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AT UYGULAMALARINDA SEÇİCİ DAĞITIM ANLAŞMALAR

BAĞLAMINDA DEĞERLENDİRİLMESİ 3.4.1 Genel Olarak

3.4.2. Grup Muafiyetler

3.4.2.1.1. Pazar Payı Eşiğ

Já podemos inferir que a dialogicidade para ambas perspectivas aparece como uma questão existencial. A TRS, conforme propõe Markova (2006), afirma que a origem da linguagem e do pensamento é social, estabelecida a partir das relações; a Pedagogia da Libertação, por sua vez, diz que o diálogo, ou dialogicidade, é o ponto de partida do humano, é o movimento constitutivo da consciência. É ele, o diálogo, “que fenomeniza e historiciza a essencial intersubjetividade humana; ele é relacional e, nele, ninguém tem iniciativa absoluta. Os dialogantes 'admiram' um mesmo mundo; afastam-se dele e com ele coincidem; nele põem-se e opõem-se” (Fiori, 1987, p.16).

Para Freire, tanto podemos encontrar um ser humano adaptado e acomodado à sua realidade, quanto um ser humano integrado, ou seja, um ser humano Sujeito. Na primeira, há uma dicotomia entre homens-mundo. São sujeitos no mundo e não com o mundo e com os outros. Sujeitos espectadores e não recriadores do mundo. A consciência, no primeiro caso, é como se fosse uma seção “dentro” dos seres, mecanicamente compartimentada, passivamente aberta ao mundo que irá “enchendo” de realidade. Uma consciência continente a receber os depósitos que o mundo lhe faz, e que se vão transformando em seus conteúdos. Tais seres seriam uma presa do mundo e este um eterno caçador daqueles que tivesse por distração “enchê-los de pedaços seus” (Freire, 1987, p. 63). O sujeito, ainda no primeiro caso, se caracteriza como algo coisificado, desenraizado e desumanizado. Ele não consegue mais alterar a realidade e, portanto, se ajusta ou se adapta a ela. Já na Pedagogia da Libertação encontramos uma concepção de ser humano relacional e histórica. O sujeito expressa sua liberdade, assume tarefas, reflete, analisa, toma posicionamentos críticos que alteram a realidade, dialoga e age em comunhão com os demais.

Contudo, é impossível um diálogo entre aqueles que querem a pronúncia do mundo e aqueles que não a querem. O mundo da consciência38, ou seja, o poder de reflexão que leva à liberdade, é elaboração humana, constituído de trabalho e de colaboração. Buscar-se a si significa de alguma forma, são prolongamentos da Pedagogia do Oprimido. Aliás, a intencionalidade desta obra, e por conseguinte, das outras, fica explícita desde o início, com a inserção do seguinte epígrafe: “aos esfarrapados do mundo e aos que neles se descobrem e, assim descobrindo-se com eles sofrem, mas, sobretudo, com eles lutam”. 38 Consciência intransitiva, transitiva ingênua e transitiva crítica: graus de compreensão da realidade, que tem relação

comunicar-se com o outro e, na medida em que o sujeito se intersubjetiva, mais densidade subjetiva ganha o sujeito (Fiori, 1987). Isto é, sempre precisamos do outro para sermos mais39, mas não o outro objeto e, sim, o outro em pé de igualdade, disposto a dialogar. Afinal, como diz Freire (1987, p. 52), “ninguém liberta ninguém, ninguém se liberta sozinho”, o aprendizado e a libertação se dá na relação com o outro, na comunhão. A existência humana, para ele, e nós concordamos, não pode ser silenciosa, nem nutrida de falsas palavras. Existir é pronunciar o mundo, e, ao pronunciá-lo o modificamos e, neste sentido, a palavra ganha duas dimensões inseparáveis: a da ação e a da reflexão.

Chamamos atenção aqui para a similaridade que há, implícita, com a TRS. Já abordamos anteriormente como ocorre o ato representacional e como apreendemos a realidade. A dialogicidade, para Markova (2006), é entendida como a capacidade que o ser humano ou melhor, a mente, “tem de conceber, de criar e de comunicar sobre as realidades sociais em termos do Alter- Ego” (p. 137). Se considerarmos que toda palavra, em última instância, é uma representação de algo, toda vez que a pronunciamos no mundo, estamos, em um processo duplo, recriando tanto a ela quanto ao mundo. Moscovici (2003), neste sentido, nos lembra que há um drama associado no processo de transformação do conhecimento, ou seja, do nascimento de uma nova representação social. Ao se anunciar uma ideia nova, divergente da anterior, rompe-se com algo naturalizado, institucionalizado, e se instaura no social novos espaços de diálogo, de luta e de tensão.

39 Ser mais: o ser humano tem uma vocação para a humanização, ou seja, ele está em permanente procura, aventurando-se curiosamente no conhecimento de si mesmo e do mundo (Zitkoski, 2008, p.380).

discutimos até o momento.

Teoria das Representações Sociais Serge Moscovici

Pedagogia da Libertação Paulo Freire

Possíveis aproximações

Ideias contestadoras do modelo funcionalista na Psicologia :

perspectiva genética ou interacionista.

Ideias contestadoras do modelo bancário de Educação:

perspectiva libertadora.

Explicitaram as contradições da ideologia vigente;

Propuseram novas estratégias de reflexão/ação.

Os sujeitos (re)produzem ativamente seu meio social. Ao agir o sujeito muda o mundo e a si mesmo.

Existem condicionamentos sociais, mas não determinação absoluta. Concepção de ser humano relacional e histórico.

Ser humano não está dado; se constrói a partir da relação com o outro.

Conhecimento se produz na relação eu-outro-objeto; tríade dialógica.

Educação baseada na dialogicidade.

O conhecimento se constrói a partir da dialogicidade.

É através da relação Eu-Outro, da dialogicidade, que o ser humano se constitui. A tensão é a força da mudança.

A dialogicidade é uma questão existencial. O diálogo é o movimento constitutivo da consciência.

A dialogicidade é uma condição do ser humano; não negam o tensionamento e o conflito das relações. A dialogicidade é o elemento que pode levar à mudança.

Tab. 01: aproximações entre a TRS e Pedagogia da Libertação

Ao longo do artigo procuramos desenvolver a ideia de que a dialogicidade é uma importante categoria para a psicologia social na perspectiva ontológica e epistemológica e agora podemos acrescentar que também o é em termos éticos. Mas vamos com calma, afinal o termo “ético/ética” é de difícil definição40.

Ética é aqui entendida como uma instância crítica e propositiva do dever ser das relações humanas presente em todas sociedades. Por instância entende-se uma situação, um

40 O leitor poderá encontrar este debate elaborado no capítulo 15 do livro “Psicologia social crítica: como prática de libertação”, escrito por Pedrinho Guareschi.

patamar, logo algo que não é fixo, nem definitivo; por crítico aquilo que não é absoluto, que tem ao menos dois pontos de vista; e por propositiva o que apresenta propostas concretas. Através dos tempos e das interações estabelecidas entre os seres, se estabeleceu um conjunto de valores morais que, supostamente, regula o que é bom e deve ser seguido, ou ruim e abandonado pelos grupos (Guareschi, 2004). Ao construir, experimentar e pensar relações, portanto, estabelecemos escolhas para nossas práticas e as justificamos por determinados valores41.

No presente caso, o valor da igualdade se substantiva no fazer dialógico, pois só é possível estabelecer a dinâmica relacional com mobilidade de lugares de fala e de escuta numa interlocução, na medida em que tal valor norteia a relação. Ou seja, trata-se de uma vivência eminentemente humana, através da qual a existência do diálogo pressupõe o reconhecimento do outro em pé de igualdade. Nesse sentido, justificam-se as práticas sociais pautadas na intencionalidade dialógica com vistas à transformação. Como tal, consideramo o presente texto na medida em que favorecer efetivação de concordâncias, discordâncias e estranhamentos que possam ser mote de parcerias dialógicas.