III. FAALİYETLERE İLİŞKİN BİLGİ VE DEĞERLENDİRMELER
2. PERFORMANS BİLGİLERİ
O postulado da proporcionalidade tem aplicação toda vez em que se
tenha que aferir uma relação de causalidade entre um meio e um fim, e sua
aplicação no direito brasileiro cresce sobremaneira no controle dos atos do
Poder Público. Nas palavras de Humberto Ávila:
“Ele se aplica apenas a situações em que há uma relação de causalidade entre dois elementos empiricamente discerníveis, um meio e um fim, de tal sorte que se possa proceder aos três exames fundamentais: o da adequação (o meio promove o fim?), o da necessidade (dentre os meios disponíveis e igualmente adequados para promover o fim, não há outro meio menos restritivo do(s) direito(s) fundamentais afetados?) e o da proporcionalidade em sentido estrito (as vantagens trazidas pela promoção do fim correspondem às desvantagens provocadas pela adoção do meio?).”118
Analisando mais detidamente essa aferição trifásica da relação de causa
e efeito entre um meio e um fim, temos que a adequação exige que a eficácia do meio empregado efetivamente possa promover, ou contribuir para a
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Posteriormente, ao ensejo do julgamento do RE 197.917/SP, Rel. Min. Maurício Corrêa, j. 06.06.2002, DJ 07.05.2004, p. 08, o Plenário do E. STF, interpretando a alínea “a” do inciso IV do art. 29 da CRFB/88, que determina às Câmaras de Vereadores a fixação proporcional do número dos seus integrantes à população do respectivo município, reconheceu a existência de um conceito constitucional de proporcionalidade, que seria a proporcionalidade aritmética, ou seja, a verificada por meio de “regra de três”, considerando que o legislador municipal não poderia utilizar outro critério de proporcionalidade, sob pena de ferir os princípios da razoabilidade e isonomia, e incidir em verdadeiro abuso do poder de legislar.
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promoção do fim buscado. No entanto, existem critérios para aferir essa adequação: o quantitativo (um meio pode promover mais ou menos do que
outro determinado fim); o qualitativo (um meio pode promover melhor,
igualmente, ou pior do que outro, determinado fim); e o probabilístico (um
meio pode (não) promover um fim, provavelmente (não) promove
determinado fim, ou certamente (não) promove tal fim).
Diante disso, pergunta-se: qual nível de adequação pode ser exigido de
um meio escolhido pelo Estado para a promoção de um fim? A resposta natural seria: o meio que mais promove, que promove melhor e que
seguramente promove. No entanto, Humberto Ávila afirma que “a
administração e legislador (sic) têm o dever de escolher um meio que
simplesmente promova o fim”119, e apresenta três razões para essa solução, quais sejam, a impossibilidade de sempre se ter de antemão todas as
informações necessárias para se aferir essas qualidades, o respeito ao
princípio da separação dos poderes ― à vontade objetiva do administrador ou legislador, com toda sua carga de legitimidade decorrente do princípio majoritário, inerente ao Estado Democrático ― e a exigência de racionalidade na interpretação e aplicação das normas, pois a exigência dessa eficácia
máxima do meio não permitiria a ponderação com outras razões que
pudessem justificar a escolha do mesmo.
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Do mesmo modo, uma medida poderá ser adequada levando-se em conta três aspectos: se ela abstratamente promove o fim, ou seja, se a medida
em tese é apta a promover o fim, se geralmente promove o fim, vale dizer, na
maioria dos casos em que foi aplicada ela promoveu o fim, e se ela promove o
fim no momento em que é adotada, ou melhor, se a medida, considerando-se os dados de que o aplicador dispõe no momento de sua implementação,
mostrava-se apta a produzir o fim.
Conclui o renomado jurista:
“Essas considerações levam ao entendimento de que o exame da adequação só redunda na declaração de invalidade da medida adotada pelo Poder Público nos casos em que a incompatibilidade entre o meio e o fim for claramente manifesta. Caso contrário deve prevalecer a opção encontrada pela autoridade competente. Em função disso entende-se por que o Tribunal Constitucional Federal da República Federal da Alemanha refere-se aos controles da evidência (Evidenzkontrole) e da justificabilidade (Vertretbarkeitskontrole). Para preservar a prerrogativa funcional do Poder Executivo e do Poder Legislativo, o Poder Judiciário só opta pela anulação das medidas adotadas pelos outros Poderes (sic) se sua inadequação for evidente e não for, de qualquer modo plausível, justificável. Fora desses casos, a escolha feita pelos outros Poderes (sic) deve ser mantida, em atenção ao princípio da separação dos poderes. Uma mera má projeção, por si só, não leva à invalidade do meio escolhido.”120
Entendemos, no entanto, que o critério de aferição da adequação
encontra-se no caput do art. 37 de nossa Carta da República, no qual
encontramos, entre outros, o princípio da eficiência. O Dicionário Houaiss121 registra duas acepções para esse vocábulo: “que se caracteriza pelo poder de
120
Idem, p. 121.
121
produzir um efeito real” e “capacidade de obter o maior rendimento com o
menor mínimo de desperdício”.
Esse princípio decorre diretamente do princípio republicano, segundo o
qual o poder é exercido em nome do povo e as funções estatais são exercidas para o melhor atendimento do bem comum. Ora, não se pode admitir que o
povo transfira a administração, a gestão de seu patrimônio comum, aos seus
mandatários por meio do voto, sem presumir que quem o administrará o fará
de maneira eficiente, ou seja, “mediante atuação idônea, econômica e
satisfatória na realização de finalidades públicas”122.
Pelo critério da necessidade exige-se que o meio adotado seja, dentre os
possíveis meios de promover-se o fim, aquele que menos interfira, menos afete, menos restrinja, eventuais direitos fundamentais envolvidos. Verifica-
se, assim, que dois são os aspectos considerados: o nível de igualdade de
eficiência dos meios e o nível de restrição operado por ele. Poderão existir,
desse modo, meios mais ou menos adequados, e mais ou menos restritivos, restando somente a técnica da ponderação para aferir-se no caso concreto qual
conjugação dessas características deverá orientar a escolha do meio a ser
utilizado.
Finalmente, temos o critério da proporcionalidade em sentido estrito, a
exigir que as vantagens a serem auferidas pelo fim a ser promovido devem ser
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dignas de justificar a restrição a direitos fundamentais. Em suma: qualquer ato do Poder Público, assim como qualquer atitude humana, fatalmente
provocará, além dos efeitos pretendidos, efeitos colaterais positivos e
negativos, estando dentre os últimos, a lesão a direitos fundamentais, ou seja,
a proporcionalidade em sentido estrito obriga o aplicador e o intérprete a procederem de forma a verificar se as vantagens causadas guardam proporção
com os danos colaterais provocados.
Boa parte da doutrina pátria considera que razoabilidade e proporcionalidade possuem o mesmo significado123, e não é verdade que, em
um sentido muito lato, não se possa chegar a essa conclusão. No entanto,
adotando integralmente as lições do Prof. Humberto Ávila, consideramos que
esses postulados possuem características próprias que os distinguem.
O presente trabalho não tem a pretensão de abordar todas as discussões,
nem analisar todas as nuances de um tema tão rico quanto a análise das
espécies normativas. O único objetivo do presente capítulo foi fixar premissas e relacionar o instrumental com o qual não só se analisarão os princípios
constitucionais da seguridade social, bem como as regras e os princípios
constitucionais e infraconstitucionais, buscando dar-lhes a maior efetividade.
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