3.6. A RAŞTIRMANIN B ULGULARI
3.6.4. Pazarlama Yetkinliği ve İşletme Performansı Arasındaki İlişkiye Yönelik
Após uma rápida visão do pensamento dos antigos sobre desigualdade econômica chegamos ao iluminismo europeu, no qual está a raiz da discussão atual sobre distribuição de bens. Durante os séculos XVII e XVIII, progressos científicos e políticos propiciaram ao homem sonhar com a eliminação da pobreza. Preocupados com a questão da propriedade privada, do papel do Estado, e se neste se encaixa a tributação com finalidade de redistribuição econômica, grandes filósofos como Hobbes, Rousseau, Locke, Hume e Kant escreveram sobre o tema. Como veremos a seguir, na segunda metade do século XX se intensifica o debate iniciado no Iluminismo sobre justiça na distribuição, liberdade e equidade.
Um dos principais expoentes da discussão sobre desigualdade no Iluminismo foi Rousseau. O autor coloca este como um dos temas centrais, em seu Discurso Sobre a Origem das Desigualdades: “O primeiro que, cercando um terreno, se lembrou de dizer: Isto me pertence, e encontrou criaturas suficientemente simples para o acreditar, foi o verdadeiro fundador da sociedade civil. Que de crimes, de guerras, de assassinatos, que de misérias e de horrores teria poupado ao gênero humano aquele que, desarraigando as estacas ou atulhando o fosso, tivesse gritado aos seus semelhantes: Guardai-vos de escutar este impostor! Estais perdidos se vos esqueceis de que os frutos a todos pertencem e de que a terra não é de ninguém!” (Rousseau, 1971, p. 175). No entanto, suas idéias foram logo contrapostas por outros pensadores da época. Voltaire, ponderando que o esforço do trabalho pode ser
7 “ Take, for example, what may well be the first case for a minimum income, the one uttered by Thomas More’s (1516: 44-5) Raphael: ‘Instead of inflicting these horrible punishments, it would be far more to the point to provide everyone with some means of livelihood, so that nobody’s under the frightful necessity of becoming first a thief and then a corpse.’” (Parijs, 1995, 45s)
recompensado pela propriedade, escreveu “What! He who has planted sown and enclosed some land has no right to the fruit of his effort!... Behold the philosophy of a beggar who would like the rich to be robbed by the poor” (Rousseau, 1984, p.180).
John Locke foi um dos primeiros grandes defensores da propriedade privada, justificada pela adição do trabalho do proprietário: “Though the water running in the fountain be everyone’s, yet who can doubt that in the pitcher it is his only who drew it out? His labour hath taken it out of the hands of Nature where it was common (...) Nor was this appropriation of any parcel of land, by improving it, any prejudice to any other man, since there was still enough, and as good left. So that, in effect, there was never the less left for others because of his enclosure for himself. For he that leaves as much as another can make use of does as good as take nothing at all” (Locke, 1992, p.131s). A defesa da propriedade privada leva à questão da tributação com todo seu entorno político, e Locke se posiciona que o Estado, no caso o rei, só pode instituir tributos com a autorização do parlamento que representa o povo. Não apenas outros pensadores, como Adam Smith, escreveram em defesa da propriedade privada, como, segundo nota em uma edição moderna do livro de Rousseau, o próprio autor na Enciclopédia de Diderot escreveu posteriormente: “It is certain that the right to property is the most sacred of all the rights of citizens and more important in certain respects than liberty itself” e “We must remember here that the basis of the social contract is property, and its first stipulation is that everyone be assured of the peaceful enjoyment of what belongs to him” (Rousseau, 1984, p.180). A defesa enfática da propriedade por Rousseau faz com que o autor expresse toda a intensidade do dilema político entre a tributação e a liberdade dos proprietários cerceada pelo Estado que tributa, ao afirmar que esta é a cruel alternativa entre deixar o Estado perecer ou violar o sagrado direito da propriedade.
Adam Smith também exerceu um importante papel na discussão sobre distribuição neste período. Ele defende uma melhor situação para os menos favorecidos para o bem da sociedade como um todo: “Dever-se-á considerar esta melhoria da situação das camadas mais baixas da sociedade como uma vantagem ou como um inconveniente para a sociedade? A resposta é tão obvia que salta a vista. Os criados, trabalhadores e operários dos diversos tipos representam a maior parte de toda grande sociedade política. Ora, o que faz melhorar a situação da maioria nunca pode ser considerado como um inconveniente para o todo. Nenhuma sociedade pode ser fluorescente e feliz, se a grande maioria de seus membros forem pobres e miseráveis” (Smith, 1996a, p.128s). Mas sua proposta é principalmente de uma melhor distribuição de renda por meio de melhores salários para os trabalhadores, de onde advém a riqueza das nações: “Assim como a remuneração generosa do trabalho é o efeito da
riqueza crescente, da mesma forma é causa do aumento da população. Queixar-se disso equivale a lamentar-se sobre a causa e o efeito necessário da prosperidade máxima da nação” (idem, p. 131) . A partir destas afirmações o autor escocês passa a estudar as causas das desigualdades de remuneração, encontrando-as na própria natureza dos empregos (agradáveis ou desagradáveis, fáceis ou difíceis, o nível de dispêndio e confiança necessários e finalmente a probabilidade de sucesso) e nas oriundas da política, que pode limitar a concorrência em uma atividade e incentivá-la em outra ou criar obstáculos a livre circulação de mão de obra e capital. No entanto, para aumentar a produtividade e a capacidade de participação dos trabalhadores o Estado deve propiciar-lhes educação: “A educação das pessoas comuns talvez exija, em uma sociedade civilizada e comercial, mais atenção por parte do Estado” (Smith, 1996b, p.245), que deveria ensinar no mínimo a ler, escrever e o básico de geometria e mecânica. Desta forma, os trabalhadores poderiam auferir melhores salários, melhorando sua condição de vida e a sociedade como um todo. Reconhecendo a maior responsabilidade dos ricos para com a sociedade, Smith também propõe uma maior tributação destes na locação imobiliária e nos pedágios das estradas, o que poderia diminuir o pedágio dos que transportam alimentos, e conseqüente o preço destes produtos (idem, p. 199s). Assim o autor, um dos pilares do liberalismo, propõe a redução da desigualdade por meio do mercado, respeitando a “avareza e ambição dos ricos” interessados em manter seus privilégios, e realçando a importância do Estado para manter a ordem instituída: “Esta desigualdade de fortuna dá, portanto, certa relevância àquele governo civil indispensavelmente necessário para a preservação da própria sociedade. ( ) O governo civil, na medida em que é instituído para garantir a propriedade, de fato o é para a defesa dos ricos contra os pobres, ou daqueles que têm alguma propriedade contra os que não possuem propriedade alguma” (idem, p. 191s).
Hoje, capitalismo e socialismo poderiam ser contrastados pela questão de quem detém a propriedade dos bens e dos meios de produção. No capitalismo, a propriedade pertence a pessoas físicas ou jurídicas. No socialismo, a propriedade pertence ao Estado, seja no nível nacional ou local, e a administração é feita pelos representantes do povo. Praticamente todas as sociedades hoje admitem a propriedade pública e a privada, e diferença está na composição da economia dividida entre estes dois bens. A discussão em relação à justiça distributiva é quanto o Estado pode se apropriar do bem privado para distribuir entre seus cidadãos, quanto esta distribuição pode privilegiar determinados grupos, e quanto grupos privados podem se defender de serem afetados pelo Estado em relação a suas decisões econômicas. Assim, o debate iniciado no Iluminismo orienta toda a discussão posterior sobre desigualdade, e na segunda metade do século XX se intensifica este debate. Conceitos como
utilitarianismo e liberalismo são ampliados, novas idéias de contratos sociais são propostas, e novas correntes surgem, debatendo equidade e liberdade. Segundo Kolm (1996, p. 5), uma teoria de justiça nada mais é do que racionalidade aplicada à questão de justiça, e justiça será o resultado da aplicação desta teoria. Vamos fazer uma breve revisão das idéias destas novas correntes.
3.3 Utilitarianismo
O utilitarianismo clássico tem raízes no século XIX, com pensadores como John Stuart Mill e Jeremy Bentham entre outros. Bentham propôs um dos primeiros programas de bem- estar (welfare) na Inglaterra, enquanto John Stuart Mill defendia os programas governamentais para ajudar os pobres. Estas raízes geraram diversos ramos com diferentes tendências, mas respeitando uma base de análise de custo-benefício para se alcançar o máximo de felicidade para o maior número possível de pessoas. Durante os séculos XIX e XX os utilitarianistas se dividiram entre os que propunham o socialismo como a melhor forma de atingir este propósito, e os que defendiam a livre economia de mercado. Como existem muitos livros escritos sobre o tema, a intenção aqui é apenas expor alguns conceitos que serão usados posteriormente. Conforme John Stuart Mill (1979) o correto é escolher o que traz o bem maior, ou maior utilidade: “ ‘Utility’ or the ‘greatest happiness principle’ holds that actions are right in proportion as they tend to promote happiness; wrong as they tend to produce the reverse of happiness. By happiness is intended pleasure or the absence of pain.” A função do governo é maximizar a soma das utilidades, i.e., prazeres menos sofrimentos, de cada indivíduo para que a sociedade atinja a máxima felicidade. Entre as diversas críticas na literatura, destaca-se a falta de uma definição mais consistente de felicidade, e o que ela significa para a sociedade como um todo, e o fato da justiça ser definida pelo fim a ser alcançado, fazendo com que o bem final seja superior ao que é certo, o que violaria o conceito de justiça. Pode o bem maior aceitar o linchamento de um suposto criminoso para satisfazer uma multidão indignada com o crime?
O principal problema teórico seria valorar a função utilidade de cada indivíduo, para se efetuar a soma proposta. Esta função pode ser entendida em termos ordinais, i.e., podemos colocar as situações em ordem de preferência, pois o indivíduo reconhece que uma situação é preferida em relação à outra. Entretanto, esta função não pode ser entendida em termos cardinais, pois não é possível valorar cada circunstância, i.e., atribuir um valor para cada situação, para cada indivíduo. Kolm (1996, p.406) nota que o utilitarianismo no sentido
estrito, no qual se deve valorar felicidade, moral e problemas sociais, não tem sentido. No entanto, ao se ampliar o sentido de utilidade, ou aplicá-lo a casos específicos, é possível se valorar a utilidade e buscar sua soma, o que vem sendo feito pela teoria econômica. O autor chama estas teorias de utilitarianismo metafórico, ou utilitarimorfismo (utilitaromorphisms), realçando que na segunda metade do século XX se desenvolveram pelo menos dez teorias utilitarimorfistas.
Uma delas, a teoria do bem-estar social (social welfare), propõe o uso da função welfare substituindo a utilidade. Se expresso como utilidade, o welfare padeceria dos mesmos problemas de valoração. No entanto, se welfare for expresso como renda, isto permitiria sua expressão cardinal e operações matemáticas. Mas bem-estar ou felicidade dependem da renda e de outras variáveis ligadas às necessidades do indivíduo, como saúde, liberdade, segurança e outros diferentes aspectos pessoais e sociais que compõem a qualidade de vida. Certamente dois indivíduos com a mesma renda não terão obrigatoriamente a mesma quantidade de bem- estar, mas é mais fácil quantificar renda do que os demais aspectos pessoais que compõe o bem-estar. Neste caso, uma política de maximização do welfare passa a ser uma política de maximização da renda nacional e um critério de eficiência da economia. Os teoremas fundamentais do welfare econômico dizem que todo equilíbrio competitivo é um ótimo de Pareto, e que um ótimo de Pareto pode ser alcançado como um equilíbrio competitivo após uma apropriada distribuição inicial de recursos, e ao posterior estado desta distribuição. No entanto Pareto ao definir a condição ótima estava preocupado com eficiência da economia, e não com distribuição de recursos. Conforme afirma Pareto (1971): "We will say that the members of a collectivity enjoy maximium ophelimity in a certain position when it is impossible to find a way of moving from that position very slightly in such a manner that the ophelimity enjoyed by each of the individuals of that collectivity increases or decreases. That is to say, any small displacement in departing from that position necessarily has the effect of increasing the ophelimity which certain individuals enjoy, and decreasing that which others enjoy, of being agreeable to some, and disagreeable to others." Nesta definição o conceito de satisfação econômica de Pareto, ophelimity, está intimamente ligado ao de utilidade. A situação em que ninguém pode melhorar sua posição sem piorar a de outro membro da sociedade traz o máximo de eficiência àquela sociedade, mas não está relacionada com questões de distribuição. A soma da função welfare será maximizada por um critério de eficiência, sem se preocupar com a relação entre as parcelas da soma.
O utilitarianismo traz, portanto, uma dose de individualismo, ao considerar a felicidade de cada um, e coletivismo ao considerar sua soma. No entanto, ao considerar a
soma total é necessário não se esquecer de como as parcelas estão distribuídas, pois se deve analisar se é mais justo um valor maior mal distribuído, ou uma distribuição mais equilibrada de um total menor. É considerada uma teoria justa, enquanto cada indivíduo entra nesta soma com peso igual. Mill (1979, p. 54/57) descreve as situações de injustiça que devem ser evitadas na busca do bem maior, como respeitar os direitos morais e legais de cada um, evitar favoritismos, ou tratar as pessoas de forma desigual. A justiça tem a utilidade de preservar a segurança e os direitos de cada um, e é mais uma parcela na somatória proposta. O problema está quando há oposição entre o bem maior e a liberdade individual, e a possibilidade de alguns serem prejudicados para um maior beneficio de outros e o crescimento da soma total de felicidade.
Embora suas falhas, o utilitarianismo clássico estabeleceu dois pilares sobre os quais se erigiram outras teorias de justiça distributiva, inclusive a de Rawls que veremos posteriormente. Primeiro, ele reconhece a importância da felicidade e do bem geral como parte da justiça distributiva. Segundo, o utilitarianismo provê um método concreto para tomar decisões, no qual estes elementos devem sempre ser considerados. Este ponto deve embasar a tomada de decisões na formulação de políticas públicas.
As duas linhas seguintes que iremos discutir diferem quanto à relação entre o bem- estar geral e a liberdade do cidadão. A primeira, o Marxismo, prioriza o coletivo em relação ao indivíduo. A segunda, o Libertarianismo, já não coloca o bem-estar geral acima de tudo, e, preocupada com os regimes totalitaristas de direita e esquerda que surgiram no início do século 20, provindos de teorias desenvolvidas no século anterior, coloca como o bem maior a liberdade do indivíduo.
3.4 Marxismo
Dentre as teorias de distribuição, certamente a mais conhecida e debatida é a de Karl Marx. Existem muitos livros escritos sobre o assunto, e nosso objetivo aqui é dar uma visão geral do tema, devido sua importância. O motto adotado por Marx é que cada um deve contribuir conforme sua capacidade e receber conforme sua necessidade. Este ideal não é possível em uma economia capitalista, por que sua base é a exploração da classe trabalhadora, e para tanto é necessário constituir uma sociedade comunista.
A base da teoria de exploração é que o trabalhador quando produz recebe só uma parte do valor que ele acrescenta ao produto, o restante é apropriado pelo proprietário dos meios de produção. Por meio das idéias de valor do trabalho, provindas de Adam Smith e David
Ricardo, Marx demonstra em seu livro “O Capital”, no qual ele analisa o capitalismo, que o trabalhador recebe apenas parte do valor que ele cria. O valor das horas pelo qual ele não é remunerado passa a integrar o lucro do capitalista. Como os trabalhadores não detêm os meios de produção, nem terra, nem capital, sua única opção é vender sua mão de obra para sobreviver, e neste processo ele é explorado. Para Marx, a relação entre patrão-empregado no capitalismo não altera para o trabalhador o vínculo que havia entre o senhor feudal e o camponês.
Todos os pensadores do Iluminismo, conforme vimos, concordavam que o fruto do trabalho deve pertencer a quem o exerceu. Esta é a argumentação de John Locke na defesa da propriedade privada. Adam Smith afirma: “The produce of labour constitutes the natural recompense or wages of labour” (Smith, 1996a). Marx demonstra matematicamente que o valor acrescido pelo trabalhador ao produto é superior ao valor do salário recebido. Portanto, o trabalhador não está recebendo o que ele produz, rompendo com um principio básico da justiça distributiva. No entanto, Marx não aceita que o trabalhador seja compensado desta perda por meio de uma distribuição de renda ou de consumo, ele requer uma completa distribuição dos meios de produção, i.e., antes da renda ou dos bens de consumo, devem ser redistribuídos os bens de produção. A dúvida é se a distribuição dos meios de produção por meio da luta de classes e ação coletiva leva a distribuição dos bens de consumo e do bem- estar. O próprio balanço de poder da sociedade é determinado pela distribuição dos fatores de produção e não dos bens de consumo, e a distribuição dos meios de produção é que determina a dos demais recursos. A idéia de equidade de resultados para o marxismo é apenas um conceito pequeno-burguês. No conflito igualdade-liberdade na teoria de Marx, o trabalhador carece de liberdade, visto ser obrigado a vender seu trabalho por um valor inferior, e esta diferença ser apropriada pelo capitalismo na realização do lucro. O trabalhador não irá lutar por igualdade, mas sim pela liberdade de não mais ser forçado a vender seu trabalho por um valor mínimo, que, no máximo, lhe permite sobreviver, situação semelhante à escravidão.
Um dos principais problemas na teoria marxista é a dissociação entre o que a pessoa dá e o que recebe. Se ela receber conforme suas necessidades, qual o incentivo para dar conforme sua capacidade? A preocupação com o incentivo enquanto valor básico para o crescimento econômico leva a próxima linha, a ser discutida, propor a redução do papel do Estado e priorizar a liberdade do indivíduo. Para que esta liberdade seja efetiva, todos os bens de produção devem estar sob o controle da iniciativa privada, de forma que cada um possa fazer o que quiser de si mesmo e dos bens que lhe pertencem, com uma mínima interferência do Estado.
3.5 Libertarianismo (Libertarianism)
O papel do Estado enquanto promotor da distribuição de bens começou a ser questionada desde o Iluminismo. Para Locke cabe ao Estado preservar o fruto adquirido pelo trabalho do cidadão, e não redistribuí-lo. Mandeville, em sua fábula das abelhas, vê a manutenção da desigualdade como um incentivo ao crescimento econômico. No século XIX, Herbert Spencer8 defende a seleção natural dentro da sociedade, na qual os mais fracos, i.e., os pobres, incapazes de sobreviver por si devem ser eliminados. Junto a isto, propõe que o direito de propriedade é inviolável, e que os programas de bem-estar mantidos pelo Estado são corruptos e ineficazes, devendo, portanto, ser eliminados. Inclusive programas públicos de educação e saúde devem ser suprimidos, pois não há motivo para o Estado gastar com aqueles que não estão capacitados para sobreviver pelo seu próprio esforço. Para Spencer, todo homem é livre para fazer o que deseja, contanto que isto não interfira na liberdade do outro9, e o direito à propriedade é uma decorrência natural deste princípio. A única razão para o Estado tributar a propriedade é garantir a liberdade dos cidadãos por meio dos mecanismos de segurança, justiça e afins. Tributar para redistribuir ou prestar serviços, mesmo que sejam bens públicos como educação, é interferir na liberdade do cidadão buscar a felicidade por meio do que possui. Ainda segundo Fleischacker (2004, 90s), o libertarianismo de Spencer está intimamente ligado ao seu darwinismo social, e sua posição de absoluto respeito da propriedade privada é mais um produto de sua oposição ao programas distributivos do que sua fonte. No entanto, os libertarianistas que sucederam Spencer não foram tão radicais na defesa do darwinismo social com a supressão dos menos capazes e na absoluta condenação de