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Piyasa Gözetimi ve Denetimine Dair Yönetmelik

4. ARAŞTIRMA BULGULARI ve TARTIŞMA

4.2. Yeni Yaklaşım İçinde Çıkarılan Yönetmelikler

4.2.2 Piyasa Gözetimi ve Denetimine Dair Yönetmelik

A ideia do envolvimento na EFA apenas como participação do movimento social, apareceu em poucos estudantes. Contudo muitos associaram a EFA como oportunidade de trabalho, como futuros monitores da escola, o que também está aliado ao movimento EFA. Um exemplo pode ser identificado na fala do estudante, que sonha em fazer universidade, e continuar no movimento da EFA, para contribuir na perspectiva da educação ambiental, como também ingressar em outras formas de trabalho pela região, como no parque Serra do Brigadeiro:

Meu projeto mesmo é apicultura né. Então depois que eu formar aqui na EFA aqui, eu gostaria de ta trabalhando na outra EFA lá como professor da parte técnica também e ta relacionando com o meu trabalho também com a parte de apicultura, eu quero mexer com essas duas coisas. [...] Olha, eu tenho vontade mesmo é trabalhar com engenharia ambiental, sonho mesmo, talvez futuramente eu taria realizando ele, mas primeiro eu queria ta, tipo assim me firmando mesmo né, formando capital, é organizando a minhas coisas, minha vida direitinho, pra depois ta ingressando na universidade. Eu gostaria de trabalhar na, tipo assim, aplicar na área minha, trabalhar ate no parque ali se for possível né, porque eu gosto muito da área de educação ambiental.

Entrevistadora: movimento da EFA está nos seus planos? Eu quero me

afirmar nesse movimento, ta participando ativamente ali na melhor forma possível, pra eu ta atualizado também nessas coisas assim né (estudante do 2º ano, M, 15 anos, comunidade Dom Viçoso, Ervália).

Em relação à participação dos estudantes em outras organizações ou movimentos sociais, conforme esclarecido por eles, em geral não há um envolvimento explícito por parte das organizações frequentadas, com a temática Agroecologia. Em geral, a maioria dos estudantes participa de grupos articulados pela igreja ou em grupos criados na própria EFA ou por intermédio dessa.

Os grupos da igreja destacados pelos estudantes foram: o dízimo, os grupos de jovem, os grupos de reflexão, o Catecismo e a Crisma. Embora em nenhum desses grupos seja discutido o tema Agroecologia, conforme alguns estudantes questões como a agricultura familiar, natureza, entre outras são debatidas nestas reuniões, o que pode ser relacionado com o tema Agroecologia, como afirma o estudante do 2º ano (16 anos, comunidade São Domingos - Araponga),

Mas Agroecologia que eu saiba, acho que não foi falado não, mas não deixa de falar da agricultura, muitos pedem a Deus pra dar boa produção, aumento de preço (...). Então não deixa de falar né, mas não é muito voltado a Agroecologia.

Além desses grupos da igreja, muitos estudantes participam do coral da EFA Puris, da Associação dos Jovens Puris, além da capoeira que acontece na EFA Puris. Além de recentemente, também, ser criado o grupo dos praticantes de yoga40. Para esses estudantes o tema Agroecologia não é diretamente discutido nestes grupos, porém, aparece, eventualmente, nas músicas do coral e da capoeira quando abordam certos assuntos relacionados à agricultura familiar. Conforme o estudante do 2º ano (19 anos, comunidade Serrinha, Araponga),

A capoeira é tipo uma luta educativa, a letra da música fala de trabalhar na agricultura do negro, a tem muito haver.

Da mesma forma, na visão de outros estudantes a questão da cultura abordada no coral e na capoeira também aparece associada à Agroecologia, como pode ser observado nas palavras do estudante do 1º ano (15 amos, comunidade São Caetano - Araponga),

Todos os dois fala assim as musicas, do qual é relacionado a cultura dos povos, o coral, no caso ai a capoeira e dos negros, acaba colocando a cultura assim meio ne. Acho que acaba colocando a Agroecologia no meio.

Algumas meninas destacaram ainda, a participação no grupo de mulheres agroecológicas, no qual já foram debatidos temas como homeopatia e plantas medicinais e, portanto possuem relação com a Agroecologia. A participação neste grupo ou em cursos promovidos pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER), como também em outras organizações sociais acontece por intermédio da EFA. Já alguns dos estudantes mais velhos, destacaram a participação em cursos oferecidos pela EMATER em nas comunidades, onde o tema Agroecologia também apareceu, além da participação no sindicato e na associação da cooperativa.

À luz dessas questões, consideramos que na maioria das vezes, o contato inicial dos estudantes com o conhecimento agroecológico (dito desta forma) acontece por meio da EFA, ou seja, na socialização secundária (BERGER & LUCKMANN, 1990); exceto

40 Contudo, o grupo de yoga foi criado após a finalização desta pesquisa, portanto ainda não tivemos

nos poucos casos em que no meio sócio- familiar já possuía uma perspectiva em torno da Agroecologia. Nestas famílias, há uma articulação com outros grupos como o CTA - ZM por meio do envolvimento com o grupo de mulheres agroecológicas ou outros trabalhos com o CTA; e ainda nas Associações de Agricultores de Araponga, no Sindicato, na Cooperativa, nos grupos de medicina alternativa e nos grupos relacionados às CEBs. É válido considerar que em muitas famílias, mesmo que ocorressem práticas agrícolas sustentáveis, o entendimento e a propagação do conhecimento agroecológico veio com o envolvimento com esses grupos citados, sendo a EFA também uma grande articuladora deste debate. Esse fato remete a Agroecologia como uma construção social coletiva, como apontado por Sevilla Guzmán (2002). O caráter social da Agroecologia é uma fonte inesgotável que poderia ser aprofundada em outras investigações, já que esta é tida como uma novidade articulada e construída nessa região da Zona da Mata mineira, assim como em outras regiões no Brasil.

3.8. Considerações Finais

A partir do contato com os estudantes, observamos que a vivência na EFA, a convivência em grupo, os vários momentos nos quais se concretizam os instrumentos pedagógicos, como também, as aulas, possibilitam um ambiente escolar propício à construção do conhecimento agroecológico, sobretudo, à medida que os estudantes avançam na alternância. Desse modo, os estudantes da EFA Puris possuem um pensamento/conhecimento mais aflorado que os estudantes da EFASB, já que aqueles possuem um maior tempo de vivência com a proposta da alternância, além de terem na base diversificada do currículo, a própria disciplina de ‗agroecologia‘. Além disso, o ATER Jovem e outros momentos articulados com as diferentes parcerias possibilitam a expansão do entendimento de mundo dos estudantes para o conhecimento agroecológico. Assim, a maioria dos jovens possui uma preocupação com a sustentabilidade ambiental e mostra interesse pelo conhecimento agroecológico, que é continuamente trabalhado na EFA.

Em relação ao que motiva os estudantes, consideramos que nem sempre são interesses econômicos, já que os estudantes também fazem parte da rede de relações sociais, e por meio da EFA, participam do jogo de crenças negociações e interesses micros. A EFA é uma instituição que possibilita a construção de consciências, sendo que os jovens são influenciados por esse modelo de educação diferenciada. Tal modelo amplia as redes de relação para além da família, ou seja, permiti a participação dos

estudantes em um espaço social mais amplo, de forma que eles passam a acessar outros valores e condutas. Para os jovens a EFA é também um espaço de convivência.

Nesse sentido, os jovens optam pela EFA por motivações diferenciadas dos pais. Para os jovens, a EFA (instrumentos pedagógicos, aulas, ATER) é uma oportunidade de qualificação profissional, que possibilita aprendizado mais participativo e o encontro de outras atividades remuneradas, nem sempre na Zona Rural; sobretudo, no caso das meninas que não querem continuar no campo. Além disso, a EFA possibilita a entrada no ensino superior, de forma a ampliar as expectativas com relação à vida na cidade, por intermédio de parceiros da escola. A formação profissional também é uma estratégia para o trabalho nas unidades produtivas familiares ou em outras. Assim, a alternância possibilita aos jovens aprimorarem o trabalho e os conhecimentos na roça e na escola. Portanto, a EFA se consolida como uma estratégia de meios de vida para os estudantes e as famílias, pelas razões apontadas nesse trabalho.

Por outro lado, para os pais, a EFA funciona, em geral, como uma família, que compartilha de semelhantes valores educacionais, que transforma e que melhora as condutas dos filhos, de forma diferenciada quando comparada à escola urbana. Além de outros motivos, como a facilidade para a escolarização, já que o deslocamento até a escola acontece menos vezes. Nesse sentido, há uma preocupação com a formação humana dos filhos, bem como com o comportamento deles na escola e as notas. Por outro lado, pouco é falado sobre a essência da alternância e da práxis dos filhos. As famílias que mais dialogam com essa perspectiva são aquelas que possuem o pensamento mais voltado à prática agroecológica e as que têm envolvimento com o movimento EFA.

Assim, a compreensão dos pais sobre a proposta da alternância não só pela questão do conhecimento pedagógico, mas sim a partir da práxis, torna-se um desafio para que a proposta se efetive de fato, haja vista que a alternância só é plena com a participação de todos os atores envolvidos. Desse modo, conforme Freire (2013) a inserção crítica dos oprimidos na realidade opressora, acontece pela atuação, comprometendo-se com a práxis e com a transformação de mundo para se libertarem. Desse modo, ao considerarmos a importância da reflexão-ação, será necessário um aprofundamento na práxis cotidiana dos estudantes, para que assim aprofundemos as possibilidades da construção do conhecimento agroecológico no meio sócio – familiar. Tal perspectiva será abordada no capítulo posterior.

Benzer Belgeler