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pH 7.4’e ayarlandıktan sonra toplam hacim 1 L’ye tamamlanır.

11. Elde edilen RNA’lardan cDNA sentezi gerçekleştirilmiştir.

5.4. Plazma AST, ALT, ALP, LDH Enzim Aktiviteleri ve Kolesterol Düzeyler

5.4.1. Plazma AST Aktiviteler

Falar de evolução cultural do homem pré-histórico e histórico dos Sertões da Paraíba ainda é demasiado prematuro. Ao se analisar, por exemplo, os sítios rupestres e fazer uma analogia com sítios de Pernambuco, Rio Grande do Norte e principalmente do Piauí, percebe-se claramente que aqui também se processou tal evolução, pelo menos estilisticamente falando, pois encontramos aqui sítios arqueológicos rupestres de tradição Nordestina que, no Piauí, foram datados em pelo menos 12 mil anos AP., sendo que, segundo Macedo (1999) essa tradição foi definida a partir de pesquisas de Niède Guidon, no Piauí; sítios da tradição Agreste, datados em pelo menos 5 mil anos para o Piauí e entre 4 e 2 mil anos para a região Agreste de Pernambuco e Paraíba; e, a tradição Itacoatiara, chegou-se a datações que variam de 1200 a 6000 mil anos AP., analisando e datando fragmentos de rochas gravadas relacionadas à indústria lítica e fogueiras, encontradas na Itacoatiara do Letreiro do Sobrado, em Pernambuco.

É bom ressaltar que as fronteiras territoriais que o homem contemporâneo faz uso, não eram levadas em consideração na Pré-História nem tampouco no período histórico pelos índios que viviam de um para outro local sempre em busca de melhores condições de vida. Torna-se coerente que se aceite as datações obtidas em sítios do Rio Grande do Norte e em Pernambuco, estendendo-as para a Paraíba, devido a proximidade e a localização central do Estado, área de deslocamento de Norte a Sul e vice versa por parte dos grupos humanos que aqui viveram.

Se aceitarmos, portanto, que grupos diferentes praticavam atividades diversificadas a partir de costumes também diferentes, que as tradições rupestres servem de demonstrativo de que culturas pré-históricas diversas aqui se estabeleceram, chegaremos a conclusão de que existiu uma grande diversidade cultural em nossa região, tanto em tempos pré-históricos quanto históricos.

Tudo leva a crer que de acordo com análises ósseas realizadas em esqueletos pré-histórico, como também os indivíduos que aqui viviam na época do contato, tinham

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ascendência mongolóide, mas apresentando traços culturais distintos. Com relação aos grupos anteriores, mais antigos, que datam de pelo menos 50 mil anos AP., não se têm provas científicas de suas origens. Acredita-se que esses grupos denominados por Gabriela Martin (2005) de “Pré-mongolóides” evoluíram no próprio continente. Seriam os povos que fizeram parte das primeiras levas de homens que teriam entrado no continente Americano, segundo Bartira Ferraz Barbosa (2007), pelo oceano Pacífico, se estendido e chegando ao Brasil.

No Boqueirão da Pedra Furada (BPF), considerado atualmente como um dos sítios arqueológicos mais proeminentes em termos de antiguidade do homem pré- histórico brasileiro, foram escavadas a partir de 1978, “quinze fases de ocupação(...) escavados e agrupados em três fases culturais de ocupação humana” (BARBOSA, 2007: 46-47). Essas fases estão ligadas diretamente aos tipos diferentes de figuras rupestres e enquadradas em tradições existentes naquele sítio arqueológico: a primeira denominada de Pedra Furada que compreende ao Período final do Pleistoceno; a segunda fase denominada de Serra Talhada, que corresponde ao início do Holoceno; e a terceira denominada de Agreste, que corresponde a uma chegada de povos com cultura diferente na região por volta de 4 a 3 mil anos AP.

Niède Guidon acredita que o homem pré-histórico teria chegado às Américas em

períodos anteriores há 30 mil anos10. Sua justificativa recai na grande quantidade de

sítios datados em 12 mil anos AP., acreditando, portanto, que esses primeiros grupos necessitavam de tempo para realizarem o processo migratório, a demanda de ações e observações para a partir daí se adaptarem muito lentamente às novas situações de novos ambientes. Depois, o processo se repetiria. Tal pensamento advém, possivelmente, das observações de Quatrefages, que no século XIX comparou um crânio de Lagoa Santa com um da Guiné, concluindo que os índios das Américas poderiam ter origem de vários continentes (RAMOS, s.d.: 40).

Atualmente, também, já se defende a teoria de que grupos indígenas arcaicos como aqueles da época do contato, podem ter exercido hegemonia sobre outros

10

Moacyr Soares Pereira (2000: 18-19), aponta que com relação ao povoamento da América do Sul, é possível que tenha sido povoado intensamente por grupos humanos oriundos da Polinésia, que dista 10 mil km da América, esse intinerário é salpicado de ilhas que favoreceriam tal passagem, bem como, os polinésios eram excelentes navegadores. A cultura material dos polinésios se assemelhava com as de vários grupos humanos das Américas e, especialmente, do Brasil: estojo de pênis, cabeças troféus, propulsor de dados, etc.

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grupos no Brasil, bem como, pode e deve ter havido processos de aculturação e até desaparecimento de grupos humanos. Como as pesquisas antropológicas nesse campo ainda são poucas, não se pode, por enquanto, afirmar com a máxima certeza se isso realmente ocorreu.

Não existe dúvida de que houve uma evolução cultural do homem pré-histórico nos Sertões da Paraíba. Entretanto, temos percebidos a falta de homogeneização dos principais conceitos utilizados por arqueólogos, antropólogos e historiadores, no tocante a identificação da forma de se tratar os grupos humanos que aqui viveram. Não existe consenso sobre qual ou quais termos utilizar, daí a necessidade em se buscar tais conceitos e adotar alguns para este trabalho.

A literatura, de forma geral, tem tratado alguns conceitos básicos, tais como: nação, etnia, grupo, tribo, tronco lingüístico, identidade, Sertão, povo e interior, de forma que mais confunde do que explica com relação a qual nomenclatura fazer uso e quando usá-la.

Sendo assim, faz-se necessário que se defina esses conceitos básicos e que, a partir de então, passaremos a adotar acreditando servir de parâmetro explicativo e lógico, enquadrando-se com a proposta desta pesquisa: a de mostrar o horizonte cultural dos índios Cariris e Tarairiús que habitaram a Paraíba em épocas passadas. O Quadro 4 sintetiza de forma mais organizada as terminologias que tem suscitado dúvidas, para em seguida definirmos quais termos passaremos a adotar nesta pesquisa e quando utilizá-los e em qual(is) contexto(s). Mesmo assim, outras definições aparecerão do decorrer do trabalho.

TERMINOLOGIAS CONCEITOS

NAÇÃO

- Grupo de indivíduos que habitam um território e compartilham costumes e língua (XIMENES, 2001: 605);

- Comunidade fixa de pessoas num território, e que tem unidade histórica, lingüística, religiosa, econômica e cultural (LUFT: 2000: 473); - Conjunto de habitantes de um território ligado por tradições e lembranças, interesses e aspirações comuns e subordinados a um poder político central que mantém a unidade do grupo (MIRANDA, 1983: 379);

ETNIA

- Grupo humano com origem comum quanto à raça, cultura a língua (XIMENES, op. cit.: 381);

- Grupo humano biológico e culturalmente homogêneo (LUFT, op. cit.: 393);

- Grupamento humano homogêneo quanto aos caracteres lingüísticos, somáticos e culturais (MIRANDA, op. cit. : 225);

75 GRUPO

- Grupo de pessoas com interesses ou fins comuns ( XIMENES, Ibid.: 450);

- Pequena associação ou reunião de pessoas com o mesmo objetivo (XIMENES, Ibid.: 361;

- Reunião, conjunto, amontoado de seres ou coisas (MIRANDA: Ibid. 266);

TRIBO

- Grupo étnico que vive em comunidade sob um ou mais chefes e que compartilha a língua, costumes, tradições e instituições (XIMENES, ibid.: 858);

- Grupo racial unido pela mesma língua, tradições, costumes e que vivem em comunidade, sob um ou mais chefes (LUFT, ibid.: 651); - Conjunto de famílias ou comunidades, de descendência comum que falam a mesma língua e possuem costumes, tradições e instituições comuns; denominação vulgar de um grupo mais ou menos numeroso de índios (MIRANDA, ibid.: 581);

TRONCO

- Origem comum de família, raça, etc. (XIMENES, ibid.: 862); - Origem de família, raça, etc. (LUFT, ibid.: 654);

- Origem de grupos com traços comuns (MIRANDA, ibid.: 727);

LÍNGUA

- Conjunto de termos utilizados por um povo para a comunicação escrita ou falada (XIMENES, ibid.: 541);

- Sistema de signos verbais (vocabulário) e de regras de emprego desses signos (gramática), para efeito de comunicação; idioma; linguagem (LUFT, ibid.: 425);

- Produto e função da vida de grupo que se resume em dicionário e gramática (MIRANDA, ibid.: 326);

IDENTIDADE

- Conjunto de caracteres (nome, idade, sexo, etc.) que distingue uma pessoa das outras (XIMENES, ibid.: 470);

- Conjunto de caracteres que faz reconhecer um indivíduo (LUFT, ibid.: 374):

- Qualidade de idêntico (MIRANDA, ibid.: 286);

CULTURA

- Conjunto de experiências e realizações humanas (costumes, instituições, produções artísticas e intelectuais) que caracterizam uma sociedade (XIMENES, ibid.: 253);

- Conjunto de experiências humanas (conhecimentos, costumes, instituições, etc.) adquiridos pelo contato social e acumulados pelos povos através dos tempos (LUFT, ibid,: 209);

- Desenvolvimento intelectual e saber (MIRANDA, ibid.: 154).

POVO

- Conjunto de pessoas que compartilham: costumes hábitos, língua, tradições, etc. (XIMENES, ibid.: 692);

- Conjunto de pessoas que formam uma nação ou que habitam uma mesma região, cidade, etc. (LUFT, ibid.: 532);

- Habitantes de uma localidade (MIRANDA, ibid.: 446);

INTERIOR

- Que está dentro; interno; a parte central de um Estado ou País (XIMENES, íbid.: 502);

- Que está dentro; interno; região situada costa adentro (LUFT, ibid,: 397);

- Que está dentro, opondo-se a exterior, externo (MIRANDA, ibid.: 299);

SERTÃO

- Zona pouco habitada do interior do país sobre tudo, a região semi- árida do Norte Ocidental (XIMENES, ibid.: 792);

- Região Agreste(1), distante das povoações, onde predomina a criação de gado e prevaleceram os costumes antigos (LUFT, ibid.: 604); - Lugar inculto, distante de povoações; floresta no interior de um continente ou longe da costa; zona do interior; mata, terreno inculto e afastado (MIRANDA, ibid.: 526)

76 Quadro 4 - Conceitos básicos a serem utilizados no contexto deste trabalho.

NOTA:

(1)

AGRESTE – área de transição geo-ambiental entre o litoral úmido e o Sertão semiárido. Vejamos o que afirmam os autores pesquisados:

a . relativo ao campo; rústico; rude; áspero; tosco (LUFT. Ibid.: 46);

b. relativo ao campo, silvestre; rústico; áspero; desabrido (MIRANDA, ibid.: 24);

c . relativo ao campo (especialmente não cultivado); zona geográfica situada entre a Mata e o Sertão, de solo pedregoso e vegetação escassa (XIMENES, ibid.: 29).

Fontes: XIMENES (2001); MIRANDA (1983); LUFT ( 2000).

Doravante, passaremos a fazer uso de algumas terminologias que acreditamos serem mais adaptáveis para o contexto do trabalho. A escolha dessas terminologias deu-se a partir da análise dos conceitos pré-estabelecidos essenciais nesta tese. Assim:

- referirmos-nos ao termo NAÇÃO quando formos citar os habitantes de um determinado território localizado. Ex: a nação Tarairiú, habitante do Curimataú;

- quando nos referirmos às questões culturais e um grupo específico, utilizaremos as nomenclaturas ETNIA, GRUPO OU GRUPO ÉTNICO;

- para nos referirmos a determinado grupo específico, com um número de indivíduos significativos ligados por laços comuns, utilizaremos a nomenclatura TRIBO;

- quando nos referirmos à família linguística daquele grupo étnico, utilizaremos a terminologia de TRONCO, de LÍNGUA, ou de TRONCO LINGUÍSTICO;

- para distinguir um grupo étnico do outro, faremos uso da terminologia IDENTIDADE; - para distinguir as características das experiências de um grupo em relação a outro, utilizaremos, doravante o termo CULTURA;

- não faremos uso da terminologia Povo, por acreditar que este conceito está inserido nas terminologias NAÇÃO, GRUPOS, etc.;

- faremos uso da terminologia SERTÃO para distinguir os grupos do interior, no nosso caso os índios Tapuias Cariris e Tarairiús, tendo em vista a ambiguidade da terminologia interior.

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A ideia de termos como os de raça e evolução, língua ou cultura vem sendo substituída, ou como bem coloca Barth (1998), pela termologia de “ grupos étnicos”, pois este termo abrange e abarca os termos anteriormente utilizados, caindo-se, portanto, em desuso.

Entende-se que evolução seja a “continuidade com mudança, mudança na composição de uma população. Através do tempo; é descendência com modificação, é o processo de substituição de uma forma por outra” (BARTH, 1998: 127).

“Por evolução se entende qualquer mudança direcional clara ou qualquer mudança cumulativa nas características dos organismos ou populações por muitas gerações, incluindo-se tanto a origem quanto a dispersão de traços” (LYMON O’BRIEN, 1998: 616, Apud, LIMA 2006: 127).

Para a Arqueologia Darwiniana, compete analisar as mudanças ocorridas num grupo humano através das variações dos registros materiais produzidos por aquele grupo. As variações com o tempo são transmitidas através da “herança” (LIMA, 2006: 128).

A Arqueologia Evolutiva (Darwiniana) trabalha em cima da teoria de que a leitura vestigial seja feita através de três pressupostos básicos: variação, hereditariedade e seleção.

Na verdade, não são os objetos feitos pelos homens que evoluem por si só, mas é o grupo, a espécie humana que ao evoluir leva consigo a herança dos seus antecessores que em contato com o ambiente e suas mudanças, veem a necessidade de criação, de aperfeiçoamento e de (re) adaptação, fazendo com que haja uma “evolução” nos seus utensílios, graças as questões de cultura.

A terminologia cultura vem sofrendo forte contratempos e evoluções.

Para Franz Boas “seria um padrão de normas mantidas implicitamente pelos membros da cultura e obtido através da tradição e difusão” (KLEJN,1973).

Para Binford (1962), cultura “não era entendida como uma série de normas implicitamente adaptadas por um grupo, mas como o resultado comportamental da adaptação da população a condições ambientais específicas.”

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Binford assevera ainda que cultura,

É um meio de adaptação extra-somático do homem (...) a cultura é um sistema de informação, em que, nas mensagens, se acumulam informações de sobrevivência. Neste sentido, a cultura material é vista como algo que simplesmente funciona na interface entre o organismo humano e o meio físico e social para permitir a adaptação (...) o resultado disso é que os vestígios culturais são vistos como refletindo, de um modo bastante direto, o que as pessoas fazem (...) ainda admite que a cultura material é simplesmente uma reflexão direta, indireta ou distorcida das atividades humanas (RIBEIRO, 2007: 93-94).

Para Taylor Apud Braidwood (1960: 48), cultura é a “categoria mais geral do cunjunto das ações humanas”. Tudo o que o homem desenvolve com os seus é cultura; quando os costumes, hábitos, ritos são vistos pelos outros como diferentes dos seus, temos culturas deferentes. Os Cariris, por exemplo, viam os Tarairiús e os Tupis como diferentes, assim tínhamos antes e no pós-contato pelo menos três grupos culturais diferentes que habitavam o que hoje é a Paraíba.

Segundo Coli, cultura é um “conjunto de valores materiais e espirituais determinados historicamente” (COLI, 2002b: 117). Nesse contexto, os grupos da Paraíba se diferem no tocante aos valores espirituais, bastando a análise das crenças do pós-morte dos indivíduos. Nessa linha de pensamento, o conceito de cultura de Ricardo de Moura de Faria (1976: 39), se assemelha, pois ele vê a cultura como o “conjunto das coisas materiais e espirituais de uma sociedade, que é o resultado da experiência comum de seus membros”. O conceito é inovador a medida em que disvincula o termo da questão material, do mundo objetivo e vai para o mundo do subjetivismo, o íntimo, o EU do outro.

Já a cultura brasileira surge a partir de uma visão eurocêntrica, pois caracteriza- se por ser a cultura nacional, desprezando-se a cultura dos grupos humanos que aqui viviam antes da chegada dos europeus.

A cultura lusa tentou adaptar o território do Brasil ao modelo europeu, por exemplo, nas configurações urbanas. Por outro lado, o europeu adotou a cultura indígena, tanto como forma de sobrevivência como para dominá-lo. Nesse sentido

temos aquilo que Souza (1997: 12) chamou de aculturação11.

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Adoção, por um grupo humano, de traço ou traços culturais de outro. Pode ser visto ainda como um processo através do qual a cultura se transmite de um grupo a outro.

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Para Flammery (1967: 119), cultura, a partir de uma visão normativa, seria um corpo de ideias, valores e crenças compartilhadas com as normas de um grupo humano.

Binford (1994: 203) considera, também, a partir de uma perspectiva normativa que contempla como seu campo de estudar a base cultural. Essa base cultural existe nas mentes dos homens desaparecidos.

O arqueólogo normativista visa a reconstruir a cultura do homem através de sua cultura material. Os artefatos e outros vestígios arqueológicos se julgam representativos das ideias da cultura do grupo.

A Arqueologia trabalha com comparações entre sítios e/ou materiais arqueológicos, para se chegar às ideias em comum ou não entre os grupos. E, numa visão cognitiva, o arqueólogo estuda a cultura através dos padrões materiais de um dado grupo humano. É o comportamento do passado que sofre interferências de grupos distintos através das relações interétnicas e ambientais. Assim, cultura e ambiente estão inter-relacionados, complementam-se.

Watson (1974: 40) alerta para uma questão de suma importância quando se vai analisar a cultura material de certo grupo humano. A totalidade do passado de um grupo simplesmente pode não estar refletida no material arqueológico que se conservou. Às vezes, o material está tão fragmentado, reduzido, alterado, destruído que se torna difícil obter deles uma descrição completa do passado. Mesmo assim, não se pode admitir essa possibilidade como um impedimento absoluto na reconstrução do perfil cultural do grupo através de sua cultura material. Binford (1994) afirma ser capaz de captar o modelo comportamental de um grupo há muito extinto através da investigação pelo método científico hipotético-dedutivo, pois os restos arqueológicos são registros empiricamente observáveis de um modelo específico utilizado pelo grupo, que o caracteriza e pode servir como indicador cultural; enfim, sua forma de apresentação enquanto grupo cultural.

A análise de dados de um sítio arqueológico pode proporcionar a ordenação... “de los restos materiales em um sitio arqueológico es el resultudo del patrón es potencialmente informativo de la manera em que la sociedad estaba organizada”

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(WATSON, 1974: 55). Hipoteticamente, um determinado padrão que se suponha ter existido no passado, capaz de enquadrar um grupo humano numa determinada etnicidade, pode ocorrer, inclusive com erros. O registro arqueológico proporciona confirmar ou não as explicações hipotéticas levantadas em formas de hipóteses.

A cerâmica pode ser um excelente indicador de cultura. Por exemplo, Leone (1968: 1.150) afirma que quanto mais depende o grupo da agricultura tanto mais se usa a cerâmica e a diversifica, especialmente de forma utilitária. A diversidade de cerâmica em um grupo pode aferir, hipoteticamente falando, o grau de desenvolvimento econômico daquele grupo humano.

Gordon Childe (1949) acreditava que os artefatos arqueológicos pudessem servir de diagnóstico para delimitar uma dada cultura arqueológica, mas não seriam suficientes para descrevê-la; para Childe, todo artefato era relevante e não poderia ser desprezado. A cultura de um grupo serviria como um meio para possibilitar a “interpretação arqueológica do modo como grupos específicos viveram em tempos pré- históricos” (TRIGGER, 2004: 166). Childe via a cultura como um leque de panoramas envolvendo a economia, a organização social, política e crenças religiosas; tentando entender de forma mais geral, assim como Kossinna, como os povos viviam no passado. As mudanças culturais, para Childe, verificadas em um grupo humano, estariam ligadas ao processo migratório (trocas econômicas) e ao processo difusionismo. Quando havia, enfim, continuidade cultural em um grupo, era devido a ausência dos dois fatores expostos anteriormente.

Cultura, na visão de Francis Bacon, é quando há a transmissão de conhecimentos entre os grupos humanos. Conhecimento isolado não é conhecimento e nunca será cultural (BINFORD e JOHNSON, 2006: 90). O que vemos não é o mundo propriamente dito, mas sim, o mundo da cultura que sofre intensas e constantes transformações pelo homem e para o homem.

A palavra cultura, culture, do Francês, começa a ser empregada a partir do século XVIII, por filósofos franceses e alemães para identificar, inicialmente, “empreendimentos agrícolas, para designar o progresso humano e o esclarecimento (o autocultivo)” (TRIGGER, 2004: 157).

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Foi na Alemanha que o termo cultura passou a designar os costumes de um grupo humano, seu estilo de vida, geralmente atrelado às mudanças lentas verificadas nos grupos tribais. O termo cultura surge em oposição ao civilizado. No século XIX, inúmeras obras, especialmente alemã e inglesa aparecem dando enfoque ao termo cultura.

Klemm no ano de 1871, define, em sua obra, a terminologia cultura como sendo “aquele conjunto complexo que inclui conhecimento, crença, arte, moral, lei, costumes e outras capacidades e hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade (TRIGGER, 2004:158). Cultura passou a ser vista como a transmissão do modus de vida de um povo transmitido as gerações futuras.

Já para o filósofo/arqueólogo alemão Gustaf Kossinna (1858-1931), partindo de uma proposta extremamente nacionalista, afirmava que a humanidade era constituída de um mosaico de culturas, constituído por grupos culturais que se alteravam com o tempo. Cultura para Kossinna é “inevitavelmente um reflexo da etnicidade, ele afirmava que similaridade e diferenças na cultura material correspondem a similaridades e diferenças de ordem étnica” (TRIGGER, 2004: 160). A partir dessa análise, temos o

fenômeno da assimilação cultural12, comum no território da Paraíba no período do

Benzer Belgeler