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2 PİŞMİŞ TOPRAK BORULAR (KÜNKLER) En eski basınçlı su iletim sistemi Suriye

GELİŞİMİ Köksal Buğra ÇELİK

2 PİŞMİŞ TOPRAK BORULAR (KÜNKLER) En eski basınçlı su iletim sistemi Suriye

De acordo com Ferreira (2012), os parâmetros ou variáveis que podem caracterizar um empreendimento na escala da inserção urbana são: a localização e a acessibilidade; a infraestrutura e os serviços urbanos e a fluidez urbana. Neste tópico, enfatizaremos os dois primeiros pontos.

Sobre a inserção urbana, Ferreira (op. cit, p. 68) destaca que

[...] a adequada inserção urbana de um empreendimento habitacional é garantida por boa localização na malha urbana, em regiões com infraestrutura instalada e providas de serviços e equipamentos urbanos. Além disto, o conjunto habitacional bem inserido na cidade deve estar próximo de estabelecimento de comércio e serviços e equipamentos de educação, saúde, cultura e lazer. A acessibilidade em tempo adequado a centralidades regionais e locais e a integração à rede de transporte público também são necessárias.

Já vimos, brevemente, como a localização se transforma também em mercadoria. De acordo com Villaça (2001, p. 74), “a localização [...] é o valor de uso produzido pelo trabalho coletivo, dispendido na construção da cidade” e, mais ainda, pelo trabalho dispendido na produção da e na cidade. Portanto, a localização tem valor, e seu preço é a expressão monetária desse valor. Ainda segundo esse autor, a terra urbana só interessa como “terra- localização”, porquanto é um meio de acesso a todo o sistema urbano. Nessa perspectiva, a acessibilidade

[...] é o valor de uso mais importante para a terra urbana, embora toda e qualquer terra o tenha em maior ou menor grau. Os diferentes pontos do espaço têm diferentes acessibilidades a todo o conjunto da cidade. A acessibilidade de um terreno ao conjunto urbano revela a quantidade de trabalho socialmente necessário dispendido em sua produção.

Podemos verificar a relevância da acessibilidade com as propagandas de empreendimentos imobiliários que enfatizam a proximidade, com vias que facilitam o deslocamento (preferencialmente de carro) e/ou a economia de tempo gasto no deslocamento até o trabalho e lugares de consumo de bens e serviços. A partir disso, remetemo-nos à

afirmação de Leite (2011, p. 43) de que “uma das medidas básicas da acessibilidade é dada pela disponibilidade de espaços viários ou de sistemas adequados à circulação”.

Na análise da localização de um conjunto habitacional, também é importante considerar o porte do município e a extensão da área urbana, porque, quanto menor for essa área, menor será a distância entre as áreas periféricas e as centrais, e menor será o tempo gasto no deslocamento do lugar de moradia para os lugares de trabalho e de consumo de bens e serviços.

Tendo em vista as considerações de Ferreira (2012) sobre como se constitui uma adequada inserção urbana de um conjunto habitacional e as contribuições de Villaça (2001) e Leite (op. cit), concluímos que os conjuntos habitacionais do PMCMV, na cidade de Patos (tanto os que vão ser entregues quanto o que já tem moradores – o RVS I), não apresentam condições favoráveis no que concerne à localização e à acessibilidade para sua população. Essa afirmação se baseia nos dados e nas informações obtidos com a pesquisa empírica que realizamos no RVS I e com a aplicação de questionários com os moradores.

O conjunto RVS I dista 4 km do centro da cidade. Sabemos que, se comparada com a realidade de cidades de porte maior e com uma maior extensão de área urbana, essa distância é relativamente pequena. Contudo, devido às condições de acessibilidade, essa distância se amplia consideravelmente, como confirma a opinião dos moradores sobre a localização do conjunto habitacional em relação à cidade como um todo, mas, principalmente, em relação ao centro.

No que diz respeito à avaliação dos moradores sobre a localização do RSV I em relação à cidade (Quadro 05, p. 166), percebemos que fatores como o deslocamento para o consumo de bens e serviços e as condições desse deslocamento não foram considerados no momento da avaliação. Nessa, embora tenham sido mencionados fatores como distância do local de trabalho e a acessibilidade, prevaleceram opiniões com justificativas mais subjetivas, voltadas para as relações interpessoais (principalmente familiares) e com o lugar ou que tinham como parâmetro a comparação com outros conjuntos habitacionais que estão para ser entregues na cidade.

Essas justificativas são um indicativo de que não é somente o consumo de bens e de serviços ou as condições de deslocamento na cidade, mas também as possibilidades de manter relações no/com os diversos espaços da cidade que levam esses moradores a perceberem o espaço que habitam de diferentes maneiras. Contudo, sabemos que é através da lógica capitalista de produção do espaço que as localizações são projetadas e vividas, portanto, é sob

essa lógica, em que o habitar transforma-se em habitat, que a riqueza socialmente produzida na cidade é distribuída desigualmente.

Quadro 05: Avaliação dos moradores sobre a localização do RSV I em relação à cidade

Avaliação Justificativas Nº de moradores %

Outro Local bom para morar/ Bairro

tranquilo/ Perto da família/ Acostumou-se com o local

21 21,4

De difícil acesso As dificuldades com transporte 22 22,4

Bem localizado Comparação com a localização do Residencial Itatiunga*/ Perto da

família

19 19,4

Longe de onde mora a família

A distância de onde moram os

familiares 11 11,2

Isolado Distante de tudo/ Lugar sem

movimento

9 9,2

Longe do trabalho Distância do local de trabalho 9 9,2

Perto do trabalho Distância do local de trabalho 3 3

Afastado, mas perto do centro

Distância do centro e dos demais bairros da cidade

4 4,2

Área excluída - 0 0

Total - 98 100

Fonte: Pesquisa de campo em fevereiro de 2014 - Elaboração própria

* Conjunto habitacional localizado no Bairro Bivar Olinto (saída de Patos para Piancó - PB) que será entregue neste ano de 2014.

Tendo em vista a discussão sobre como as localizações são produzidas na cidade, chegamos à avaliação dos moradores sobre a localização do RSV I em relação ao centro da cidade. Do total de moradores entrevistados, 64,3% afirmaram que o referido conjunto habitacional é longe do centro e de difícil acesso, o que se verifica, principalmente, pelas condições de deslocamento, pois grande parte da população depende do transporte público ou de outro transporte, como mototáxi ou bicicleta. Nesse sentido, é fundamental destacar a precariedade da oferta do serviço de transporte78, uma vez que a principal reclamação mencionada pelos moradores é a falta de circulação dos ônibus dentro dos conjuntos (tanto no RSVI quanto no Novo Monte Castelo II e no Conjunto dos Sapateiros), o que levou 67,3% dos moradores a mencionarem as dificuldades de acesso ao transporte público.

78 Existia apenas uma linha de ônibus cuja parada ficava próxima aos conjuntos habitacionais. Contudo, ela deixou de existir logo após a conclusão da aplicação dos questionários durante a pesquisa de campo.

Além da falta de parada de ônibus dentro dos conjuntos, outras reclamações dos moradores foram em relação ao tempo de espera, que chega a uma hora, em média (mesmo nos horários de maior demanda), ao péssimo estado de conservação dos ônibus e aos horários de funcionamento, visto que, de segunda a sexta-feira, a partir das 18:00 horas, os ônibus não circulavam até o conjunto; no sábado, o serviço era oferecido somente até às 13:00, e nos domingos e feriados, não havia prestação do serviço.

Contudo, ao serem questionados sobre o que achavam do serviço de transporte público, 29,6% dos moradores avaliaram como regular, 23,5% o consideraram bom, e 21,4% o apontaram como péssimo. Os demais ficaram divididos entre ótimo, ruim ou sem opinião. É necessário esclarecer que esse grande percentual concentrado entre as avaliações de regular e bom ocorreu porque as pessoas não consideraram em seu julgamento os problemas apontados anteriormente e só se detiveram no fato de que existia a oferta do serviço, visto que elas comparavam com a realidade de outros bairros que não dispunham de transporte público.

Segundo alguns moradores, os problemas relacionados à acessibilidade, principalmente à falta de pontos de ônibus nos conjuntos habitacionais, era assunto constante na pauta de reuniões da associação de moradores desses conjuntos, com o intuito de exigir providências do poder público local. No entanto, apesar de se organizarem para exigir melhorias nesse serviço, a única linha de ônibus que atendia a essa população foi retirada (poucos dias depois de aplicarmos os questionários) pela empresa responsável, cuja justificativa foi de que o local não dispunha de infraestrutura (pavimentação) adequada para realizar o tráfego naquela área do bairro.

Entendemos que, exceto nos casos em que os moradores afirmaram que o RSV I é longe do centro sem mencionar a acessibilidade do local, e nos casos em que afirmaram que é perto, mas de difícil acesso, a fácil acessibilidade do local para os demais moradores ocorre porque eles possuem transporte particular. Constatamos, diante da relativa proximidade do percentual entre as pessoas entrevistadas que mencionaram a facilidade de acesso (perto/fácil acesso; longe/fácil acesso – Gráfico 04), que foram 26,5% dos casos e as pessoas que possuíam transporte motorizado (motocicleta na maioria dos casos), que corresponde a 32,6%.

Fonte: Pesquisa de campo realizada em fevereiro de 2014 - Elaboração própria

Isso nos remete à afirmação de Villaça (2001, p. 79-80) de que as acessibilidades variam de acordo com os veículos que são utilizados. Variam, por exemplo, com a distinção entre a acessibilidade para quem depende de transporte público e para quem possui transporte individual. Essa distinção se acentua ainda mais quando nos deparamos com as diferenças de deslocamento entre as diversas classes sociais. O autor assegura, ainda, que, como os transportes intraurbanos são os maiores determinantes das transformações dos pontos (das localizações)79, as vias de transportes têm grande influência não só no arranjo interno das cidades, como também sobre os diferenciais de expansão urbana.

Além da localização e da acessibilidade, que são produzidas de acordo com o jogo de interesse do mercado imobiliário, há outro elemento a ser observado nesse processo de produção e intensificação das desigualdades socioespaciais, através dos projetos habitacionais do PMCMV, como a disponibilidade de infraestrutura e de serviços urbanos. Ferreira (2012) afirma que a infraestrutura urbana é um dos mais importantes parâmetros de qualidade na escala da inserção urbana.

Sobre essa questão, identificamos os seguintes problemas no RSV I:

 A descontinuidade das vias de transporte em relação às demais existentes no Bairro Monte Castelo (Figura 26, p. 172);

 O fato de a pavimentação da via de acesso ao RSV I ter ficado incompleta e descontínua dos demais conjuntos e da via principal que dá acesso a eles (Figuras 22 e 23).

79 É fundamental esclarecer que essa afirmação não se dá na perspectiva do determinismo tecnológico sobre o qual Gottdiener (1993) discorre no livro “A produção social do espaço”. Esse alerta também feito por Villaça (2001).

Quanto a isso, muitos moradores reclamaram que, no período de chuva, o acesso fica ainda mais difícil, pois essa via principal é cortada por um córrego que transborda e alaga toda a área de entrada para os conjuntos habitacionais.

Figura 22: Via do Bairro Monte Castelo que dá acesso ao RSV I e aos demais conjuntos habitacionais de seu entorno. Fonte: Pesquisa de campo em março de 2014

Figura 23: Unidades habitacionais dos Conjuntos Novo Monte Castelo II e Residencial Vista da Serra II e da infraestrutura de pavimentação inacabada que dá acesso ao RSV I. Fonte: Pesquisa de campo em fevereiro de 2014

 A não extensão da rede de esgotamento sanitário até às unidades habitacionais do RSV I. De acordo com relatos coletados na pesquisa de campo, as fossas-sumidouros enchem muito rápido e transbordam, fazendo com que a água suja se acumule no solo e chegue à superfície (ver Figura 24), provocando mau cheiro em frente às casas. Além disso, o preço cobrado por donos de carros-pipa para realizar a limpeza das fossas é muito alto (cerca de R$ 150,00 para a fossa e mais essa mesma quantia para o sumidouro) se considerarmos a média de renda mensal das famílias que moram nessas casas.

Assim, como os moradores não têm condições financeiras de arcar com essa despesa regularmente, têm criado “soluções” que podem causar futuros problemas, do ponto de vista ambiental. Uma dessas soluções foi a canalização improvisada de uma fossa para outra até às “bocas de lobo” (estruturas para drenagem de águas pluviais) que há na rua que, por sua vez, deságuam no Rio Farinha, que passa ao lado do RSV I e do Conjunto Novo Monte Castelo II (Figura 25).

Figura 24: Fossa que transbordou em uma das casas do RSV I e localização do Rio Farinha, próximo a essa área - Fonte: Pesquisa de campo em fevereiro de 2014

Figura 25: Bocas de lobo para as quais alguns moradores canalizaram as fossas para o Rio Farinha. Fonte: Pesquisa de campo em fevereiro de 2014

 Por último, identificamos a ausência da oferta de bens e serviços básicos que realmente atendam às necessidades dos moradores dessa área. Observando a figura 26, podemos verificar que, de serviços públicos, há apenas uma USF e duas escolas para atenderem a toda a população do Bairro Monte Castelo, que, de acordo com o censo em 2010, era de 2.923 moradores.

Legenda

Escola Pública Municipal Ponto de ônibus próximo ao RSV I Pequeno comércio

Escola Privada Praça de mototáxi Unidade de Saúde Familiar – USF Padaria CRAS Escola Pública Estadual

Limites do Bairro Monte Castelo Principais vias do Monte Castelo Área do RVSI

Figura 26: Localização dos serviços e do comércio em relação ao Bairro Monte Castelo e ao RSV I. Fonte:

Pesquisa de campo, abril de 2014. Imagens: Google Earth, 2014. Elaboração própria

Relatos durante a aplicação dos questionários do RSV I nos informaram que, para atender à demanda dos moradores por atendimento médico, desse e dos demais conjuntos habitacionais do entorno, foi contratado um médico (advindo do programa social “Mais Médicos”) para atender uma vez por mês no casarão onde fica a sede da associação de moradores. Além desse atendimento, há um acompanhamento regular do agente de saúde que atende a essa área, principalmente nas casas onde moram idosos e pessoas com alguma deficiência física. Assim, mesmo não havendo equipamentos para que seja mais bem ofertado esse serviço no RSV I e para a população de seu entorno imediato, esse atendimento médico mensal e a presença regular do agente de saúde justificam a satisfação de 24 dos 98 entrevistados em relação ao serviço de saúde oferecido no conjunto habitacional em questão

(Gráfico 05). Contudo, a maioria (63) dos moradores pesquisados reclamou que esse atendimento era insuficiente e que, quando buscavam o serviço na USF do bairro, raramente conseguiam marcar uma consulta, tendo em vista que essa USF atendia a todo o Bairro Monte Castelo tornando a demanda relativamente maior80. Os 11 entrevistados que não responderam afirmaram que não avaliariam o serviço porque ainda não haviam necessitado dele.

Fonte: Pesquisa de campo em fevereiro de 2014 - Elaboração própria

Sobre o serviço de educação, a maioria dos moradores está insatisfeita (68), porque não há escolas no RSV I nem em seu entorno imediato e devido à quantidade de vagas e à infraestrutura das escolas existentes no Monte Castelo ser insuficiente perante a demanda. Em campo, verificamos que é disponibilizado pelo governo municipal um ônibus para transportar as crianças que estudam nas escolas municipais localizadas em outros bairros. No entanto, alguns moradores relataram que, esporadicamente, os adolescentes que estudam na rede estadual de ensino são impossibilitados de entrar no ônibus, pois o motorista afirma que “eles fazem bagunça no ônibus”81. De todos os que foram questionados sobre o serviço de

educação, 11 não responderam por não haver pessoas que estudem ou que estejam em idade escolar residindo na casa.

80 Inclusive os problemas referentes ao serviço de saúde no bairro já foi motivo de mobilizações dos moradores do Conjunto dos Sapateiros. De acordo com um site de notícias locais, “os representantes do Conjunto dos Sapateiros alegam que estão enfrentando desafios constantes em virtude da distância entre a comunidade e o PSF, além disso, existe um agravante que é o número de habitantes do referido conjunto que é em média de 1.000 pessoas e tende a aumentar, pois ainda está sendo construídas novas casas do Programa Minha Casa Minha Vida”. (Consultar o suporte eletrônico desta pesquisa).

Em relação à insatisfação dos entrevistados (91,8%) sobre os espaços de lazer, a principal justificativa é de que não há praças ou espaços públicos para as crianças brincarem e/ou para que haja mais interação entre os moradores do RSV I e entre eles e os demais dos conjuntos do entorno. Assim, nas horas vagas e nos fins de semana, as famílias se deslocam para as casas de familiares que ficam em outros bairros, para o centro da cidade, onde há praças e está localizado o shopping center, para igrejas, casas de amigos ou até mesmo para sítios localizados na zona rural de Patos.

Como as ruas são pouco movimentadas, no decorrer do dia e também nos finais de semana, e alguns moradores se sentem inseguros para circular nas ruas ou ficar na calçada de casa no turno da noite, que é o horário em que não estão trabalhando. Apesar de 60,2% dos entrevistados afirmarem que se sentem seguros no RSV I, 55,5% do total pesquisado desejavam que fosse instalado um posto policial no local. Além disso, a sensação de segurança foi afirmada por causa da presença de um guarda-noturno, pago pela própria população, e é reforçada com a construção de (ou pelo menos o desejo de fazê-lo) muros ou cercas no entorno das casas.

Ao retomar a Figura 26 (p. 172), podemos constatar que a presença de estabelecimentos comerciais que sejam diversificados, em termos de oferta de bens e serviços, mesmo no entorno dos conjuntos, é inexpressiva. Isso levou alguns moradores do conjunto RSV I e dos demais conjuntos vizinhos a instalarem pequenos comércios (Figuras 27 e 28), vendas de lanches e bares no local, o que, no entanto, só atende às necessidades mais básicas. Então, quando os moradores do RSV I necessitam consumir determinados bens ou serviços, como produtos farmacêuticos ou dos serviços bancários, deslocam-se para o centro da cidade ou para o Bairro Jatobá, que tem assumido, gradativamente, as características de um subcentro na cidade de Patos.

Figura 27: Pequeno comércio estabelecido em Unidade Habitacional do RSV

I. Fonte: Pesquisa de campo em fevereiro de 2014. Autora: Wilma G. de Lucena

Figura 28: Pequeno comércio estabelecido em Unidade Habitacional do

Conjunto Novo Monte Castelo II, localizado nas imediações do RSV I. Fonte: Pesquisa de campo em setembro de 2013

Todas as observações até aqui descritas justificam as expectativas dos moradores acerca do que ainda pode ser feito no RSV I - a construção de uma USF, a instalação de um posto policial, a construção de uma escola, uma creche e uma praça, melhorias no serviço de transporte público e na infraestrutura existente e acesso mais fácil ao comércio.

Sabemos que, no passado, durante a existência do BNH, a prática de entrega de casas em conjuntos habitacionais, ainda desprovidos de infraestrutura e serviços urbanos, foi recorrente. Bonduki (2008) mostra, ainda, que os problemas relacionados às deficiências no acesso à infraestrutura, bem como ao adensamento excessivo, agravaram-se ainda mais no período pós-BNH. Nesse caso, incluem-se não só os conjuntos habitacionais, mas também as favelas, os cortiços, os loteamentos direcionados à população de baixa renda, entre outros. O que nos chama a atenção é a permanência daquela referida prática do Estado em reproduzir espaços precários no que concerne à moradia. Essa prática é questionada por Martins (2007). Assim, ao descrever a produção dos conjuntos habitacionais do BNH, é como se Rodrigues (2007) estivesse descrevendo o momento atual do PMCMV:

Os conjuntos habitacionais, edificados e financiados pelo Estado, “destinados à chamada população de baixa renda”, foram construídos em descontinuidade com o tecido urbano, em áreas sem infra-estrutura e equipamentos de consumo coletivo. A organização dos moradores possibilitou a implantação de serviços urbanos necessários à reprodução da vida. Contraditoriamente, assim, os conjuntos construídos para trabalhadores, num mercado específico e financiados com recursos públicos, acentuam a desigualdade social e espacial. Num aparente paradoxo, quando os conjuntos são inseridos no tecido urbano, o preço aumenta, expulsando os moradores que continuam aprisionados pelo financiamento em 25 anos82.

Convém enfatizar que esse tipo de ação do Estado é reforçado pela ausência de uma associação entre uma política fundiária e a política habitacional, como foi apresentado no decorrer do capítulo 2 e observado no caso da cidade de Patos. Nessa perspectiva, o processo de periferização, ocasionado pela implantação dos conjuntos habitacionais pelo PMCMV, não só implica a expansão acelerada da malha urbana, como também induz a uma extensão da rede de infraestrutura, o que, segundo Ferreira (2012), é muito mais oneroso do que investir em áreas já urbanizadas. Contudo, sabendo que o atendimento dessa necessidade é bastante oneroso, o Estado o promove de maneira desigual na cidade, e os grupos de rendimento mais baixo ficam à margem desses benefícios, tendo em vista que as elites locais (SOUZA, 2010) e os agentes que vislumbram os lucros da especulação imobiliária (SINGER, 1982) influem na legislação e nas decisões do poder público local quanto às áreas que serão beneficiadas com a

Benzer Belgeler