O levantamento ambiental que buscou caracterizar os recursos naturais (clima, geologia, geomorfologia, solos, vegetação, hidrografia) existentes na área de estudo, tomaram por base trabalhos como Nôleto (2007), Projeto RADAMBRASIL (1981), Andrade (2006), Nascimento (2007) e SHR (2009).
A partir desses dados foi realizado um mapa de uso e ocupação do solo, confeccionado com as mesmas bases cartográficas da confecção do mapa de localização, para a classificação automática da Imagem de Satélite aplicou-se as bandas 2, 3, 5 e 7, usando os programas Idrisi, versão 3.22 e CartaLinx 1.0.
O levantamento de aspectos socioeconômicos apanhou características da população e as atividades econômicas desenvolvidas na área, utilizando-se de referencias bibliográficas, dados quantitativos levantados através de questionários (Anexo 02) que posteriormente foram codificados e tratados no programa SPSS, os quais serviram de fundamento para esclarecer também algumas questões relacionadas às atividades de degradação decorrente da ação humana no local, ressaltando que não foi utilizado amostragem, visto que os questionários foram aplicados em mais de 80% das famílias presentes na região.
Com relação às entrevistas pessoais, Marconi & Lakatos (2003) destacam que tal técnica permite ao pesquisador averiguar fatos atuais ou passados, além de levantar opiniões e sentimentos dos entrevistados acerca de um determinado assunto.
Para coleta das informações sobre o processo de ocupação foram utilizados os dados dos questionários e entrevistas. Devido à deficiência de dados oficiais que mostre corretamente o histórico de ocupação da área, as informações obtidas serviram como complementação fundamental aos dados fornecidos pelos órgãos municipais e deram base à pesquisa de campo.
Através das conversas informais com os moradores da área foi possível observar que as reações, percepções e respostas dos indivíduos são divergentes, principalmente em situações ligadas ao cotidiano. Isso ocorre porque são resultados dos julgamentos e expectativas de cada pessoa e modificam suas atitudes mesmo quando pautadas em noções presentes no inconsciente.
Segundo Heinstra (1978), entre as classes sociais menos favorecidas que estão submetidas diariamente a baixa qualidade de vida quando são afetadas desde a problemática do sucateamento dos serviços de saúde até a pouca e má disponibilidade dos serviços urbanos, as manifestações da insatisfação quanto às condições de vida vão desde a completa indiferença e ignorância com relação às questões ambientais até as condutas agressivas e depredatórias com equipamentos públicos ou mesmo particulares.
Essas entrevistas também se referiram, principalmente, às alterações na paisagem notadas pelos moradores mais antigos (desmatamento, poluição dos corpos d’água, redução de espécies nativas) que reforçaram os dados coletados em visitas a campo sobre esses aspectos. Além do tipo de uso da água e do solo, as condições de moradia (tamanho do imóvel, saneamento básico, fossa, energia elétrica e etc.) e que tipo de atividades os moradores exercem na área como pesca, agricultura, pecuária, caça ou extração vegetal.
De acordo com Stukel (1990), no meio rural o risco de episódios de surtos de doenças de veiculação hídrica é elevado, em razão, principalmente, da facilidade de contaminação microbiológica de águas utilizadas para consumo humano que, invariavelmente, são captadas em reservatórios e poços artesianos que são manejados inadequadamente e, principalmente, pela proximidade desses recursos hídricos de fontes de contaminação, como fossas, esgotos, currais e áreas de pastagem.
Em razão disso, associado às características sociais, ambientais e econômicas da área, optou-se por dar especial atenção à questão da qualidade da água, bem como seus usos e a contribuição do reservatório na melhoria da qualidade de vida dos moradores do local. Optou-se por averiguar as alterações ocorridas na dinâmica socioeconômica da comunidade, bem como a qualidade ambiental do local após a construção do açude do Arribita.
3.3.4.1 LEVANTAMENTO DA QUALIDADE DA ÁGUA NA MICROBRACIA DO ARRIBITA
Para a avaliação da qualidade da água consumida pelas comunidades presentes na Microbacia do Açude do Arribita foram realizadas coletas de água em pontos específicos da área de maneira a analisar os aspectos físico-químicos e microbiológicos bem como sua adequação de acordo com a legislação vigente. Esses estudos serviram para cruzar com os dados obtidos através da população para indicar a qualidade da água, e as condições ambientais do recurso e sua influencia da saúde e qualidade de vida da comunidade.
Foram selecionados quatro pontos para a coleta das amostras de água sendo: O ponto 01, à montante do açude, com coordenadas 3°56’15” S e 40°13’55” O; ponto 02 no reservatório, com coordenadas 3°50’51” S e 40°16’20” O; ponto 03 em residência na circunvizinhança do reservatório com coordenadas 3°50’30” S e 40°16’32” O e ponto 04 com coordenadas 3°50’17” S e 40°17’09” O, à jusante do reservatório. A captação da CAGECE de Forquilha está a aproximadamente 5 metros depois do ponto de amostragem de nº 02.
As amostras foram colhidas em intervalos trimestrais, no período de março a novembro de 2010, sempre nos mesmos pontos e períodos do dia entre 15:00 e 17:00 horas, que totalizaram 04 coletas para cada ponto. As técnicas de amostragem e conservação das amostras seguiram as recomendações da Companhia de Saneamento Ambiental, CETESB (AGUDO 1987). A primeira coleta foi realizada no dia 15 de março de 2010, quando ainda não haviam sido registradas chuvas relevantes na região (FUNCEME, 2010), sendo as análises feitas pelo Laboratório de Engenharia Ambiental
do Centro de Pesquisa e Qualificação Tecnológica do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia- IFCE, em Sobral, Ceará.
As demais coletas foram realizadas nos dias 01 de junho, 10 de setembro e 01 de dezembro, sendo as análises feitas por empresa particular, certificada e credenciada no Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia- CREA e no Conselho Regional de Química- CRQ, em razão de problemas com reagentes no laboratório do IFCE. Todas as análises seguiram a metodologia APHA da Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater-SMEWW (2005), bem como observaram as determinações da Portaria 518/2004 do Ministério da Saúde que preconiza os padrões para adequação de água destinada ao consumo humano (BRASIL, 2004), como demonstra a Tabela 01. Para esse trabalho realizou-se o monitoramento de oito variáveis, sendo: cor aparente, pH, cloretos, dureza total, ferro total, nitrito, nitrato e índices de coliformes termotolerantes (fecais).
Tabela 01. Demonstração dos VMP para os parâmetros avaliados. Fonte: Ministério da
Saúde, 2004. (Portaria 518/04). PARAMETRO
Valor Máximo Permitido- VMP (Ministério da Saúde. Portaria 518/04) Coliformes termotolerantes Ausência em 100 ml
pH Entre 6,0 e 9,5.
Cor aparente Até 15 uH
Dureza total 500 mg/L
Cloretos 250 mg/L
Ferro total 0,3 mg/L
Nitrato 01 mg/L
Nitrito 10 mg/L
Para Toledo e Nicolella (2002), não é possível estabelecer um único indicador de qualidade de água que possa ser utilizado como padrão para qualquer sistema hídrico. Portanto, a combinação de parâmetros variados com diferentes dimensões pode ser convertida em índices que reflitam, conjuntamente, as características do recurso hídrico em uma distribuição amostral no espaço e no tempo (TOLEDO e NICOLELLA, 2002).
Essa combinação de parâmetros vem sendo largamente utilizada em monitoramento de recursos hídricos. Essas variáveis são recomendadas para avaliar a qualidade de águas superficiais de abastecimento (OMS, 1995; SPERLING, 1996).
4. RESULTADOS E DISCUSSÕES