2. GENEL BİLGİLER
2.3 Park Kavramı ve Park Kategorileri
Arquiteto formado em 9 pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Lívio Edmondo Levi foi docente dessa mesma )nstituição de 9 4 a
9 0.
A importância de Levi vai além de sua atuação como professor. Como visto anteriormente, proveniente do campo da arquitetura, ele foi um dos enviados ao )CS)D, no qual teve contato com personagens do design internacional, entre eles Tomas Maldonado, Jay Doblin e Misha Black. Também visitou uma série de escolas de design na Europa, Estados
Produto e Linguagem. São Paulo: Associação Brasileira de Desenho )ndustrial, º trimestre, 9 . Ano , n. .
Verificação constatada por meio de documentação extraída de acervo familiar. (á uma série de anotações de Lívio a respeito de suas visitas, presente nas cartas encaminhadas à diretora do Mackenzie quanto ao desejo de melhorias do curso de arquitetura e de implantação de um curso independente de desenho industrial.
O Ens ino P auli stano d o D es ign )ns titut o P re sbi te ri ano Mac ke nz ie 175 Unidos e Canadá 4, o que lhe possibilitou organizar sua disciplina,
dentro da Faculdade de Arquitetura, em coerência com as questões do desenho industrial, de que tomou conhecimento.
Assim, em 9 4 o professor Levi é nomeado regente da Cadeira de Desenho do º ano do curso de Arquitetura da Universidade Mackenzie, a única que passa a ser dedicada ao desenho industrial dentro de todo o curso por decisão do professor. Neste mesmo ano, viaja pelo )AB aos EUA ver Anexo , para pesquisar sobre desenho industrial no Illinois
Institute of Technology - IIT, em que recolhe uma série de informações
sobre o ensino daquela escola, considerada referência inclusive pela academia brasileira do design.
Nos meses seguintes, participa de uma série de eventos dedicados ao desenho industrial; dentre estes se destacam: o º Seminário do Ensino de Desenho )ndustrial da America Latina, em 9 4, o curso de Metadesign na FAU/USP, em 9 , além das idas aos ICSIDs, a partir desse ano.
Esses fatos, associados a suas experiências profissionais e acadêmicas, lhe respaldaram para solicitar ao Mackenzie a criação de um curso de desenho industrial. Tal pedido é identificado desde 9 , de acordo com documentação encontrada. E Levi chegou, no ano seguinte, a fazer um relato de seu desacordo com o atual andamento da escola , no qual ele apresenta uma série de recomendações sobre o novo curso, inclusive uma minuta preliminar a respeito.
Nesta investigação sobre o campo e aperfeiçoamento didático, Levi, que tinha como assistente Daniel Lafer, lecionava Desenho )ndustrial dentro da Faculdade de Arquitetura e tinha a intenção de, conforme Esther Stiller : transmitir a necessidade de desenhar bem qualquer produto dentro da metodologia da arquitetura, porém com uma visão de processos completamente diferente da arquitetura. 9
Segundo palavras da arquiteta e herdeira do escritório de Levi, o objetivo dos trabalhos propostos era condizente com os procedimentos típicos da produção de objetos em escala menor que os da arquitetura, como madeira e encaixes, metais, soldas e dobras, etc. assim descrito por
4 Estes locais podem ser identificados em anotações feitas pelo próprio Lívio Levi em documentação encontrada nos acervos familiares. [Fonte: Acervo familiar]
Documento emitido pelo )AB que atesta a ida de Lívio aos EUA para pesquisa sobre o campo do design.
O ))T, chamado de New Bauhaus, foi fundado em 9 por Moholy Nagy, ex-diretor da escola alemã.
Carta de Lívio Levi a Salvador Cândia, diretor da FAU Mackenzie, em 0 /0 / 9 . [Fonte: Acervo familiar].
Sua aluna, chamada para trabalhar com ele quando cursava o º ano da Faculdade de Arquitetura.
O Ens ino P auli stano d o D es ign )ns titut o P re sbi te ri ano Mac ke nz ie 176 Esther Stiller:
[...] uma noção clara de como são os procedimentos industriais versus a maneira artesanal que era construído o edifício, como por exemplo, os caixilhos, louças sanitárias, divisórias produzidos de uma concepção industrial diferentemente de como era produzida a arquitetura, como tijolo em cima de tijolo90.
As palavras da ex-aluna apontam para um grau de detalhe a que Levi se dedicava e a importância da representação nas suas aulas, carac- terísticas do seu trabalho ao longo do tempo, como pode ser visto nos objetos que projetou.
Lívio Levi, arquiteto e designer, destacou-se no campo profissional com projetos de joias, produtos para residências, como maçanetas, metais sanitários, travessas e luminárias. Todos eram campos de atuação novos e alguns foram temas de aulas do professor.
Naquela época, o desenho industrial ainda era algo desconhecido, no que se refere às funções possíveis dos objetos projetados, o que é colocado por Esther Stiller 9 da seguinte maneira, quando afirma sobre si mesma que na faculdade não conhecia o que era o desenho industrial e sempre gostei de desenhar, muito meticulosamente, e discutir questões mais específicas , e conclui que talvez isso tenha feito com que Lívio Levi me chamasse para trabalhar com ele.
Quanto à prática em sala de aula, a ex-aluna informa que eram propostos trabalhos de desenvolvimento rápido, a cada dois meses. O professor aplicava uma metodologia simples no sentido de buscar a tecnologia da produção 9 . Durante as aulas, os alunos elaboravam desenhos e perspectivas, e algumas visitas - uma ou duas - também eram realizadas9 .
Nas anotações de Levi, 94 encontramos a proposta abaixo para sua disciplina em que, apesar de não se oferecer identificação sobre como e o quê foi aplicado em suas aulas, devido à ausência de data, percebe- se uma coerência com o relato de sua aluna quanto ao conteúdo apresentado em sala de aula.
. )ntrodução; . )nteriores: artesanato e indústria; 4. )nteriores como Comunicação; . Metodologia: coleta de informações, análise dos dados obtidos, determinação de um set de soluções possíveis, evaluação e otimização para escolha da solução, desenvolvimento da solução adotada, controle; . Tipologias áreas burocráticas e administrativas, comerciais – lojas, clubes e recreação coletiva, residência, arquitetura
90 Entrevista de Esther Stiller concedida à autora em /0 / 0 . 9 )dem.
9 )dem.
9 ª aula junho/ 9 : visita a Mobília Contemporânea - Caderno de Notas. [Fonte: Acervo familiar].
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promocional; detalhes diversos ; . )luminação; . Trabalhos Práticos9 Na cronologia nos escritos do professor, esta sequência no caderno de anotações pessoal situa-se após os apontamentos da viagem aos EUA, o que, se considerarmos que elas começaram no período inicial de sua carreira como docente no Mackenzie, provavelmente houve certa influência internacional na montagem do curso independente de desenho industrial que estava propondo à Escola. Considerações sobre os conteúdos e formatos desejados são encontradas em cartas destinadas à diretora da Faculdade de Arquitetura, em que cita, em grande parte, a organização do curso do ))T como exemplo a ser seguido. Nessa época, anotações sobre semiótica, psicologia e teoria da infor- mação são encontradas frequentemente em seu caderno de notas, e um exemplo de que houve a tentativa de implantação desse conteúdo pode ser identificado no trecho abaixo, extraído de seu caderno de notas.
Não entenderam aula de semiótica. Diferença de signo, sinal e 1-
símbolo dar nova aula, dar exemplos Reclamaram simples cópias trabalhos 2-
Estantes levando meses sem explicações sobre conceitos que presidiram à projetação R. - .... fará relação e discussão
Recl. já devia ter sido feito )dem para visita à fábrica
Assim, por intermédio das anotações no caderno e outros documentos, verificamos a aspiração de Levi pela abertura de um curso pleno de graduação de desenho industrial. Ele cita a urgência desta implantação, devido ao desenvolvimento do campo industrial paulistano, em carta aos dirigentes do curso que foi uma das ações empreendidas durante a fase em que ele esteve como professor no Mackenzie marcado por esse anseio.
A partir das idas do professor ao exterior, fortaleceu-se a crença nele da necessidade de criar em São Paulo, no âmbito universitário, instituições apropriadas para o ensino de design em seus vários campos de atuação,
9 Caderno de Notas. [Fonte: Acervo familiar]. Figura 13: Anotações
de Lívio Levi sobre sua impressão de uma possível aula com abordagem em Semiótica. [Fonte: Caderno de notas. Acervo familiar].
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como o desenho industrial e a comunicação visual.
)sso pode ser verificado na carta emitida para a diretoria da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Mackenzie, em que ele aponta que, naquela época, nos EUA a profissão de designer já tinha 40 anos e contava com 40 escolas que formavam 00 profissionais por ano. Nos documentos encontrados, Levi cita também a carioca ESD) como referência de única escola brasileira de ensino superior em design e que
lutava bravamente para sobreviver. O professor ainda relata a inserção da sequência de quatro anos de Desenho )ndustrial e Comunicação Visual da FAU/USP como um prenúncio de um futuro desdobramento dos cursos das faculdades de arquitetura, às quais estavam vinculados. Para o caso do Mackenzie, o professor relata em uma de suas cartas que já estaria anunciada uma implantação de departamentos na faculdade, que isto permitiria maiores possibilidades de criação de cursos e que aquela era uma ocasião adequada para se pensar na implantação do curso de desenho industrial.
Assim, neste período 9 , Lívio Levi apresenta um esquema que situa a Escola de )ndustrial Design no contexto de uma Universidade. Nesses apontamentos, dentre os principais tópicos encontra-se a informação: a organização das aulas deveria abranger a definição sobre design e a relação de igualdade e diferença com o desenho, acesso aos campos de conhecimento, os processos de informação, formação e comunicação; conhecer o conceito de várias ciências e interligações; semiótica, cibernética, matemática e teoria da informação.
Em meio a suas observações feitas à )nstituição, identificadas em seu caderno de anotações, é clara a alusão ao conteúdo da teoria da Comunicação. A partir do início do ano de 9 , há referência a nomes, como Max Bense, Umberto Eco e Décio Pignatari, e a proposta de inserção da psicologia da percepção e da comunicação no conteúdo programático para o curso sugerido. E, com esta proximidade com os aspectos semânticos do design, o professor expõe a crença de que o objeto também é portador da mensagem 9 .
A influência da área da semiologia no design é observada nas notas de Levi, que também se dedica, em grande parte delas, a apresentar alusões a escolas, professores e métodos internacionais e nacionais, como verificado nos trechos seguintes, extraídos do caderno de notas do professor.
O Ens ino P auli stano d o D es ign )ns titut o P re sbi te ri ano Mac ke nz ie 179 Nas figuras encontramos importantes nomes do campo teórico do
design nacional como Décio Pignatari, e internacional, como Vance Packard, justapostos a elementos da semiótica signo, intérprete, objeto , o que se repetem ao longo de grande parte das páginas do caderno de notas9 de Lívio Levi e apontam a importância deste campo nos estudos do professor.
Na procura por referências de cursos de design, Levi estabeleceu contatos com uma série de profissionais, o que também pode ser verificado na sequencia de tais registros com um roteiro de apro- ximadamente três meses de visitas a escolas em diversos países europeus de junho a setembro, provavelmente do ano de 9 .
9 Tomando-se como referência o que foi encontrado no acervo familiar. Não podemos afirmar que se trata do caderno completo, devido ao seu formato, um fichário com folhas avulsas, e nem mesmo que seja o único diante de vários anos de dedicação ao campo do design.
Figura 14: Definição de
Semiótica. [Fonte: Caderno de notas. Acervo familiar].
Figura 15: Relação dos
elementos da Semiótica. [Fonte: Caderno de notas. Acervo familiar].
Figura 16: ª Aula
– Décio. Notas sobre aspectos semânticos dos signos e referências internacionais. [Fonte: Caderno de notas. Acervo familiar].
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No seu caderno, encontram-se também anotações de tópicos para um curso de Projeto de Produto, mas impossíveis de identificar se são referentes às aulas que assistiu no exterior ou a um programa montado por ele para as aulas no Brasil. No entanto, tais notas dão indícios de uma organização baseada nos moldes das escolas americanas visitadas:
. Análise elementar e desenho de produto simples . Desenho de produto simples
. Projeto de equipamento para uso em direta relação com o corpo humano
4. Projeto de objetos complexos para uso humano + oficina . Desenvolvimento de projeto completo desde análise escrita até modelo final
. Solução de um projeto de objetos que estendem ou melhorem operações + oficina protótipos
A viagem aos EUA9 proporcionou a Levi observar a importância que era dada aos exercícios práticos dentro do curso de Desenho de Produto e fez com que ele trouxesse esta experiência para o Brasil e declarasse suas intenções segundo esta linha de pensamento para um futuro curso na Universidade Mackenzie.
Assim, destaca a Oficina como espinha dorsal do IIT, declara a impor- tância conferida à abordagem conceitual mais que à tecnologia e à estética e relata a significativa participação dessa escola na sociedade americana, com seus alunos já saindo com emprego nas indústrias americanas; também acrescenta: partindo da livre experimentação da tradição bauhausiana, o )D hoje final da década de 9 0 está no caminho de sua definição básica dos aspectos pedagógicos do ensino do design 99.
Nesse contexto de busca por referências no campo acadêmico e
profissional do desenho industrial, ressalta-se a ação do professor Lívio como um personagem que trouxe importantes considerações desse campo ao Brasil, pois ele viajou também representando a ABD) em
9 Outros dados sobre a ida de Levi aos EUA, contatos estabelecidos e decorrentes apontamentos estão apresentados nos Anexos deste trabalho.
99 Caderno de notas. Acervo familiar.
Figura 17: Cronograma
de viagem e respectivos locais de estadia durante pesquisa sobre o ensino do design.
[Fonte: Caderno de notas. Acervo familiar].
O Ens ino P auli stano d o D es ign )ns titut o P re sbi te ri ano Mac ke nz ie 181 várias ocasiões e provavelmente ele apresentou relatos e descobertas
aos demais associados, muitos deles docentes. Exemplo disso é encontrado nas suas considerações finais provavelmente colocadas para o Mackenzie como resultado das visitas realizadas nas escolas norte-americanas , em que ele destaca a importância do Industrial
Design, com os seguintes apontamentos:
- nas outras universidades, o D) é como um apêndice para cursos de engenharia, arquitetura e artes
- a necessidade da criação de um departamento de D) - o emprego dos formandos pelo mercado de trabalho
- os contatos estabelecidos com Prof. Montagne, Jay Doblin e (ubbard Yonkers
- a existência de oficinas para a execução de modelos e estudos nos vários materiais fotografia, marcenaria, escultura, gráfica xilo, lito, etc.
Estes itens mostram um resumo dos pensamentos de Levi e sugerem as ideias que ele expunha à )nstituição em meados da década de 9 0. Os conteúdos de cartas e a quantidade de anotações encontrados no seu caderno de notas mostram que era constante a troca de mensagens entre o professor e os dirigentes da Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, sobre a abertura de um curso exclusivo de desenho industrial. No entanto, apesar de seus esforços, a sequência dos fatos mostrou que a implantação não aconteceu no período em que ele estava presente nesta )nstituição.
Entre os diálogos, verifica-se, por um lado, uma permissão restrita00 concedida pelo Mackenzie para que Levi buscasse informações do novo curso Figura , e por outro, um desconforto do docente quanto às instalações e condições encontradas na Escola para receber o curso pretendido, conforme conteúdo da carta destinada ao diretor da Faculdade, Salvador Cândia, em 0 de maio de 9 Figura 9 .
00 Ofício No. 0 / enviado do diretor substituto Gustavo Ricardo Caron a Lívio Levi no ano de 9 . [Acervo Familiar].
O Ens ino P auli stano d o D es ign )ns titut o P re sbi te ri ano Mac ke nz ie 182 Figura 18: Carta do diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Prof. Gustavo Ricardo Caron, ao professor Lívio Levi, em 0 de dezembro de 9 .
O Ens ino P auli stano d o D es ign )ns titut o P re sbi te ri ano Mac ke nz ie 183 Figura 19: Carta do
professor Lívio Levi ao diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Prof. Salvador Cândia, em 0 de maio de 9 . [Fonte: Acervo familiar].