Figura 15 – Dinâmica da Espiral Fonte - Wilber, Ken, 2000a
Processo pelo qual, cada pessoa vivencia, conforme seus estágios de vida. A espiral se constrói a partir do centro, para justamente, alicerçar todas as outras.
Os estágios referidos encontram-se no quadro, na página 48, do presente trabalho. Para a outra etapa da oficina, utilizou-se o desenho acima como possibilidade de representa a dinâmica da espiral, para que ao pensar no Espectro que se institui em cada um, cada participante pudesse então, associar com as suas vivências e os estágios profissionais que já viveram e no momento se situam.
As dimensões da Inteireza do Educador poderiam ser analisadas considerando o quadro abaixo, fazendo uso então de palavras significativas, pois durante o processo de todas as oficinas, os co-pesquisadores estarão mediando o seu universo subjetivo, com as experiências da ação docente.
Figura 16 – Dimensões da Inteireza do Educador Fonte - Wilber, Ken, 2000a.
No dia, 15/04/2009, fui percebendo que essa temática era nova para uma maior parte dos educadores, enquanto explicava cada uma das cores, o significado e o próprio nível da dinâmica da espiral, havia uma concentração quase que total. Fizeram vários questionamentos, entre eles:
- Por que a Psicologia agora fala veementemente nas questões espirituais? - Que relação há entre isso tudo e a nossa prática pedagógica?
- Vamos mudar o que?
- Não sabemos o suficiente quem somos?
Para cada uma dessas questões, ficamos em torno de metade da oficina debatendo e procurando criar uma relação com a própria proposta da escola. Aqui, percebe-se o sentimento de pertença novamente, claro que não podemos afirmar que sejam todos, mas a maioria, quando reflete, pensa em si, pensa em como sua ação pedagógica acontece, mas também, procura olhar para a história que construímos na instituição. Inseri um Espectro Total maior no meio da sala, para que todos se sentissem a vontade e pudessem partilhar o seu. O processo da oficina, embora coletivo, vivencial, pressupõe a capacidade do educador em permanecer só, encontrar-se com o seu eu e é visível que para uma boa parte do grupo ( em torno de dez educadores ) é praticamente impossível, pois fazem a proposta rápido, parece-me que forma automática e não dão o tempo necessário aos outros para pensarem sobre o que está sendo proposto, alguns até tiram a atenção daqueles que ainda não concluíram. Enquanto participante, mas tendo o ranço, da coordenação pedagógica, procuro tornar o ambiente o mais tranquilo, não me preocupando efetivamente com o tempo, pois reproduzir e concluir tarefas não eram o objetivo das oficinas, muito pelo contrário, pensar sobre as nossas coisas, para a sociedade que vivemos, é quase um desafio, uma vez que parte, ainda considera a aceleração exacerbada, um meio de vida.
Embora tenha ocorrido essa situação, os demais educadores, continuaram empenhados em pensar sobre a sua forma de vida.
Destaco que há também um discurso uníssono, que reuniões ou momentos de reflexão não servem para nada, que nada se modifica, talvez por termos procurando ao longo destes anos, torná-las diferentes, uma parte significativa do grupo, tem uma percepção de construção coletiva, agrega valor, até porque nestes momentos estamos todos juntos, não há a divisão entre os anos iniciais ou finais, todos convivem em harmonia e a diversidade dos olhares traz uma ação que continuamente pretende ser uma. No entanto, esse tipo de trabalho, não havia sido realizado.
O grupo de pesquisa, que se formou por ocasião da pesquisa do Mestrado em Educação era das áreas da Linguagem e das Ciências Humanas, tinham como propósito compreender como se instauravam os processos reflexivos para uma prática de maior qualidade e foram voluntários, mas não todos de cada área. Aqui temos esse cenário diferenciado no que todos foram convidados e aceitaram participar, claro, que considerando que são trinta e duas vidas, tantas formas diferentes de pensar e se situar, mas que almejam eu acredito, serem felizes, estarem plenos em suas vidas e na dimensão profissional.
Para alguns, falarem sobre as dimensões cultural, social, psicológica, biológica, cognitiva, parecia evidenciar um sentimento de muita tranquilidade, no entanto aqueles que fizeram racionalmente a proposta, não há como interpretar os estágios que se encontram, pois as palavras que foram utilizadas no espectro não traduzem as dimensões que foram explicitadas anteriormente.
Dando continuidade a etapa da oficina, no dia 22/04/2009, fomos para o ginásio de esportes, para fazer a outra etapa da oficina, a Dinâmica dos Olhos Cobertos. Uma parte não achou interessante a ideia de cobrir os olhos, falavam muito, mas cederam e colocaram a faixa nos olhos.
Combinei com eles que estaria olhando para todos e se houvesse algum tipo de perigo, eu iria ao encontro deles. Coloquei uma música bem suave, da Loreena Mckennitt – “All Souls Nigth”, com o intuito de sentirem o ambiente e o que poderiam fazer com os olhos vendados. Quando notei que já conseguiam se harmonizar com a música e o fato de não enxergarem, comecei a encaminhar as propostas:
- Como é estar só, embora haja movimento em torno de cada um? - Como é tocar o outro, esbarrar no outro?
- Como sinto o toque?
- Qual o silêncio que consigo escutar?
- Qual o ritmo que consigo empreender com a música? - Que ruídos chegam até mim?
Solicitei que procurassem andar mais pelo ginásio, pois alguns ficavam por muito tempo em um único lugar. Troquei a música, “The Old Ways” (Loreena Mckennitt ). Após sentirem a mudança da música, novamente comecei a solicitar que fossem mediando os movimentos com as propostas orais:
- Como me sinto em relação a minha vida? - Quais as coisas mais importantes no momento?
- Quais são as maiores preocupações? - Que memórias surgem da minha infância?
- Frases importantes dos meus pais ou pessoas que estiveram junto a mim? - A primeira experiência escolar foi...
- Fazer amizades era...
- Uma grande alegria que está na memória... - Uma tristeza...
- Fui um adolescente....
- As primeiras relações afetivas foram marcadas por... - Pensava em terminar...
- Queria ser...
- Estar na faculdade me fez...
- Viver o dia a dia da escola, tornou-me... - Família envolve...
- As responsabilidades de hoje são... - Sonho com ... - Ser feliz é ... - Ser pleno é ... - Queria superar as .... - A fonte de tudo é ... - Guardo no coração... - Fui um bebê...
Todas essas frases foram sendo encaminhadas, conforme cada um se locomovia pelo espaço. Uns com lentidão, outros com maior desenvoltura, sendo que não era isto o que importava, mas o momento de estar só e pensar sobre a sua trajetória de vida.
Novamente troquei de música, “Paint The Sky With Stars” – Enya e pedi que cada um fosse sentido a música e escolhesse um lugar para sentar-se. Tocou toda a música e ao final dela, lentamente, pedi que fossem retirando as faixas dos olhos. Aguardei que se adaptassem a luz, mas que não conversassem ainda. Entreguei uma folha e pedi que tudo aquilo que eles pensaram ou sentiram, pudessem ser expressos naquela folha utilizando palavras, desenhos, frases ou outra forma.
Quando o grupo concluiu, pedi que se aproximassem de quem estava perto e partilhassem as emoções e as reflexões construídas na vivência. Realizada a partilha, pedi que novamente tomassem a folha e procurassem pensar quais as dimensões de sua vida ainda não estão em equilíbrio e relatar na folha.
Na última etapa da Oficina, no dia 29/04/2009, pedi que todos sentassem na grande roda, que marca a quadra de futsal. Esse seria o espaço de trabalho para essa última etapa desta oficina.
Solicitei que buscassem a caixa com os objetos significativos e mostrassem e explicassem ao grupo quais foram inseridos na caixa e porque estavam lá, tivemos inúmeros objetos, desde fotos, bonecas, carrinhos, livros, cartões, camisetas, flores secas, jogo de botão, roupas de bonecas, chaves, CDs/DVDs, entre outros. Verificando que não havia nenhum igual, pedi que colocassem em uma grande caixa e retomassem a faixa nos olhos.
Coloquei outra música, “ Only If ” – Enya e assim a caixa começou a se movimenta. Toda a vez que a música parava, o educador, deveria rebuscar na caixa, o objeto que escolheu colocar lá. Procurei anotar cada um, para perceber se a pessoa conseguiu localizar mesmo com os olhos cobertos. Os objetos iam sendo retirados na medida em que cada um escolhia aquele que seria supostamente o seu.
Ao final, pedi que retirassem novamente as faixas, alguns demonstraram espanto em ver o que haviam pegado na caixa e considerado como seu, outros ficaram felizes ( quinze educadores ), pois conseguiram localizar o seu objetivo significativo. Aqueles que se equivocaram, trocaram o seu objeto e tornaram a escrever na folha as impressões e intuições da vivência.
VIVÊNCIA DAS OFICINAS
EDUCADOR(A)
PERCEPÇÕES