5. TARTIŞMA VE SONUÇ
5.5 Et Kalitesi
5.5.1 pH, Renk ve Mermerleşme
Os dados apresentados a seguir têm por finalidade descrever algumas características sociodemográficas e ocupacionais dos trabalhadores participantes desse estudo. O Quadro 3 mostra os dados sociodemográficos obtidos.
Nº NOME
(FICTÍCIO)
IDADE ESTADO CIVIL ESCOLARIDADE CIDADE DE ORIGEM MORADIA DEPENDENTES
FINANCEIROS
1 Ana 64 anos Solteira Nunca estudou/ Analfabeta
Pontal – SP Imóvel alugado
Uma pessoa (filho) 2 Antônio 29 anos Amasiado Ensino
fundamental completo
Belo Horizonte – MG Imóvel alugado
Duas pessoas (companheira e uma filha) 3 Carlos 59 anos Casado Ensino
fundamental incompleto Ituverava – SP Imóvel próprio Duas pessoas (companheira e um filho)
4 Cecílio 26 anos Solteiro Ensino fundamental completo
Ribeirão Preto – SP Imóvel alugado
Sem dependentes 5 Edson 60 anos Viúvo Ensino
fundamental incompleto
Quirinópolis - GO Imóvel próprio
Uma pessoa (filho) 6 Francisco 37 anos Casado Ensino
fundamental completo Três Passos – RS Imóvel alugado Duas pessoas (companheira e um filho)
7 Hélio 62 anos Separado Ensino fundamental incompleto
Altinópolis – SP Imóvel alugado
Sem dependentes 8 Jackson 23 anos Solteiro Ensino
fundamental completo Divinópolis – MG Imóvel próprio Duas pessoas (companheira e um filho)
9 João 66 anos Solteiro Ensino fundamental incompleto
Batatais – SP Imóvel alugado
Sem dependentes 10 Jonas 49 anos Separado Ensino
fundamental incompleto/ Analfabeto Taquaritinga – SP Imóvel alugado Sem dependentes 11 José 41 anos Solteiro Nunca estudou/
Analfabeto
Ribeirão Preto – SP Imóvel próprio
Uma pessoa (mãe) 12 Luiz 55 anos Amasiado Ensino
fundamental incompleto Guaxupé – MG Imóvel alugado Quatro pessoas (companheira e três filhos)
13 Mara 39 anos Solteira Ensino fundamental incompleto
Batatais – SP Imóvel alugado
Sem dependentes 14 Márcio 48 anos Solteiro Ensino
fundamental incompleto
Santa Maria – RS Imóvel alugado
15 Marcos 54 anos Viúvo Ensino fundamental incompleto
São José do Egito – PE Imóvel próprio Duas pessoas (filhos) 16 Maria Aparecida
47 anos Amasiada Ensino fundamental completo
São Paulo – SP Imóvel próprio
Sem dependentes 17 Paulo 51 anos Solteiro Nunca estudou/
Analfabeto
São Sebastião do Paraíso - MG
Terreno invadido
Uma pessoa (irmã) 18 Pedro 74 anos Casado Ensino
fundamental incompleto
Ribeirão Preto – SP Imóvel próprio
Duas pessoas (companheira e um filho)
19 Samuel 60 anos Casado Ensino fundamental incompleto
Ribeirão Preto – SP. Imóvel próprio
Três pessoas (companheira e dois filhos)
20 Sandra 57 anos Amasiada Ensino fundamental incompleto Passos – MG Imóvel próprio Uma pessoa (companheiro) 21 Sara 54 anos Casada Ensino
fundamental incompleto
São Paulo – SP Imóvel próprio
Três pessoas (companheiro e dois filhos)
22 Simone 45 anos Amasiada Ensino fundamental incompleto
São Tomás de Aquino – MG Terreno invadido Duas pessoas (companheiro e uma neta) 23 Telma 30 anos Solteira Ensino médio
incompleto
Ituiutaba – MG Imóvel alugado
Sem dependentes
Quadro 3 - Dados sociodemográficos dos catadores de materiais recicláveis entrevistados.
Os participantes do estudo tinham idades entre 23 e 74 anos, sendo três catadores com idades entre 20 e 29 anos, seis catadores com 60 anos ou mais e 14 catadores com idades entre 30 e 59 anos. Estudo realizado pelo IPEA (2013) identificou que cerca da metade dos catadores no Brasil possuem idades entre 30 e 49 anos. Estudos realizados por Ortíz (2002), Medeiros e Macedo (2006), Bosi (2008) e Kirchner, Saidelles e Stumm (2009) identificaram também a presença de idosos atuando na reciclagem informal.
Quanto ao estado civil, nove participantes se declararam solteiros, cinco casados, cinco amasiados, dois separados e dois viúvos. Do total, oito catadores referiram não possuir dependentes financeiros e a maioria dos catadores (15 deles) relatou ter ao menos um dependente. Estes dados mostram que a renda obtida com o trabalho da reciclagem informal tem sido utilizada não só para sustento individual, mas também para o suporte das famílias desses trabalhadores (IPEA, 2013).
Quanto à moradia, 11 trabalhadores referiram viver em casas alugadas, 10 trabalhadores em casas próprias e dois catadores em casas construídas em um local abandonado devido à impossibilidade de pagar o aluguel de um imóvel. As dificuldades habitacionais enfrentadas pelos catadores também foram descritas em outros estudos, identificando-se que, entre os catadores, a
questão da habitação envolve a falta de saneamento básico e as estruturas precárias (PORTO et al., 2004; ALENCAR; CARDOSO; ANTUNES, 2009; BORTOLI, 2009; IPEA, 2013).
Apenas quatro catadores declararam procedência de Ribeirão Preto SP, local onde trabalham atualmente. Os demais (19 catadores) vieram de cidades da região de Ribeirão Preto ou de outros estados do país. A relação entre migração e reciclagem informal também foi identificada em pesquisas realizadas por Medina (1999), Ortíz (2002), Ferreira (2005) e Herédia e Santos (2007), uma vez que muitos trabalhadores, ao partirem para outras cidades em busca de melhores condições de vida, estando sob precária situação financeira e baixo nível educacional, tendem a adotar ocupações dentro do setor informal da economia (MEDINA, 1999).
Com relação à escolaridade, dos 23 participantes do estudo, 15 deles referiram ter o ensino fundamental incompleto, sendo que três catadores relataram nunca ter estudado ou frequentado escolas. Apenas cinco trabalhadores obtiveram a conclusão do ensino fundamental. Além disso, do total de participantes, quatro se declararam analfabetos. Estes dados confluem com os de outras pesquisas, que mostram que muitos catadores possuem baixa escolaridade e não sabem ler e escrever (PORTO et al., 2004; MEDEIROS; MACEDO, 2006; SILVA; LIMA, 2007; ROZMAN et al., 2008; ROZMAN et al., 2010; IPEA, 2013).
A seguir (Quadro 4) são descritos alguns dados ocupacionais dos participantes do estudo, visando traçar um perfil geral do histórico laboral e das atuais condições de trabalho dos catadores entrevistados.
Nº NOME
(FICTÍCIO)
HISTÓRICO LABORAL TRABALHO(S)
ATUAL(AIS) TEMPO DE TRABALHO NA RECICLAGEM CARGA HORÁRIA LABORAL (RECICLAGEM) RENDA MENSAL (RECICLAGEM)
1 Ana Lavrador (plantação de café e cana-de-açúcar)
Catadora de material reciclável,
aposentada
5 anos 2-4 horas por dia, 2- 3 dias por semana
R$150,00 a R$300,00* 2 Antônio Construção civil
(servente de pedreiro), serviços gerais
Catador de material reciclável, carreto
10 anos 8 horas por dia, 6 dias por semana
R$1500,00 3 Carlos Trabalhador rural
(lavrador)
Catador de material reciclável, atendente de enfermagem
3 anos 1-2 horas por dia, 2 dias por semana
R$160,00 a R$200,00 4 Cecílio Construção civil
(servente de pedreiro), ajudante de eletricista, auxiliar de depósito de reciclagem Catador de material reciclável, carregador
4 anos 2-3 horas por dia, 5 dias por semana
R$200,00 a R$300,00
5 Edson Cortador de cana-de- açúcar, garçom
Catador de material reciclável
5 anos 8 horas por dia, 5 dias por semana
R$600,00 a R$800,00 6 Francisco Operador de máquina
em construtora, pintor, garçom
Catador de material reciclável, pintor, carreto
3 anos 12 horas por dia, 6 dias por semana
R$2000,00 a R$2500,00 7 Hélio Trabalhador rural
(lavrador), vigilante patrimonial
Catador de material reciclável, faxineiro
9 anos 7-8 horas por dia, 5 dias por semana
R$850,00 8 Jackson Carregador de caminhão, auxiliar de serviços em mecânica Catador de material reciclável, vigia de carros
15 anos 3 horas por dia, 2-5 dias por semana
R$150,00 a R$200,00 9 João Construção civil
(servente de pedreiro), carregador de caminhão, faxineiro, serviços gerais Catador de material reciclável, faxineiro
20 anos 2-3 horas por dia, 5 dias por semana
R$500,00 a R$600,00 10 Jonas Trabalhador rural
lavrador, tratorista)
Catador de material reciclável
5 anos 5-6 horas por dia, 6- 7 dias por semana
R$600,00 a R$700,00 11 José Trabalhador rural
(lavrador), auxiliar de loja
Catador de material reciclável, carreto
5 anos 7 horas por dia, 5 dias por semana
R$1000,00 12 Luiz Construção civil
(servente de pedreiro), vigia, leiteiro, coletor de lixo
Catador de material reciclável, aposentado
3 anos 8 horas por dia, 6 dias por semana
R$350,00 13 Mara Ajudante de cozinha,
empregada doméstica, panfleteira
Catadora de material reciclável, empregada doméstica
7 anos 1-2 horas por dia, 5 dias por semana
R$80,00 a R$100,00 14 Márcio Músico, jardineiro,
auxiliar de depósito, auxiliar de caixa, tratorista, trabalhador rural (lavrador) Catador de material reciclável
5 anos 7 horas por dia, 6 dias por semana
R$900,00 15 Marcos Construção civil
(servente de pedreiro)
Catador de material reciclável, vigia
15 anos 2-3 horas por dia, 6 dias por semana
R$150,00 a R$350,00 16 Maria Aparecida Auxiliar de dentista, vendedora em loja de calçados Catadora de material reciclável, auxiliar de serviços em uma loja
8 anos 2 horas por dia, 5 dias por semana
R$200,00 a R$300,00 17 Paulo Trabalhador rural
(lavrador), cortador de cana
Catador de material reciclável, jardineiro
15 anos 4-5 horas por dia, 5 dias por semana
R$500,00 a R$600,00 18 Pedro Segurança, varredor de
rua
Catador de material reciclável, aposentado
10 anos 6 horas por dia, 4 dias por semana
R$250,00 19 Samuel Trabalhador rural
(lavrador), serviços gerais, construção civil (pedreiro e pintor)
Catador de material reciclável, aposentado
7 anos 8 horas por dia, 6 dias por semana
R$600,00 a R$700,00 20 Sandra Auxiliar de terapia
ocupacional, sorveteira
Catadora de material reciclável, empregada doméstica
3 anos 8 horas por dia, 6 dias por semana
R$700,00 a R$800,00 21 Sara Empregada doméstica,
repositora de supermercado
Catadora de material reciclável, passadeira
7 anos 8 horas por dia, 6 dias por semana
R$500,00 a R$600,00 22 Simone Camareira Catadora de material
reciclável, vendedora de roupas usadas
10 anos 5-7 horas por dia, 5 dias por semana
23 Telma Cozinheira, empregada doméstica, manicure
Catadora de material reciclável, manicure
5 anos 2-3 horas por dia, 5 dias por semana
R$150,00 a R$200,00
* R$ (reais).
Quadro 4 - Dados ocupacionais dos catadores de materiais recicláveis entrevistados.
Como histórico laboral, predominou entre os homens uma atuação prévia na construção civil (pedreiro, servente de pedreiro, pintor, carregador/descarregador de materiais), no trabalho rural (lavrador, tratorista, cortador de cana-de-açúcar), nos serviços gerais (comércio, mecânicas), e nas atividades de vigia, garçom, coletor de lixo e varredor de rua. Entre as mulheres, as ocupações prévias à reciclagem consistiram nas atividades de empregada doméstica, manicure, camareira, panfleteira, cozinheira, ajudante de cozinha, vendedora, auxiliar de dentista, auxiliar de terapia ocupacional, repositora de supermercado e sorveteira.
Estudos realizados por Leal et al. (2002), Porto et al. (2004), Martins (2005), Cavalcante e Franco (2007) e Ballesteros et al. (2008) trazem dados semelhantes, mostrando que entre os catadores predominam-se atividades relacionadas à construção civil, agricultura, serviços gerais e trabalho doméstico, representando trabalhos sem reconhecimento social (MACIEL et al., 2011).
Como atividade atual, apenas três dos 23 catadores referiram dedicar-se exclusivamente à reciclagem informal. Quatro trabalhadores relataram conciliar a aposentadoria com a renda obtida pela reciclagem, visando complementar a renda. Os demais (16 catadores) agregam a reciclagem a outras atividades laborais, sendo que entre os homens se destacam as atividades de vigia, atendente de enfermagem, pintor, transportador (carreto), faxineiro e jardineiro, e entre as mulheres, atividades como empregada doméstica, passadeira, manicure, vendedora de roupas usadas e auxiliar de serviços.
Pochmann (2001) afirma que a baixa renda adquirida a partir do trabalho precarizado exige que os trabalhadores optem por dois empregos e que os aposentados retornem às atividades laborais. Outros estudos (FERREIRA, 2005; SOUZA; MENDES, 2006; BOSI, 2008; KIRCHNER; SAIDELLES; STUMM, 2009) também relataram que homens e mulheres adotam a coleta de recicláveis como fonte de sobrevivência ou única alternativa para geração de renda, enquanto outros visam obter uma renda complementar.
O tempo de atuação como catador oscilou entre três e 20 anos, com predomínio entre três a sete anos de atuação. A carga horária de trabalho dos catadores variou entre duas horas até 12 horas por dia, com predomínio de sete a oito horas diárias de trabalho, de cinco a seis dias por semana. Observou-se ainda uma variedade quanto à rotina laboral dos catadores em relação à carga horária de trabalho, sendo esta vinculada às necessidades financeiras de cada trabalhador.
A renda obtida a partir da coleta de recicláveis também sofre variação, oscilando entre R$80,00 e R$2.500,00 (reais) por mês, com predomínio da renda em torno de R$500,00 a R$700,00 (reais) mensais. Esses dados corroboram com resultados de outros estudos (FERREIRA, 2005; SILVA; LIMA, 2007; BOSI, 2008; ROZMAN et al., 2008; KIRCHNER; SAIDELLES; STUMM, 2009; ROZMAN et al., 2010) os quais identificaram que a renda mensal de grande parte dos catadores não ultrapassa um salário mínimo 5. Além disso, a renda individual não é fixa, visto que os catadores dependem da quantidade e da qualidade dos materiais coletados, bem como dos preços de venda definidos pelos intermediários no interior da cadeia de reciclagem (BOSI, 2008; IPEA, 2013).