• Sonuç bulunamadı

A energia elétrica, ou eletricidade, exerce fascínio na humanidade desde que os relâmpagos foram vistos pela primeira vez. Na Grécia antiga, Tales (640-546 a.C.) observou que cargas elétricas podiam ser geradas ao esfregar o âmbar, que em grego denomina-se elektron. O físico alemão Otto von Guericke (1602-1686 d.C.) fez experiências com a geração de eletricidade em 1650, o físico inglês Stephen Gray (1670-1736 d.C.) descobriu a condutividade elétrica, em 1729, e o estadista e inventor norte-americano Benjamim Franklin (1706-1790) estudou propriedades da eletricidade com seu famoso experimento, empinando uma pipa com uma chave pendurada durante tempestades elétricas (Yenne, 2003).

A água já utilizada como recurso energético desde o início do primeiro milênio, difundindo-se com maior intensidade no século XVIII, na Europa, por meio dos sistemas conhecidos como moinhos hidráulicos, utilizados para obter energia mecânica necessária no bombeamento de água, trituração de grãos, entre outras aplicações (Reis et al, 2005). Um moinho hidráulico, ou roda-d’água, é uma roda parcialmente submersa com pás que giram com o movimento da água que vêm ao seu encontro ou que cai nelas. Os primeiros moinhos movidos à água foram construídos sobre riachos, com as rodas montadas horizontalmente embaixo deles (Yenne, 2003).

Com a descoberta da eletricidade, já no final do século XIX, o recurso hidráulico passou a ser utilizado para gerar eletricidade num conjunto turbina-gerador. Para tal, um grande volume de água é armazenado num reservatório (para assegurar o fornecimento adequado por meio de um fluxo controlado) e liberado, passando através de uma turbina para gerar eletricidade. A turbina moderna é na verdade uma sofisticada roda hidráulica que transforma a energia cinética da água em movimento em energia mecânica no eixo de sua roda e, assim, gera eletricidade.

A energia hidrelétrica foi vislumbrada, pela primeira vez, em 1891, na Alemanha. Com a possibilidade de transmitir energia elétrica via fios condutores, passou-se a aproveitar as quedas d’água de bacias hidrográficas situadas distantes dos grandes centros consumidores e transmitir a energia elétrica através das linhas de transmissão. À medida em que a indústria elétrica foi se desenvolvendo, redes elétricas iam sendo construídas, possibilitando o atendimento de novas regiões.

Nos dois últimos séculos observou-se um forte incremento na construção de barramentos para geração de energia elétrica, inicialmente com o intuito de abastecer pequenas industrias (moinhos, serrarias, tecelagens), e posteriormente com a finalidade de suprir a demanda energética da população (von Sperling, 1999a).

A primeira usina hidrelétrica brasileira entrou em operação no ano de 1883. Tratava-se de uma pequena barragem, com desnível de apenas 5 (cinco) metros, construída no município de Diamantina, estado de Minas Gerais, e denominada Ribeirão do Inferno. Apesar do porte diminuto, este sistema apresentava a mais longa linha de transmissão existente na época em todo o mundo, com um extensão de 2 (dois) quilômetros.

Em 1889, ano da proclamação da república, entrou em funcionamento a primeira usina hidrelétrica brasileira pertencente ao serviço público. Ela foi implantada no rio Paraibuna, município de Juiz de Fora, Minas Gerais, recebendo a denominação de Usina de Marmelos. As duas turbinas existentes forneciam uma potência total de 250 kW.

A partir da década de 1950, com o aumento da demanda de energia no país, observou-se a construção de barragens de grande porte, tendo como marco inicial a Usina de Paulo Afonso, no rio São Francisco. Nas décadas de 1960 e 1970, esta tendência consolidou-se com a entrada em operação de usinas geradoras de grandes potências energéticas, como por exemplo as usinas de Três Marias, Furnas e, mais recentemente, Itaipu (von Sperling, 1999a).

Na região amazônica, que apresenta uma elevadíssima densidade pluvial, as principais usinas hidrelétricas (como, por exemplo, Tucuruí e Balbina) foram construídas ao longo da década de 1980. Muito embora na década de 1990 tenha havido uma redução nos investimentos para construção de usinas hidrelétricas de grande porte, aliada à preocupação ambiental decorrente do alagamento de grandes áreas, existem ainda projetos de implantação de várias usinas de grande porte, notadamente nas regiões Norte e Centro-oeste (von Sperling, 1999a).

No Brasil, a participação da geração hidrelétrica na produção total de energia é de 78,4% (ANEEL, 2006), portanto, bastante superior à média mundial, de 19% (ELETROBRÁS, Plano Decenal de Expansão 1994-2004, apud von Sperling, 1999a). Estima-se que em todo o mundo existam cerca de 45.000 represas caracterizadas como grandes barragens. De acordo com a Comissão Mundial de Barragens (2000), uma grande barragem tem altura igual ou superior a 15 metros, contados do alicerce – neste critério, encontram-se as PCH’s Ponte, Palestina e Triunfo, objetos de estudo deste trabalho. Se a barragem tiver entre 5 e 15 metros e

seu reservatório tiver capacidade superior a 3 milhões de m3, esta também é classificada como de grande porte. Hoje, quase metade dos rios do mundo tem ao menos uma grande barragem. Na entrada do novo século, um terço dos países do mundo tem ao menos uma grande barragem (Comissão Mundial de Barragens, 2000).

O setor elétrico brasileiro despendeu enormes investimentos em grandes obras de geração de energia a partir de usinas hidrelétricas no início da década de 1980, deixando o país por alguns anos com sobras de energia elétrica. Dessa forma, esse setor (inteiramente estatal na época) foi forçado a implantar políticas de incentivos tarifários para estimular as indústrias a investirem em eletrotermia, a fim de cobrir os investimentos realizados pelas empresas de energia. Durante alguns anos, a ilusão de que a energia elétrica era ilimitada, as baixas tarifas praticadas e a crença de que sempre se poderia captar dinheiro no exterior a juros baixos, conduziram o país a grandes níveis de desperdício e, apesar da sobra de energia, um enorme contingente de pessoas não teve acesso a este precioso bem (Reis et al, 2005).

Já a partir da década de 1950, inúmeros relatos de problemas ambientais sucederam-se e, como consequência, inúmeros estudos científicos foram surgindo, revelando os princípios geofísicos e ecológicos causados pela exploração e pelo uso descontrolado de recursos naturais. No caso das usinas hidrelétricas, além dos problemas ambientais, estas também causam impactos sociais, principalmente relacionados ao reassentamento de populações (Reis et al, 2005).

Dessa forma, nos últimos anos, a temática ambiental tem estado no centro das discussões de diversos segmentos da sociedade. Neste contexto, incluem-se as discussões acerca das usinas hidrelétricas.

Benzer Belgeler