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Pitta F, Troosters T, Probst VS, Spruit MA, Decramer M, Gosselink R

A ONU criou a categoria dos ―países menos avançados‖ (PMA) em 1971, e de lá para cá, o número desses países quase duplicou. ―País subdesenvolvido, país menos avançado (PMA) ou país menos desenvolvido (LDCs sigla em inglês: Least Developed Countries) são os países mais pobres do mundo e de acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU) apresentam os mais baixos indicadores de desenvolvimento socioeconômico e humano entre todos os países do mundo‖ (UNRIC, 2014). Segundo a ONU (UNCTAD, 2012; UNCTAD, 2013), um país é assim classificado caso se enquadre nos seguintes critérios (dados de março de 2012):

a) Baixo limite de renda – renda per capita com base em uma estimativa média de três anos da renda nacional bruta (RNB) per capita, com um limite de US$ 992 para possíveis casos de inclusão na lista e um limite de US$ 1.190 para a exclusão de estado de PMA;

b) Baixos níveis de desenvolvimento humano – medidos por meio do Índice de Ativos Humanos baseado em indicadores de nutrição (percentagem da população que está subnutrida), saúde (taxa de mortalidade infantil), escolarização (taxa bruta de matrícula no ensino secundário) e alfabetização (taxa de alfabetização de adultos);

c) Vulnerabilidade econômica – medida pelo Índice de Vulnerabilidade Econômica baseado nos indicadores de: (i) choques naturais (índice de instabilidade da produção agrícola, percentagem da população que tem sido vítima de desastres naturais), (ii) choques relacionados ao comércio (índice de instabilidade das exportações de bens e serviços), (iii) exposição física a choques (percentagem da população que vive em áreas de baixa altitude), (iv) exposição econômica a choques (participação da agricultura, silvicultura e pesca no produto interno bruto (PIB) e índice de concentração das

exportações de mercadorias); (v) pequenez (população em logaritmo), e (vi) afastamento (índice de afastamento).

Para os três critérios, limites diferentes são usados para a identificação de casos de inclusão e de exclusão da lista de PMA. Um país qualificar-se-á para inclusão na lista se cumprir com os limites de inclusão nos três critérios e se não tiver uma população superior a 75 milhões de habitantes. A qualificação para inclusão na lista levará efetivamente ao estatuto de PMA só se o governo do país em questão concordar em aceitar esse estatuto. Um país normalmente qualificar-se-á para a exclusão do estatuto de PMA se tiver cumprido com os limites de graduação em ao menos dois dos três critérios durante o período coberto por pelo menos duas revisões trienais consecutivas da lista. No entanto, se a RNB per capita de um PMA tiver aumentado para um nível de pelo menos o dobro do limite de exclusão, o país será considerado elegível para a exclusão, independentemente do seu desempenho sob os outros dois critérios (UNCTAD, 2013, p. 2).

Sair da lista dos países menos avançados não é fácil, pois em 39 anos, apenas três deixaram de pertencer a esta categoria. Botsuana em dezembro de 1994, Cabo Verde em dezembro de 2007 e Maldivas em janeiro de 2011 (UNCTAD, 2013; UNRIC, 2010). A cada triênio, a lista dos países menos avançados é revisada pelo Conselho Econômico e Social (ECOSOC) das Nações Unidas baseada nas recomendações do Comitê de Políticas de Desenvolvimento (CPD) observando os três critérios de qualificação anteriormente descritos (UNCTAD, 2013). A última revisão da lista foi realizada em março de 2012.

Conforme as Nações Unidas, 49 países são atualmente designados como países menos avançados, onde 34 deles estão localizados na África (Angola, Benin, Burkina Faso, Burundi, Chade, Comores, Djibuti, Eritreia, Etiópia, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Guiné- Equatorial, Lesoto, Libéria, Madagáscar, Malauí, Mali, Mauritânia, Moçambique, Níger, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, República Unida da Tanzânia, Ruanda, São Tomé e Príncipe, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Sudão do Sul, Togo, Uganda e Zâmbia); nove países na Ásia (Afeganistão, Bangladesh, Butão, Camboja, Iêmen, Mianmar, Nepal, República Democrática Popular Lao e Timor-Leste); um país no Caribe (Haiti); e cinco países no Pacífico (Ilhas Salomão, Kiribati, Samoa, Tuvalu e Vanuatu) (UNCTAD, 2013).

Os países menos avançados precisam de benefícios, atenção especial e esforços da ONU para se desenvolverem, uma vez que suas necessidades são superiores às dos países em desenvolvimento. Nesse sentido, os esforços da ONU para ajudá-los teve início em meados dos anos sessenta. A comunidade internacional acalentava naturalmente a esperança de que estes países saíssem, um a um, do grupo dos PMA, à medida que o seu nível de desenvolvimento fosse se elevando. O empenho da Comissão Europeia (CE) em relação aos

PMA baseia-se nos princípios da igualdade dos parceiros e da participação direta dos países interessados nas estratégias de desenvolvimento. Os programas de desenvolvimento desses países só poderão ter um impacto duradouro se estiverem focados nas necessidades e prioridades fundamentais de cada país interessado; se plenamente integrados nas estruturas administrativas locais e nacionais; e, concebidos e executados no âmbito de uma parceria entre os doadores e os países beneficiários. Esta é a abordagem adotada na declaração sobre a política geral relativa à estratégia de desenvolvimento da CE, consagrada na Declaração do Conselho e da Comissão, bem como no Acordo de Cotonou (EUROLEX, 2001).

Os países listados pela ONU como os mais pobres do mundo possuem uma série de problemas em comum, encontrados em praticamente todos eles, como a baixa expectativa de vida (em alguns deles não passa de 50 anos), baixo IDH, desemprego, corrupção, fome, desnutrição, desigualdade social e miséria. Nesses locais também há problemas como a dificuldade de acesso à educação, número insuficiente de hospitais, infraestrutura inadequada (faltam redes de água e esgoto encanado e até de eletricidade), altas taxas de mortalidade infantil, violência, serviços públicos ineficazes e falta de moradias, entre outros (UNRIC, 2014; UNCTAD, 2012; UNCTAD, 2013). Fatores climáticos também estão associados à pobreza. Regiões mais secas e de clima semiárido são mais pobres que as regiões onde predomina o clima mais ameno e frio. O semiárido brasileiro apresenta esses problemas, o que o coloca em uma posição de vulnerabilidade e pobreza comparável à de muitos países pobres (MDS, 2014d).

4.2 Políticas públicas de superação da pobreza

Benzer Belgeler