2. NESNELER
2.1. Nesne Oluşturma
2.1.4. PHP’de Dosya Oluşturma
O trabalho na sociedade capitalista permanece central na vida do ser humano, porém com preponderância do caráter de exploração e de alienação da classe trabalhadora.
Como já foi dito, o sistema capitalista, que se baseia na exploração do trabalho pelo capital, é permeado por conflitos entre as duas classes opostas: trabalhadores e capitalistas. Como sistema de superexploração do homem e da natureza, ele sofre crises cíclicas que são superadas por meio de mudanças nas formas de produção, visando o aumento da produtividade e do capital sem afetar a sua essência, ou seja, o lucro e a propriedade privada. A cada crise, o sistema capitalista procura realizar uma metamorfose nos modos de produção, mas com foco em melhorias para o capitalista e não para o trabalhador.
Nessa perspectiva, Antunes analisa que os sistemas taylorista e fordista foram utilizados, em escala mundial, ao longo do século XX, como forma de ampliação do lucro, por meio da racionalização dos tempos de trabalho e eliminação dos “tempos mortos” existentes na produção. A uma nova crise, esses sistemas foram sendo apropriados pelo sistema toyotista17, como modo de reestruturação “sem transformar os pilares essenciais do modo de produção capitalista” (ANTUNES, 2009, p. 40).
Alves compartilha com essa visão, ao afirmar que a acumulação flexível, surgida na década de 1970, significa “não uma `ruptura´, mas uma reposição de elementos essenciais da produção capitalista em novas condições de desenvolvimento capitalista e de crise estrutural do capital” (ALVES,2011, p.4).
Por esse processo, o capitalismo efetua transformações nas formas de organização da força de trabalho, sempre na intenção de aumentar a exploração da classe trabalhadora, e com
17 Utilizou-se a definição de Dal-Rosso para os sistemas de gestão do trabalho: Taylorismo – sistema de gestão do trabalho que remonta a Frederick Winslow Taylor (1856-1915), engenheiro norte-americano que desenvolveu uma organização “científica” do trabalho, baseada na dissociação do processo de trabalho das habilidades do trabalhador; separação entre concepção e execução, e monopólio do conhecimento pela gerência para controlar cada passo do processo de trabalho e seu modo de execução; Fordismo – sistema que evoluiu do taylorismo e se aplica em grandes empresas de produção compreendendo: a divisão entre trabalho manual e concepção, a especialização das funções e o incentivo salarial para criar um mercado consumidor também entre os trabalhadores e Toyotismo – concebido originalmente pelo grupo Toyota, compreende o trabalho em grupo, procura reduzir a separação entre concepção e execução, incentiva a participação dos trabalhadores para corrigir erros e sugerir melhorias, procura eliminar os estoques mediante a compra de insumos somente no momento em que são necessários (DAL-ROSSO, 1998).
a reestruturação produtiva advinda do sistema toyotista, há somente perdas para os trabalhadores, conforme analisa Antunes.
Utiliza-se de novas técnicas de gestão da força de trabalho, do trabalho em equipe, das “células de produção”, dos “times de trabalho”, dos grupos “semiautônomos”, além de requerer, ao menos no plano discursivo, o “envolvimento participativo” dos trabalhadores, em verdade uma participação manipuladora e que preserva, na essência, as condições do trabalho alienado e estranhado. O “trabalho polivalente”, “multifuncional”, “qualificado”, combinado com uma estrutura mais horizontalizada e integrada entre diversas empresas, inclusive nas empresas terceirizadas, tem como finalidade a redução do tempo de trabalho (ANTUNES,2009, p. 54).
A aparente “horizontalidade” das relações entre trabalhador e chefia e o incentivo da participação da classe trabalhadora nos processos produtivos da empresa são estratégias do capital que visam somente à obtenção de lucro e a diminuição dos custos.
Seligmann-Silva aponta que a reestruturação produtiva reforça a necessidade do estabelecimento de “empresas ágeis e enxutas”, por meio da ênfase da competitividade e da flexibilidade, medidas necessárias para a sobrevivência das empresas no mundo globalizado. A autora conclui que “[...] foi imposta uma racionalidade na qual o economicismo passou a dominar e preceder qualquer consideração à natureza – tanto dos seres humanos que trabalham quanto a do próprio planeta” (SELIGMANN-SILVA, 2008, p. 7).
Decorrente desse processo mundial de reestruturação produtiva, a classe trabalhadora perdeu não só direitos trabalhistas, mas fragilizou-se ainda mais na correlação de forças com o capitalista. Harvey ressalta que a precarização se faz pela ocorrência de “regimes e contratos de trabalho mais flexíveis, além da redução do emprego regular em favor do crescente uso do trabalho em tempo parcial, temporário ou subcontratado” (HARVEY, 2011, p. 143).
Compartilhando com essa ideia, Alves avalia que a precarização foi nefasta principalmente para “o núcleo organizado do mundo do trabalho”, que possuía direitos trabalhistas conquistados por meio de lutas coletivas e legitimados por “mediações jurídico- políticas”. Tais sujeitos, segundo o autor, foram vítimas da “flexibilização do trabalho e usurpados pelo poder das coisas ou pelas leis do mercado” (Alves, 2007, p.115).
Esse processo de flexibilização das relações de trabalho interfere de forma direta na jornada de trabalho, na medida em que o capitalista poderá defini-la de acordo com os seus interesses. A correlação de forças entre o trabalhador e o capital encontra-se em profunda desvantagem e com efeitos nefastos para os trabalhadores, como demonstra Harvey.
[...] A acumulação flexível parece implicar níveis relativamente altos de desemprego “estrutural” (em oposição a “friccional”), rápida destruição e reconstrução de habilidades, ganhos modestos (quando há) de salários reais e o retrocesso do poder sindical – uma das colunas políticas do regime fordista (HARVEY, 2011, p. 143).
Assim, o processo de reestruturação produtiva, ocorrido no mundo a partir da década de 1970, foi deflagrado de forma substancial no Brasil, nas décadas de 1980 e 1990, especificamente, a partir dos governos de Fernando Collor de Mello (abertura da importação e de capitais estrangeiros no País) e Fernando Henrique Cardoso (ascensão de políticas neoliberais), trazendo perdas significativas para a classe trabalhadora. Esse processo permaneceu nos anos vindouros, com os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Vana Roussef.
Como consequência da flexibilização dos direitos trabalhistas, houve uma clara intensificação dos ritmos de trabalho, aumento da jornada de trabalho e diminuição de empregos. O lema do capital na atualidade é “trabalhar mais para ganhar menos”, segundo Alves (2011, p. 106).
É importante registrar que os trabalhadores sem carteira assinada, como os informais, autônomos e cooperados, estão cada vez mais fragilizados em relação à legislação trabalhista e previdenciária18. A pesquisa realizada pela CUT, em 1999, no município de São Paulo com vendedores ambulantes, perueiros, cobradores de perua e catadores de material reciclável demonstra que maioria dos informais possui baixa renda, extensas jornadas de trabalho, sem proteção previdenciária e estão nessa situação em consequência do desemprego.
É evidente a diferença entre os diversos tipos de trabalhadores informais. Sob o rótulo de informal ocultam-se desde trabalhadores razoavelmente capitalizados – como os perueiros, proprietários de seus veículos com acesso a financiamentos bancários – até ambulantes, vendedores em trens ou vendedores em faróis, que compram diariamente pequenas quantidades de artigos para vender durante o dia. Para estes, a incerteza e a insegurança são constantes e a sobrevivência é conquistada a cada dia. Também há uma grande diversidade de trajetórias em comum: trabalham como informais jovens, crianças e adolescentes, ao lado de pessoas idosas; muitos estão na informalidade há mais de dez anos, outros há menos de um ano; enquanto alguns são ex-assalariados, outros jamais chegaram a ter o primeiro emprego (JAKOBSEN; MARTINS; DOMBROWSKI,2000,p.50-51).
18 Note-se que, pela legislação previdenciária, os trabalhadores autônomos, cooperados e domésticos não obtêm do Instituto Nacional de Previdência Social (INSS) o direito ao auxílio-doença acidentário (B91), mas apenas o auxílio-doença previdenciário (para doenças não relacionadas ao trabalho). Tal medida, além de subnotificar os acidentes de trabalho dessas categorias, tira-lhes o direito de estabilidade mínima de um ano no trabalho.