabelecer Regulamento Técnico disciplinando as exigências mínimas para o funcionamento de serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso ou abuso de substâncias psicoativas, segundo modelo psicossocial, também conhecidos como Comunidades Terapêuticas, parte integrante desta Resolução. (BRASIL, 2001).

Os principais marcos históricos da luta pela legalização das CTS podem ser visualizados no quadro 1:

Quadro 1 - Marcos Históricos

Marcos Históricos Evento I Encontro Latino Americano de comunidades Terapêuticas III Encontro de Centros de Referências I Fórum Nacional Antidrogas Portaria nº 4 – Comissão Técnica Consulta Pública nº 78 - Anvisa Reunião Anvisa – Marco Legal Ano 1996 1997 1998 1999 2000 2001

Fonte: elaborado pelo autor, adaptado da Cruz Azul no Brasil22

Com o objetivo de simplificar as ações das CTs, foi aprovada A RDC 29, de 30 de junho de 2011. O Artigo 1º que trata dos objetivos afirma que:

Art. 1º Ficam aprovados os requisitos de segurança sanitária para o funcionamento de instituições que prestem serviços de atenção a pessoas com transtornos decorrentes do uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas (SPA), em regime de residência. Parágrafo único. O principal instrumento terapêutico a ser utilizado para o tratamento das pessoas com transtornos decorrentes de uso, abuso ou dependência de substâncias psicoativas deverá ser a convivência entre os pares, nos termos desta Resolução. (BRASIL, 2012a).

As principais diferenças entre a RDC 101 e a RDC 29 podem ser observadas no Quadro 2:

Quadro 2 - Diferenças entre RDC 101 e RDC 29

Fonte: adaptado pelo autor da Cruz Azul do Brasil

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Informação verbal em curso realizado em Pompeia em novembro de 2012

RDC-101 (revogada) RDC-029 (em vigor)

01 Profissional da área da Saúde ou Serviço Social 01 Coord. Administrativo

03 Agentes Comunitários SPA

- Responsável Técnico de nível superior legalmente habilitado (RT) com substituto.

- Profissional responsável pelas questões operacionais (pode ser próprio RT).

- Equipe compatível com as atividades desenvolvidas em período integral.

Benzer Belgeler