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2.1. Yeraltısuyu Kirleticileri

2.1.3. Pestisit Kaynaklı Kirleticiler

A forma de contratação dos monitores, encontrada pela coordenação da Prefeitura, sob responsabilidade das associações que acolhiam os Telecentros mediante repasse financeiro da Prefeitura, conforme já dito anteriormente, trouxe-lhe muitos problemas. Segundo ela, muitas associações não apresentavam competência para realizar os pagamentos, deixando de atender a todas as questões trabalhistas e burocráticas solicitadas na legislação. Desta forma, atrasavam o encaminhamento da documentação exigida pela Secretaria da Fazenda do município à SDHSU.

O atraso da documentação, de acordo com a coordenação da Prefeitura, gerou, por sua vez, atrasos de até cinco meses no pagamento das bolsas de monitoria. Enquanto a documentação não estivesse em ordem, a SDHSU não podia executar os repasses financeiros destinados ao pagamento das bolsas dos monitores, sendo o valor de cada bolsa de R$ 300,00 / mês.

Outra questão apontada, por essa coordenação, como um problema gerado pela modalidade anterior de contratação dos monitores, foi o nepotismo instalado nos Telecentros, tornando o que era para ser um espaço de atendimento a uma política pública de inclusão digital, em uma empresa familiar.

Esse é um outro problema que nós encontramos, também, nos telecentros, quando chegamos. Tinha monitores que eram filhos de presidentes da associação, maridos, tios, tias, muitas vezes, até - não foi em todos, mas em alguns aconteceu - que o telecentro tinha virado uma renda familiar. (CCR).

A manutenção dos procedimentos adotados no governo anterior apontava para uma tendência de encerramento do Programa de Inclusão Digital, pela ausência de atendimento a questões de ordem burocrática. Para evitar tal risco, a atual coordenação da Prefeitura, entendeu ser necessário realizar mudanças no procedimento instituído até então.

Com o convênio estabelecido entre a Prefeitura e o CIEE, viabilizando através deste último, a contratação dos monitores, estes problemas foram sanados e, segundo a coordenação da Prefeitura, todos foram beneficiados com essa mudança de procedimento em que, as questões administrativas decorrentes da contratação de monitoria, na modalidade de estágio, passam a ser atendidas pelo CIEE.

Pode-se perceber que a mudança ocorrida na função de contratação dos monitores encaminha a uma situação de terceirização dessa função, promovendo uma concentração de esforços, tanto da Prefeitura quanto das associações que acolhem os Telecentros, na busca de atingir os principais objetivos a que esse programa de inclusão digital se propõe. A decisão por terceirizar a contratação dos monitores poderá ter sucesso se vista como uma ação estratégica que, mais do que uma possível redução de custo, possa garantir maior qualidade ao Programa Telecentro.

Essa terceirização, entretanto, não modificou os critérios aplicados, anteriormente, para a indicação dos monitores. As associações, representando as comunidades, indicam os monitores e estes são encaminhados para o CIEE. Precisam ser jovens que pertençam à comunidade à qual o Telecentro atende, jovens estudantes da rede regular de ensino ou universitários em processo de formação acadêmica. O contrato de estágio tem validade de seis meses, com possibilidades de renovação até o limite de dois anos consecutivos.

A indicação de jovens da própria comunidade responde a uma diretriz do governo municipal, propiciando o desenvolvimento local. O fato de o monitor ter que estar estudando também é apresentado pela coordenação da Prefeitura como uma exigência sua, pois, para exercer a função de monitoria no Telecentro, este é um fator considerado como básico.

Com uma bolsa auxilio de R$ 300,00 por mês, como existem questões peculiares da comunidade, nós delegamos a associações para que escolham os seus monitores, só que tem um aspecto, eles tem que

estar regularmente matriculados na rede de ensino. Isso é o mínimo que tem que ter um repassador de conhecimento, sem isso não tem condições. (CCR).

No projeto de capacitação e formação de monitores da coordenação da Prefeitura está previsto a promoção, de forma antecipada ao desligamento de monitores dos Telecentros, de um processo de pré-seleção dos novos monitores que virão a ocupar essas vagas. Nesta seleção será avaliado se os jovens encaminhados pelas associações, apresentam características necessárias e desejadas para atuarem como monitores nos Telecentros.

Nos dias atuais, a coordenação da Prefeitura diz estar capacitando esses jovens enquanto estes desempenham seus trabalhos no Telecentro, isto é, de forma paralela. Informa, também, não estar ocorrendo nenhum processo de avaliação em relação à atuação dos monitores e aos possíveis resultados originados pelo trabalho dos mesmos junto aos Telecentros.

Entretanto, uma das falas de um dos coordenadores da Prefeitura explica que essa avaliação não ocorre por não terem tido os monitores, até então, oportunidade de realizar nenhum tipo de capacitação ou formação através da Prefeitura. “Não,

isso não tem, porque ele não tem uma formação, ele nunca teve. Então, isso é uma das nossas maiores preocupações” (CCK).

O que significa que a ausência, em questão, é maior que a avaliação dos resultados do trabalho dos monitores, pois é a ausência de uma qualificação que permita, por sua vez, que estes monitores possam ser avaliados. Como avaliar o resultado de uma prática quando, em um momento anterior, não foram fornecidos nem informações nem conhecimentos, não foram observadas ou desenvolvidas competências para que esta prática fosse posta em ação?

Quase que a totalidade das ações humanas exige algum tipo de conhecimento, às vezes superficial, outras vezes aprofundadas, oriundo da experiência pessoal, do senso comum, da cultura compartilhada em um circulo de especialistas ou da pesquisa tecnológica ou cientifica. Quanto mais complexas, abstratas, mediatizadas por tecnologias, apoiadas em modelos sistêmicos da realidade forem consideradas as ações, mais conhecimentos aprofundados, avançados, organizados e confiáveis elas exigem. (PERRENOUD, 1999, p.7).

Segundo Moran (2000), para despertar, nos alunos, confiança, credibilidade, entusiasmo, promovendo um melhor processo de ensino-aprendizagem, é importante que se tenha pessoas competentes em suas áreas de conhecimento. Mas, também, é necessário que tenham habilidades que lhes assegure interagir e propiciar interações entre as pessoas, favorecendo desta forma, a construção de um conhecimento que, ultrapassando o conteúdo, promova a autonomia, a liberdade, contribuindo para uma transformação social.

Ensinar não é só falar, mas se comunicar com credibilidade. É falar de algo que conhecemos intelectual e vivencialmente e que, pela interação autentica, contribua para que os outros e nos mesmos avancemos no grau de compreensão do que existe. (MORAN, 2000, p.62).

As possibilidades de uma aprendizagem ampliada e interativa, atribuída às novas tecnologias de informação e comunicação, dependem, fundamentalmente, da capacidade do professor - no caso dos Telecentros, do monitor -, de promover práticas educativas mais abrangentes, estimulantes, respeitando as diversidades e capacidades dos alunos. Para tal, é importante, que o monitor, a exemplo do professor, apresente “um amadurecimento intelectual, emocional e comunicacional

que facilite todo o processo de organização da aprendizagem” (MORAN, 2000,

p.62).

Com essas ponderações, fica aberta a questão: terão os estagiários, jovens que estarão investidos no papel de monitores, sem um desenvolvimento, uma qualificação e uma formação pedagógica, possibilidades de apresentarem, de forma espontânea e nata, essas competências e habilidades?

Benzer Belgeler