B- Performans Bilgileri
4- Performans Sonuçlarının Değerlendirilmesi
Avaliar é um procedimento que todos utilizam com frequência no cotidiano, seja ao analisar se um programa televisivo está ou não na faixa etária adequada, ao escolher uma roupa, ao apreciar um livro ou um filme, ao verificar o tempo na tentativa de saber se vai chover ou não, entre outros. Portanto, no ato de avaliar se examina as vantagens e os inconvenientes para, de algum modo, fazer o que se considera correto (FRAGA, 2001; HOFFMANN, 2005; BORDÓN, 2006; BARLOW, 2006).
Mas é na educação, segundo Días Sobrinho (2003), que a avaliação encontra espaço
de destaque, “não só como prática política e pedagógica, produzindo efeitos dentro e fora do
âmbito propriamente educacional, mas também como importante campo de estudo” (p.15). Acrescentamos que é nesse âmbito educacional que o termo avaliação ganha conotações variadas, como por exemplo: avaliar é testar, é sinônimo de prova, é algo subjetivo, é algo injusto, é autoritário, é incômodo, é ideológico, é excludente, etc (HOFFMAN, 2005). Estando, assim, a concepção de avaliar facilmente associada a algo ruim dentro do processo educativo.
Para Luckesi (2005), a construção negativa em torno do conceito de avaliação justifica-se pelo exercício pedagógico da escola ainda estar voltado para uma prática do
exame, em vez de entendê-lo como uma etapa importante e essencial do ensino e aprendizagem41. Essa realidade acaba servindo para “propósitos de controle, fiscalização, seleção, hierarquização e exclusão” (DÍAS SOBRINHO, 2003, p.49). Em outras palavras, existindo envolta nessa construção uma ênfase à promoção de indivíduos; uma atenção às provas como instrumento de ameaça e/ou tortura; os pais entendendo que é preciso ter nota boa para ser aprovado; a própria escola centrando-se nos resultados de provas e de exames; além do sistema social como um todo estar atento a esses resultados finais (LUCKESI, 2005).
Bloom (1983) ressalta que essas características de se centrar apenas no resultado de exames ou em algum outro procedimento de avaliação transformam o significado do ato de avaliar. Desta forma, por intermédio dos resultados acabará efetuando-se “decisões críticas e muitas vezes irreversíveis a respeito do valor de cada aluno e de seu futuro no sistema
educacional” (p.7).
Para Días Sobrinho (2003, p.159) a compreensão da avaliação tomada dessa forma é tida como um fim em si mesma, já que ela:
[...] é considerada a finalidade da aprendizagem, levando o aluno a só estudar para as provas e forçando os professores a adotarem um currículo que pouco a pouco vai sendo induzido pela tradição dos testes. Se isso ocorre, a avaliação é apenas controle ou sanção, não oferecendo ideias para melhoria pedagógica, perdendo sua capacidade de identificar e desenvolver as potencialidades educativas de estudantes e professores.
Como vemos, existem interpretações variadas sobre o conceito de avaliação. Essas acabam refletindo a sua importância para a educação como um todo, visto que quanto mais se repensa o conceito, mais ele se revela polêmico. Hoffman (2005), assim como Luckesi (2005) e Moretto (2010), enfatiza que a definição posta e centrada apenas nos resultados é uma realidade distorcida da verdadeira finalidade do ato avaliativo.
41Luckesi (2005, p.17) afirma que essa pedagogia do exame tem como maior exemplo a prática de ensino no próprio ensino médio “em que todas as atividades docentes e discentes estão voltadas para um treinamento de „resolver provas‟, tendo em vista a preparação para o vestibular, como porta (socialmente apertada) de entrada para a Universidade”. Essas provas são adaptadas de acordo com o conteúdo solicitado nesses exames, sem associar as particularidades de cada sala, de cada grupo de indivíduos, da formação de cidadania de cada aluno. Ponto também criticado e relativizado pelos documentos governamentais posteriores a LDBEN 9.394/96.
Podemos entender que muitas dessas definições possuem origem nas ações e nas intervenções tomadas ao longo dos anos. Por isso, se abordarmos em uma perspectiva histórica a avaliação, a compreenderemos que antes do século XIX se tinha como um dos objetivos proporcionar instrumentos/meios para que o professor pudesse rever a sua prática de ensino e assim melhorá-la, estando a ênfase no diagnóstico das práticas docentes (DÍAZ BARRIGA, 2000 apud LABELLA-SÁNCHEZ, 2007).
Posteriormente, no século XIX, os objetivos da avaliação modificaram-se para impulsionar e melhorar o desempenho do aluno por meio do exame, estando o escopo nos resultados dos alunos.
A partir do século XX, um novo olhar é proposto, pois o sentido dado à palavra avaliação é questionado em sua totalidade. Busca-se rever os instrumentos que dela favorecem e fazem perpetuar uma concepção de sociedade meritocrática42, comungando com outros aspectos educacionais que não podem ser vislumbrados por meio do exame prioritariamente conteudístico, como: raciocínio crítico, motivação, crenças, aspectos humanísticos, aspectos afetivos, entre outros.
Bloom (1983) apresenta vários conceitos de avaliação e dessa forma a concebe como um procedimento mais amplo em relação aos resultados finais do ensino e aprendizagem:
1. A avaliação é um método de coleta e de processamento dos dados necessários à melhoria da aprendizagem e do ensino.
2. A avaliação inclui uma grande variedade de dados, superior ao rotineiro exame escrito formal.
3. A avaliação auxilia no esclarecimento das metas e objetivos educacionais importantes e consiste num processo de determinação da medida em que o desenvolvimento do aluno está se processando da maneira desejada.
4. A avaliação é um sistema de controle de qualidade pelo qual se pode determinar, a cada passo do processo ensino-aprendizagem, se este está sendo eficaz ou não. E caso não o esteja, que mudanças devem ser feitas a fim de assegurar sua eficácia antes que seja tarde demais. (Idem, 1983, p. 8).
Concluímos, então, que no ato de avaliar busca-se captar maiores informações sobre a realidade da aprendizagem para que se possam estabelecer melhores formas de atingir
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Sociedade meritocrática essa que valoriza os melhores em detrimento daqueles que não conseguem se sair bem nas provas.
resultados mais adequados ao contexto de ensino e aprendizagem. A avaliação não se reduz somente ao fato da aplicação de provas, mas revela um olhar atento a dinâmica da sala de aula. Como cita Bloom (Idem, 1983) “avaliação, a nosso ver, é a coleta sistemática de dados a fim de verificar se de fato certas mudanças estão ocorrendo com o aprendiz, bem como
verificar a quantidade ou grau de mudança ocorrido em cada aluno” (p.9).
Ressaltamos ainda que a avaliação dentro do sistema educacional pode ser feita de acordo com os objetivos traçados por parte de quem avalia. Desta forma Scriven (1967) e Popham (1983) distinguem a avaliação somativa ou acumulativa da formativa ou processual.
Nesse sentido, na avaliação somativa ou acumulativa, tem-se como objetivos averiguar os conhecimentos ou até mesmo o nível do aluno/candidato com relação a finalidades anteriormente preestabelecidas. Verificam-se os conhecimentos apreendidos, e enfatiza-se o produto do processo de ensino e aprendizagem (HOFFMANN, 2005; BORDÓN, 2004). Segundo Eres Fernández e Baptista (2010), esta avaliação é pontual, realiza-se ao final de um curso ou de uma determinada atividade43.
Quanto à avaliação formativa ou processual, pode-se entendê-la como um processo de formação e de reflexão do trabalho feito e aprendido em sala de aula de forma conjunta entre professores e alunos. Propõem-se buscar informações que tenham como finalidade o aluno
corrigir “as falhas detectadas, supera[ar] as dificuldades e [que esse] consiga alcançar ou desenvolver habilidades necessárias segundo os níveis estabelecidos” (ERES FÉRNANDEZ;
BAPTISTA, 2010, p. 10)44.
Acrescentamos ainda uma terceira forma de avaliação, a avaliação diagnóstica ou inicial (BORDÓN, 2004; ERES FÉRNANDEZ; BAPTISTA, 2010). Esta cabe ao professor traçar um levantamento inicial dos conhecimentos já adquiridos dos alunos, no sentido de que os resultados possam auxiliar o docente nas escolhas didáticas e na escolha do conteúdo a ser trabalhado, tendo em vista melhorar o processo de aprendizagem. O docente pode obter esses dados por meio de uma conversa, de um exercício, de uma prova, tendo assim uma avaliação diagnóstica sem a necessidade de agregar uma nota.
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Acrescentamos que é esse tipo de avaliação que é realizada em provas de vestibular.
44Tradução livre nossa: “[...] los fallos detectados, supere las dificultades y logre alcanzar o desarrollar las habilidades necesarias según los niveles establecidos” (FERNÁNDEZ, BAPTISTA, 2010, p.10).
Assim sendo, depois de esclarecido o termo avaliação, diferenciamos os procedimentos de medir, testar e avaliar (BLOOM, 1983; FRAGA, 2001; MEDEIROS, 1975; LUCKESI, 2005). Estes, por muitas vezes, são considerados como sinônimos e chegam, segundo Días Sobrinho (2003, p.15), a definir a própria avaliação, por se encontrarem tão inerente aos conceitos de seleção, medida e classificação umas as outras.
O primeiro deles (medir) pode ser usado para descrever ou determinar a quantidade de algo pré-estabelecido (exemplo: 1 kg tem a representação de massa para qualquer indivíduo); testar significa averiguar o desempenho do estudante por meio de situações já pré-fixadas (exemplo: provas e exames); e avaliar é estabelecer valores, ou melhor, é dar significado a esses valores, como já expomos.
De acordo com Medeiros (1975) o homem já possui tão logo no início da vida a necessidade de medir, estando às primeiras unidades de comparação no próprio corpo (o palmo, o pé, a polegada, entre outros). Porém ao passar dos anos, ele (o homem) tratou de
aperfeiçoar o processo, “criando instrumentos especiais de mensuração” (Idem, 1975, p.1) para atingir os seus objetivos: régua, relógio, balança, seriam alguns exemplos. Na área educacional não seria diferente, pois o docente, como já abordamos, deve procurar em todo o processo de ensino e aprendizagem verificar modificações no comportamento, nas ações dos educandos que demonstrem que de fato o conhecimento esteja sendo alcançado.
Enfatizamos, portanto, o que Medeiros (Idem, 1975, p.2) assinala como oportuno:
“[...]a origem da palavra verificar – tornar verdadeiro, confirmar se é verdade – reflete bem
esta maneira de encarar a medida, como parte essencial do processo educativo”. Daí, para
verificar os resultados dos processos, que podem ser feitos por meio de testes ou observações, é que há uma correlação com a observação sistemática por meio de notas, ou seja, a todo esse conjunto de ações é o que consideramos avaliação.
A opinião de quem mede entra apenas no momento de: escolher a característica a medir; conceituar esta característica; escolher o instrumento de mensuração; e resolver a forma de aplicar tal instrumento. Avaliar, entretanto, é processo muito mais amplo, que exige uma apreciação pessoal, pela comparação entre o observado – e numericamente descrito – e uma escala subjetiva de valores, arrumados por importância crescente – ou seja, pelo que valem para quem julga. É mais uma tomada de posição (Idem, 1975, p.6).
Dessa forma, faz-se importante também distinguirmos o termo avaliação de um de seus instrumentos, ou seja, as provas. Haja vista este ser somente uma forma de obter dados do conhecimento adquirido em sala por parte do aluno.
Como notamos, as provas são uma das possibilidades dentre os diversos instrumentos avaliativos (observação, tarefas, apresentações de trabalho escrito ou oral, etc.) pelos quais se averiguam os desempenhos dos alunos. Cabendo ao ato de avaliar o procedimento da significação, dos valores dados aos resultados provenientes de um dado instrumento específico (BLOOM, 1983; LUCKESI, 2005; HOFFMANN, 2005; BORDÓN, 2006; BARLOW, 2006; FÉRNANDEZ; BAPTISTA, 2010).
Por sua vez, os exames/provas são considerados excelentes instrumentos de medida, pois ao estabelecer parâmetros/objetivos do que se propõe verificar, estes nos proporcionam informações suficientes e relevantes em um espaço curto de tempo, podendo seus dados ser quantificados e computados. Mas para que esses resultados possam ser aceitos, Bordón (2006) e Scaramucci (2009) nos lembram que os exames devem ser válidos, precisos e confiáveis. Válido no sentido de medir o que realmente se pretende, preciso em medir de forma coerente e estável o que se propõe, e confiável ao não possuir margens para outras interpretações ou fraudes.
Logo, para Moretto (2010), “a avaliação da aprendizagem é um momento privilegiado
de estudo, e não um acerto de contas” (p.119). O momento específico, que é a prova, pode
ressignificar todo o processo de aprender. Caso esta seja tomada como algo ruim ou de atraso pedagógico é porque há distorções desse objeto no âmbito educacional, como observamos nas palavras de Luckesi (2005) e Días Sobrinho (2003).
Notamos que o intuito deve ser transformar o instrumento, aliando-o a novas perspectivas de construção de significado e associando como elemento positivo na avaliação45. É importante exprimir outras conotações ao instrumento avaliativo, tendo em
45 Uma sugestão dada por nós é integrar os pressupostos de uma teoria social e construtiva do conhecimento, entendo o processo de ensino e aprendizagem de forma contextualizada e significativa, podendo relacionar também a abordagem do letramento crítico (conforme exposto na subseção anterior).
vista que a finalidade, tanto no ensino como na avaliação, é o de oportunizar ou criar condições para o desenvolvimento das competências46 do aluno (MORETTO, 2010, p.124).
Diante do exposto, propomos que para confecção de um bom instrumento avaliativo devemos ter associado sempre um caráter ético, válido e confiável, pautando-se por uma concepção de língua, de ensino, de sujeito que a oriente e que a sustente. Além de ter bem claro outras orientações que legitimam o exame dentro de qualquer finalidade educativa, como: por que avaliar? O que avaliar? Como avaliar? Onde avaliar? Quem avaliar? (BORDÓN, 2004).
Refletindo mais especificamente sobre o nosso contexto de análise, adentramos, no próximo tópico, justamente na discussão sobre as características de um concurso como o vestibular. Esses que possuem desde sua configuração um forte impacto nas práticas educativas, moldando e influenciando currículos (LUCKESI, 2005; DÍAS SOBRINHO, 2003).