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4. DAĞITIK ÇOKLU ETMEN TOPLANTI PLANLAMA SĠSTEMĠ
4.1. Planlama Etmen
Um interesse constante na descrição, definição e categorização dos apocalipses está na pauta das preocupações dos estudiosos do judaísmo antigo. No propósito de definir o gênero literário “apocalipse” conforme representado na literatura judaica, a equipe liderada por Collins76 em 1979 produziu alguns importantes resultados, muitos dos quais alcançaram grande consenso. O fato do gênero literário “apocalipse” não ter sido claramente reconhecido
75 HIMMELFARB, Martha. Ascent to Heaven in Jewish and Christian Apocalypses. New York; Oxford: Oxford University Press, 1993. p. 7.
76 COLLINS, John J. Apocalypse: Toward a Morphology of a Genre. Semeia 14, 1979. p. 1-20. And The Jewish Apocalypses. Semeia 14, 1979. p. 21-59.
e definido na Antiguidade, ou precisamente delineado na academia moderna, Collins, em
Semeia 14, decidiu examinar todos os escritos que são chamados apocalipses ou que são
referidos como apocalipses pelos autores modernos, como também outros escritos que parecem ser semelhantes a esses77. Entre os resultados de seu estudo encontra-se uma definição, largamente aceita, para o gênero “apocalipse”, um destacado paradigma das características significantes dos representativos de gênero dos pontos de vista de conteúdo e tipologia.
Para o autor, “Apocalipse” pode ser definido como:
a genre of revelatory literature with a narrative framework, in which a revelation is mediated by an otherworldly being to a human recipient, disclosing a transcendent reality which is both temporal, insofar as if envisages eschatological salvation, and spatial, insofar as it involves another supernatural world78.
um gênero de literatura revelatória com uma estrutura narrativa, na qual uma revelação é mediada por um ser do outro mundo a um recipiente humano, revelando a realidade transcendente a qual é tanto temporal, na medida em que ela imagina salvação escatológica, e espacial, na medida em que ela envolve outro mundo, mundo sobrenatural79.
Collins afirma que essa definição pode ser aplicada a várias seções de textos como 1 Enoque,
Daniel, 4 Esdras, 2 Baruc, Apocalipse de Abraão, 3 Baruc, 2 Enoque, Testamento de Levi 2-
5, os fragmentos do Apocalipse de Sofonias, e com algumas qualificações a Jubileus e
Testamento de Abraão, ambos com fortes afinidades com outros gêneros literários. Isto
também se aplica ao vasto corpo de literatura cristã e gnóstica e a algum material persa e greco-romano.
Collins demonstra que alguns elementos são constantes em cada um dos trabalhos designados como apocalipse, como por exemplo, sua forma que envolve a estrutura narrativa que descreve a maneira da revelação. Os principais meios de revelação são visões e viagens a outros mundos, suplementada por discurso ou diálogo, e ocasionalmente por um livro celestial. Anjos desempenham um importante papel tanto ajudando o visionário como guia nas viagens, como também explicando seu enigmático conteúdo. Um pronunciamento angélico ou divino são formas típicas da divindade comunicar sua vontade e revelar os mistérios do mundo celestial. Todos os apocalipses judaicos são pseudepigraficamente
77 COLLINS, John J. Apocalypse: Toward a Morphology of a Genre. Semeia 14, 1979. p. 1-20. And The Jewish Apocalypses. Semeia 14, 1979. p. 4.
78 Ibid. p. 22. 79 Tradução livre.
atribuídos a grandes figuras do passado de Israel que são escolhidas como recipientes das revelações e visões.
Outro elemento constante nos apocalipses é a salvação escatológica que, segundo Collins80 é definitiva em seu caráter e marcada por alguma forma de vida pessoal depois da morte. Apenas dois apocalipses judaicos, para o autor, não apresentam referência explícita a “depois da morte”, o Apocalipse das Semanas e Testamento de Levi 2-5, no entanto, esse elemento está implícito nos textos em que eles estão incorporados. O elemento “depois da morte” está em todos os outros apocalipses judaicos, como também em todos os cristãos, gnósticos e greco-romanos.
Quanto ao conteúdo, os apocalipses envolvem tanto uma dimensão temporal quanto espacial, e a ênfase, segundo Collins81, está diferentemente distribuída nos diversos trabalhos. No caso do apocalipse de Daniel, por exemplo, está contido um elaborado exame da história, apresentada na forma de uma profecia e culminando em um tempo de crise e turbulência escatológica. Outros, como 2 Enoque, devotam muito de seu texto a relatos de regiões atravessadas na viagens a outros mundos. De acordo com o autor, a revelação de um mundo sobrenatural e a atividade de seres sobrenaturais é essencial a todos os apocalipses. Em todos eles há também um julgamento final e a destruição dos maus.
Com base na definição de Collins, diferentes tipos de apocalipses podem ser observados. A mais óbvia distinção é entre os apocalipses “históricos”, como Daniel e 4 Esdras, e os apocalipses de viagens a outros mundos. Nos apocalipses judaicos, somente um, Apocalipse
de Abraão combina os dois tipos. Isso parece revelar duas linhas de tradição nos apocalipses
judaicos, um dos quais é caracterizado por visões, com um interesse no desenvolvimento da história, enquanto o outro é marcado por viagens a outros mundos com um interesse mais forte na especulação cosmológica.82
80 COLLINS, John J. The Apocalyptic Imagination. An Introduction to the Jewish Matrix of Christianity. New York: Crossroad, 1984. p. 9.
81 Ibid., p. 5. 82 Ibid., p. 5.
Nickelsburg83 reconhece que discutir apocalíptica coloca o estudioso em um mundo religioso e intelectual que é fortemente reminiscente dos corpos profético e sapiencial da Bíblia hebraica, como também em um mundo que reflete a influência do antigo mito do Oriente Próximo, e da sabedoria mântica da Mesopotâmia. Em um trabalho continuado sobre o gênero “apocalipse”, Adela Collins84, em Semeia 36, tomando como base o trabalho de John Collins
em Semeia 14, revela ser um desafio em uma definição de gênero apocalíptico o reconhecimento da continuidade desses textos como uma extensão da literatura profética da Bíblia Hebraica enquanto se percebe quão diferentes eles são. John Collins, em sua definição de apocalipse, distingue os apocalipses dos textos proféticos da Bíblia Hebraica, como também dos outros tipos de literatura revelatória do mundo greco-romano.