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II. Pasif kalemlere ilişkin açıklama ve dipnotlar
A partir da publicação da Nova Retórica Perelman e Olbrechts-Tyteca, na década de 1950, a argumentação tem dado margens para serem desenvolvidos diversos estudos os quais têm caminhado em muitas direções. Os interesses são teóricos e práticos com abordagens disciplinares diversas, tais como: Linguística, Semiologia, Filosofia etc. Assim, as
grandes vias de investigação contemporânea em argumentação apontadas por Breton e Gauthier (2001) são:
a) as de investigação anglófona – nos estudos anglo-saxônicos, ao lado do destaque especial – Stephen Toulmin, estão Rieke e Janik (1984 apud BRETON; GAUTHIER, 2001). Toulmin tem exercido fortes influências nos outros estudos. Sua obra The Uses of Argument não atingiu o desejado de ter uma lógica aplicada ou uma working logic, mas o seu modelo de argumento tem dado abertura para outras investigações. São estudos que motivam feituras de artigos em revistas científicas, algumas específicas sobre argumentação cujos temas perpassam por procedimentos argumentativos ou mesmo sobre teorias de conjunto.
Dentre esses estudos estão os das Falácias, que, em 1970, surge no cenário o autor Hamblin (1970) com a publicação da obra “Fallacies” – ele apresenta postulados revestidos de uma conotação logicista muito forte, servindo para designar um raciocínio e não um argumento. Hamblin reproduz um estudo muito antigo tal como a lógica: a natureza das falácias são formais e informais. Esse autor sugere que o estudo das falácias não foi iniciado com Aristóteles, em razão da lógica, também não foi teorizado nem sistematizado, razão pela qual ele sugere essa proposição como sendo inovadora em sua obra.
Hamblin (1970) entende que uma falácia é um argumento sem validade aparentando ser válido – logo, um argumento defeituoso por definição. Ele retoma todas as denominações dadas às falácias por Aristóteles, por exemplo: equívoco, anfibologia, composição, divisão, o acidente, a petição de princípio, a afirmação do consequente etc.
Assim, o grande defensor das falácias, Hamblin (1970) leciona como compreender os mecanismos que fazem com que um argumento possa parecer válido sem ser. Nos olhares de Breton e Gauthier (2001)
[...] o essencial da tese de Hamblin sobre a validade da argumentação é que ela não depende de critérios lógicos relativos à variedade das premissas nem de critérios lógicos epistêmicos relativos ao reconhecimento da verdade das premissas, mas de critérios dialéticos respeitantes à sua aceitabilidade. No seu entender, a argumentação não é uma questão de verdade nem mesmo de adesão à verdade, mas em última instância, de crença.
Diante da anunciação de falácias por Hamblin, as investigações sobre falácias formais e falácias informais não cessam por aí, são vistos estudos, com frequência quanto à distinção entre argumentos dedutivos e argumentos indutivos. Segundo Breton e Gauthier (2001) podem ser citados os autores: Halverson (1984), Purtill (1972), Engel (1980), Johnson e Blair (1983) e Downes (1996).
A análise das falácias e a lógica informal embasam o cognominado pensamento crítico, ou raciocínio crítico sobre a argumentação que, atualmente, tem sido objeto de vasta literatura caminhando por múltiplas direções e tem gerado exame de argumentos ou de procedimentos particulares. Porque em se tratando de teorias, poucas trazem características explícitas de reais teorias da argumentação, contudo, podem ser citados os autores de origem anglófona cujas teorias são tidas como as mais elaboradas:
a) Trudy Govier (1987/1988); b)Douglas Walton (1989/1996); c) Charles Willard (1983/1989);
d)Frans Eemeren e Rob Grootendorst (1983/1992).
Nessas teorias, a argumentação é vista em relação com o contexto enunciativo e o argumento é caracterizado em função do objetivo persuasivo; nelas, os argumentos não são tomados como abstratos e sim mais naturais ou práticos, ou seja, como da forma como se apresentam no dia a dia.
São teorias de caráter normativo que visam identificar argumentos válidos dos inválidos, também são geradas em função de um ideal social, político e epistemológico, em uma amplitude de sentido ideal de comunicação.
Frisa-se que essas teorias não serão utilizadas como aporte teórico para esta pesquisa.
b) as de investigação francófona – a priori possuem mais natureza filosófica do que empírica, ainda que se encontrem algumas com caráter pedagógico. Essas investigações estão teoricamente divididas por abordagens:
abordagem retórica nos moldes de Perelman e Tyteca – seus expoentes são Michel Meyer e Olivier Reboul;
abordagem epistemológica, todavia, intelectiva – representam essa abordagem Jean-Blaise Grize e Georges Vignaux;
abordagem socioenunciativa – os autores que a defendem são: Christian Plantin e Uli Windisch; aquele aborda a argumentação exclusivamente no plano linguístico, enquanto este aborda numa perspectiva sociológica.
uma abordagem na perspectiva comunicacional – o expoente é Philippe Breton, que mesmo sendo influenciado por Perelman, volta-se para a dimensão ética da argumentação.
No âmbito das investigações francófonas, Breton e Gauthier (2001) registram, também, a existência de Manuais de Argumentação que eles consideram como obras de cunho pedagógico, pois trazem no seu bojo explicativo exemplos e exercícios, os autores citam: L’Argumentation, príncipes et méthodes de Lionel Bellenger (1992), Rhétorique et Cocmmunication em 12 questions et 19 exercises de Alain Canu (1992) e também Logique de l’argumentation de Pierre Blackburn (1989) etc.
c) investigações brasileiras – faz-se oportuno citar dois estudos realizados no Brasil – o de Thomas da Rosa Bustamante (2007) – Uma teoria normativa do precedente judicial: o peso da jurisprudência da argumentação jurídica – que tem como base a teoria do discurso que lhe fornece subsídios para racionalizar o processo de aplicação de precedentes na argumentação jurídica. E o de Carneiro, Severo e Karen (2002) – Teoria e Prática da argumentação jurídica – que no capítulo 13, há um elenco de técnicas de argumentação e suas diversas aplicações nos discursos jurídicos e políticos. São trabalhos oriundos de pesquisas sobre argumentação no Direito.
De tudo que se pontuou sobre o fazer argumentativo, viu-se que as investigações teóricas são consideráveis. Trata-se de estudos diferentes, em períodos diferentes, que apresentam influências teóricas diferentes e, sobretudo, os focos elegidos pelos autores também muito diferentes.
Há que se dizer que, de todo o panorama teórico aqui delineado sobre a argumentação, verifica-se que cada vez mais a produção científica tem sido fortalecida. Os trabalhos citados são pertinentes à compreensão da arte de argumentar. É um movimento epistemológico contínuo, aberto a investigações que pode ser completado com estudos coerentes, comprovados empiricamente, inclusive, no âmbito do direito, com possibilidades de redimensionar o arcabouço teórico da argumentação jurídica, que tem seu caráter constitutivamente heterogêneo.
Ademais, não se pode partir para um novo estudo sem olhar para o que já foi realizado e, foi pensando nisso, que se delineou esse quadro de histórico da argumentação, para, a partir de então, pensar-se em dar mais um contributo aos estudos da argumentação.