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4. Miyeloşizis: Erken embriyolojik dönemde gelişir Geniş bir nörolasyon defektidir Gebeliğin 28 günü civarında oluşur Genellikle, torako-lomber bölgede

1.3. NTD Etyolojisinde Multifaktöriyel Kalıtımın Rolü

1.3.4. PAX3 ve TEAD2’nin Nöral Tüpün Kapanmasındaki Rolü

A expressão cultura da memória foi cunhada por Andreas Huyssen (2000), que frisa estarmos observando “um dos fenômenos culturais e políticos mais surpreendentes dos anos recentes”, a “emergência da memória como uma das preocupações culturais e políticas centrais das sociedades ocidentais” (p. 9). Há, portanto, valorização do passado, o que contrasta com o privilégio dado ao futuro, no início do século XX. Huyssen diz que o que antes caracterizava algo como futuros presentes foi deslocado para passados presentes, e cita, como marco dessa mudança, a década de 1980. Naquela época, os discursos de memória foram impulsionados, na Europa e nos Estados Unidos, pelos debates relativos ao Holocausto. O tema foi fomentado por eventos relativos a aniversários, como o da ascensão de Hitler ao poder, ou a invasão da Normandia,

entre outros tantos. Também teve forte influência, para o tema, série de televisão e o movimento testemunhal.

De outra maneira, a recorrência a políticas genocidas, em diversos países, na década de 1990, manteve vivo o discurso de memória do Holocausto. Tudo isso ajudou a transformar o Holocausto “como um lugar-comum universal para os traumas históricos” (HUYSSEN, 2000, p. 12) e, desta forma, “perde sua qualidade de índice do evento histórico específico e começa a funcionar como uma metáfora para outras histórias e memórias” (p. 13). Além do Holocausto, Huyssen defende que muitas tramas secundárias constroem a memória narrativa atual e mostram como hoje estamos encarando o passado de modo diferente. Cita a restauração historicizante de velhos centros urbanos, cidades-museus, etc. Destaca que se pode observar, também, a

obsessiva automusealização através da câmera de vídeo, a literatura memorialística e confessional, o crescimento dos romances autobiográficos e históricos pós-modernos (com suas difíceis negociações entre fato e ficção), a difusão de práticas memorialísticas nas artes visuais, geralmente usando fotografia como suporte, e o aumento de documentários na televisão (HUYSSEN, 2000, p. 14).

O trecho citado acima tenta dar conta de situações artísticas (mas não só) em que a memória se impõe. Ali aparecem as nuances presentes na fábula que apresento em Uma canção

para Ricardo. O mais latente é a musealização através da câmera de vídeo. Porém, mostrarei, no decorrer deste trabalho, que também o tom de literatura memorialística e confessional, os embates entre fato e ficção, por exemplo, fazem-se presentes.

Ao tomar conhecimento da existência de um neto, Antônio resolve tentar comunicar-se com ele. É, de certa forma, uma busca, mas não uma simples busca, é busca com a preocupação de cativar e encantar o neto.

A cidade onde vive o avô, Jaguarão, é uma cidade que participa da cultura da memória com bastante eloquência, pois tem seu centro histórico tombado pelo IPHAN18 (abrange mais de 800 imóveis do centro) e tem a Ponte Internacional Mauá (da qual falo mais abaixo, no texto) como o primeiro bem binacional tombado pelo Instituto. Bernardo, Lucas e Camila, inclusive, viajam até lá, aproveitando-se de uma excursão destinada a visitar centro histórico e também a realizar compras na cidade uruguaia vizinha.

Talvez, até por isso, a memória não custe a aparecer nos vídeos produzidos por Antônio. Huyssen ressalta:

Não há dúvida de que o mundo está sendo musealizado e que todos nós representamos os nossos papéis nesse processo. É como se o objetivo fosse conseguir a recordação total. Trata-se então da fantasia de um arquivista maluco? Ou há, talvez, algo mais para ser discutido neste desejo de puxar todos esses vários passados para o presente? Algo que seja, de fato, específico à estruturação da memória e da temporalidade de hoje que não tenha sido experimentado do mesmo modo nas épocas passadas (2000, p. 15).

Ao responder à inquietação citada acima, Huyssen faz aparecer o uso da cultura da memória pela indústria cultural do ocidente, mas aponta para a disseminação geográfica da cultura da memória, assim como para a diversidade de seu uso político. Então, temos a memória sendo vendida e usada para justificar inúmeros fins. Tamanha é a exploração do tema, que Huyssen bem observa:

A obsessão contemporânea pela memória nos debates públicos se choca com um intenso pânico público frente ao esquecimento, e poder-se-ia perfeitamente perguntar qual dos dois vem em primeiro lugar. É o medo do esquecimento que dispara o desejo de lembrar, ou é, talvez, o contrário? É possível que o excesso de memória nessa cultura saturada de mídia crie uma tal sobrecarga que o próprio sistema de memórias fique em perigo constante de implosão, disparando, portanto, o medo do esquecimento? (2000, p. 19).

A essas perguntas, Huyssen havia precedido com o ensinamento de Freud de que a memória e o esquecimento estão ligados, sendo a memória apenas outra forma de esquecimento, e o esquecimento, uma forma de memória escondida. A hipótese de Huyssen é que,

também nesta proeminência da mnemo-história, precisa-se da memória e da musealização, juntas, para construir uma proteção contra a obsolescência e o desaparecimento, para combater a nossa profunda ansiedade com a velocidade de mudança e o contínuo encolhimento dos horizontes de tempo e espaço (2000, p. 28). O embate entre lembrar e esquecer se dá constantemente nos três personagens principais do roteiro.

Antônio quer se dar a conhecer. Mas não só isso, ele quer ser lembrado, ainda que não venha a conhecer o neto. Isto fica evidente no suporte escolhido para enviar sua mensagem: a Internet.

Andréia não esquece, visto que ressente a dor do abandono paterno na infância. Além disso, para ela, perdoar o pai, lembrar do pai, do amor que um dia teve por ele, é como esquecer e trair a mãe e tudo que a mãe fez por ela.

Bernardo, na tentativa de conhecer o avô, acaba esquecendo a mãe, com quem não tem diálogo fácil. Antes de saber do avô, Bernardo ainda tentava, de certo modo, a comunicação com a mãe. Porém, ele não falava tudo o que queria e aceitava o silêncio que, por vezes, a vida cheia de afazeres de Andréia lhe impunha. Em um dos vídeos, Bernardo fala da memória que tem de uma antiga babá, que cuidava dele. Ele revela ao avô o que sentiu quando a senhora faleceu e a saudade que ele, por vezes, sentia, coisa que nunca tinha dito para a mãe.

Benzer Belgeler