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Paslanmaz Çelik (304) Deneysel Çalışma…

A pesquisa mostrou que as generalizações quanto à pobreza no semiárido são equivocadas. Existe uma heterogeneidade estatisticamente comprovada entre os municípios, sendo identificados pelo menos três grupos com níveis diferenciados de pobreza. As áreas mais pobres, naturalmente, devem receber maior atenção e mais recursos quando se pretende a redução da pobreza (Apêndices A e B).

Embora existam níveis diferenciados de pobreza, os fatores que a determinam são os mesmos, sendo o principal deles, o precário acesso a emprego e renda. Nesse sentido, observou-se que uma grande parcela da população com baixos salários e nível de escolaridade está relacionada ao elevado percentual de pobres. A estrutura de relações percebida apontou para a importância da educação no sentido de criar capacidades para melhores empregos e qualificação de mão-de-obra a ser aproveitada em atividades diversificadas, menos dependentes das condições climáticas adversas locais.

As condições educacionais observadas na análise descritiva dos indicadores de educação nos diversos extratos de pobreza revelaram que existe diferença significativa entre os grupos de municípios, demonstrando que os municípios mais pobres apresentam os piores níveis educacionais com diferença muito significativa, se comparado principalmente com o grupo dos menos pobres. O que evidencia a necessidade da efetivação de políticas educacionais de maneira que a região semiárida e especialmente os 351 municípios mais pobres alcancem resultados mais expressivos nos indicadores educacionais. Tais políticas devem contemplar educação em tempo integral no ensino fundamental, investimentos em educação profissional, incentivos à permanência na escola, a exemplo do Programa Nacional de Acesso à Escola Técnica (PRONATEC), que precisa ter ampliado o seu raio de atuação.

A análise da natureza da relação entre pobreza e educação formal revelou que essa relação é inversa e que investimentos em melhorias nos indicadores educacionais, em termos de redução do analfabetismo, atendimento universalizado da população do semiárido com ensino fundamental, aumento da proporção de pessoas de 25 anos ou mais com ensino médio e superior completos, tendem a aumentar as oportunidades de emprego e renda e de desenvolvimento do espírito empreendedor da população dessa região, principalmente os mais jovens. Isto é, a ampliação das capacidades, via educação, mostrou-se uma estratégia importante na superação da pobreza no semiárido sob diferentes aspectos.

Dessa forma, torna-se imprescindível no rol de medidas que comporão uma política pública efetiva de superação da pobreza no SAB, priorizar investimentos na melhoria

da qualidade do ensino, em todos os níveis, desde o pré-escolar ao ensino superior. Iniciando- se por um integrado processo de formação continuada do professor (desenvolvimento do capital social, começando pelo professor), haja vista que o professor constitui a base, a pedra angular do crescimento de um país.

Dentro dessa perspectiva de investimento em desenvolvimento do capital social, desenhar trilhas de formação profissional (nível técnico) que propiciem a melhoria da profissionalização e do know-how científico e tecnológico a fim de elevar a produtividade e a promoção do capital humano, físico e natural. O desenvolvimento do capital social pode empreender resultados positivos na superação da pobreza, haja vista o seu importante papel na potencialização de outras políticas comoa geração de emprego e renda.

Observou-se, no entanto, que as despesas com educação no semiárido não conseguem ter uma relação forte com os indicadores educacionais. Nesse sentido, a pesquisa ressaltou o papel da gestão municipal, muitas vezes omissa, no avanço da educação. A gestão municipal da educação tem uma relação maior e mais significativa com os indicadores educacionais do que com as despesas com educação. O que sugere a necessidade de melhoria dos mecanismos de gestão da educação no SAB.

Nesse sentido, incentivos como ampliação do acesso aos Institutos Federais de Educação e Centros Tecnológicos, dentre as escolas técnicas de formação profissional para que mais jovens em situação de pobreza consigam se profissionalizar e ter acesso ao seu primeiro emprego, pode ser também uma política assertiva na redução da pobreza.

Considerando a baixa arrecadação nos municípios do semiárido, nos quais a maior parte dos incentivos à educação provém dos recursos do Governo Federal, se mostra viável, proporcionar aos jovens que anseiam ingressar no ensino superior, facilidade de acesso a esse nível do ensino, sem perder de vista a qualidade dos cursos ofertados. Sugere-se como exemplos de incentivos de acesso ao ensino superior: i) a ampliação do atendimento à população pobre com o Programa Universidade para Todos (PROUNI) e Programa de Financiamento Estudantil (FIES); ii) prioridade na concessão desses benefícios e de bolsas de estudo e pesquisa (graduação e pós-graduação) aos alunos que cursaram a educação básica em escola pública, com definição de critérios claros e objetivos de seleção.

Por fim, ao identificar como principal fator determinante da situação de pobreza no semiárido as condições precárias de emprego e renda, a maior contribuição da pesquisa foi mostrar que a educação é, de fato, um componente de superação da pobreza, ressaltando a importância do poder municipal e de uma visão diferenciada para a região, que reconheça que existem espaços prioritários na erradicaçãodesse problema e que conseguiram se diferenciar

dos demais ao alcançar padrões mais baixos de pobreza. Estes, por sua vez, dadas outras semelhanças regionais, podem sinalizar estratégias exitosas aos gestores públicos.

Ressaltam-se algumas limitações encontradas nesta pesquisa, relacionadas à indisponibilidade de dados, em escala municipal, abrangendo todo o semiárido para alguns indicadores como IDEB, e especialmente indicadores ambientais como áreas degradadas, índice de aridez, dentre outros.

Assim, para trabalhos posteriores, fica o desafio de conseguir esses dados, bem como de realizar um cotejamento entre os três grupos de municípios definidos nesta pesquisa, segundo o Índice de Pobreza Multidimensional (IPM) e os patamares de concessão de crédito com recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), no semiárido do Brasil.

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Benzer Belgeler