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2.2. Yapısal Eşitlik Modeli (YEM)

2.2.1. Path Analiz Yöntemi

Mário e Aquino (2004) dividem as pesquisas sobre falência em três linhas: previsão de insolvência e estimativa de risco; relevância da informação contábil; e procedimentos na falência. Estudos sobre a importância da informação contábil são apresentados a seguir para respaldarem a análise de procedimentos na recuperação judicial considerando as atividades propostas nesse trabalho.

2.4.1 Estudo de Santos, 2009

O estudo de Santos (2009) tem como foco a atuação do perito contador nos processos de recuperação falimentar e fornece informações relevantes para o presente estudo, pois aborda algumas das atividades propostas.

A nomeação do perito contador nos processos de recuperação judicial acontece, em geral, por meio de indicação e requerimento feitos pelo administrador judicial, embora o juiz tenha autonomia para aceitar o perito indicado ou designar outro, de sua confiança. Ao intervir nos processos falimentares, o perito pode atuar na perícia ou auditoria, dois campos das Ciências Contábeis. Ele procede como perito no levantamento e elaboração de laudos e pareceres, e como auditor quando coleta evidências para apuração de crimes falimentares ou para verificação de créditos e elaboração do quadro geral de credores.

Sendo assim, Santos (2009) afirma ser esse agente:

...peça-chave em vários momentos processuais, como, por exemplo, na verificação de créditos, na elaboração de laudos de viabilidade de recuperações de empresas, laudos de viabilidade de planos de recuperação, laudos de verificação de fatos contábeis para apurar eventuais evidências que apontem a existência de irregularidades quando da falência da empresa, elaboração dos quadros de credores em conjunto com o Administrador Judicial, entre outros (grifo da autora) (p. 340).

O autor ainda explica que, quanto às informações apresentadas no pedido inicial, a atuação do perito contador pode se dar de forma independente do administrador judicial, pois este somente é nomeado quando o pedido é deferido.

Caso o juiz entenda que há necessidade, ele pode nomear o perito contador para verificar a regularidade da documentação apresentada pela devedora ou para examinar a viabilidade dessa empresa, e mesmo que tais atividades não estejam previstas na legislação, são aceitas pelos magistrados de todos os graus de jurisdição. Também conforme Santos (2009), com tais informações, “o magistrado poderá ter maiores garantias de que a empresa poderá apresentar um plano de recuperação viável...” (p.356). Considerando que a verificação da viabilidade da empresa é proposta nesse estudo juntamente com a tarefa de averiguação da capacidade da devedora de cumprir o plano de recuperação, o benefício mencionado pelo referido autor denota a possibilidade da primeira atividade auxiliar na execução da segunda.

Sobre a elaboração do laudo de viabilidade e o trabalho a ser realizado pelo perito contador, Santos (2009) ressalta que:

Seu trabalho deve seguir o formato de um Laudo Pericial, nos termos na norma NBC-T13 – Da Perícia Contábil, elaborado pelo Conselho Federal de Contabilidade, como dito acima, e, em sua conclusão, deve apontar a evolução da empresa nos últimos três anos, a relação despesa-receita, apontando eventuais fontes de receita e de cortes de despesa, capacidade de geração de receitas e a possibilidade de reestruturação da empresa, com base nesses dados, devendo ser juntado aos autos, para que subsidie a decisão a ser tomada pelo juiz (grifo da autora) (p. 358).

Quanto à elaboração do laudo de viabilidade do plano de recuperação, o autor ainda afirma que, apesar de não estar prevista na legislação, se o juiz entender que essa atividade é necessária, poderá determinar sua realização, para se atestarem as reais possibilidades de cumprimento do plano.

A diferença entre a atividade de análise da documentação inicial e a tarefa de elaborar o laudo de viabilidade é que, nesse momento, já existe um administrador judicial nomeado e um plano de recuperação para análise, o qual envolve diversos cenários, projeções e setores da empresa, operacional, marketing, administrativo, entre outros. Santos (2009) atesta que:

...deve o profissional contabilista verificar os dados constantes do plano em que se baseiam as projeções, inclusive estas, e as metas traçadas, são passíveis de serem atingidas, ou não passam de um exercício de futurologia, bem como se atendem às exigências legais... (p. 359).

O fato de esse autor expor duas das tarefas propostas neste estudo, juntamente com as outras tarefas já previstas em lei, é uma evidência da necessidade dessas atividades e de seu potencial para gerar melhorias no processo, pois, mesmo sem a previsão legal, podem ser requeridas pelo juízo.

Já foi exposto previamente que uma das razões desse estudo ao atribuir as tarefas ao administrador judicial é que ele pode ser um profissional contábil. A outra razão consiste no fato de elas já se encontrarem designadas ao administrador judicial, mas somente o perito contador tem condições de realizá-las. Algumas dessas atividades são identificadas no estudo de Santos (2009): dar extratos dos livros do devedor, que é “prerrogativa dos profissionais de contabilidade, nos termos da legislação contábil” (p.348) e examinar a escrituração do devedor, que, apesar de ser uma atividade prevista somente para processos de falência, é de responsabilidade do administrador judicial, mas realizada pelo perito contador.

2.4.2 Estudo de Moro Junior, 2011

Moro Junior (2011) realizou uma pesquisa exploratória descritiva e analisou a atuação do contador e o uso da contabilidade nos processos de recuperação judicial da Comarca de São Paulo. É relevante citar esse autor, pois a atividade proposta de análise da documentação inicial e das condições de continuidade da empresa é discutida por ele.

O autor constatou a presença da contabilidade nos processos de recuperação judicial. Segundo Moro Junior (2011):

Foram adotados na lei os princípios da preservação da empresa e da transparência, visando à recuperação das que possuem potencial no mercado para reverter uma situação de crise e à decretação da falência nos casos das empresas que não possuem condições de recuperação (p. 12).

Para esse autor, a Contabilidade exerce um papel importante na recuperação judicial, constatando-se a presença do perito contador em todos os processos estudados.

Ele ainda verifica, por meio de estudos processuais e entrevistas com juízes e administradores judiciais, que não existe uma análise profunda ou apresentação de qualquer juízo de valor quanto ao conteúdo das demonstrações contábeis apresentadas no pedido inicial. Somente em um, dos seis processos de recuperação judicial estudados pelo autor, a atividade de análise das demonstrações contábeis apresentadas no pedido inicial é realizada pelo perito contador.

O autor recomenda também que seja incluída na legislação falimentar brasileira a previsão da nomeação de um perito contador para realizar tal tarefa. Desse modo, reconhece a importância da atividade proposta nesse estudo para a melhoria do processo de recuperação judicial. Apesar de não estar prevista explicitamente na Lei 11.101/05, a pesquisa de Moro Junior (2011) explicita que, como a atividade de análise da documentação inicial já foi realizada em um processo, infere-se que ela pode ter sido ou estar sendo realizada em outros.

O fato de a tarefa de análise da capacidade da devedora em se recuperar não estar prevista em lei, mas, ainda assim, já ter sido realizada, juntamente com o reconhecimento da sua importância no estudo de Moro Junior (2011), são indícios de que essa é uma atividade com potencial de trazer melhorias para o processo de recuperação judicial.

O autor ainda ressalta a pouca participação dos credores no processo de recuperação, o que afasta a possibilidade do contador de auxiliar a fiscalização do cumprimento do plano de recuperação. A apresentação do plano de recuperação é feita pela empresa devedora e, caso haja objeção de algum dos credores, é convocada a assembleia geral de credores, na qual votam pela aceitação ou rejeição do plano.

Ao comitê de credores, segundo Guimarães (2007, citado por Moro Junior, 2011), atribui-se a atividade de elaboração de um plano de recuperação alternativo, nos casos em que se comprova a inviabilidade econômico-financeira do plano de recuperação apresentado pelo devedor (Lei 11.101/05, art. 30, §2º). Para que se comprove a inviabilidade do plano mencionada, o presente estudo propõe que a atividade de verificação da capacidade da empresa em recuperação de cumprir o plano proposto seja agregada às tarefas do administrador judicial no processo.

3 METODOLOGIA

O presente capítulo tem como foco a descrição da forma de realização dessa pesquisa, demonstrando os métodos científicos utilizados para o alcance dos objetivos propostos.

A pesquisa classifica-se como descritiva, pois busca a identificação de possíveis melhorias no processo de recuperação judicial por meio do estudo e da descrição dos fatos e dados empíricos. Para a sua realização, empregam-se a pesquisa bibliográfica e a documental, e o levantamento de campo.

A pesquisa bibliográfica envolve a análise de trabalhos desenvolvidos anteriormente e das suas contribuições para esse estudo.

Na pesquisa documental, é feita a descrição e análise de um processo de recuperação. De acordo com Martins e Theóphilo (2007), a pesquisa documental pode ser uma fonte de dados e de informações que auxiliam no melhor entendimento dos achados e das evidências coletadas por outros meios, possibilitando a confiabilidade nos resultados, através de triangulações dos dados e resultados.

No levantamento de campo, são efetuadas entrevistas com administradores judiciais, juízes e representantes de credores atuantes em processos de recuperação.

Assim, esse estudo apresenta como foco a análise, descrição e compreensão do processo de recuperação judicial, buscando evidências empíricas da demanda pelas informações das atividades propostas e estuda se a adição destas na legislação impactaria a remuneração do administrador judicial ou do perito contador.

Benzer Belgeler