• Sonuç bulunamadı

2. KAYNAK ARAŞTIRMASI

2.3. Pektin ve Süt Ürünlerinde Kullanımı

Quando é questionado sobre os grandes acontecimentos que marcaram sua vida, que lhe deram uma certa direção e foram determinantes, Leôncio cita o seu casamento em primeiro lugar: “Acho que um acontecimento foi o casamento, principalmente eu que casei com 31 anos, já com 31 anos, o cara pra casar é um acontecimento né envolvente, não deixa de não ser o casamento...” (HV, 12). Para ele “... o casamento é uma coisa que Deus já deixou para isto, a gente tem, é um compromisso da gente...” (HV, 12) e enfoca principalmente que “família é uma responsabilidade e uma coisa boa...” (HV, 12) e passa a comentar que “... a gente pensa que é responsabilidade a mais na vida da gente é ruim, mas não é não, é uma coisa boa...” (HV, 12) e a fazer comparações interessantes: “...é uma coisa que para lhe prender, é como uma rédea no animal né, o cara diz a rédea no animal é ruim, mas não é não, aí é para você seguir, eu acho que é uma coisa que Deus deixou mesmo pra aquilo né Thierry, você só passa a ter muita responsabilidade mesmo quando você, principalmente, quando você tem família...” (HV, 12). Em vários trechos de sua narração, o Leôncio faz prova de um senso analítico bastante desenvolvido e isto também é o caso a respeito do assunto casamento e família. Esclarece primeiro que “...acabei me casando com 31 anos, já

quatro anos, a mais velha já tá no segundo ano (primário)...” (HV, 05). E depois passa a analisar “...e aí é assim, é como tô falando, a vida não é fácil né, mas a gente, dentro das coisas difíceis, a gente querendo né, tendo vontade e saúde né, a gente vence...” (HV, 05). Em outro trecho, sempre a respeito de casamento e de relacionamento, Leôncio comunica sua experiência em forma de análise: “...é como a pessoa depois que casa, né, se você disser não, eu vou casar e vou viver bem mas você não vai relevar certas coisas, você não vive não, você tem que relevar da mulher, tem que relevar dos amigos às vezes né, porque você não vive num grupo de gente cem por cento, às vezes uma pessoa lhe respeita, outras vezes não, mas não é porque uma pessoa não lhe respeita que você vai meter os pés pelas mãos...” (HV, 02). Outra análise interessante do narrador trata dos filhos na vida do casal: “...uma coisa interessante de família também é quando eu morava em São Paulo, meu cunhado dizia um filho na vida de uma pessoa muda completamente e eu ficava pensando mais muda porque homem, não muda nada, e depois que eu tive filho é que eu vejo o tanto que filho muda a cabeça de uma pessoa, filho acho que não sei se é porque é sangue, mas é uma coisa muito importante pra quem, acho que filho na vida de um casal é uma coisa de muita importância...” (HV, 12).

Evocando dificuldades que surgem no relacionamento com a família, Leôncio não esconde que sua participação e o seu envolvimento nos movimentos, que às vezes o leva a se ausentar repetidamente e que ele chama de “... amor também, é paixão, é vontade né, paixão mesmo” (HV, 05) pode suscitar reações questionadoras por parte da companheira e “...às vezes tem que lutar contra a própria família né, hoje até a mulher mesmo às vezes diz “mas, Leôncio vai pra reunião três vezes em tal lugar na semana, você só tem reunião?” e quando você fala em luta você começa a lutar a partir daí, né... (HV, 18). Mas, mais uma vez, o próprio narrador se encarrega de concluir filosoficamente: “...tem que ter uma luta mesmo, porque senão aí que tá, você não tem vitória não...” (HV, 18). Isto, todavia, não parece esgotar a questão e, ao ler a narração, ficamos interrogando-nos a respeito do encaminhamento dado pelo Leôncio às queixas, apenas veladas, da mulher “... às vezes a mulher diz assim ‘você fica só saindo e as coisas ora (?) fazer... e coisa mais...” (HV, 29) ou ainda “...às vezes deixa até de tar comigo para tar com seus amigos...” (HV, 02). Do mesmo jeito que vimos no ponto 2.2 deste capítulo em relação à mãe, observamos que o nosso entrevistado também pouquíssimo fala de sua esposa, a não ser citando algumas

Tampouco as filhas do locutor fazem parte da narração a não ser na menção que faz delas quando apresenta a sua família. Não nos pertence aqui, no âmbito deste trabalho, entrar detalhadamente neste aspecto da vida do narrador e é da nossa obrigação nos restringir estritamente ao texto narrado por ele para não cairmos no rico de tirarmos conclusões precipitadas ou fazermos comentários que não condizem com a realidade. Apenas interrogamo-nos, a fim de ter o rigor sociológico, sobre o que nos parece ser uma sombra, uma espécie de “não dito” na narração. A valorização da família como tal aparece todavia na narração pelo menos duas vezes, mas de maneira geral. O que pode indicar que as ações de Leôncio, em relação ao casamento e à família, são de natureza a transformar um pouco a sociedade machista em que vive. A primeira manifestação disto é quando organiza uma festa na Associação local: “... nós fizemos uma combinança, quando nós terminasse de fazer a Associação e terminasse de aprontar, rebocar, fazer o piso e pôr as portas, quando nós terminasse, que era de mutirão, né,... e aí nós fizemos que quando nós fizesse e terminasse nós chamava e reunia as famílias dos sócios e nós matava um boi e fazia um churrasco...” (HV, 15) e avalia que “...foi muito bom, viu, Thierry, porque logo foi só as famílias, nós fizemos tudo bem organizado, nós preparamos assim até as mesas para as famílias e matamos o boi, preparamos a carne, as mulheres fizeram tudo e, ave Maria, foi o dia inteiro, foi a coisa mais, o povo se entusiasmaram...” (HV, 15 e 16). A segunda ação concreta em relação à valorização da família é o já citado mutirão da Construção da Escola Família Agrícola (já citado no ponto 2.2. deste capítulo) onde ele cita “... os pais de toda a região...” (HV, 16) e da qual “...hoje tem orgulho de dizer, né, a construção foi por mutirão, poucas coisas compradas, não podia fazer, né, mas tá lá...” (HV, 16).

Quando resolve casar “... queria fazer uma casa” (HV, 23), Leôncio planeja as coisas. “Quando o Governo liberou aquele fundo inativo (fundo de garantia ao qual tinha direito), que eu recebi o dinheiro, foi a bolada de dinheiro e aí sim, fiz casa, comprei móveis...” (HV, 23). Reconhece porém que foi bom que “... não me pagaram fundo de garantia, não recebi o fundo de garantia..” (HV, 23) porque “... se eu tivesse trazido o dinheiro do fundo de garantia naquela época já tinha acabado também tudo né, solteiro aqui pelo mundo tinha gasto o dinheiro...” (HV, 23).

Embora haja, como já comentamos anteriormente, em relação ao tema casamento e família, algumas zonas de sombreamento na narração de Leôncio, achamos poder afirmar, a partir de algumas ações concretas expostas acima, que houve autoformação sim porque já no final de seu relato de vida, o narrador confessa que “...a gente chega, eu mesmo, nos meus conhecimentos que cheguei hoje foi o fruto das convivências com as pessoas... das experiências, dos lugares...” (HV, 29) e deixa-nos entrever, com bastante humildade, que novas formas de agir já decorreram destas ações: “ ... talvez muitos frutos não foi mais, é assim mesmo, às vezes, os pouquinho que a gente vai tendo, com suor, com força de vontade a gente vai tendo com muito amor, né...” (HV, 29) e, o que nos parece fundamental em relação à autoformação é o fato de ter adquirido a consciência do caminho percorrido e da necessidade ou possibilidade de enfrentar outras ações: “essas coisas vejo acontecendo assim e eu me sinto até meio realizado né, tenho ainda alguns, tem muitos planos né...” (HV, 29).

Benzer Belgeler