8.1. Sunucu Devresi Kullanımı…
8.2.6. Periyodik LAN kontrolü…
“Do sonho do voo ao pesadelo da queda, Ícaro nos fala de temas humanos
atemporais, como o desejo de liberdade e de desafiar os limites”.
(trecho da sinopse do espetáculo “Sonho de Ícaro”, 2005).
Como celebração dos 25 anos do Lume Teatro, o grupo elaborou um grande
espetáculo com artistas e grupos teatrais convidados como: Boa Companhia, Cia Berro
d’Água, Núcleo de Samba Cupinzeiro, Família Burg, Grupo de Pesquisa Teatral TAO,
Laboratório Cisco, Matula Teatro, Cia Mundu Rodá – Núcleo Manjaterra, Os Geraldos,
Paraladosanjos, Seres de Luz Teatro e Teatro de Tábuas; além de Eduardo Okamoto, Paula
Ferrão, Silvia Leblon, Marcelo Pinta, Gregory Slivar, Diego Baffi e José Divino Barbosa. O
“Sonho de Ícaro” foi apresentado em um galpão do SESC Campinas e nos seus arredores. O
espetáculo se iniciava do lado de fora do galpão e o público acompanhava os atores, em cena,
para dentro do espaço fechado.
Vários dos artistas e grupos acima mencionados já participavam de trueques. Também
participavam de outras atividades voltadas para a comunidade de Barão Geraldo,
desenvolvidas pelo Lume como o Feverestival, Sorrisos do Barão, Mostra de Maio, Terra
Lume, entre outros. As atividades coletivas desenvolvidas pelo Lume possibilitaram tanto a
criação do “Sonho de Ícaro” como a de “Perch”, e, também, a da “Oficina montagem Abre
Alas”, como veremos a seguir.
“Sonho de Ícaro”, no entanto, foi o primeiro espetáculo de grande porte do Lume.
Também foi o primeiro espetáculo do grupo a incluir outros atores e artistas que não faziam
parte do núcleo de pesquisa de modo sistemático. Neste espetáculo, além de atores, houve a
participação de artistas circenses e do grupo musical Núcleo de Samba Cupinzeiro.
Para este espetáculo, os mais de 80 artistas participantes foram divididos em grupo
temáticos e em alas. A seguir, descreveremos as alas, seu significado para a trama do
espetáculo e alguns personagens especiais.
Ala das musas – figuras decadentes que aparecem no início do espetáculo para
receber o público;
Poetas – duas figuras que narram em forma lírica o que está acontecendo em cena.
Usam calça, camisa, colete e casaco, todos desgastados;
Figura 67 - Poetas em “Sonho de Ícaro” (Foto: Pedro Ribeiro. Fonte: <
https://www.flickr.com/photos/pedrodemoraes/4361657817/in/album-72157623321528407/ > Acesso: 15 jan 2015).
Ala dos ternos – homens e mulheres vestidos com ternos escuros e maquiagem
com olheiras fundas. Representam o mundo dos negócios e a padronização;
Figura 68 - Ala dos ternos em “Sonho de Ícaro” (Foto: Pedro Ribeiro. Fonte: <
https://www.flickr.com/photos/pedrodemoraes/4361657045/in/set-72157623321528407 > Acesso 15 jan 2015).
Ala dos minotauros – grupo de atores vestindo coletes em tons marrons e pretos.
Usam máscaras de soldagem ou maquiagem preta no rosto e chifres de plástico
retorcido. Alguns andam em pernas de pau. São violentos e representam a
repressão;
Ala dos operários e engenheiros – figuras que ajudam Dédalos a construir as asas,
usam capacete de construção civil, macacão azul e capacete amarelo ou jalecos;
Figura 69 - Dédalos e ala dos operários em “Sonho de Ícaro” (Foto: Pedro Ribeiro. Fonte: <
https://www.flickr.com/photos/pedrodemoraes/4362403898/in/set-72157623321528407 > Acesso em: 15 jan 2015).
Dédalos – Pai de Ícaro, construtor do labirinto do Minotauro. Cria asas para ele e
seu filho poderem escapar da ilha de Creta. Usa calça escura, camisa branca, grava
e um sobretudo comprido;
Figura 70: Detalhe de foto com Gustavo Valezi como Ícaro em Sonho de Ícaro (Foto: Pedro Ribeiro. Disponível em: <
https://www.flickr.com/photos/pedrodem oraes/4362406462/in/set-
72157623321528407 > Acesso em 15 jan 2015 ).
Ícaro – filho de Dédalos, ganha asas para escapar da ilha Creta, mas se aproxima
demais do Sol, a cera que prendia as penas em suas asas derrete e Ícaro cai no mar
e morre. No espetáculo, ele é representado por atores distintos em diferentes cenas.
É a jaqueta de Ícaro que o identifica para o público (fig. 70);
Carpideiras – as três atrizes do lume trajando apenas uma saia branca e grandes
leques vermelhos.
A realização dos figurinos de “Sonho de Ícaro” foi de Juliana Pfeifer e Warner Reis.
Em entrevista, Reis relatou que os dois só tiveram uma semana para executar os ftrajes. Havia
um grupo de pessoas que auxiliaram na produção dos itens, que eram todos atores a estar em
cena no espetáculo. Apenas Pfeifer e Reis tinham experiência prévia com figurino. Além do
tempo restrito, a verba também era pequena, considerando a quantidade de atores a serem
trajados. Por isso, muito material reciclável e de equipamento eletrônico foi utilizado
(principalmente na jaqueta de Ícaro e nos coletes, máscaras e chifres do minotauros).
As asas de Dédalos e Ícaro também foram criadas com materiais muito simples e
baratos: tela de galinheiro e tiras de plástico de saco de lixo. A ideia de usar esses materiais
foi de Pfeifer, mas a execução foi de Warner Reis.
Este espetáculo teve um processo de criação do figurino radicalmente diferente de outros
apresentados até o momento. Se, por um lado, já vimos no capítulo II a presença de
figurinistas, nunca vimos a presença de dois figurinistas em um espetáculo. A presença de
dois profissionais se justifica pela escala maior do projeto e pelo tempo de produção restrito
(entre pré-produção, produção e apresentação passaram-se apenas algumas semanas).
Pela primeira vez, também, os figurinistas não foram acompanhados tão de perto pelos
atores, numa produção grande, como esta, era necessário abrir mão de uma relação de troca
tão intensa quanto às apresentadas no capítulo III
53.
A seguir, trataremos de uma oficina-espetáculo cujos figurinos vieram de “Sonho de
Ícaro” e seguiram até “Perch”.
53 Aqui nos referimos ao trabalho dos figurinistas Fernando Grecco, Sandra Pestana e Silvana Nascimento nos espetáculos da linha de pesquisa de Mímesis Corpórea.