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Performans Sonuçlarının Değerlendirilmesi

B. PERFORMANS BİLGİLERİ

2. Performans Sonuçlarının Değerlendirilmesi

sem ter estudado (ainda) na faculdade que almejava. A pequena-notável que sabe interpretar e empreendedora agora assume a atriz. E segue, pois o reconhecimento que obtém tem sentido especial, conforme veremos.

“Aí foi quando eu voltei assim, aquele negócio tava muito forte e eu me lembro que um das pessoas do Júri era o C. muito conhecido, era um dramaturgo, diretor conceituado tudo, e ele, gostou de mim e perguntou o que você ainda tá fazendo em? (nome da cidade). E essa pergunta nunca mais saiu da minha cabeça, por que você não vem pra São Paulo, pro Rio, você é tão talentosa tal, podia tentar sua carreira de atriz.”

Foi a pergunta que disparou uma mudança que já estava de certa forma embutida em J., apenas aguardando o momento adequado para se concretizar. Foi novamente como em outros momentos de sua história, parte de um reconhecimento que fez todo o sentido para a busca de J.

“(...) aí eu voltei e ai viajei com a peça e de novo a peça ganhou prêmio, de novo ganhei como melhor atriz, realmente o espetáculo tudo bem, acho que sou talentosa, mas acho também que eu fiz um espetáculo que me colocou, é assim o personagem era muito bom né então não era tão difícil também ser notada então assim, recebi esses prêmios e ai assim, o resto do elenco eu queria continuar a fazer mais o espetáculo e aí um tava preso com a família (muda a voz) tinha filho pequeno, não podia viajar coisa e ai eu comecei a me sentir inadequada alí, sabe não tinha mais pra onde andar dalí sabe, mesmo tendo prêmio, tendo uma peça bacana.”

Mesmo com ideias, reconhecimento e prêmio, J. não encontra espaço para crescer como quer. A solução foi mudar de cidade, algo semelhante ao que fora a

193 mudança da colônia para que as irmãs pudessem estudar, foi uma mudança em bosca de novas oportunidades. Mas desta vez, J. não teve tantos medos.

“E aí começou essa história de querer vir embora pra morar no Rio foi essa coisa que me puxou. E eu me lembro muito claro assim de uma coisa que um dia pensei,

olhei em volta e pensei assim, nisso eu tinha 25 anos, aí falei bom, ta tudo muito bom, tá tudo muito bem mas e aí? Eu tinha um namorado lá e tinha meu apartamento, tinha meu carro, tinha minha própria academia era independente, ia muito a Porto Alegre, fazer as coisas que queria, ver as peças que queria tal mas eu pensava assim e aí? O que vai ser? Vou acabar casando aqui, talvez um empresário... Industrial do calçado (ironia pois sua cidade é muito conhecida como a cidade do calçado) vou ter filhos né, e o teatro? E a coisa que mais quero fazer? Ficam onde? Né minha grande realização vai ficar onde? Ai eu pensava assim não quero ter 40 anos, me olhar no espelho e dizer: eu não tentei sabe? Não tentei fazer aquilo que eu quis fazer.”

Estas reflexões mostram o conflito e também o preparo para o próximo passo. A pequena-notável que sabe interpretar-empreendedora-atriz fará algo que julga corajoso. A menina medrosa que também fora estranhíssima, agora é corajosa.

“(...) fiz a coisa mais corajosa da minha vida assim, realmente você precisa ter muita corajem pra largar uma coisa quando ela tá bem né? Quando elas tão ruins (...) e eu larguei tudo, larguei tudo. Deixei a academia lá ainda um tempo sendo administrada por uma pessoa de minha confiança (...) e vim pro Rio, assim totalmente na cara e na coragem (...). ”

J. nos explica que sua coragem nasceu por querer sair da zona de conforto. Para ser quem queria ser era necessário migrar. Aqui, claramente a identidade em construção constante pede movimento.

“Logo ficou essa coisa inadequada do lugar onde eu tou e que lugar eu gostaria de estar é muito difícil tomar essa decisão porque aos olhos dos outros eu tava num lugar muito bom e não é que era ruim, mas não era exatamente aquilo que eu tava querendo na minha vida né, então abrir mão de uma coisa que eu construí com tanto sacrifício, tanta dificuldade e tal foi muito difícil (...).”

J. nos fala que abrir mão de uma personagem constituída e reconhecida, como era seu caso, frente a tudo o que construiu objetivamente é uma tarefa difícil. E daí compreende-se porque julga ter sido a coisa mais corajosa que fez na vida.

J. decide ir para o Rio onde tinha um amigo e se emociona ao contar que este, morava exatamente no mesmo prédio onde ela mora atualmente . Logo, sua primeira referência de Rio de Janeiro foi no lugar onde vive até hoje. “(...) ele morava no

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apartamento aqui do lado, este prédio onde eu moro hoje é o lugar onde foi minha referência de Rio de Janeiro quando eu cheguei aqui!! Forte né? (suspiro)”

Sobre o negócio no Rio Grande do Sul, conta que depois de muitas idas e vindas, sem sua participação ativa veio a falir. Algo que ao contrário do que se pensa, mesmo que tenha deixado J. sem as condições econômicas as quais era acostumada, a deixou de alguma forma livre. J. viveria o que há tempos queria viver. Tornar-se-ia estudante-de- teatro na Universidade. J. sabe que escolher uma coisa é também abrir mão de outra e ter consciência disto torna a perda algo “bom” fruto de uma escolha sua, à propósito de um projeto de vida.

“De um negócio que era uma ótima coisa, acabou... Enfim... Se desfez e aí foi muito bom, quer dizer, foi muito bom não (risos) foi triste teve uma coisa positiva nisso que ai, quando eu vim pro Rio eu comecei a viver a vida que eu queria viver! Ai eu fui fazer a faculdade de teatro que eu tanto quis fazer e que eu não tinha como fazer quando eu tinha 18 ai eu fiz o vestibular, tudo direitinho, passei na Federal, entrei na Unirio que é uma das melhores escolas de teatro que tem no Rio, fiz a escola 4 anos e aí era isso, ai eu já não tinha mais 18 anos, entende? Ai

eu já tinha 28 já era outra cabeça e aí eu já tinha meu carro, eu já tinha, é, não é que eu tivesse dinheiro, mas eu já tinha uma posição mais confortável um pouco, a academia ainda me rendia um pouco e dava pra me manter então podia estudar de dia né, ai eu ia pra escola, sabe? Então acho que vivi tardiamente esta fase, mas eu não deixei de viver, essa meu período de estudante eu tive e isso foi muito legal, eu vive, dessa coisa que eu quis viver e claro, produzindo, trabalhando e tal, na hora do intervalo, eu me lembro assim, eu pegava o orelhão, ainda tinha assim ficha né, eu ia pro orelhão trabalhar, fazer contatos, produzir é, fazer coisas também porque eu tinha que me manter né. Aí eu comecei a fazer produção de show, música, eventos, eu fazia muita coisa assim.”

Desponta da necessidade econômica a produtora. J. justifica que no seu caso, a necessidade econômica não a abalava, ao contrário.

“Mas aí a coisa era essa, assim. A felicidade de estar fazendo aquela coisa que eu queria sabe, é tão legal, isso é realmente não tem preço, você fazer aquilo que você quer fazer, que você gosta de fazer. Aí foi um período maravilhoso que eu vivi, assim, dura (ênfase) a diferença né, de padrão de vida era absurda, porque lá

já tava num padrão de vida super legal, aqui pegava ônibus, coisa que não fazia mais, pegava ônibus, contava dinheiro, se dava pra comer na universidade ou não, essa coisa de estudante, só que eu vivi isso numa fase onde eu já tinha vivido outra coisa antes então foi bem estranho assim, mas tudo eu achava divertido, eu achava novo, foi um período muito legal, esses quatro anos.”

“(...) me formei já com 32 (...), mas isso eu já comecei a trabalhar antes com teatro, fiz espetáculos por aqui, fiz televisão, é fiz muitas coisa como atriz, mas também, entendi logo, talvez por essa coisa, isso, engraçado, a gente vai falando e

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vai pensando também, agora, pensando aqui junto, talvez até por isso, porque eu nunca tive esse temperamento de ficar pedindo (fala pausadamente) eu detesto pedir as coisas pra alguém, detesto ter que ficar correndo atrás, me humilhando pra alguma coisa (...) né esse caminho que o ator tem que seguir as vezes sabe, de ficar ali numa fila, fazendo testes, pedindo pelo amor de deus por uma vaguinha, tendo que usar mecanismos de sedução (...) isso nunca rolou comigo, eu nunca tive estômago pra isso, eu nunca consegui entrar nesse esquema, não tinha como, não

dava!”

Da J. produtora, à vontade de ser atriz de cinema, perpassando um momento difícil na política brasileira;

“Aí depois é, (...) e continuei atuando e aí o cinema, é sempre foi muito, eu sempre gostei muito, sempre gostei muito de cinema e eu me via mais no cinema

engraçado, tinha vontade de ser atriz de cinema! E olha como as coisas são eu cheguei em 91 e em 92 acabou o ministério da cultura, que foram os anos duros do governo Collor, (...) em 91 ele acabou com o ministério da cultura com a Câmara filme, acabou com tudo, não tinha mais produção de cinema no Brasil e foi justo na época que cheguei é, e depois começou a retomar.”

Devido ao momento que o cinema se encontrava, uma saída para ainda estar próxima deste foi trabalhar na distribuição de filmes. J., depois passa para a produção e se identifica “(...) comecei a mudar um pouco o meu pensamento, ao invés de ser a atriz do filme comecei a pensar em fazer um filme.”

J. produtora pensava em fazer um filme, mas este não seria um filme qualquer,